segunda-feira, 2 de abril de 2018

O mundo precisava de ser despenteado, desarrumado, para voltar a ser penteado e arrumado

Começámos a actuar como se fôssemos meros robots, tanto receio por parte de alguns que as máquinas um dia se instalem de vez e roubem postos de trabalho aos seres que se dizem humanos, quando de livre e espontânea vontade o estamos a fazer a cada dia que nasce. E a cada dia que nasce limitamo-nos única e exclusivamente a caminhar em fila indiana. 

Copiamos, porque este mundo actual paga mal a quem tem uma trabalheira danada para ser original, mais vale copiar e logo se verá, com um pouco de sorte talvez tenhamos amigos influentes, daqueles bem instalados na vida, que nos defendam, argumentem, que já tudo foi inventado, e já tendo aquilo do tudo sido inventado é normal que os acordes se repitam. São os acordes imperfeitos - penso eu que nada percebo de perfeição e muito menos de harmonia na escrita.

Repetimos até à exaustão frases feitas porque é muito cansativo construir novas frases muito mais adequadas aos tempos que evoluíram faz uma semana e meia de anos. E se não repetimos, outros que nos entram pela casa adentro repetem por nós como se soubessem o que estão a dizer. Eu, a bem dizer, sei que eles nem querem saber, querem é despachar a coisa porque têm a vida deles para ser vivida e a vida não se faz sem dinheiro. Dizem eles. Eu acredito. Não neles, mas na parte do dinheiro.  

Eu, não é por nada, mas acho que andamos todos a ver quem engana melhor, um dia destes obrigam-nos a casar uns com os outros. Vade-retro com essa coisa!

(dizem que é Páscoa - ou acabou de ser Páscoa -, dizem, mas ninguém ainda explicou realmente o que é que isso da Páscoa significa para si próprio(a), com um pouco de sorte Páscoa significa apenas ovos de chocolate, coelhinhos saltitantes que podem ser comidos à dentada, amêndoas de variadas cores, e assistir sentados no sofá ao filme onde Jesus é protagonizado por Diogo Morgado, como se eu conseguisse comprar um Jesus que acabou de andar aos beijos a Joana de Verona)


16 comentários :

  1. Perdoará, caríssima Maria, mas apenas dei atenção ao conteúdo metido num quadradinho.
    E que grande verdade lá está!

    Tenha uma boa segunda que é feira e receba um beijinho ;)

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    1. Não existe rigorosamente nada para perdoar, caro Observador, o tal quadradinho é apenas o reflexo do que quis transmitir com o este texto. Que a honestidade por estes dias não é vista como um traço positivo de carácter, mas antes vista como uma grande inconveniência. Ser honesto passa também por dizer, escrever, o que se pensa, desprovido de jogos e artimanhas. Ser honesto, frontal, não faz 'pendant' com isso de uma pessoa ser grosseira, mal educada, existe uma linha invisível que convém não ultrapassar e essa linha invisível cose-se com algum bom senso, saber driblar por caminhos que não são sempre feitos de linhas rectas.

      Veja-se por exemplo esta altura de Páscoa, este chamado espírito pascoal, acredite que contei pelos dedos de uma só mão as pessoas que falaram, escreveram. acerca do verdadeiro espírito da época, a festa religiosa. Quase toda a gente falou apenas de comida e do feriado, porque, a bem dizer, penso eu, as pessoas estão-se completamente nas tintas para o lado sério da Páscoa desde que não falte muita comida na mesa e seja feriado - nada contra, apenas uma constatação. Transformámos tudo isto apenas em momentos para comer até cair para o lado. Deve ser sinal dos tempos... Eu prefiro quem diz munido da tal honestidade que a Páscoa não é momento que lhes diga grande coisa. Pode não ser politicamente correcto, mas pelo menos é honesto. Agora imagine o que seria se as pessoas continuassem a ser honestas e dissessem que é um grande sacrifício ter de conviver meia dúzia de dias debaixo do mesmo tecto com a família toda reunida, rebentaria quase de certeza a terceira guerra mundial. Ser honesto é letal. Parece-me.

      Para si também, caro Observador, boa segunda com feira incluída :)

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    2. Discordo!
      A honestidade deve estar no pódio das características do ser humano.
      Quem não é honesto não presta, simples assim.

      Páscoa ... ena pá o que havia para dizer sobre o assunto!?!?
      Lembrar-se-á do que se passava aqui há uns anos em que a Igreja Católica não permitia que se comesse carne na sexta feira santa. Ora se se lembra, sabe que os senhores lá da Igreja Católica, abriam excepções a quem pagasse a bula, uma espécia de taxa, ficando assim autorizados a comer carne nesse dia.
      O que chamar a isto, ilustre?

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    3. Deve estar, escreveu o caro Observador muito bem, mas a verdade é que não está. Essa é a realidade e está aí no dobrar de cada esquina, isto se uma pessoa conseguir ter força suficiente para dobrar esquinas :)

      Se quem não é honesto não prestasse e isso revertesse de imediato em dinheirinho para construir um país melhor, acredite que este seria o melhor país da Europa, quiçá do mundo, quiçá dos arredores do mundo.

