domingo, 27 de maio de 2018

Maria, eu, portanto, convido as pessoas desse lado a escrever meia dúzia de linhas sobre o seu primeiro amor

Dou o exemplo do meu:

Era um rapaz de quinze anos, o mais popular lá do sitio onde uns iam efectivamente estudar e, outros, iam só fingir que sim, que estudavam. Eu acho que na altura era uma mulher mais velha - mais à frente percebe-se isto de ter escrito 'mulher mais velha' - para o rapaz menor, os seus quinze anos assim o ditavam, era menor. Pela minha parte, o bilhete de identidade esclarecia que eu teria dezassete anos, uma mulher mais velha segundo as palavras da mãe do menor, sendo eu também menor, bem se vê. Ultrapassado o obstáculo da mulher mais velha, porque a mãe do menor de quinze anos mal me pôs a vista em cima, carimbou-me de imediato com aquilo de aprovada, embora fosse uma mulher mais velha, menor, de apenas dezassete anos como já referi anteriormente. Esperta a mãe do menor de quinze anos que se tinha apaixonado por aquela mulher tão mais velha do que ele. A verdade é que eu com dezassete anos parecia ter doze anos, e ele com quinze anos parecia ter dezoito. Pois, as 'iludências aparudem', como diz o outro de que agora não me lembro o nome e espero que seja maior de idade não vá ser preso num mundo aos quadradinhos preto e amarelo, porque existem mundos quadrados e escuros a atirar para o preto, e mundos, bikinis, que têm bolinhas amarelas mas mesmo assim continuam a ser pequeninos, embora redondos como as bolinhas o são.

Já me esquecia. O amor? Bom, o amor era em  maior quantidade da parte dele do que da minha, embora cinco anos depois estivéssemos a casar e a mãe dele já acendesse velinhas a Nossa Senhora de Fátima para que o seu menino, agora homem grande e maior, em altura e tudo, nunca se separasse da mulher também ela maior nesta altura dos acontecimentos. A senhora veio a saber que sendo eu filha única aquilo era capaz de correr bem lá para os lados do filho maior dela. Não correu. Tenho a dizer que ainda bem, porque ser maior é coisa bem diferente daquela que experienciei. Fim do texto, agora. Fim do amor menor, na altura. Ufa!


"chega de tragédias e desgraças"

15 comentários :

  1. Como sou pobrezinha, só tive um único amor, e como é único, nem primeiro nem décimo, e o desafio é para o primeiro, safei-me não é verdade?
    Adoro este tema.
    Abraço e resto de bom domingo.

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    1. Elvira, este seu comentário é como uma primeira cereja, cereja da época, boa, doce, carnuda - embora tenha poucas palavras - no topo do bolo que é este tema.

      Escrever que é pobrezinha porque só teve um único amor, é delicioso :)

      (safou-se de um forma que não é para todos)

      Abraço para si também.

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  2. Uma trágico-comédia:)))

    Decorria o ano de 1973 fui a um casamento de um amigo do meu grupo. Comigo foi atrelado o meu primo. Parei o carro e ele pergunta-me se conhecia o X. Respondi que não ao que respondeu que tinha voltado da guerra pois esteve sempre no interior de Angola. Apresentou-me e reparei que tinha uma aliança e brincalhona como sempre fui disse ao meu primo que era simpático mas casado? Obrigado mas dispenso. Não é nada casado e respondi então é parvo né?:) Senti que tinha havido um clik muito fora do normal mas não dei bandeira e contive-me.
    Devo dizer que tinha 22 anos, independente financeiramente desde os 16/17 e como vivia com os meus pais avisava sempre para onde ia. Como era convidada do noivo não sabia onde era o copo de água. Mas nunca fui de vir tarde para casa até porque a situação já dava sinais de um caminho muito mau juntamente com as regras do regime cada vez mais sufocantes.
    Decorrida a cerimónia fomos para o copo de água. Levei o meu primo, outro amigo e S.Exª. Pensei...a coisa promete))
    Falamos muito, dançamos, comemos e S.Exª. sempre de uma gentiliza e carinho que gostei, Pediu-me namoro e eu “perdidinha da Silva” aceitei. A festa já ia noite dentro e quando vi as horas ia dando-me uma solipanta: 5 da manhã. Chamei o meu primo que andava igualmente com uma jovem, hoje ainda a sua mulher. Despedi-me de S.Exª. e já com tudo programado para os dias seguintes. Quando entro na minha rua quem me esperava ? Pois claro e foi o fim da picada. Já tinha ido aos hospitais, polícia e eu completamente “apaixonada” nem dei pelo tempo a passar. Compreendi a sua aflição e a coisa acalmou com a presença da minha mãe a quem contei tudo.
    Mais tarde S.Exª. falou com os meus pais e o namoro continuou. Houve avisos do meu primo que me contou coisas do passado e que ele tinha encontrado a pessoa certa. Seria? Na altura achei que sim porque estava estupidamente apaixonada.
    Casamos a 26 de Janeiro de 1974 numa cerimónia simples. Digo simples porque retirei imensos salameques habituais da época. Ocorre o 25 de Abril e com ele a enorme confusão e guerra civil. S.Exª. começou a mostrar sinais do que realmente era mas idiota como estava sempre pensei “vai mudar”. Em 1975 nasceu a minha filha. A vida começava a estar muito conturbada e a 8 de Novembro de 1975 sai com a minha filha. Dois dias no aeroporto, amparada pelos meus pais e S.Exª. não apareceu porque estava no trabalho com o patrão a proteger ou a defender dos saques que ocorriam.
    Um mês depois S.Exª. chegou a Portugal e dois depois rumou ao Brasil onde tinha um trabalho. Dias depois segui eu e a filha. Dois anos depois regressamos a Portugal e eu e a filha tivemos autorização de regressar a Angola mas foi negado a S.Exª. Mais uma vez dei-lhe uma oportunidade, apesar de já sentir o cheiro e ver a cor da violência doméstica/psicológica e uma solidão terrível...mesmo acompanhada. Nasceu a minha segunda filha em 1981 e a relação agravou-se. Foi uma vida dura e durante anos suportei o insuportável e não me perguntem porquê? Separei-me dez anos depois sem “mas, nem meio mas” num divórcio de comum acordo . Tentou que eu voltasse atrás mas decisão tomada, decisão certa e analisei tudo ao pormenor e achei que sim, eu amei demais mas jamais fui amada e nunca por nunca senti medo de S.Exª.
    O meu primeiro e grande amor foi de facto o pai das minhas filhas e continuo só e bem comigo própria, companhia que estimo, estimulo e sou feliz com a vida que tenho porque ""chega de tragédias e desgraças":)))

