sexta-feira, 1 de junho de 2018

"Quem não rouba nem herda, não sai da merda" - disse-me um dia destes um senhor de 70 anos

Merda assim a seco sem asteriscos pelo meio para disfarçar o cheiro a excremento humano. 

E este ditado popular ali confortavelmente deitado ao sol no título, vem a propósito de quê? Ora, vem a propósito de uma conversa daquelas que se tem em sábados ou domingos, em que as pessoas estão mais disponíveis para parar e conversar cinco ou mesmo dez minutos com outras. Não é só aquele bom dia de fugida sem sequer esperar a resposta do outro lado tal é a pressa que se tem em enfrentar um dia que se quer bom. Não. Nestes dias com mais tempo uma pessoa fala de roubos que não fez, de heranças que não recebeu e de merda que sai à maioria das pessoas em vez do tão desejado euro em modo milhões. 


A conversa começou porque eu defendia isto da honestidade, isto de ser insistentemente ridícula e continuar a defender a malfadada honestidade - quem quiser pode substituir algumas vogais na malfadada só naquela de lhe emprestar um pouco mais de ênfase, uma sugestão como outra qualquer, a de tentar ser coerente com o facto de merda se apresentar despida de asteriscos. Escrevia eu que enquanto eu defendia aguerridamente a honestidade e as pessoas honestas que, pelas palavras do tal senhor, é coisa para ser um batalhão de gente, ali na ordem de sete pessoas e meia muito, mas mesmo muito, honestas. A meia não faço ideia de quem se trata, talvez fosse alguém que se arrependeu no caminho de querer ser honesta na totalidade. Eu ainda não me arrependi, ainda não me arrependi disto de insistir na honestidade, visto que para roubar não tenho jeito, para herdar não depende de mim, só me resta, por enquanto, a m****. Desta vez com asteriscos em forma de luzinhas cintilantes porque se é para estar em tal sitio, que pelo menos algo cintile não vá uma pessoa pisar ainda mais. Mais disso.

Agora vou ali comprar air wick.
(e, já agora, esquecer o conselho de alguém de 70 anos,
que isto não está fácil para quem não rouba nem herda)

17 comentários :

  1. Pois...mas lamento dizer que, à semelhança do que parece ter acontecido com as pessoas honestas e isto considerando que possa ter havido algumas, mesmo que tenha sido em meio formato, o "air wick" também já é coisa do passado e hoje em dia tudo se resolve com V.I.Poo...
    Dizem que é 100 por cento eficaz e que faz qualquer pessoa parecer a Santa Engrácia do bom cheiro...e a ser verdade que todo aquele que não for honesto tem sempre a mania de querer limpar tudo, desta forma não só fica tudo limpo como também pode deixar um cheirinho da sua graça.

    "Quem não rouba nem herda, não tem senão merda"...ainda estou longe dos 70 anos mas já conhecia esse ditado há muito anos. Acho que até foi dos primeiros que aprendi. :)

    Boa noite, Maria.

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    1. Claro que existem pessoas honestas, não vou aprofundar esta parte, mas asseguro, com provas, certificados e demais coisas que sejam necessárias apresentar, como efectivamente ainda existem pessoas honestas, não fossem essa meia dúzia de pessoas a segurar isto do mundo e não tarda andávamos todos à dentada uns aos outros, Literalmente, à dentada.

      Admito que nunca tinha ouvido esta expressão, a do título. Portanto fiquei um pouco ko e nada ok quando este homem me diz, não dizendo, que para uma pessoa se dar bem, ter assim muito dinheiro, ou tem de roubar, das muitas formas que existem de roubar, ou tem de herdar, a não ser assim aquilo é uma vidinha de miséria, a nadar em águas pouco profundas e com cheiro a rosas com prazo expirado há 'canos'. Mal ele me disse aquilo lembrei-me das pessoas que dizem: se se trabalhar muito qualquer pessoa chega lá... neste momento só me apetecia enviá-las directamente lá para a éme com quatro asteriscos.

      Isto que escreveu é muito bom: "a ser verdade que todo aquele que não for honesto tem sempre a mania de querer limpar tudo". :))

      Boa noite para si também, Francisco.

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  2. Essa expressão tem alguns anos mas, confesso, já não a ouvia/lia há muito tempo.
    Foi preciso espreitar o 'Amanhecer Tardiamente' para me reencontrar com ela, a frase.

