quarta-feira, 2 de maio de 2018

Hoje, apetece-me transformar este meu blog numa pequena e confortável cozinha - que tal partilhar uma receita?


A minha forma de cozinhar não é uma forma de cozinhar muito certinha, digamos assim, gosto muito de improvisar, gosto muito de misturar ingredientes que, à partida, parece que nada têm por ali que leve a que possam ser misturados e resulte em algo minimamente comestível. Gosto de abrir a porta do frigorífico, tirar de lá algumas coisas que podem passar por ser sobras de uma outra refeição, uma curgete esquecida no fundo de uma gaveta mas ainda em forma, uma lata pequena de cogumelos laminados que ainda está dentro do prazo de validade, um saco já aberto com meia dúzia de castanhas congeladas, milho congelado que comprei não me lembro a propósito de quê, vou buscar algumas ervas aromáticas, tomate, brócolos se ainda estiverem com aquela cor verde forte, gengibre moído nunca falta, o amigo açafrão das índias também não, se me dá para pôr jindungo a coisa é a doer - gosto bastante de comida picante -, são raros os homens que conseguem acompanhar uma mulher nisto da comida picante, fraquinhos eles. Com esta misturada toda pode resultar um arroz à minha maneira, massa à minha maneira, peixe no forno a minha maneira, qualquer tipo de carne branca à minha maneira. 

Não consumo carnes vermelhas, não faço fritos, no entanto, o azeite, a flor de sal, a canela moída - sim, por vezes faço comida e ponho canela moída - também fazem sempre parte desta dança muito saudável que é preparar alimentos para aconchegar o estômago, a alma e aquilo que tanto faz falta a muitas pessoas nos dias que correm, um coração palpitante. Deve ser por isso que alguns namoros que resultam em amores dos grandes começam sempre por um jantar. Depois de jantar muita coisa pode acontecer, e não, pode não ser isso que muitas cabecinhas estão a pensar neste exacto momento. O vinho tinto pode existir, um simples copo, se for de pé alto agradeço, gosto muito de copos de pé alto, uma pancada como outra qualquer. Uma conversa que flui de modo natural, uns olhos directos, um sorriso a acompanhar, um copo de vinho tinto, pode sempre dar origem a um amor bêbedo. É experimentar até cair para o lado. Diria que não ter medo de cair, é a fórmula perfeita para se viver um grande amor.

17 comentários :

  1. Não posso começar o comentário sem perguntar se tem, nessa cozinha 5 estrelas, existe um escadote para ter acesso lá na prateleira de ciiiimmmmaaaaa???
    Pronto, deve ter. Uma cadeira também serve e se a pessoa tiver para cima de 1,90 m chega lá.
    Ultrapassado o intróito, vamos à cozinha. Gosto, com toda a franqueza gosto. Há, no entanto, um pormenor que ainda gosto mais. Chegado aqui, desafio Vossa Senhoria a descobrir qual é a coisa qual é ela a que me refiro.

    Um pormenor leva-me a coçar a cabeça, franzir o sobrolho e correr para o dicionário. Eu explico. Diz-se/escreve-se bêbedo ou bêbado? O dicionário on line diz-me que pode dizer-se/escrever-se das duas formas. Torço, desta vez o nariz, coço de novo a cabeça e fiquei a pensar se o dicionário on line tem razão.

    Momentaneamente, sinto-me numa cozinha.
    Tempo e espaço adequado para regar o comentário com um chá de camomila que não me vai deixar ficar bêbedo/bêbado.

    Boa ideia a de hoje, caríssima Maria.
    Um beijinho

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    1. Ahahahahahah, o caro Observador não existe - quem se lembraria disso do escadote, mas sendo assim e se é no âmbito de dúvida existencial, vou rapidamente esclarecer antes que lhe dê uma coisinha má :)))

      Existem escadotes próprios para o efeito, servem até de elemento decorativo também, são escadotes de madeira, sólida, existem uns da cor do chão daquele de madeira corrida, têm degraus largos, duram toda uma vida e ainda pode deixar como herança a alguém. Se voltar daqui a trezentos anos à Terra, verificará que a sua casa provavelmente já não existe, a cozinha já era, ah, mas o escadote, esse continua lá firme e hirto à sua espera.

