sábado, 12 de janeiro de 2019

Pessoas que pensam e não se deixam ir naquilo da carneirada, é outra coisa (isto a propósito da última reportagem de Ana Leal/homossexuais/Mª José Vilaça

Hoje arrastei até aqui um blog e um assunto delicado e, não, não me parece que vá trazer dissabores ao autor do texto como ele fez questão de escrever, se tal acontecer é porque as pessoas continuam com graves problemas de interpretação de textos, continuam a ler na diagonal, continuam a ler só as letras garrafais esquecendo que nas letras mais pequenas é que se encontra o principal, tal como nos contratos e como me foi ensinado desde adolescente, ler tudo, nem que aquilo tenha 200 páginas e letras minúsculas - a lupa servirá para alguma coisa, penso eu - se a pessoa do lado de lá pressionar para assinar, ela que aguente os cavalos que a malta já vai, e se só conseguir ler aquilo tudo passadas duas horas, aí, sim, em consciência, assinar. Mas não, as pessoas estão sempre com muita pressa, têm mais que fazer, não podem perder tempo, e nesta confusão de neurónios empilhados, que praticam o atropelo, acontecem desgraças para as próprias e para terceiros, o problema é pelo caminho atingir os tais terceiros.

E mais. Continuam a não saber o que é um texto irónico - que não é o caso deste do autor, que é um texto sério e merece reflexão, muita -, lembro-me de há relativamente pouco tempo ter escrito num título, e ó se gosto de brincar com os títulos, algo como: "portantoSsss" com 'ésse' no final e alguém achar que era um erro, que eu provavelmente diria: prontoS, ou tivesteS, ou fizesteS e por aí fora. Isto assim tira o gosto, o gozo,  de escrever à vontade, porque não escrevendo à vontade metade da satisfação disto de escrever perde a piada, pensava eu que as pessoas adultas e bem resolvidas saberiam a diferença de quando se escreve a sério, quando se escreve ironizando e quando se brinca com as palavras. Não me levo a sério, e se não me levo a sério mas sou uma pessoa séria, séria que não é na linha de carrancuda mas na linha que sou uma pessoa de confiança e disso muito me orgulho, é natural que os meus textos também não reflictam essa rigidez na escrita. No entanto gosto de muita gente que escreve manuseando essa rigidez, porque na vida tudo cabe, só não cabe, ou não deveria caber, gente  que transpira desonestidade.

Posto isto, vamos ao que interessa no belíssimo texto de Pedro Picoito. Deixo apenas um lamiré para que as pessoas o leiam na íntegra onde deve ser lido, no blog onde o autor o escreveu. E comentem por lá se assim o quiserem.


Também a mim, devo confessá-lo. Entrar neste contínuo vale tudo. Não olhar a meios para atingir fins acaba por descredibilizar reportagens pertinentes. A ética, na minha opinião, é algo que não deveria nunca passar de moda, quando se opta por a ignorar estamos a abrir uma possível caixa de pandora.