sábado, 26 de maio de 2018

He's back ou Se encuentra de vuelta... (o senhor professor Cavaco Silva diz não votar em quem apoiar a legalização da eutanásia)


Isso significa que sendo o professor Cavaco Silva do PSD, vai votar no PCP ou no CDS?
E isso não significa que está a empurrar pessoas do PSD para o CDS? Para o PCP?
E isso significa que Assunção Cristas e Jerónimo de Sousa vão bater muitas palminhas de contentes?
E isso não significa que o senhor professor continua a apostar no cavalo errado? - raramente me engano e nunca tenho dúvidas.

O que a mim me parece é que tendo o senhor professor direito à sua opinião, dizer que vai influenciar outros a fazer o mesmo, é, no meu entender, anti-democrático, mas isto sou eu que cada vez entendo menos disto das escadas que sobem directamente à política.

By jor. Observador:

12 comentários :

  1. Imagino que a Maria gostasse de um comentário soft, daqueles que não ferem susceptibilidades nem nada.
    Leio o que aqui escreveu e sinto-me enojado, não sendo capaz de sair daqui sem deixar um recado ao senhor (sim, letras minúsculas) Cavaco: o senhor diga aqui à malta se continua a ser uma pessoa ou se já passou à classe dos pequenos patetas que enchem as plateias da nossa sociedade.
    É uma pena sermos obrigados a recordá-lo como um ser ainda mais patético do que quando habitava aquela casita em Belém.

    Desculpará, Maria, mas não resisti. Cavaco merece ainda pior. Ou seja, que o desprezemos o mais possível.
    O seu texto, Maria, está muito bem conseguido e toca nas feridas que são muitas.

    PS que nada tem a ver com este texto, of topic portanto: importar-se-á de tentar deixar um comentário no meu blogue? Ao ler a minha mais recente postagem perceberá do que se trata. Grato, ilustre Maria.

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    1. Imagina mal, caro Observador, as pessoas são livres de manifestar a sua opinião, seja ela em modo soft, seja ela em modo mais duro, o que faço sempre questão de moderar por aqui são ataques gratuitos, se assim for faço questão, ou de não publicar os comentários, ou publicando dar um toque e escrever que não é bem por ali a discussão que se quer com alguma elevação. Mas isto tudo já o caro Observador sabe, ou percebeu. Portanto, vamos em frente que atrás vem... o professor Cavaco Silva e a sua eterna inexorabilidade.

      Aqui a parte a riscar e que não pode acontecer é isto:
      "“Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aquelas que votarem a favor da eutanásia. Nas eleições legislativas de 2019 não votar nos partidos que apoiarem a legalização da eutanásia e procurar explicar àqueles que me são próximos para fazer a mesma coisa”, disse Cavaco Silva em entrevista."

      Pode, com certeza, manifestar a sua opinião e transportar a mesma para as mesas de voto, o que não pode é querer impor, quase que pressionar, ou pressionar mesmo, a que outros pensem da mesma forma. Isso é que não pode, mas pelos vistos acha que sim.

      Agora vou quase como que arriscar a minha vida com aquilo que lhe vou sugerir, sabendo de antemão que não gosta do jornal em questão e tão pouco do político em questão, no entanto sei que tem capacidade de separar águas e ler este artigo que vou deixar mais abaixo, artigo esse irrepreensivelmente escrito e que dá muito para reflectir. Se puder faça isso por mim e depois diga de sua justiça. Respire fundo e mergulhe de cabeça que a água está tépida.

      É este o artigo, não se assuste quando entrar:
      https://observador.pt/opiniao/mais-do-que-uma-questao-de-consciencia/

      *
      Quanto ao seu PS, já dei resposta :)

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    2. Consegui o tal separar as águas sem qualquer dificuldade. Veja bem que nem sequer me assustei.
      É verdade que como ia da sua parte, sabia ir ser bem recebido :)

      Concordo com quase tudo o que Passos Coelho disse. Não deixei de lado, e isso ajudou-me a compreendê-lo, o facto da sua mulher, Laura, ter uma doença incurável, como sabemos. E percebi que essa situação o influenciou. O que se percebe sem qualquer problema.
      Há por ali, no texto, uns pózinhos de politicamente correcto mas que quase passam despercebidos.