      (pequeno aparte: há alguns anos decidi que queria um roupeiro para o meu quarto, um roupeiro que iria ocupar toda uma parede de alto a baixo, da esquerda para a direita ou ao contrário, mas um roupeiro desenhado por mim, vai daí peguei num papel, desenhei umas coisas, levei o papel a um local ali no centro de Lisboa onde se fazem esse género de coisas e perguntei se podia ser; entretanto deslocou-se um funcionário a minha casa, tirou medidas e tive o meu roupeiro lindinho com espelhos grandes daqueles de vidro fosco, o grande problema é que aquilo era muito alto, tinha desenhado lá no cimo um local próprio para guardar os edredões e roupa de cama, raios, não chegava lá acima, e agora? andei por quase toda a Lisboa à procura de um escadote que ficasse no quarto mas que não fosse um trambolho, tinha de ser decorativo também, encontrei, já o tenho há vários anos, um dia também eu morrerei mas o escadote, esse, ficará de pé para todo o sempre - fim)

      Pronto, dá-se com dicionários da má vida e dá nisso, dicionários também eles com o prazo de validade expirado. Na Infopédia e no Priberam informam, e bem, que se escreve bêbedo. Convém consultar dicionários online ou não, sem ter ingerido qualquer tipo de álcool.

      Já agora: Cadê a sua receita? Pois, cozinhar é mais nicles batatóides :))

      Beijinho para si também, caro Observador.

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    2. "a descobrir qual é a coisa qual é ela a que me refiro"

      (só agora me apercebi disto que escreveu, não chego lá...)

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    3. Não chega lá? Nem com a ajuda do espantoso escadote? :)))

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    4. Os escadotes têm muito músculo mas nada de cérebro, portanto não são grande ajuda nisto de desvendar enigmas :)

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  2. Devo dizer que "um amor bêbedo" foi das melhores figuras linguísticas que li nos últimos 25 anos.

    Como vai, MM?

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    1. Se um amor não for bêbedo não tem interesse algum.

      Vou bem muito obrigada, Senhor Impontual com ésse grande - não me esqueci da parte do ésse grande :)

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  3. Como para mim o lugar onde passamos mais tempo é na cozinha adorei a da foto, mas está tudo muito alto e limpar deve ser bastante lixado.

    O meu jantar vai ser:

    "Misturada à TIR"

    Uma lata e meia de atum, sobras de feijão frade/grão/feijão vermelho/ meia posta de salmão desfiado/dois ovos cozidos/resma de salsa e coentros/3 tiras de pimento vermelho/uma batata cozida/ duas folhas de alface e meio tomate. Tudo regadinho com azÊÊÊte, mas antes dividi em duas doses e assim amanhã já tenho almoço, olarilólé:))))

    Uma vantagem: acabei com as sobras e digo-te que vou agorinha deliciar-me com a misturada:))

    Abraços sorridentes mas sinceros

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    1. As cozinhas um pouco mais modernas já são uma mistura de cozinha e um género de sala de jantar adaptada a essa mesma cozinha. Portanto é normal que se passe mais tempo na cozinha.

      (o caro Observador com a problemática do escadote e a Fatyly com a problemática da limpeza - digamos que se eu no Outono passado estive em cima de árvores de fruto a cortar ramos que já estavam demasiado altos, nunca na vida pensei vir a fazer tal coisa, limpar sítios altos é 'peaners', como dizia Jesus de seu primeiro nome Jorge)

      Atum, salmão e ovos, tudo no mesmo prato? Isso não é comida gastró-bomba?? :)))

      (a minha avó, mais tarde a minha mãe, ensinaram-me a não deitar comida fora, nem sequer uma batata, é uma questão de respeito para quem não tem o que comer, e, sendo assim, faço, desde sempre, um género de reciclagem de comida, pode soar mal, mas na verdade funciona muito bem, custa-me isso de ver pessoas deitar comida ainda boa fora...)

      Aceito e retribuo o abraço sorridente, Fatyly.

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  4. Pronto, tinha mesmo que me apoquentar! Para começar faça minhas as palavras dos ilustres antecessores, Sr. D. Observador, sô D. Fatyly.