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  3. Faltou dizer o mais importante: que gosto imenso desta música com uma letra fantástica e cantada por "uma lufada de ar fresco:))))

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    1. Fatyly, primeiro tenho a dizer-lhe que o facto de se disponibilizar para contar a sua história de amor, a primeira, é de uma generosidade imensa, portanto todo o meu respeito para esse lado e o meu muito obrigada. Percebe-se que começou com amor, e também humor da sua parte, e terminou de uma forma menos positiva, digamos assim, para não a fazer reviver essa parte. Ora, não tarda e ainda casa outra vez :)))

      Também gosto bastante desta canção de Raquel Tavares, é sim senhor um género de lufada de ar fresco - se aumentar um pouco o som até dá para despertar aqueles que circulam na vida em modo moribundo, o que não é o seu caso nem de longe :)

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    2. Rindo à gargalhada:)))

      "Ora, não tarda e ainda casa outra vez :)))" ai Maria fui ao hiper comprar um quilo de "homem bom" e a prateleira estava vazia:)))) e digo-te com toda a minha sinceridade, casar não casaria os papéis estão bué caros e agora num tom muito baixinho que ninguém nos ouve...pobre coitado que venha a seguir porque...porque...na, na, laralirolé junto ao miradouro laralilllleeeéééé heheheheheh chega de tragédias e desgraças....plimmmmmmmmmmmm!!!!!:))))) vou agora dar uma volta fuiiiiiiiiii

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    3. A vida por vezes gosta também de surpreender as pessoas com coisas boas - eu, que ainda não vivi tanto quanto a Fatyly, não tenho, nem de longe nem de perto a sua experiência de vida, sei que quando menos se espera cai alguém de pára-quedas no colo. Quer a pessoa tenha 17 anos, quer tenha 70/80 ou mais anos.

      (de repente lembrei-me de um casal de velhotes que se conheceu num lar e vai de gostar um do outro, sem dar por isso... casaram. Penso que teriam ambos perto de 80 anos. Aliás, pelo que me lembro porque foi notícia, casaram, inclusive, a preceito, vestidos de noiva e noivo e tudo e tudo. Isto é espectacular :)

      PS: Continuando na senda de ninguém nos ouvir, lembro-me de nas vésperas do meu casamento estar um pouco nervosa com tudo aquilo e vai de me lembrar de me sentar ali à beira de um lago na Estufa Fria de Lisboa, sentei-me com as pernas para o lado de dentro do lago e deixei-me ficar por ali um pouco, nisto e sem saber de onde é aquela mulher apareceu, dou com uma cigana, não sei se era cigana mas como estava vestida de preto do pés à cabeça, lenço na cabeça e tudo, deduzi ser cigana, e vai de olhar para mim, pegou na minha mão naquela de me ler a sina, recusei, mas ela não largou a mão - assustadora a mulher - perguntou-me o que me preocupava, acabei por lhe dizer que ia casar dentro de meia dúzia de dias e estava meio nervosa, então não é que a mulher me olha de frente e diz que o meu casamento não iria durar muito, que me preparasse, mas que não me preocupasse que iria casar uma segunda vez e, aí, iria seria feliz. Caramba que aquilo para quem está nas vésperas de casar foi demolidor, a sorte é que esqueci rapidamente e voltei a lembrar-me daquela mulher passados uns tempos quando me divorciei. Ainda estou à espera, sentada, bem se vê, do segundo marido e da tal felicidade assegurada pela tal mulher :)))))))