    Existe um provérbio português que precisa de air wick ou lá o que é: https://www.escritas.org/pt/t/22734/quem-nao-rouba-nem-herda

    Vai dar ao mesmo. Ou nem por isso?

    Bom sábado, dia de jardinagem.
    Beijinho, caríssima Maria.

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    1. Fui lá espreitar o link que o caro Observador deixou, mas, a bem dizer, a expressão adaptada (ou não) deste senhor faz mais sentido. Penso eu, que nestas coisas de fazer sentido, nos dias que correm, uma pessoa não sabe para que lado se há-de voltar. Se uma pessoa rouba vai presa, quer dizer, já não sei muito bem se isto de ir presa vale para todos ou só para a arraia miúda; se uma pessoa herda, o governo é bem capaz de cair em cima da herança e taxar algo que os avós/pais, deixaram aos seus netos/filhos, puro oportunismo, na minha opinião. Fazendo as contas, só resta mesmo... air wick.

      (nada de jardinagem, pus-me a fazer, ontem, coisas lá de homens de barba rija e, vai daí, hoje não mexo nem um bracinho sequer :))

      Beijinho para si também, caro Observador.

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  3. Cola mesmo bem, ali, à frase proferida pelo senhor de 70 anos, o caso Sócrates!!!
    [curiosamente o caso Sporting/BdC parece ter vindo em boa hora...um acaba por abafar o outro, no que diz respeito a notícias/assunto de momento/1as. páginas de jornais/abertura de noticiários/etc. etc. -- ou será impressão minha?]

    Bom fim-de-semana, Maria.

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    1. Té, mas, mas, e outra vez mas, o Sócrates parece que não tem nada, é pobrezinho, disse o senhor Sócrates - não fui eu - que sempre viveu com dinheiro que os bons amigos lhe emprestavam ou emprestam, sei lá eu bem, o que sei é que, logo na altura do nascimento uns herdam de imediato amigos de ouro, outros amigos de prata e a grande maioria amigos de lata; embora se formos pegar na palavra 'lata', aquilo até cole bem ao senhor Sócrates de cognome, o pobrezinho.

      (ah, bem pensado, realmente um caso acabou por abafar o outro, ele há com cada coisa...)

      Bom fim-de-semana, Té.

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  4. Maria, dava pano para mangas isto da falta de honestidade que por aí pulula...Eu entrei por um assunto que esteve na ordem do dia e que interessa a todos; a desonestidade de um ex primeiro ministro. Mas podia ter entrado por outro já que a desonestidade toca diversos quadrantes.
    E agora estou a pensar em Fake News - também o pão nosso de cada dia!
    ...havia tanto para dizer que enfim, calo-me!!

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    1. E entrou bem, só que me deu para ironizar, por vezes é a única saída possível no que toca a intocáveis.

      A desonestidade também habita entre o cidadão dito comum, todos nós, portanto, muita gente dissimulada por aí.

      Já tentei perceber a história das fake news mas não consigo chegar lá, pensava eu que isso seria algo simples de ultrapassar, que o que existe mais por aí são génios informáticos que conseguiriam arranjar forma de resolver a questão, pelos vistos não.

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  5. O meu pai quando lia ou sabia de alguma coisa onde imperava a "desonestidade" furioso, aplicava sempre essa frase. De facto estamos inundados num lamaçal de falta de honestidade, melhor dizendo de "tudo" porque quem mais tem mais quer e é mais fácil prender quem rouba num super algo para comer do que quem rouba milhões nos diversos casos que já se tornaram habituais nos infindáveis processos judiciais que já perdi a conta!

    As televisões berram, os jornais editam e as pessoas falam e eu desejo apenas uma coisa: JUSTIÇA e a devolução do dinheiro gamado porque essa gentalha rouba milhões e eu e outros como eu andamos aos tostões!

    Nunca roubei nada mas herdei parte da casa por morte do meu pai. Mas para não ficar tão rica, mas tão rica, o fisco obrigou-me a pagar as ditas "Mais/pequenas valias" quando todos abdicámos do valor da venda em prol da minha mãe e assim custear o lar. Julgas que isto interessa a alguém das altas esferas do Estado? Claro que não porque a maioria deles e delas aos comandos do navio durante anos e anos berram...não sairás da merda!!!

