terça-feira, 22 de maio de 2018

Gostei de ouvir ontem Miguel Sousa Tavares dizer que:

O que se passou em Alcochete não foi um acto de terrorismo - não me lembro de quais foram as palavras exactas usadas por MST -, o que pretendeu transmitir é que o termo terrorismo é de certa forma exagerado. 

Como também eu pensei o mesmo mal ouvi nas notícias, no primeiro dia, que tudo aquilo teria sido um acto terrorista, não pude deixar de concordar. Terrorismo é outra coisa, e quando se começa a banalizar as palavras desta forma, as palavras como que perdem todo o seu peso.

O que se passou em Alcochete foi de uma enorme gravidade. Ponto. Tem de ser tratado como um assunto de enorme gravidade. Ataques terroristas foram aqueles que se passaram em Paris, Londres... ataques esses que roubaram a vida a muitas pessoas de forma cobarde e definitiva. Isso é terrorismo. Para mim, claro.

(eu não digo que a vida está de uma baralhação de todo o tamanho)

27 comentários :

  1. O código penal português está tão mal estruturado que a justiça quando pretende, como foi notório neste caso, elevar o nível das penas com o intuito de dar exemplo e com isso inibir situações de repetição futura, se vê obrigado a este tipo de aplicações ridículas. É um problema de base que se manifesta com frequência na justiça portuguesa.

    Como vai, MM? .)

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    1. Percebi a parte de inibir situações de repetição futura, nada contra, antes pelo contrário, mas como bem escreveu o código penal português está mal estruturado, talvez fosse necessário ser revisto, não sei, penso eu - a banalização de certas palavras pode de alguma forma ser perigosa.

      Bem, obrigada, caro Impontual, e obrigada pelo seu acrescentar.

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    2. Desculpem intrometer-me mas acho que o Código Penal português tem leis a mais já para não falar das mil e uma alterações.

      Um advogado serve para defender ou acusar e por vezes serve-se de "virgulas" para dar a volta ao texto.

      Foram cinquenta e parabéns à GNR e PSP que apanharam 23, agora mais dois ou três. Prisão Preventiva para todos e a indignação dos advogados foi notória, mas ao longo da minha vida perguntei a vários advogados: Fazem um assalto a uma casa...tanto é culpado o que arromba, entra e faz das suas como o que fica à porta ou até num automóvel à espera. Num caso de violência tornado "público" se eu vir e não denunciar entro no campo da conivência e posso levar por tabela!

      Mais medidas ou "organismos" para controlar os desacatos no desporto? Volto a repetir mais? Mas já existem e porque é que não as cumprem? O mal deste país é que temos uma sociedade da qual faço parte em que mais de metade não cumpre as regras/leis de civismo e cidadania e ao abrigo do Código penal as molduras penais deveriam ser aplicadas sem contemplações e já agora mais céleres e muitos crimes horríveis sem direito a recurso, porque sem tudo isto leva ao campo da "impunidade"

      "Impontual" gostaria de saber se estou errada e mais uma vez peço desculpa se disse alguma asneira:)

      Obrigado!



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    3. Eu não sou jurista. Mas penso que a moldura penal aplicada foi a de prática de terrorismo, porque era preciso dar um exemplo de mão dura e como possivelmente a pena que consta no código penal para o efeito seria considerada leve atendendo ao impacto que a situação teve (muito por causa da comunicação social), e aqui é que entra a problemática de o código penal português estar mal estruturado, porque claramente é exagerado considerar aquilo terrorismo, quando por força de acontecimentos bem recentes todos sabemos a verdadeira acepção da palavra e do acto de terrorismo em si.

      De resto tendo a concordar facilmente com o que diz, Fatyly. Especialmente com o não cumprimento das medidas necessárias ao controlo dos desacatos e violência no desporto.

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    4. Obrigado pela sua opinião que subscrevo!

