terça-feira, 29 de maio de 2018

Ironizando: fiquei a saber com isto de políticos a falar sobre a eutanásia que se preocupam bastante com a dignidade das pessoas (vou escrever o meu primeiro poema)

Discutimos a morte, quando nem sequer nos damos ao trabalho de discutir a vida. As banalidades da vida não interessam a ninguém, são, lá está, banalidades. Importante mesmo é o défice orçamental e a poesia. Existe algo de poético nisto de colocar o défice orçamental de braço dado com a poesia.

Está na hora de escrever poesia neste meu blog.

Verso primeiro:
Vivo em Portugal e vivendo em Portugal, ter nascido neste país, ter crescido neste país, ser, por hábito e defeito também, bastante observadora, alguém que continua a gostar de pessoas ainda que algumas pessoas já me tenham desiludido, aí culpa minha por ter baixado as defesas em relação aos sinais emitidos, e, ainda outras pessoas por me terem decepcionado porque acontece muito isso de se usar a dissimulação como maquilhagem que nunca passa de moda. 

(embora o dicionário me informe que desilusão e decepção são sinónimos, eu continuo a achar que existe uma diferença em modo pormenor que não é tão pormenor assim)

Verso segundo:
A  preocupação enorme dos políticos com a dignidade das pessoas passa por:

1. Retirar-lhes a própria casa onde habitam se não pagarem a tempo e horas a prestação da casa ao banco, isto no caso de ficarem sem trabalho por razões alheias à sua vontade.

2. Achar que um ordenado de €600 é melhor do que não ter salário algum, só podem ser pessoas cheias de sorte as pessoas que auferem a módica quantia de €600 quando têm de pagar uma renda de casa de €500, bom, sempre sobra €100 para viver com dignidade.

3. Não criar uma rede de transportes digna para que as pessoas possam andar neles como se andassem dentro de um seu carro. Higiene precisa-se, pontualidade quer-se, e mais coisas que só sabe quem efectivamente pisa esses transportes, nem que seja de vez em quando, coisa que a maior parte dos políticos não faz neste nosso país,  é experimentar andar num autocarro em hora de ponta, logo pela manhã, num dia de Inverno rigoroso, daqueles com direito a tudo, ele é chuva torrencial, ele é vento forte, ele é tremperaturas quase a rondar o negativo, e entretanto observar mães cheias de sacolas, com um filho de dois, três anos pela mão e outro ao colo, esmagada, ela e os filhos entre uma multidão demasiado desatenta a banalidades. Experimentem e verão que todo o conceito de dignidade vai à vida.

4. Colocar no mesmo saco pessoas que devem algo porque ficaram sem trabalho mas sempre foram cumpridoras das suas obrigações, e pessoas, empresas, que devem milhares, milhões, ao banco ou a outras entidades públicas só porque sabem que o podem fazer e nada lhes acontece. Neste momento em Portugal tanto é criminoso, caloteiro, com direito a ver o seu nome sujo em praça pública, uma pessoa que deve 5 mil euros (por exemplo), como uma empresa que deve 5 milhões. Isto é o que se chama de dignidade, de saber separar águas, em modo muito bom e melhor não existe.

Verso último:
O que seria realmente digno numa sociedade que se quer justa, é que se deixassem de politizar assuntos e se passasse a olhar mais para as pessoas, desprovidos de toda e qualquer hipocrisia. 

Por mim, quando falo de um determinado assunto não falo porque sou de esquerda ou de direita, falo como sendo eu também uma pessoa independentemente da cor política com a qual mais me identifico, pessoa que se preocupa também com outras pessoas, genuinamente, até posso ir mais longe e não ser hipócrita, coisa que acho não ser, serei outras mas esta não me parece, preocupo-me mais com as pessoa de quem gosto muito, é bem verdade, mas isso é uma mistura de egoísmo assumido com medo, pânico, de ver as pessoas de quem gosto sofrer. Lá está, se for a falar de morte, a minha não me assusta, assusta-me é o sofrimento, morte, dos que gosto, porque viver sem eles é que me custa horrores. Viver sem mim já eu vivo há muito tempo.