    Que diabo - salvo seja! - Maria. A primeira coisa que uma pessoa pensa assim que vê a foto é como é que chega aos livros de receitas - serão? - que estão no "alto dos Pirinéus"? Depois a limpeza? Como é que chega ao fundo, lá bem ao fundo para limpar os cantinhos? Missão quase impossível, a não ser que o escadote seja tipo escadote dos bombeiros.

    Ah, mas vi uma coisa de que gostei muito: a arrumação dos frasquinhos. Arrumados por tamanhos, nada de misturar grandes e pequenos: muito lindo, sim senhora.:)

    Agora outra coisa. O título induz em erro. A Maria PEDE uma receita, e eu tinha percebido que ia PARTILHAR uma receita. Isto não se faz, ai não, não!:)

    Ora faça a fineza de sugerir uma sua, muito sua, pode ser?

    Agradecida.

    Beijinho.

    P.S. A da sô dona Fatyly já está registada. Ah, pois é!... :))

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    1. Então isso quer dizer que as pessoas têm casas muito baixinhas, quase ao nível do chão? :)))

      Os livros de receitas têm de estar longe do fogão, dos cozinhados, não vá aquilo ficar tudo gorduroso, embora não faça muita comida com gorduras. Isto sou a segredar no sentido de dar a conhecer, sem qualquer problema, que sou irritantemente organizada. Organizada numas coisas e dada ao improviso, a alguma desarrumação, noutras. Também admito que tenho alguns, se calhar muitos, livros de receitas, no entanto quase nunca os uso. De vez em quando lá dou uma espreitadela numa receita mais complicada, é bem verdade. Não meço quase nada, normalmente, vá-se lá saber a razão, sai bem, talvez o segredo seja o de gostar do que estou a fazer naquele momento, ou seja, cozinhar. Aquilo de cozinhar com amor é bem verdade, penso eu... Com isto da net, costumo consultar alguns sites de 'chefs', vídeos de culinária. E é só.

      (os meus frascos de ervas aromáticas estão todos em sentido, não têm ordem para respirar sequer, com os rótulos todos para a frente; o meu roupeiro tem a roupa toda organizada por cores... não tenho uma única gaveta desarrumada ou com coisas ao molho... ahahahah... não é paranóia alguma, é apenas uma pancada, todos as temos, muito poucos as confessam, eu cá não tenho problema algum em o dizer, ser organizada facilita-me a vida, perco muito pouco tempo, ou mesmo nenhum, à procura do que quer que seja e, detesto acumulações)

      Ah, isso do partilhar... este partilhar foi no sentido de participar. Convidar as pessoas desse lado a partilhar comigo e com todos os que passam por este post uma receita de que gostem. Fico à espera da sua, GL, não me desiluda :)

      Beijinho para si também.

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  5. Em suma, as pessoas voltaram a precisar de meter algum "tempero" na vida delas para estimular os sentidos e o palato da felicidade, que esta mania "chic" de que todos devem fazer dieta e comer tudo sem sal, não só arruinou a nossa gastronomia, como parece ter retirado também da cabeça delas as lembranças de uma vida com sabor... :)

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    1. Ora, nem mais! Precisamos de uma pitada de sal, de um pouco de açúcar e, algum picante, para que a vida valha a pena, a não ser assim é uma vida toda ela insossa. Aliás, o açúcar é essencial para o funcionamento do cérebro, desde que não seja em excesso, obviamente. São os excessos que levam a que as pessoas passem toda uma vida com dietas iô-iô, coisa que também não deve fazer nada bem à saúde. Penso eu...

      Entretanto temos toda uma variedade de ervas aromáticas, de um azeite excelente, cozinhar é um prazer no verdadeiro sentido da palavra. Degustar, ainda mais. Com a companhia certa, melhor ainda, seja essa companhia um grande amor, amigos dos verdadeiros, família também da verdadeira, porque existe família também ela fora de prazo de validade.