      Beijocas e uma boa semana

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  2. Maria, já ouvi a mais do que a um advogado - e Miguel Sousa Tavares é também ele advogado - que o que se passou na Academia Sporting em Alcochete não pode ser considerado terrorismo, que é demasiado "forte" a utilização de "acto terrorista" perante os factos. Porém e segundo a definição da palavra, no dicionário, não vejo como não possa ser terrorismo;

    1. Uso deliberado de violência, mortal ou não, contra instituições ou pessoas, como forma de intimidação e tentativa de manipulação com fins políticos, ideológicos ou religiosos (ex.: luta contra o terrorismo).

    2. [Por extensão] Sistema de governo por meio de terror ou de medidas violentas.

    3. Atitude intencional e geralmente continuada de intimidação ou intolerância (ex.: o funcionário era vítima de terrorismo psicológico no local de trabalho).


    "terrorismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa


    [completamente tudo baralhado! entendam-se pah!!]

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    1. Tê, também eu fui ao dicionário a ver se aquilo me conseguia elucidar. Não conseguiu, antes pelo contrário. O termo terrorismo até é de alguma forma subjectivo, não sei se estou a escrever algum disparate... Basta ler os três pontos do seu comentário, pontos esses do dicionário, e uma pessoa fica realmente baralhada. O termo terrorismo não se concentra unicamente em actos extremos de violência, e por actos extremos leia-se actos que levam à morte de pessoas, ferimentos considerados muito graves, incapacitantes, mas engloba todo um rol de situações que poderiam muito bem estar 'organizadas' de uma outra forma, de maneira a que se conseguisse tratar judicialmente de cada uma delas de forma objectiva.

      Ataques no Iraque, Afeganistão, Síria, Somália... são ataques de uma violência extrema, ataques terroristas - terrorismo puro e duro - que levam à morte de muitos seres humanos inocentes, não podem, não devem, estar lado a lado com ataques que aconteceram num balneário por causa de gente desprovida de cérebro. Desprovidos de cérebro é toda esta gente, bem sabemos, mas tem de existir, obrigatoriamente, na lei, uma linha que marca a diferença entre uns e outros.

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    2. Concordamos em discordar, em relação ao tema "Sporting/Alcochete/Terrorismo", civilizadamente, o que nos tempos que correm e no que se refere a redes sociais - concretamente falo de blogues, não tenho nem nunca fui adepta do FB - é qualquer coisa assim de muito bom, o civilizadamente, como Twelve Points!! :)
      No restante - "Ataques no Iraque, Afeganistão, Síria, Somália... são ataques de uma violência extrema, ataques terroristas - terrorismo puro e duro - (...)" - estou obviamente em sintonia consigo.
      Continuação de boa semana, Maria.

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    3. Também para si, Té, continuação de boa semana e sempre com aquilo de civilizadamente debaixo de olho :)

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  3. Indo lá atrás, abro a malfadada gaveta da minha memória e retiro mil imagens da guerra colonial e nos últimos dois, a civil. Como se apelidava os que eram contra o regime? Terroristas versus terrorismo. O que ambas as partes fizeram sobre o seu semelhante foi um horror e Fecho de novo a gaveta!

    Ouvi o MST e fiquei a pensar...

    Se na era moderna ao terrorismo (chacinas ou violência extrema) acrescentaram a palavra Atentado, o que aconteceu em Alcochete não será, mas para mim foi um acto de terrorismo, acto e não atentado e só não foi mais violento porque enfim, caso contrário teria sido uma batalha campal com mortos.

    Que eu saiba nem MST nem eu que não sou ninguém não sabemos o que lá se passou. Um antigo guarda-redes, hoje funcionário em Alcochete a quem nada fizeram mas o que viu resumiu mais ou menos em "foi um terror".
    Se o juiz condena/considera que houve acto de "terrorismo" é porque tem provas e sabe o que eu não sei e como tal aceito. De tudo que ouvi e li, não ouvi "atentado" mas sim "acto".

    Fiz-me entender ou nem por isso?:)))


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    1. Fatyly, o desporto, futebol, já teve episódios de violência em que morreram pessoas. A minha pergunta é a seguinte: porque raio de razão é que nessa altura não se ouviu, nem sequer no vento quando assobia forte lá das bandas da Antartátida, serem esses episódios associados a terrorismo e penalizados na hora? Pois. E respostas!?! Nenhuma. Isto para mim é tudo muito estranho, mas quem sou eu.

