quinta-feira, 31 de maio de 2018

Das frases infelizes em anúncios de publicidade, neste caso do Continente: "que o importante é continuar com fome"

Entra o anúncio:


Legendas:
Esta é a Inês, ela não é como nós, não.
Ela não teve de esperar uma vida inteira para ser campeã.
Ela já nasceu campeã.
Campeã da Europa.
Reparem na atitude. 
Campeã da Europa.
O que podemos aprender com ela?
(Inês grita à modo Cristiano Ronaldo: qéu maisss!!)
Que o importante é continuar com fome.
Este ano, é para repetir.
Porque o que rende é alimentar a fome de vencer.
O que rende é ir ao...

*

Não faço a menor ideia se existe alguma Agência de Publicidade por detrás deste anúncio, mas se existe se calhar estava na hora de procurar uma outra agência. Ou outra equipa criativa, porque pelo exemplo demonstrado neste anúncio, com uma frase tão infeliz que só pode ser prenúncio que a criatividade anda pelas ruas da amargura.

E não me venham cá com tretas que a criança é uma ternura e não sei que mais. Não, não é, deixemo-nos de lamechices e sejamos pragmáticos, até a atitude, aquela que obrigaram a criança a desempenhar, é, toda ela, infeliz.

11 comentários :

  1. O Continente tem duas agências de publicidade próprias dentro do universo do grupo Havas em Portugal que se encarregam do que se devem encarregar.
    Se tem, a agência, feito alguma coisa de jeito por aí, não sei, nunca reparo nas agências que nos impingem o que é bom e o que é mau.

    O caso que a caríssima Maria nos apresenta hoje, dá que pensar, do ponto de vista qualitativo. Uma aberração. Como dizia o outro, 'não havia necessidade'.

    Aquela coisa do pragmatismo faz mesmo falta, o resto é paisagem da pior.

    Um beijinho

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    1. A frase é tremendamente infeliz, caro Observador, infeliz quando a liga directamente a uma criança. Aliás, vou mais longe, não se aproveita basicamente nada naquelas legendas, é provavelmente do mais medíocre que me foi dado ver e ouvir em termos de campanhas publicitárias ultimamente. Não sei o que é que se passa com os nossos criativos, temos excelentes criativos em Portugal, no entanto só sai disto. Não conheço o grupo Havas.

      Não faço ideia se a falta de qualidade das campanhas publicitárias está directamente ligada a ordenados mais baixos, a orçamentos também eles curtos, não se pode fazer omeletes sem ovos, dizem, eu assino por baixo, só que, apesar de tudo, não podem sair para rua 'coisas' destas.

      Beijinho para si também, caro Observador.

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    2. Só por curiosidade, apenas dizer que o grupo Havas é, também, o responsável pela publicidade da NOS.

      Um bom dia para si.

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  2. Tinha agendado como publicidade que não gosto pelo mesmo motivo. Mais quando ela faz a cara e berro de "quer, posso e mando" deixa-me a pensar no exemplo que ficará e que me transmite um autoritarismo aberrante que se poderá prolongar pela vida fora. Podem pensar...que gira...mas amanhã, no ano a seguir fará o mesmo quando pedir/exigir algo aos pais e familiares e quantas criança não fazem isso perante um "não"?

    A internet está inundada de "contras" outro spot publicidade referente ao tabaco, por ser sexista etc e tal o que não vejo em nada tal "berraria desenfreada" mas no que toca ao que mostras nada, versus nada.

    É a minha opinião!

    Beijos e um bom dia

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    1. Aqui, Fatyly, nem sequer se trata de um simples não gostar, é porque, na minha opinião, existe uma mensagem, que quem ouve, lê, com atenção, é bastante negativa. Ah e tal é apenas publicidade. Aí é que está, não é apenas publicidade, o papel da publicidade no mundo é, quer queiramos, quer não, bastante relevante. E se existe alguma coisa que este anúncio de tv não tem, é criatividade, criatividade no verdadeiro sentido da palavra.

      Estou consigo na parte da atitude da criança, não se entende pessoas que fomentam estas coisas como se fosse engraçado, engraçado nas crianças não passa pelo tal: quero, posso e mando. E é exactamente isso que passa, que uma criança engraçada é uma criança autoritária.

      Não é a internet a má da fita, Fatyly, isto são spots publicitários que normalmente passam na tv. são campanhas publicitárias que podem passar em horário nobre ou não na tv, pode ser na imprensa, na rádio, em cartazes, os chamados outdoors. Com isto da publicidade sem qualquer tipo de regras na internet, talvez a coisa também comece a descambar, ou já descambou, não se aguenta entrar em blogs e sermos logo bombardeados à entrada com baldes de publicidade para cima. Caramba, os blogs deveriam ser um grupo à parte, deveriam ser páginas de pessoas que apenas escrevem sem qualquer outro tipo de interesses, a não ser que, e sendo essa a opção, que existissem avisos logo à entrada do blog como aquele é um blog patrocinado pela marca x ou y. Isso seria a transparência que se quer. Jogar, mas jogar sem atropelos.