    Vou ali a ver se roubo alguma coisa, o melhor é ficar aqui e ir até Roland Garros, porque estou farta de Salgados, Sócrates, Brunos de Carvalho e outros e outros...chiçaaaaaaaaa!!!!!

    Xau e bom domingo...o sol já se foi e agora chove não em Paris...mas em Sintra:)))





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    1. Isso de uma pessoa herdar, vamos supor, um apartamento que uma tia afastada lhe deixou, e for até uma casa modesta, talvez que ronde uns 60 ou 70 mil euros, e sendo essa pessoa humilde, não ganhe mais do que o ordenado mínimo nacional, traduzido quer dizer que em imposto de selo terá de pagar 6/7 mil e tal euros pelo apartamento herdado. Se isto realmente funciona assim, a questão que se coloca é: como raio é que uma pessoa que ganha o ordenado mínimo nacional, que não tem bens, dinheiro, consegue pagar os 6/7 mil euros de imposto de selo? Quer dizer que tem de vender o apartamento para pagar ao Estado o imposto de selo? Quer dizer que quando finalmente consegue ter um tecto, uma casa, o Estado vai lá e 'rouba-lhe' a dita. Não sei se funciona assim, ainda não me debrucei sobre o assunto, mas se for assim é uma autêntica anedota, para não lhe chamar outra coisa.

      Algo me diz que metade da população existe para alimentar a outra metade, nem sequer vou explicar o que quero dizer com isto... Talvez tenha a ver com aquela expressão em desuso: "carne para canhão" ou lá o que é.

      Fatyly, isto da desonestidade, dos roubos, tenham eles a forma que tiverem, não existe só na esfera política, também existe, e muito, entre pessoas ditas humildes. Veja o exemplo de algumas mercearias que existem em alguns sítios fora das grandes cidades, se se deslocar até algumas delas os preços praticados são mais elevados do que fazer compras num supermercado qualquer. Aqui quem é que explora quem? Ora, o merceeiro que até vive por lá é o próprio a explorar as pessoas mais velhas com reformas miseráveis, tendo em conta que as pessoas até confiam no tal merceeiro, está tudo dito.

      Tenha uma boa noite, Fatyly.

      PS: Por aqui nadinha de chuva :)

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  6. Antes de mais nada, folgo com a constatação de que, afinal, é a própria Maria a corroborar o que eu dizia, há uns quantos de dias, "aqui bem perto" – é possível fazer uso de "palavrões" em concomitância com aquela coisa de "ter classe"!

    Ainda há coisa de uns dias, por outro exemplo, quando a enxada, falhando o respectivo alvo (que era a terra), me acertou na ponta do pé direito, soltei um audível e valente Foda-se!, tendo tido o cuidado prévio de esticar bem o mindinho. Que palavrões, são uma coisa; ordinarice, é outra...


    À parte o aparte, vinha lembrar que o ditado é um tanto redundante, na medida em que quem tenha o que herdar, o deve a roubos (ante)passados.

    A mim, já de pequeno me ensinaram, que só podem uns ter muito, se houver outros que não consigam ter mais que muito pouco. Razão pela qual, ao contrário da sociedade no seu geral, eu não vejo a riqueza como um indicador de sucesso, mas sim da falta de vários escrúpulos...

    Neste palco que se montou para o festim da queda do império, só dança quem deixar a honestidade na plateia a bater palmas à tragicomédia que é o hoje-em-dia.

    E já que é prolífica a sabedoria popular: Quem cabritos vende, e cabras não tem... É certo que anda a – digamos (assim, para não fazermos uma tendinite no mindinho) – (bem)"fadar" alguém!...


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    1. André, na parte dos palavrões, quem já me leu sobre o assunto, e já escrevi sobre o assunto algumas vezes, sabe, isto se leu com atenção, que não gosto de palavrões, não os uso, no entanto não me escandalizo com o uso dos mesmos - sou adulta e bem resolvida neste exacto momento, aguento-me muito bem até com aquilo de que não gosto - ou seja, o que não gosto no uso dos palavrões é que sejam usados de forma gratuita, seja porque a pessoa tem aquilo de má energia, é insegura, e usa o palavrão como forma de provocação, sendo essa provocação levada até aos limites desgastando tudo e todos, principalmente dos que não gostam, seja porque a insegurança, a desordem mental, é de tal ordem que só dizendo a cada duas palavras um palavrão consegue exorcizar tudo o que na vida dela precisa urgentemente de ser exorcizado. Acho que isso de exorcizar também funciona se uma pessoa lhe der para bater com a cabeça na parede, ou tomar um duche morno, ou dar um mergulho no mar, ou fazer uma caminhada, ou correr por 10 minutos, funciona da mesma forma e não chateia ninguém :)))) - dizer um palavrão quando se bate com um joelho nalgum sitio, quando se entala um dedo, é, funciona, no meu entender, como se aquilo aliviasse a dor física que se sentiu no momento, a bem dizer não alivia rigorosamente nada mas faz de conta que sim. Lá está... exorcizar.