      Miguel Sousa Tavares é advogado, e se um advogado - pelos vistos existem mais com a mesma opinião - não concorda com este termo terrorismo e a associação do mesmo a Alcochete, eu, não sendo advogada e uma simples cidadã também o questionei mal o ouvi nas notícias. Aliás, na hora até pensei ter ouvido mal. Que raio falar de terrorismo quando se tratou de um episódio de violência, ou lá o que foi que se passou naquele dia, num balneário. Têm de existir obrigatoriamente diferenças. Em muitas coisas não concordo com MST, mas nesta estou totalmente de acordo.

      "Foi um terror" é uma expressão que todos nós usamos. Não tem qualquer validade nisto da justiça e dos Tribunais.

      Pelos visto Jorge Jesus tinha provas mas parece que já não tem. Ele há com cada fenómeno do Entroncamento nisto do futebol. De repente, puf, e foi um ar que se lhe deu.

      (a Fatyky está sempre a perguntar se se fez entender :)))))))
      (claro que sim, é a sua opinião e tem de ser respeitada)

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  4. Segundo li, foi considerado terrorismo porque a lei considera assim os atos organizados que envolvam um plano de destruição de pessoas e bens. E parece que o MP tem provas de que aquilo foi organizado ao pormenor. Não sei se esta definição está correta, eu também considero ataques terroristas aqueles que aconteceram em Londres em Paris etc. Mas há uma coisa que eu também considero terrorismo. Os incêndios que destroem o país e matam as pessoas. Penso que deviam ser considerados como atentados terroristas.
    Abraço

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    1. Bom argumento, Elvira, e os incêndios e os incendiários que põem o país a arder por alegados interesses que parece que ninguém quer ver?! Porque razão aquilo não é considerado terrorismo? Fiquemos descansados não é considerado terrorismo mas, parece, que vamos ter um vigilante à altura. Ouvi ontem nas notícias que o nosso Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, prometeu andar a fazer vigilância pelo país durante o Verão. Caramba, não consigo nesta altura escrever mais nada a não ser: caramba! Interprete-se isto da forma como bem se entender porque eu sinto-me ligeiramente anestesiada com tanta coisa a acontecer neste país, coisas essas que me ultrapassam.

      Abraço para si também, Elvira.

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  5. Isto hoje é simples. E porquê? Porque me vou limitar a dizer o que significa terrorismo. Então o que é?
    Nada mais nada menos que o uso deliberado de violência, mortal ou não, contra instituições ou pessoas, como forma de intimidação e tentativa de manipulação com fins políticos, ideológicos ou religiosos.

    Há gente que quando fala/escreve, comete autênticos atentados. Poderão ser considerados actos de terrorismo?

    Pronto, já disse o que tinha a dizer. Vou andando antes que chova.

    Bom (resto de) dia, caríssima Maria.

    Será bom que os entendidos em todas as matérias e mais algumas, no mundo e arredores, se deixem de rodeios e de filosofias baratas.

    Tem razão, Miguel Sousa Tavares.
    Ó p'ra mim a concordar com o MST :)))





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    1. O caro Observador baralhou-me ainda mais com este seu comentário. Não percebi nada. Isto não está fácil, não :)))

      (quase noite, não tarda, e ainda bem que uma pessoa com tanta informação tem os neurónios alourados muito cansados)

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    2. Houve da minha parte a intenção de baralhar (ainda mais).

      Falando sério, não quero saber do que se passou em Alcochete. Chamem-me o que quiserem mas a verdade, indesmentível, é que existem coisas muito mais graves e importantes que passam ao lado da comunicação social só porque meia dúzia de arrasados mentais, pessoas más, resolveram dar nas vistas numa bela terça feira de Maio.