      Voltando entretanto ao tema, é quase unânime que a eutanásia é um assunto que carece de uma profunda reflexão e que, por isso, está muito longe de uma resposta de um simples sim ou um não, quando se pergunta se concorda com a sua prática.
      Não vou mais longe na minha apreciação pois a tal reflexão exigível não se deve fazer à mesa do café nem mesmo num blogue.
      Quanto a Cavaco e ao que disse, reitero a minha opinião, sem retirar uma linha. Admitindo, sempre e democraticamente, o seu direito à opinião. Não mais que isso.

      Sobre o meu 'PS' a que Maria já deu resposta, mantenho uma grande dúvida por não saber o que se está a passar. Talvez uma questão de definições mas não consigo chegar lá.

      Tenha um domingo agradável.
      Beijinho

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    3. Caro Observador, já não se deve lembrar, o que é normal, diga-se de passagem, que este tema, o da eutanásia, já foi discutido por aqui, neste mesmo blog, mais propriamente no dia 01.Fevereiro.2017.

      Se quiser voltar a ler, aqui está o post e respectivos comentários:
      https://amanhecertardiamente.blogspot.pt/2017/02/falar-na-primeira-pessoa-de-eutanasia.html

      Sendo assim, e visto que eu própria já marquei a minha posição, posição essa que terá mais a ver com a forma como se vive do que com a forma como se escolhe morrer em casos extremos, irreversíveis, de sofrimento físico, logo, um terrível sofrimento emocional - muitas pessoas não percebem que isto não tem apenas a ver com a parte física, provavelmente terá muito mais a ver com a parte psicológica -, escrevia eu que, quando em vida percebemos e lidamos bem com o facto de que a morte faz parte dessa mesma vida, que envelhecer é a factura que pagamos por nos ter sido facultada a juventude, portanto há que viver essa juventude, não a deixar escapar e tão pouco passar o tempo a dizer que um dia quem sabe se não tenho tempo de viver, um dia...; quando se vive todas as etapas da vida no tempo que parece ser o certo para viver essas mesmas etapas, aceitamos a morte como consequência. Resumindo, quando se vive a vida com intensidade, com garra, não se consegue, não se quer, aceitar um final já sem vida. Seria, pelo menos para mim, um sofrimento a triplicar, ficar dependente de terceiros, sem a menor dignidade, porque dignidade para mim passa por comer com a minha própria mão, tomar banho sozinha, olhar o sol de frente, respirar de modo natural, andar na rua... para mim isto é viver, estar ligada a uma máquina ainda que todos os cuidados me sejam facultados, não é vida, é sofrimento, sofrimento imposto por quem não vê a vida da mesma forma que eu. Isto não pode acontecer, impor aos outros a sua forma de estar na vida é desumano, correria o risco de dizer que é puro egoísmo. Escolher em consciência a forma como quero morrer em caso terminal e irreversível, de sofrimento atroz em todos os sentidos, deve passar por ser unicamente uma escolha minha, de mais ninguém.

      *
      A análise de Pedro Passos Coelho, goste-se ou não do político, da sua cor politica, foi uma das melhores análises que tive oportunidade de ler sobre este tema, o da eutanásia. Irrepreensível. No meu caso, mesmo não indo ao encontro da opinião do mesmo. PPC é contra.

      Não acho, e é só a minha opinião, nada mais, que a doença da mulher o tenha influenciado, não se sabe qual é a posição da mulher de PPC sobre este tema, o facto de se estar casado com alguém não significa que as posturas na vida coincidam.

