quinta-feira, 24 de maio de 2018

Falemos de assédio moral, assédio esse capaz de destruir uma pessoa de forma irreversível

Este tipo de assédio, o assédio moral, nada mais é do que descartar um ser humano e atirá-lo no lixo. A pressão é feita de tal forma, com todos e mais alguns requintes de malvadez, que a pessoa chega a acreditar que é realmente aquilo que lhe querem fazer crer: lixo.

O assédio moral, aquele que é praticado ao mais alto nível pelas entidades empregadoras, em linguagem mais comum, por patrões, directores, superiores hierarquias, ou seja, esta pressão destruidora, que tem por finalidade, humilhar, perseguir, reduzir a pó a auto-estima de alguém só porque a partir de determinada altura, a empresa, fábrica, loja, o que quer que seja, decidiu que aquela pessoa tem de ir para a rua e, não existindo qualquer interesse em indemnizar, simplesmente passa-se para o campo da destruição psicológica com consequências a curto prazo, físicas, no intuito de que esta abandone o seu local de trabalho sem direito a nada. Tão pouco a um pingo de dignidade.

Este tipo de assédio tem muitas das vezes a conivência dos próprios colegas de trabalho, colegas dessa mesma pessoa - pessoa essa que está no momento a ser triturada ao som das palmas de alguns e do silêncio tão ou mais arrasador de outros. A pessoa passa com um simples estalar de dedos a uma categoria de nível trapo de limpar sanitas, tapete de entrada onde todos limpam os pés. 

O que não deixa de ser uma tremenda ironia, isso dos colegas de trabalho muito amigos, por isso é que tenho dificuldade em digerir aquela expressão do "somos uma família", conheço-a de ginjeira, já a ouvi quatrocentas e cinquenta e muitas vezes e mais alguma. Uma empresa não é uma família, nunca será, porque uma família protege os seus em horas de maior tormento e uma empresa tendo como finalidade o lucro, 'mata' logo os seus quando o tormento financeiro aperta. Aos vinte anos acredita-se na lengalenga do "somos todos uma família", quando começamos a crescer e usamos melhor aquilo dos olhos abertos e a cor toda ela rosa com parcimónia, apercebemo-nos de imediato das nuances que por ali abundam. 

*
Este é o ser humano em toda a sua plenitude. 
E ainda dizem que a vida não é linda.
É pois!
E alguém tem a menor dúvida desse tremendo facto!?!
De toda a lindeza subjacente à vida?

8 comentários :

  1. O assédio moral é mau, muito mau. Talvez o pior de todos os assédios.
    É corrosivo, destrói.

    E tanto que havia para dizer sobre o assédio moral mas não tenho tempo. Ou vontade?
    Beijinho, caríssima Maria.

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    1. Tenho perfeita noção que este tema incomoda. E muito. Por isso mesmo, por incomodar é que é quase um tema tabu neste nosso Portugal à beira-mar convenientemente sentado e distraído. É um tema que, mal aparece um caso, é varrido automaticamente para debaixo do tapete.

      Mau, é um adjectivo fofinho, já corrosivo veste este tema de forma verdadeira.

      (lembro-me de um caso de um senhor, era director numa empresa, queriam ver-se livres dele, e vai de lhe colocarem uma secretária velha, cadeira também ela velha, cá fora, no vão de escada, sem direito a mais nada - isto é destruir um ser humano, humilhar, até à quinta casa decimal, diz muito do mundo em que vivemos - fosse eu isso de poderosa naquilo que interessa e não só em aconselhar a melhor cor de verniz para a estação seguinte e, a entidade empregadora teria de indemnizar a doer, aí sim, seria uma indemnização a doer, a ver se se tratam seres humanos com o respeito, dignidade, necessárias a isto de viver)
      ...

      Beijinho para si também, caro Observador.

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  2. Subscrevo inteiramente e conheço várias peças iguais ao que relatas. "Somos uma família" algo que me agonia porque nunca fui uma Maria que vai com as outras...tretas e mais tretas. Até na própria família de sangue há quem faça precisamente o mesmo. Nunca alinhei em almoços e outras tretas onde a hipocrisia e mentira são servidas de bandeja...e muito mais poderia dizer sobre o que fazem a tantos jovens com doses de "assédio moral terrível" e muitas vezes por parte pelos de alguns colegas.

    Felizmente há excepções. Em tempos que já lá vão houve quem quisesse tramar-me numa de assédio moral (até meteu falsificação da minha rubrica) e pus a boca no trombone ao meu jeito e sabes quem resolveu esse "assédio moral". Precisamente a minha chefe, a directora e o administrador. Mais...puseram na minha mão o futuro a nível judicial a dar a tal personagem. A minha resposta foi: já que toda a secção sabe, que fique mas jamais falar comigo a não ser profissionalmente ou nem isso, porque se tiver dúvida que peça à sua família!

    As televisões berram, repetem assuntos sem qualquer conteúdo quando deveriam falar/debater sobre o "assédio moral".

    Uma boa noite


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    1. Esta expressão do "somos uma família", normalmente acontece nas reuniões gerais em que toda a gente está presente. Ficamos ali todos calados enquanto o CEO, o director geral, o presidente, ou seja, o mais alto grau a nível hierárquico 'oferece-nos', com um sorriso a acompanhar, a armadilha do "somos uma família". A primeira vez que ouvi a expressão teria uns 23 anos e tinha basicamente acabado de entrar no mercado de trabalho a sério, era a minha primeira multinacional, mal ouvi a expressão achei aquilo muito reconfortante, digamos assim, passados meia dúzia de dias assisti ao vivo e a cores a uma outra realidade. Não vou entrar em pormenores porque não vale a pena.

      Os colegas de trabalho, vendem-se. Simples. Duro. Cruel. Mas é a verdade.

      Tenha também uma boa noite, Fatyly.

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  3. Nunca na minha vida laboral assisti a um caso desses, mas pelo que já ouvi, creio que o assédio moral deve conduzir à destruição psicológica da pessoa.
    Abraço

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    1. Existem muitos, Elvira, mais do que se possa imaginar, aqui o que se passa é que são quase todos abafados. Nas grandes multinacionais, multinacionais essas onde sempre me movimentei, aí, então, é o pão nosso de cada dia. Passa-se de bestial a besta com um simples estalar de dedos. A destruição psicológica com consequências físicas, é quase total. Recuperar para muitos é praticamente impossível porque o desgaste deixa marcas bem fundas. Por isso é que quando se diz que a malta da cidade tem a vida muito facilitada, isso é a maior barbaridade que alguém pode dizer.

      Abraço para si também, Elvira.

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  4. já ouvi falar de casos, mas até agora tenho tido sorte, e encontrei amigos em colegas de trabalho

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    1. Algo me diz que quanto maior é a empresa, mais este tipo de assédio tem tendência a ganhar forma e a reproduzir-se. E daí não sei...

      Empresas que geram milhões, e têm como finalidade o lucro e cada vez mais o lucro, são empresas que até pagam bem, mas o nível de pressão, rigor, é duro, absurdo. A crueldade, o atropelo. a ambição desmedida, por vezes leva a situações que destroem muita gente.

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