      Descanse, caríssima Maria. Os seus neurónios precisam de ver a luz de novo dia com toda a tranquilidade.
      Para desalinhados já bastam os meus ;)

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    3. Esclarecida. Agora já percebi a sua posição em relação ao assunto, caro Observador.
      Obrigada :)

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  6. Boa noite, Maria.

    Em termos mais simples, terrorismo é o ato de provocar terror nas pessoas através do uso da violência, logo, qual é exactamente a dúvida do MST e de outras pessoas em volta desta questão? Será que o Das Bost e os outros jogadores presentes em Alcochete não pareceram suficientemente aterrorizados na televisão e isso tenha causado alguns problemas de interpretação para a subjectiva analise de algumas pessoas? A mim pareceu-me evidente. Não há exagero nenhum, é terrorismo sim.

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    1. Boa noite, Francisco,

      Admito que gosto de ler os argumentos de cada pessoa em relação a um mesmo assunto. É interessante.

      *

      Agora faço-lhe uma pergunta: se para o Francisco o que aconteceu no balneário em Alcochete foi terrorismo, não há qualquer exagero, escreveu, então que nome damos a isto:

      "07 de janeiro: Dois homens armados com espingardas Kalashnikov entram na redação do jornal Charlie Hebdo e matam 12 pessoas. Uma polícia é morta nos arredores de Paris no dia seguinte, quando um homem armado faz vários reféns num supermercado judeu, matando quatro dos reféns. Os atacantes são mortos pela polícia em tiroteios em vários locais, não sem antes proclamarem o apoio ao Estado Islâmico (EI) e à Al-Qaeda.

      03 de fevereiro: Um homem armado com uma faca ataca três soldados que guardavam um centro comunitário judeu em Nice, na Riviera Francesa. O atacante, de 30 anos, Moussa Coulibaly, é detido, e na prisão expressa o seu ódio à França, à polícia, aos militares e aos judeus.

      19 de abril: O estudante de Tecnologias de Informação argelino Ahmed Ghlam é detido por suspeitas de ter matado uma mulher que foi encontrada no seu carro, e de planear um ataque contra uma igreja em Villejuif, um subúrbio de Paris. As autoridades dizem ter encontrado documentos sobre a Al-Qaeda e o EI na sua casa, e que o estudante tinha estado em contacto com um terrorista na Síria para planear o ataque à igreja.

      26 de junho: O francês Yassin Salhi, de 35 anos, mata e decapita o seu patrão, Herve Cornara, e exibe a sua cabeça, rodeado por duas bandeiras islâmicas, no portão da central de gás em Saint-Quentin-Fallavier, no sudeste de França. Tenta explodir a central, mas é preso e acaba por se suicidar em dezembro na sua cela da prisão.

      13 de julho: Quatro jovens entre os 16 e os 23 anos de idade, incluindo um antigo soldado, são presos e acusados de planearem um ataque a um campo militar para decapitar um oficial em nome da 'jihad'. Afirmam aliança ao EI.

      21 de agosto: Os passageiros do comboio de alta velocidade que ligava Amesterdão a Paris impedem um banho de sangue ao atacar um homem que abriu fogo sobre os viajantes. O terrorista estava armado com uma espingarda Kalashnikov, uma pistola automática e um machado. O homem é identificado como um marroquino de 25 anos, Ayoub El Khazzani, referenciado pelos serviços de inteligência por ligações ao islamismo radical.

      13 de novembro: No mais mortífero ataque terrorista da história francesa, vários homens com armas de assalto e explosivos atacam as imediações do Estádio de França antes do encontro de futebol da seleção local com a Alemanha, vários cafés e restaurantes e a sala de concertos Bataclan, num ataque coordenado que matou 130 pessoas e deixou mais de 350 feridas."
      (by jornal DN)

      Para terminar:
      Usar uma kalashnikov e matar pessoas, decapitar gente, não é diferente de dar dois murros e dois pontapés em alguém? Quer um caso, quer outro, e ainda outro, são de violência, não há dúvida, mas as diferenças entre os dois primeiros e o terceiro, não são abismais de modo a que se usem termos diferentes quando nos referimos a uns e a outros?

