segunda-feira, 11 de junho de 2018

Da continuação da exposição de crianças na Internet (parece que passámos ao patamar dos recém-nascidos)

Posso, ou devo, começar este texto em modo politicamente correcto para, depois, e de consciência toda ela lavadinha passar ao politicamente incorrecto. 

Modo politicamente correcto: Cada um saberá da sua vida e ninguém tem de opinar em relação ao modo como os pais criam, educam, os seus filhos.

Esta é a forma que se tem de estar em sociedade quando queremos estar de bem com todos e com uma vida tranquila onde só se ouve lá ao longe o piar dos passarinhos, um piar muito baixinho porque é assim que os bons passarinhos piam só para não incomodar os outros passarinhos.

Bandos à parte...

Modo politicamente incorrecto: Faz-me muita confusão e fico aquilo de apreensiva quando vejo que as crianças são expostas na Internet cada vez mais cedo, a nova moda passa por figuras públicas tendo acabado de lhes nascer a criança não conseguirem controlar não sei o quê que precisam de controlar e, vai daí, as fotos saem direitinhas da maternidade para as redes sociais sem passar pela casa. Casa delas, entenda-se. Não entendo estas coisas. Pensava eu que estes momentos em que se segue ao nascimento de um bebé eram preservados em família, primeiro com o pai, a seguir com as pessoas da família e só depois com os amigos reais e verdadeiros, daqueles amigos que se abraçam e com quem se desabafa assuntos que só se desabafam entre quatro paredes.

Não sei este fenómeno tem a ver com um desejo absurdo de protagonismo por parte da mãe e do pai, se tem a ver com um mercado de 'venda' de filhos mal nascem?! - calculo que por cada like, click, os pais estejam a facturar, não sei como funciona mas de graça é que não deve ser... Mas o que mais me confunde verdadeiramente é que estando o mundo cada vez mais desorientado, mais gente tresloucada a habitar em cada esquina, que os pais, avós, consigam publicar fotos dos mais pequenos - tão pequenos ainda que não se podem defender, que não podem berrar a plenos pulmões: não quero ver fotos minhas na Internet! - assim com toda esta ligeireza como se a principal motivação de algumas pessoas de hoje, tendo nascido no ontem, fosse a caça desenfreada aos likes.

Bandos. E não são de pássaros...

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Por outro lado e ironizando um pouco, talvez se consiga combater a baixa natalidade em Portugal, talvez o combate passe por isto da ânsia dos pais em publicar fotos dos mais pequenos na Internet, talvez essa ânsia seja tanta que comecem a ter filhos a torto e a direito. De preferência mais a direito do que a torto.