sábado, 5 de maio de 2018

Acabei de ler que o Prémio Nobel da Literatura não vai ser entregue este ano (ufa! ainda bem)

Passo a explicar aquele meu desabafo do: ufa! ainda bem.

Coloquei desde que me conheço nisto de gostar de livros e de ler - que, acho, começou ainda mal sabia andar, é um exagero propositado esta parte - os escritores como seres de um mundo todo ele à parte, um mundo em que se podia confiar de olhos cerrados e não apenas fechados, nas pessoas que escreviam livros. Sempre imaginei serem pessoas de uma inteligência superior, que escrevem num português escorreito, dadas a investigar, pesquisar, para que a sua obra mal passe para livro e seja exposta em locais próprios, que para mim são sempre livrarias e não prateleiras de supermercado, possam ser devorados de um só fôlego - um bom livro é para ser devorado e não simplesmente folheado, penso eu que gosto de virar o meu mundo às avessas e não deixar-me ir ao som do mundo dos outros.  

Dito isto vou lançar-me ao seguinte isto que me trouxe até aqui.

Faz-me confusão e causa-me alguma perplexidade a forma oportunista como se trazem livros para o mercado nos dias que correm. Parece que qualquer pessoa pode escrever um livro, e nesta facilidade que não me parece aparente, uma pessoa vê livros por tudo quando é lado e não lhe apetece comprar livros porque não consegue separar o trigo do joio. 

Existem livros que saltam para o mercado, para serem vendidos, com a única finalidade de ter lucro não existindo por ali nem uma pintinha sequer de qualidade. A intenção não é ter qualidade, a intenção é o dinheiro que aquilo vai gerar. Por vezes basta ter um nome conhecido na capa, num total aproveitamento do momento, alguém que naquele dado momento é considerado figura pública, pega-se no nome dessa mesma figura pública, até pode ser alguém saído de um qualquer Reality Show, e como está na berra, há que aproveitar a memória ainda fresca das pessoas para vender. Não importa o quê, escrevinha-se meio dúzia de páginas, põe-se uma capa e uma contracapa, dá-se um nome assim para o pungente-ó-medíocre, com muita brilhantina à volta naquela de não passar despercebido, untam-se umas mãos e mais outras, e sai mais uma fornada de livros que só servem para atirar para a lareira em noites frias de Inverno. Bom, pelo menos servem para alguma coisa...

(não se arranja para aí um mundo credível, com pessoas também elas credíveis, em que possamos voltar a confiar, não?)

5 comentários :

  1. " (...) os escândalos sexuais em que a Academia tem vindo a ser envolvida ao longo dos últimos tempos". Logo aqui, temos matéria para discussão. O que é que o sexo, mesmo em formato escândalo, tem a ver com o Senhor Nobel?
    Cá para mim, c a coisa está mais ligada aos "escândalos financeiros que levaram à demissão de sete membros da Academia Sueca, responsável pela atribuição do Nobel".
    E assim, aquela malta toda ela de fina para cima, empurra com a barriga uma coisa que não tem pés nem cabeça.

    Quanto a livros ... tcharannnnn ... só leio coisas de qualidade. Por exemplo, as grandes obras de José Rodrigues dos Santos e as da minha vizinha do 5º esquerdo que escreve bem p'ra burro.

    Num registo ainda mais sério, estimada Maria, ainda bem que temos em cada esquina um amigo e em cada prateleira um livro.
    (onde raio fui buscar esta frase tão filosófica?)

    Não quero deixá-la triste, assim como que a pensar que aqui o eu não levou a sério o seu trabalho de sábado, mas estou a meio de um livro e a sua escrita não permite que me disperse.

    E 'prontes', com esta me vou, desejando-lhe um suave resto de sábado, antecâmara de domingo.
    Limões, muitos limões, é do que a malta está a precisar :)))

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    1. Isto que se segue é capaz de ter o seu peso, penso eu.