      (provocar terror, sendo um acto reprovável, não é o mesmo que matar pessoas através desse mesmo terror, ou seja, existem pessoas que perdem efectivamente a vida através do terror a que são sujeitas, e outras não - aqui não se trata de sorte, uns escapam e outros não, aqui existe ou não existe a intenção de matar - no balneário de Alcochete, tudo indica que não pretendiam matar ninguém, têm de ser penalizados, óbvio que sim, mas são assuntos completamente distintos, penso eu)

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    2. Boa noite, Maria.
      Li todos os exemplos que citou, visualizei o padrão e, por vias disso, acabei também por identificar o elemento chave que está a impedir que haja consenso nesta questão. Acho que o termo "terrorismo" não está a ser consensual por ser difícil dissociá-lo do contexto politico, governo e afins, e por ele estar mais usualmente ligado a casos de mortes e/ou violência extrema. Mas ai pergunto eu, que estamos nós a tentar avaliar afinal? Se o episódio de Alcochete tem "intensidade" suficiente para ser considerado um acto terrorista? A intensidade, é isso que passou a separar o terror da simples violência? Acho muito perigoso e totalmente desadequado deixar no domínio da subjectividade a responsabilidade de decidir o que deve ser considerado terror e o que pode ser considerado violência, quando temos uma definição suficientemente sucinta no dicionário que nos convida a sermos...pragmáticos.

      Socorro-me da definição deixada pela amiga Té.

      Ponto 1:

      Houve uso deliberado de violência? - sim. (validado)
      Mortal ou não? - não mortal. (validado)
      Foi contra instituições ou pessoas? - contra pessoas. (validado)
      Foi como forma de intimidação e tentativa de manipulação com fins políticos, ideológicos ou religiosos? Foi para intimidar os técnicos e jogadores com fins ideológicos, que tanto podem ser a defesa do supremo interesse do clube "Sporting", o amor ao clube, ou como represália por eventuais insultos que foram endereçados à Juve Leo por alguns jogadores do Sporting na Madeira após a derrota que sofreram contra o Maritimo e que deitou por terra a possibilidade de ficar no 2º lugar, já que a Juve-Leo pode entender que os destinos do Sporting também passa por eles, e dizem-lhe inteiramente respeito, queremos vincar dessa forma a sua posição dentro do clube. Ou por outras palavras, marcaram uma posição para deixar bem claro aos jogadores e técnicos que eles também fazem parte do processo e exigem que lhes seja prestado vassalagem. (Validado).

      Só neste ponto, já está um ponto totalmente validado que perfilha um ataque terrorista.

      Agora o Ponto 2:

      Foi uma atitude intencional e geralmente continuada de intimidação ou intolerância (ex.: o funcionário era vítima de terrorismo psicológico no local de trabalho)? Sim, já depois de ter ocorrido os ataques na Academia, elementos da equipa técnica, jogadores e treinadores relataram na GNR que foram vigiados por 2 viaturas e que voltaram a ser ameaçados (pelo menos dois) antes de depor. Ora diga-me se isto não perfilha uma atitude "intencional e continuada de intimidação"?

      Como vê amiga Maria, já são 2 pontos que cimentam a tese de um ataque terrorista. E perante isto pergunto: Perante isto que devemos fazer? Vamos fazer tábua rasa do que diz o dicionário e inventar uma definição só nossa já que a versão original não parece incluir nenhuma menção a bombas, tortura, decapitações ou mortes, conforme estamos habituados a ver na televisão?

      Será que foi uma irrelevante forma de violência que levou o preparador físico a terminar uma carreira de 25 anos no Sporting devido ao trauma que sofreu na academia?
      Teria sido uns murros e umas bofetadas que provocaram aquelas marcas profundas na cabeça do Bas Dost? Ou teria sido uma arma?
      E o Garrafão de 25 litros de água que o Battaglia levou nas costas, deve ser enquadrado no universo dos murros ou é das bofetadas?
      E as tochas acesas que os agressores atiraram para o balneário depois de fechar as portas, terá sido com a intenção de curar alguns problemas respiratórios dos jogadores, ou foi para poupar na Luz?
      E o facto de entrar encapuçado num recinto e semear o medo, numa altura em que o terrorismo está na ordem do dia no mundo inteiro, e toda a gente anda com medo e nervosa com a ideia de virem a ser as próximas vitimas desse flagelo, será que também conta para alguma coisa?