      :)

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  6. Bolo de Iogurte como deve ser

    Ingredientes:
    - 1 iogurte natural (não açucarado, nem magro, nem cremoso, nem grego… *)
    - 3 ovos de galinha (podem usar-se de codorniz ou de avestruz, mas será então conveniente codornizar ou avestruzar, respectivamente, a quantidade dos restantes ingredientes!)
    - açúcar (branquinho e refinado)
    - farinha (de trigo, daquela “para bolos”)
    - fermento (em pó)
    - óleo (de girassol)
    - manteiga ou margarina (para efeitos de untamento)

    Confecção:

    Iogurte pardentro e passa-se o copo por água para servir de medida.
    Separam-se as 3 gemas das 3 claras (reservam-se as últimas para mais tarde fazer castelos) e ajuntam-se as primeiras ao iogurte. Mexe-mexe com carinho, sempre-sempre até homogeneizar.

    Venha o açúcar (e com ele a batedeira, equipada a rigor com as hastes amassadeiras já que é disso que agora se trata) à quantidade de 3 vezes o copo que se passou por água, medido a olhómetro por onde estava o iogurte. Coiso-coiso com o dito, sempre-sempre até que tal.

    Medida como o açúcar, está na hora da farinha. Com pozinhos de ferlimfimfim, quero dizer, de fermento – uma colher das de chá será bastante para a magia acontecer. E para bom entendedor, já será dispensável a lenga-lenga de final de parágrafo!

    Já com a massa mais densa e pesada, o ingrediente que se segue é o óleo. Mede-se como os anteriores, mas à razão de 1/3 (apenas 1 copo, para os cérebros menos matemáticos). E toca de lenga-lengar…

    Posto isto põe-se a massa a descansar – umas pseudo-tréguas, coitada – enquanto se mudam as hastes da batedeira e se brinca aos castelos com as antes reservadas clarinhas. Tudo-tudo como sempre-sempre, clara está!

    Tocados a colher de pau, muito braço e ainda mais carinho, envolvem-se os castelos na massa, até que de tão homogénea esta comece a em-bolhar-se consigo mesma.

    Forma untada, polvilhada com farinha cujo excesso se sacode, transfega-se a massa do contentor anterior para est’ outro. Outro este que se põe no forno, previamente aquecido à ordem de entre 150 a 200 graus (dos centígrados)!


    *ver título!

    Nota final:
    Havendo por objectivo minimizar a gulodice masculina, parece que é só botar – p’ra sabotar! – gindungo em barda entre os dois primeiros passos da confectura!

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    1. Tudo isto que escreveu, é tão bom, mas tão bom, de ler, que quase não preciso de passar à parte da preparação propriamente dita - embora o vá fazer - do seu 'Bolo de Iogurte como deve ser'.

      A sua nota final é o picante em cima do bolo, que é como quem diz, isto é que é um desfecho à maneira.

      Obrigada, André, gosto muito de o ver por aqui :)

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  7. Espero que essa empreitada lhe corra, digamos, como deve ser!... =o)
    Espero ainda, por cima, que me deixe saber do resultado.

    Dito isto, se a Maria, a untar formas, for tão exímia como se vem revelando a untar-me o ego à escrita, podemos estar descansados que o desenformar será ausente de mácula! =o))


    Em modo de adenda, claro que variações e experiências são admissíveis e salutares (eu próprio ando à cata de oportunidade para fazer uma espécie de marmoreado entre stracciatella e pedaços de morango!... chlép!), desde que salvaguardando a adaptação do nome para "Bolo de Iogurte de-lá-o-que-for"!... ;o)

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    1. Eu cá não unto egos a ninguém. quando tenho de dizer mal de algo, digo, pois se aquilo para mim não tem qualidade alguma, quando tenho de dizer bem, também digo sem qualquer problema, isto se o que me é dado a observar é realmente bom. E o André escreve bem que se farta, tomara eu... :)

      (não tenho muito jeito para doces - ou se calhar é porque nunca fui muito de doces - sou mais do outro lado, salvo seja, no entanto até que me apetece fazer pela primeira vez bolo de iogurte, se o fizer escreverei sobre o resultado do mesmo, a ver vamos)

      Improvisar quando se cozinha, para além do lado divertido da coisa, acaba por atirar para um canto o lado rotineiro de se fazer sempre os meus pratos exactamente da mesma forma. Nem sempre funciona, é um facto, mas o resultado, pelo menos comigo, tem sido positivo.

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