      (a minha mãe morreu de cancro - e um dos mais agressivos - quando tinha pouco mais de 50 anos, acredito que a minha mãe não seria a favor da eutanásia, embora tivesse sofrido de uma forma que acho não ser possível um ser humano sofrer; foi por volta desta altura que o "graças a Deus" que muita gente gosta de dizer, perdeu todo o significado para mim, ainda hoje me custa ouvi-lo... Acreditando eu que a escolha da minha mãe nunca seria a da eutanásia, seria a escolha da minha mãe aquela que valeria, ponto)
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      Beijinho, para si também, caro Observador.

      PS: Penso que um blog pode ser, é, se o autor do mesmo assim o definir e desde que a discussão se mantenha naquele ponto de respeitar a opinião de cada qual, escrevia eu, que pode contribuir e muito para discussões saudáveis sobre o tema. Não existem locais mais dignos ou menos dignos para se discutirem assuntos, tal como em tudo na vida, são sempre as pessoas o fio condutor.

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  2. Quando o ouvi fiquei de boca aberta e ficou estampada a fórmula mágica ou não das influências partidárias. Claro que respeito a opinião desse senhor apenas como cidadão, mas já não respeito a imposição com ar de extra-terrestre-assustador que fez no que toca ao voto nas próximas eleições. Também já li a opinião do Pedro Passos Coelho mas deu-me a entender que sua opinião era como cidadão.

    Nunca gostei de ambos, Cavaco que ficará na história como o pior presidente da história e PPC por ser mais "papista que o Papa e etc, etc. " que não merece a pena dizer mais nada.

    Sou a favor do SIM sobre este tema que é fracturante e compete uma decisão individual e não gratuita pelo que a sua legalização já deveria ter sido feita há "canos" mas sempre embargada pelo falso moralismo/ético que compõem/enfeitam muitos políticos. Santinhosssssss de pau oco!!!!

    Também existe uma personagem no CDS - Isabel Galriça Neto que meritoriamente fez e é:

    "Foi Fundadora e Coordenadora da Equipa de Cuidados Continuados do Centro de Saúde de Odivelas (1997-2006) e Assistente Convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e é Directora da Unidade de Cuidados Paliativos e Continuados do Hospital da Luz e Membro da sua Direcção Clínica e Ex-Presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.(Wikipédia)

    que apregoa o que se sabe e a quem lhe pergunto: é tudo muito bonito mas...e vagas para quem está num sofrimento aterrador? Respeito a sua opinião mas a sua obra é imensamente curta para dar resposta a casos gritantes e arrisco a dizer...para quem pode e não para quem não pode e que se vêm a braços com apelos "tirem-me as dores, deixem-me morrer e que silenciou-se dias, meses e anos após dantesco sofrimento.

    Poderia dizer muito mais sobre o assunto e há que legalizar e cada um sabe de si.

    O mesmo se aplica ao Testamento Vital...feito...serve para quê quando muitos nem sequer estão informatizados?

    Enfim Maria preocupam-se tanto com o futebol e nem sequer se ouve debates sobre este tema crucial, sobre o aumento da gasolina. o desemprego jovem, o assédio moral dos empregadores, das insolvências a granel, dos despejos de inquilinos, dos animais com leis aberrantes mas aprovadas...enfim o reboliço de informação que até agonia!

    Um abraço e bom domingo

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    1. Por muito que tente, e já tentei o mais possível, não consigo entender essa da opinião de cidadão estar dissociada da opinião do político, sendo o político e o cidadão a mesmíssima pessoa. Pensava eu, na minha mais do que assumida ignorância na matéria que, um e outro estariam ligados e só se separariam em caso de: até que a morte nos separe. Agora percebo a razão de alguns políticos defenderem a classe trabalhadora, mas viverem em moradias de luxo com piscina. Deve ser a tal separação, o lado do político está com o povo, o mais pobre, já o lado do cidadão gosta mais de moradias com piscina. Compreendido. Next...