      Toda a gente pode ter a opinião que quiser, mas porque sou pragmático e não gosto de inventar, prefiro continuar a confiar naquilo que o dicionário diz. Foi terrorismo sim. Físico, emocional e social.

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    3. Bom dia, Francisco,

      Li atentamente tudo o que escreveu e acho que vou socorrer-me de algo que a Té escreveu lá mais em cima: 'Concordamos em discordar'. Aliás, o mundo de alguma forma é muito mais rico quando as opiniões também divergem. Não é divergir só por divergir, aquilo de contrariar os outros só porque sim, é porque se acredita realmente naquilo que se defende. O Francisco acha que foi terrorismo, eu, pelo meu lado, acho que o termo terrorismo associado a este episódio específico é exagerado.

      E acho, ao contrário do que em mim é habitual, costumo defender a comunicação social, gosto de jornalistas, não de todos, mas reconheço em muitos, profissionalismo - neste caso penso que tiveram um grande peso para que a informação passada incendiasse de alguma forma a opinião pública.

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    4. Maria e Francisco, Bom dia a ambos.

      Maria, peço desculpa mas vou deixar mais este comentário e depois deste fica a promessa que não volto ao mesmo assunto. Obrigada.

      Fundamento a minha análise;

      "1. Uso deliberado de violência, mortal ou não, contra instituições ou pessoas" - SIM

      "3. Atitude intencional e geralmente continuada de intimidação ou intolerância" - SIM

      O futebol é um desporto mas é também uma profissão.
      O Bas Dost exerce a profissão de futebolista - é um trabalhador contractado.
      O Jorge Jesus é também ele um profissional de futebol. Exerce a profissão de treinador - é um trabalhador contractado.
      O que fazem estas duas pessoas e toda a restante equipa de trabalhadores no dia-a-dia? No dia-a-dia, o trabalho deste profissionais, é treinar.

      Na terça-feira dia 15 de Maio pelas 17h00 a equipa, de jogadores do SCP, preparava-se para treinar na Academia Sporting de Alcochete, quando foram alvos de agressões físicas e psiscológias por um grupo de cerca de 50 encapuzados.

      Ou seja, um grupo de pessoas - profissionais de futebol - que se encontravam no seu local de trabalho - na Academia - para trabalhar/treinar viram o seu local de trabalho ser invadido por encapuzados que, entre outros factos, gritavam: "Vamos Matar-vos".

      É um acto de terrorismo.


      _________________


      Convém esclarecer que não tenho esta posição por o meu clube ser o Sporting. Não sou Sportinguista. Sou Benfiquista.
      Assim como sei que Francisco é do FCP.

      Foi no Sporting, fosse num outro clube, iria fazer a mesma interpretação, factos são factos.

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    5. Bom dia, Maria.

      Acho que estamos a relativizar um pouco esta questão porque achamos que tratou-se de um caso isolado que não teve grande repercussões nem continuidade e que a vida dos jogadores, treinadores e equipa técnica, nunca estiveram verdadeiramente em risco, o que é errado. Primeiro porque isto não é um caso isolado. Antes disso já o Rui Patrício e o William Carvalho tinham sido "apertados" e ameaçados nas garagens do Estádio de Alvalade numa madrugada qualquer, e depois dos ataques, alguns jogadores e elementos da equipa técnica voltaram a ser "pressionados", vigiados, apertados e novamente ameaçados quando se preparavam para prestar declarações na GNR. Há várias formas de terrorismo e esta é seguramente uma forma continuada de terrorismo emocional. Depois, se nos centrarmos na questão de nunca ter estado em causa a vida das pessoas, quero relembrar que já houve casos relatados de pessoas que morreram por terem levado um soco no rosto ou no resto do corpo. É invulgar mas é possível, sobretudo quando é sabido que, normalmente, as claques de futebol contam sempre com a participação de gente muita agressiva e adepta da violência, que gosta de parecer um "monstro" para poder sobreviver no mundo monstro em que eles costumam viver. O Fernando Madureira, líder dos Superdragões por exemplo, é praticante de Kickboxing ou outra modalidade qualquer de artes marciais que desconheço o nome. Outros são pugilistas e outros são simplesmente...aberrações da natureza. Agora pergunto: E se algum soco tivesse o azar de provocar uma hemorragia interna? já teria sido mais consensual falarmos em terrorismo? no entanto o acto praticado foi o mesmo, o que mudou foram as consequências.