      "O escândalo rebentou em novembro quando o jornal Dagens Nyheter publicou a denúncia anónima de 18 mulheres, sobre abusos e agressões sexuais, contra o dramaturgo Jean-Claude Arnault, ligado à academia através do seu clube literário e marido de um dos seus membros, Katarina Frostenson. A academia cortou todas as ligações a Arnault e encomendou uma auditoria independente sobre as suas relações com a instituição, mas divergências internas quanto às medidas a adotar desencadearam demissões, acusações e saídas de vários membros, entre os quais a secretária permanente em exercício, Sara Danius, e Katarina Frostenson."

      - / -

      Em Portugal o lado oportunista já chegou em força ao mundo dos livros. Se é que se pode chamar de livros àquilo. Bem que me apetecia trazer até aqui três ou quatro exemplos, só que é melhor não. Estou numa de não ferir susceptibilidades porque algumas figuras que são públicas não têm qualquer poder de encaixe. Só gostam de quem as engraxa e eu não uso graxa cá em casa. Faz mal à saúde dos neurónios.

      Agora, os que escrevem realmente livros a sério, os escritores a sério, são alguns, felizmente para todos nós, o lado triste, que me revolta e ao mesmo tempo chateia é a continuação do meio mundo a enganar o outro meio.

      Bom fim-de-semana, caro Observador.

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  2. Concordo com tudo o que dizes e quando li a notícia já há alguns anos que penso que a actual academia do Nobel deve andar pelas ruas da amargura. Com esta desculpa do assédio (que não deixa de ser grave, claro) adiam só o da Literatura ou mais? Uma limpeza ética é o que precisava, mas nós por cá também temos Direcções e não só a nível público que bem precisavam de uma lavagem com um jato de água a ferver. Adiante...

    Há escritores credíveis e com "E"grande, mas realmente somos inundados por uma avalanche de escritores armados ao pingarelho que para mim vale zero. Pior do que tudo o que disse é a forma de arrumação dos livros em papelarias, livrarias etc e tal, onde é tudo ao molho e fé em Deus tal como o ou os do Sócrates, não aquele do antigamente mas o do passado recente...xiiii valha-me Deus!

    As editoras cujas direcções precisavam de uma lavagem querem é vender e o que se vende mais é precisamente o rasca e eu continuo na minha: leio autores actuais que merecem o meu "gasto" e os últimos que comprei numa promoção foi um do meu conterrâneo Ondjaki e o outro de José Luis Peixoto! Já estou quase nos finalmente:)))

    Agora vou ler, desculpa almoçar uma bela salada russa com todos ehehehe que já chama por mim:)

    Beijocas

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    1. É o oportunismo também a dar cartas no mundo dos livros. Caramba, somos enganados em quase todas as esferas. É nos alimentos, é no vestuário, no calçado, na política, no entretenimento, no desporto... no raio. Por vezes dá vontade de experimentar outro país, sair de Portugal e ver se a coisa do chico-espertismo é igual noutros países. Se há coisa que existe em Portugal de sobra é sol e chico-espertice. Cansativo, isto.

      Este aproveitamento por parte de algumas, muitas, figuras públicas, que não têm qualidade alguma para publicar livros e recorrem a coisas para encher páginas só naquela de obter dinheiro, chateia-me. Precisamos de dar um passo atrás no que toca a ser exigentes. Somos um povo muito pouco exigente, põem-nos à frente uma porcaria qualquer, dizem que aquilo é bom e, nós, compramos, compramos sem sequer colocar em questão o que nos dizem. Mudanças para ontem são necessárias.

      Penso que é só o da Literatura... (a Fatyly pode sempre entrar ali no link do DN, na palavra 'ufa' a azul, e ler a notícia completa)

      Bom domingo :)

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    2. Sim, sim eu li o artigo do DN e para mim não é na explicito. Fui agora à wikipedia ver como funciona a Academia Sueca e já descrevem o escândalo de saídas etc e tal e dá-me a entender que está uma tremenda cebolada. Lamento que não digam a ordem da avaliação das várias categorias... mas acho que está a ser altamente escrutinado a dita.

      Enfim...

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