      Tenha também um bom dia, Fatyly :)

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    2. "Ah e tal é apenas publicidade. Aí é que está, não é apenas publicidade, o papel da publicidade no mundo é, quer queiramos, quer não, bastante relevante." - Podia bem ter sido, mas não fui eu que o disse, foi A Maria.

      Se o Tempo me vier a proporcionar a oportunidade, ainda cá volto com o propósito de, a propósito, aprofundar um pouco mais do que penso e sinto sobre este ponto específico, que me toca numa equimose antiga que me comicha muito-tanto.


      Por agora, proporciona-me apenas notar que (e passando ao lado do conteúdo do anúncio aqui em causa) o pouste da Maria me recordou uns anúncios de uma campanha que, à altura, me deixaram estupefeito por ser aparentemente, eu, o único a sentir ser de um mau gosto tremendo o selôgane da dita campanha, alegadamente publicitária.

      Estávamos nos inícios dos (supostamente já) idos das "crises", a bolha imobiliária a rebentar-se-nos nas mãos, famílias a serem despejadas e coisas dessas e que tal. E uma agência disso mesmo, vendia os seus serviços aos necessitados com exemplos de que qualquer que fosse a casa que lhes dessem a vender, "(...)já Era!"...

      E a mim aquilo sempre me soou demasiado a esfregar na cara das pessoas que o seu sonho de ter uma casa que seja sua? "(...)já Era!"...

      Ou seja, e para ser meigo, Blhécs!


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    3. Já estou a perceber que o André também não deixa passar ao lado situações daquelas que passam ao lado de muitos - felizmente não são todos, mas ainda assim muito poucos - sem fazer qualquer comichão, ou até seria mais drástica, sem que os incomode, sem que os faça olhar para aquilo duas vezes e perceber que o caminho não é por ali, é um caminho errado, pernicioso. Deve ser aquilo de nunca se ter tempo para nada, dizem muitos, eu acho que quem nunca tem tempo para nada é porque não sabe, ou não quer, organizar (nada) o seu tempo. Mas isso são outras questões.

      Essa do exemplo do 'já Era', pelo que me apercebi, parece ser na mesma onda deste, gente por detrás de anúncios, criativos daqueles que, provavelmente, acabaram de se licenciar em Marketing & Publicidade, e, vai daí, sem sequer palpar a vida, são colocados à frente de campanhas publicitárias que acabam por passar a mensagem errada. Eu estou em crer que um bom criativo, tem de ser uma pessoa minimamente culta, tem de ter dado já alguns trambolhões na vida e tem de ter o cérebro muito desarrumado mas que passe cá para fora ideias muito bem arrumadas e estruturadas, isso só se consegue após alguns anos de experiência profissional e de vida, também. Começar, todos nós temos de começar, é necessário existir alguém que saiba apostar naquela pessoa porque tem potencial, o problema é que, por vezes, os superiores hierárquicos não são lá grande coisa, quando os superiores hierárquicos não são lá grande coisa, os cá mais em baixo espalham-se ao comprido. Isto anda tudo ligado, não são poucas as vezes que se ligam pontas que nunca se deveriam ligar.

      Estou consigo: Blhécs! - neste caso do anúncio do post, muitos.

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  3. Só duas palavras
    Muito mau.
    Abraço e bom fim de semana

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    1. Eu também achei, Elvira, só que por vezes uma pessoa tem receio de publicar este tipo de opinião, não vá alguém achar que se está a influenciar os outros a seguir o mesmo tipo de opinião. O que não é o caso, por aqui as pessoas podem, e devem se assim o entenderem, entrar, e escrever que não concordam, se for possível o porquê.

      Bom fim-de-semana.
      Abraço.

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  4. Porque o que rende é alimentar a fome de vencer....
    Nem sei ao certo o que isso quer dizer. Queriam inventar uma frase que fosse capaz de ligar "rende" com "fome de vencer" e pronto, saiu esta obra prima. Mas lá está, quanto mais rebuscado uma frase se parecer, mais as pessoas ficarão convencidas de que estão perante algo reconhecidamente genial (porque caso contrário também eles seriam capazes de entender...). :(

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    1. Não se preocupe com isso de nem saber ao certo o que quer dizer, acho que a maioria das pessoas não sabe, e aquelas que dizem que sabem é só para ficarem alinhadas com aquilo de ser uma coisa tão rebuscada, mas tão rebuscada, que só gente muito erudita chega lá. Enfim, é para esquecer.

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