      Para meditar... :)

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    6. Té, volte ao assunto sempre que bem entender. Interagir é isso mesmo. Acho, inclusive, que este assunto deve realmente ser discutido com toda a seriedade que se impõe.

      Concordo consigo quando a Té escreve que futebol é um desporto mas também uma profissão. Sem dúvida, só que existe um pequeno grande senão, o futebol deixou de ser um desporto na verdadeira amplitude da palavra para se concentrar em ser uma profissão que gera milhões e gerando milhões cria outras profissões paralelas que vivem do futebol. É, neste momento, um jogo de grandes interesses, grandes interesses dão quase sempre inicio a grandes guerras. Bom, sendo assim talvez seja mesmo terrorismo.

      (existe, no entanto, algo que está a passar por entre os pingos da chuva: se Jorge Jesus inicialmente dizia ter em seu poder provas, porque razão li há dois ou três dias num jornal online - não sei se foi no Observador - que entretanto essas provas não existiam? sou apenas uma pessoa que se limita a observar, ouvir, ler, atentamente, outros, existem coisas que me deixam assim como que a modos de...não sei mas existem pontas soltas algures)

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    7. Francisco,

      Recorda-se que já morreram pessoas no seguimento disto, disto da violência no futebol? Lá mais atrás num tempo que não é assim tão longínquo. Então qual a razão de nessa altura não serem os casos trabalhados pela comunicação social como sendo actos terroristas? É impossível uma pessoa não se deter nestas coisas. Questionar.

      Nem sequer estou a pôr em causa que os jogadores, todos aqueles que se encontravam no balneário, sofreram momentos de pânico, de terror, ao ver pessoas de rosto tapado entrar de rompante por ali adentro. Isso não coloco em causa de forma alguma, o termo usado é que me está atravessado e por muito que queira não o consigo digerir.

      (não podemos entrar no campo das conjecturas, Francisco, isso é perigoso)
      .
      .
      .
      Sendo assim, meditemos :)

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    8. Maria, que posso dizer? Talvez porque em determinadas alturas, não houve interesse em tratar as coisas do jeito que se impunha ou houve interesse em abafar o caso, e, desta vez, por interesse ou mão de terceiros, aproveitamento politico e/ou também económico (mercado de acções por exemplo), existe uma série de forças que parecem estar a pressionar tudo e todos para que o caso seja tratado conforme os moldes legais. Isto sempre foi assim; se a lei interessar, cumpre-se a lei, se não interessar, foge-se dela. Numa questão tão mediática como esta, há sempre um jogo de forças disputado entre várias formas de poder. Se prejudicar o Sporting, é natural que possa favorecer o Porto e o Benfica, logo, se para os verdes houver interesse de "abafar" tudo, para o lado dos azuis e dos vermelhos, haverá o interesse de espremer ao máximo esta questão e criar as maiores mazelas possíveis. Oficialmente são todos honrados, íntegros e pessoas de bem, mas oficiosamente são todos uns bons "filhos da mãe deles". No final, não tem nada que saber...ganha sempre quem tiver o grupo de amigos com maior poder.

      Pois, parece que voltei a conjecturar e pelo facto peço desculpa. :)

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    9. Francisco, este seu comentário parece que esteve em lume brando e saiu de lá muito bem apurado :)

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