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    4. Xiiiiiii a tal senhora de negro na Estufa fria. Também a conheci e nunca lhe dei a mão, mas falava muito com ela. Tinha cá uma conversa Jasus me valha, mas enfim! Por aqui há uma ou duas e mal me abordam digo a rir...vão dar-me a chave do euromilhões? Fogem a sete pés! Coitadas:)))

      Claro Maria o amor/carinho/companhia não escolhe idades e há imensos casos iguais ao que relatas e nunca se sabe o dia de amanhã, mas embora não condene conheço quem aplique na hora "rei morto, rei posto" e em muitos casos sem deixar assentar a poeira da derrocada. Não é de todo a minha praia!

      Esperar sentada não e não porque o meu colo já não aguenta embates de pará-quedas mas jamais aplico a palavra nunca:))))

      Vim aqui porque chove em Paris e o meu ténis foi interrompido...óóó:)))

      Um bom serão e saio daqui muito bem disposta! Obrigado por isso!

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  4. Ahahaha, que belas recordaçõs tive agora do meu primeiro amor.. Cujo anel de noivado foi um pneu de um carrinho de brincar! =)
    Beijinhos,
    https://chicana.blogs.sapo.pt/

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    1. Anel de noivado em formato pneu de um carrinho de brincar, é maravilhoso :)

      Beijinho, Ana.

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  5. Normalmente não leio os comentários dos outros, para não ser influenciado, mas desta vez li. E gostei de ler.
    O primeiro amor é único, quase uma coisa sagrada, mas as coisas sagradas são para ficarem guardadas, neste caso para despertarem sorrisos. E foi bom, ó se foi! :)
    As pessoas crescem, amadurecem, a sua percepção das coisas altera-se. E...
    Não, não conto. Há coisas que, apesar de completamente inofensivas, para manterem a ingenuidade original carecem de ficar guardadas. :)

    Um beijinho, Maria :)

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    1. Também procedo dessa forma,só leio os comentários de outros depois de publicar o meu, exactamente para não ser influenciada, ainda que isso seja um pouquinho difícil, isso de ser influenciada, pode acontecer aqui e ali, mas no seu todo, é difícil.

      Admito que gostei de todos, de todos os comentários até agora, cada qual à sua maneira e essa parte só enriquece, mas todos, tenham poucas ou muitas palavras, com gente lá dentro. Sente-se gente lá dentro.

      E o seu, bem, o seu é envolto em mistério, na parte em que escreve que as coisas sagradas são para ficarem guardadas, essa parte é do mais verdadeiro que existe, só se conta aquilo que se pode contar, o resto, o mais privado, guarda-se só para nós com a cumplicidade dos sorrisos também eles só nossos.

      Aceite também um beijinho, AC, boa semana :)

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  6. já tinha passado por aqui, começado a escrever, e depois não publiquei :) mas tendo sido a única desafiada a aceitar o desafio lá no dona-redonda :) tenho é de reescrever o que tinha escrito e publicar também - o meu primeiro amor foi melhor do que eu tinha imaginado que poderia ser - não sou nada de especial, comecei a ler livros sérios desde criança e tinha-me tornado um pouco céptica ou realista quanto à possibilidade de encontrar alguém de quem gostasse que também gostasse de mim - só o encontrei quando comecei a estagiar/trabalhar e ele era mesmo melhor do que eu poderia imaginar e desejar com todos os livros que li, bonito, inteligente, com sentido de humor e bom coração - incrível ter gostado também de mim - ele foi meu namorado, meu noivo (ofereceu-me um anel, eu disse logo que sim e tinha receio de casar, do compromisso, mas com ele não) meu melhor amigo, e tivemos seis anos com muitos momentos bons, só que ele morreu (e durante algum tempo não me apetecia lá muito viver, depois quis que a minha vida continuasse e algum tempo depois conheci o N. e espero que haja um N. também para a Maria e para a Fatyly - também estive a ler os comentários anteriores)
    um beijinho
    Gábi

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    1. Gábi, muito obrigada por este seu comentário, fiquei assim meio sem saber o que escrever. Acho que não vou escrever muito, apenas desejar que seja sempre muito feliz e que não desperdice nem um minuto de vida junto de quem mais gosta,

      Beijinho par si também :)

      PS: Eu passo, terminei uma relação de 7 anos não há muito tempo assim, não me apetece, e acho que não me vai apetecer tão cedo, conhecer outra pessoa. Aliás, nem sequer dou qualquer hipótese a alguém de se aproximar, mal me apercebo de qualquer coisa, desapareço em cinco segundos ;)

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