      Caramba. André, nesses momentos em que se usa uma enxada, uma pessoa deixa os pés em casa e só usa o dedo mindinho esticado.

      *
      Isso da concomitância é que não me convence, aqui, neste texto, fui buscar um provérbio, não pretendi ter classe, aliás, se alguma vez tive isso, perdi-a logo ao escrever o provérbio sem o uso dos asteriscos, no entanto não escrever a palavra 'merda' neste contexto, retirar-lhe-ia metade do significado, isto porque o tal senhor de 70 anos o disse exactamente desta forma. Diria que são situações distintas, é como uma pessoa saber vestir-se para a ocasião, tal como não vou à praia de vestido de noite e saltos altos, também não vou a um evento em que me pedem traje a rigor de bikini e chinelo no pé. Acho que é isto. Penso eu, mas não tenho a certeza.

      *
      Quanto ao restante do seu comentário discordo nalgumas coisas e concordo noutras, nem toda a gente que herda algo é proveniente de roubos passados. Isso é muito violento. Se me falar de riqueza para lá de muita, muita em modo milhões de euros e que não seja um prémio de jogo comprado numa papelaria qualquer, talvez exista lá pelo meio algo menos honesto, acredito que sim, tenho a certeza que sim, seja porque fogem a impostos, seja porque razão for, e ó se existem muitas formas de 'roubar', acabam por acumular mais do que todos os outros, mais do que a maioria, se for por aqui concordo consigo...

      Deixe-me desejar-lhe um resto de um excelente domingo e deixar à laia de fechar a porta do comentário em silêncio, que ler os seus comentário é sempre um enorme desafio para mim :)

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    2. Quanto à parte do seu comentário e do dedo mindinho esticado, apeteceu-me ir buscar isto aqui mais em baixo porque acho que podem existir pessoas que não saibam o que conta uma tradição lá dos antepassados:

      "Levanto ou não o dedo mindinho?
      Existia uma antiga tradição orientando as pessoas que ao comer ou beber algo, devia-se levantar o dedo mindinho como símbolo de refinamento ou boa educação. Foi uma verdade durante muito tempo, mas nos dias actuais, a regra funciona justamente ao contrario, associada a pessoas inseguras ou com pouco traquejo social. Cabe ressaltar que esse costume vem de épocas remotas onde as pessoas ainda comiam com as próprias mãos. Algo impensável nos dias actuais, no entanto devemos reconhecer que era uma pratica normal, aceita em todos os níveis sociais, por um simples motivo, os talheres eram reduzidos a colher e faca que para piorar a situação eram utensílios compartilhados entre outros comensais. O único detalhe que diferenciava os nobres ou alta burguesia do povo reduzia-se à maneira de comer, pois os primeiros utilizavam somente três dedos da mão, enquanto que o povo em geral faziam uso de todos os dedos. Resultava fácil reconhecer a origem das pessoas observando a quantidade de dedos utilizados para levar os seus alimentos á boca. Uma vez introduzido o garfo depois de várias tentativas frustradas, este veio para ficar definitivamente a partir do século XVII. Aos poucos as pessoas foram utilizando o novo talher deixando de lado o velho costume. Mas mantiveram como símbolo de educação e refinamento o gesto de esticar o dedo mindinho que no começo serviu de auxilio para retirar restos de alimentos que ficavam ao redor da boca ou entre os dentes."

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    3. (vim aqui como quem não quer a coisa perguntar se censurou o meu comentário lá no seu blog, é que deixei por lá palavras escritas muito 'lindas' há mais de uma semana e nada de ver a luz do sol :))))

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    4. (não foi censura, Maria, mas inadvertência... ;o) entretanto, já passou!)

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