      Fatyly, ter em conta que a separação de águas deve existir, não se vai analisar o percurso político de Pedro Passos Coelho, aqui o que está em foco é o artigo escrito sobre a eutanásia. Vamos tentar concentrar-nos nesse ponto para que a situação não descambe. E olhe que o artigo tem por lá muitas verdades, verdades que necessitavam de uma reflexão. É ler com atenção.

      Existe muita gente que não quer os cuidados paliativos, a minha mãe foi uma delas, pediu para morrer na sua casa, perto do seu jardim. Muita gente não entende esta parte, não deixam as pessoas escolher a forma como querem terminar os seus dias e, terminar os seus dias para muitas pessoas não é longe das suas casas com estranhos. Apenas querem a casa e a sua família por perto. Nada mais. Caramba, que é tão difícil para muitos escutar, respeitar, as palavras de quem está em profundo sofrimento. Isto enerva-me e de que maneira.

      Abraço, Fatyly.

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    2. Maria claro que li o artigo de PPC e sei muito bem separar as águas e lê o meu paragrafo em que digo que ao ler senti-o como cidadão. No segundo dou uma opinião como políticos e continuo a não gostar dele e muito menos de Cavaco.

      O teu último paragrafo diz tudo e há muita gente que quer os cuidados continuados e ou paliativos mas não há vagas e muitos apelam aos próprios médicos para pôr um fim ao sofrimento.Respeitem a vontade de quem se manifesta pelo sim e não façam filmes misturando alhos com bugalhos s.f.v.

      Foi como a legalização do aborto...homens a legislarem sobre a barriga que é da mulher????? Caramba foi difícil acabar com a clandestinidade e tudo feito...nem descrevo...e continua dizer que não existe nenhuma mulher que faça um aborto como se fosse uma festa e celebração. Respeito é o que é mais necessário! s.f.v.

      Termino Maria dizendo o seguinte e com conhecimento de causa: os velhos, os doentes e já bem doentes e os deficientes neste país é a franja de uma sociedade que os ignora e tudo porque dão trabalho, despesa, mas sobretudo não dão votos!!!! Isto tira-me completamente do sério...porque gastam-se e rouba-se milhões e outros tantos andam a contar tostões.

      Matéria sensível recheada com tanta hipocrisia e por vezes falada...uiiiiiiiiii fico por aqui!

      Um enorme abraço

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    3. A Fatyly percebeu que eu antes de sugerir o tal artigo de PPC ali ao caro Observador, fiz questão de sublinhar essa parte, a tal de separar águas porque compreendo que muitas pessoas continuam muito revoltadas com Pedro Passos Coelho. Mas a malta é adulta e consegue fazer isso com um pé às costas, isso de separar :)

      Tem razão, sim senhora, esta matéria é sensível, um tema muito delicado, mas embora o seja tem de ser discutido, não se pode olhar para o lado, não marcar uma posição porque incomoda.

      Abraço para si também, Fatyly, tenha uma boa noite.

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  3. Tendo em conta o perfil do ex-PM, ele apenas admitiria apoiar qualquer coisa do género "eucavásia". :)

    Um beijinho, Maria :)

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    1. Aqui existem dois ex. Um ex-PR e um ex-PM, não sei se isso da "eucavásia" - que não sei o que é - chegará para os dois. É capaz de chegar para se apoiarem um no outro.

      Beijinho, AC :)

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    2. Tem razão, a criatura em causa, quando nos deixou, era PR.
      Eucavásia: eu (ele, senhor sem dúvidas, esta é fácil perceber) + cavásia (cav de cavaco, ásia por mero jogo de palavras com eutanásia).
      Em suma, tudo seria diferente se fosse algo encarnado pela criatura. Sem dúvidas.
      Esclarecida, desta vez? :)

      Mais um beijinho, Maria :)

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    3. Agora sim, esclarecida. É que quando o AC escreveu ex-PM, pensei que se estivesse a referir ao artigo que sugeri, o do jornal Observador escrito por Pedro Passos Coelho, portanto foi-me difícil chegar à "eucavásia" :)

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