      (então não me lembro!? os meus avós não comiam carne e, hoje em dia, muita gente continua a seguir a tradição, comer carne na sexta-feira santa é considerado pecado, eu respeito, não tenho como não respeitar, se as pessoas se sentem bem com a sua fé, pois é deixar as pessoas envoltas na sua fé, por vezes é a única coisa que lhes dá alento)

      (ah, isso de uma espécie de taxa, pois, tanta coisa para dizer e uma pessoa agora sem tempo algum ;)

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    4. Também respeito. Só que não admito que o pároco se arme em dono daquilo tudo e, bastando umas moedas (ou notas), emita a respectiva autorização.
      Um gesto que não me agrada.

      Sobre a honestidade ... vou, um dia destes, dar um passeio até à Assembleia da República e assistir a uma manifestação de honestidade, coisa tão comum naquele espaço.

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    5. Claro que não agrada, caro Observador, e tem toda a razão do seu lado.

      Se for à Assembleia da República não se esqueça de levar o balde das pipocas, aquilo promete :))

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  2. Mais flagrante que na Páscoa é o que, de forma idêntica, se vai passando com o caso do Natal - em que, se 𝘧ô𝘳 𝘱𝘳𝘦𝘤𝘪𝘴𝘰, as pessoas se pegam e berram e insultam* por um lugar de estacionamento no centro comercial onde foram mui nataliciamente comprar e re-comprar tudo, do bolo-rei aos sonhos e dos postais às prendinhas...

    Pois que isto de viver num sistema alicerçado no consumo massivo de bens e serviços tem destas inconveniências, como a de transformar o espírito seja de que Dia for num espírito de consumir até (en)fartar. Vejam-se ainda, por outro exemplo, os Sãos** Valentins - em que até frases e poemas de amor genéricos e emprateleirados nos escaparates dessa internet inteira se pedem emprestadas para anexar às flores compradas em vez de colhidas, tudo a oferecer, claro está, enquanto se consome alguma refeição especial que nenhum dos dois parceiros cozinhou para o outro!

    É que (acho eu, que não sou daqui e só cá vim vêr a bola) quando até a sensibilidade interior e (supostamente) pessoal do romantismo se compra e vende, nem a Paz no Mundo poderá escapar ao ímpeto dos vendilhões - e que bem se vende, tanto em concursos de 𝘔𝘪𝘴𝘴𝘦𝘴 como em 𝘛𝘪-𝘤𝘩𝘦𝘳𝘵𝘦𝘴 estampadas e Galas tele-visivas com chamadas tele-fónicas de ̶v̶a̶l̶o̶r̶ custo acrescentado e outros 𝘦𝘵 𝘤𝘢𝘦𝘵𝘦𝘳𝘢's!...

    Mas este deboche aparentemente intrínseco aos últimos tempos antes do colapsar dos sistemas económico-sociais instituídos, mostra-nos a história, é isso mesmo - a corrupção dos valores Humanistas, assoberbados, oxidados, e/ou engolidos pelos instintos egocêntricos das gentes que se esqueceram que o Universo não existe por, nem para, elas. E se arrogam saciar tudo que é apetite sem olhar às respectivas consequências...

    Termino o meu achismo 𝘥𝘪𝘻𝘦𝘯𝘥𝘰 que - constatação empírica - me parece uma evidência que toda esta corrupção generalizada e transversal é tão mais amplificada e epidémica quantas mais pessoas se forem deixando tele-guiar pelos seus tele-fones espertos. A própria (ex-)caixinha mágica, desde que apareceu e se generalizou - primeiro por todas as casas, depois por todas as divisões das ditas - já vinha contribuindo em muito para isto. Não será por acaso que quem mais lucra com este sistema sócio-económico cedo trata de tomar controlo das várias ferramentas de tele-guiagem das gentes! Eu mesmo, em criança, tele-guiadinho pelos anúncios na tele-visão, adorava tele-guiar o meu Niko Turbo Panther (™) - até que se lhe acabaram as pilhas!...



    * Já presenciei gente a partir para a violência física para decidirem quem, numa fila para - claro está - pagar, estava primeiro! E que nem quando - por mim e outros - lembradas de que 𝘦𝘳𝘢 𝘕𝘢𝘵𝘢𝘭 𝘦 𝘵𝘢𝘭 se despegaram!)

    ** Trocadilho intencional!

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    1. André, antes de mais. muito obrigada por este seu comentário, comentário esse que li com atenção e que subscrevo na íntegra. Vai completamente ao encontro de tudo aquilo que também eu penso, situações com as quais me debato, senão diariamente, quase diariamente.

      Eu que não sou fatalista nem nada, tão pouco dada a pessimismos assoberbados, acho que tenho os pés assentes no chão em posição q.b., tendo a achar que se não fizermos marcha atrás rapidamente, a coisa da ganância, do 'umbiguismo', do atropelo... é bem capaz de nos esmagar sem dó nem piedade. É capaz de não sobrar nada para ninguém, rectifico, a sobrar é bem capaz de só sobrar para meia dúzia. Triste, isto.

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    2. Obrigado eu, Maria, pelo mote e espaço concedidos e, ainda, pela atenção dada e bem patente no conteúdo da sua resposta.

      "Salamaleques" à parte, "só" 𝘥𝘪𝘻𝘦𝘳-lhe que, a sobrar alguma coisa para meia dúzia, (achismo meu) será para a meia dúzia - aquela dos 𝘜𝘮𝘣𝘪𝘨𝘶𝘪𝘴𝘵𝘢𝘴-𝘔𝘰𝘳 - que anda, por se achar (achismo deles) nesse direito, a utilizar todo o restante planeta (com tudo o que nele se inlcui) para seu próprio proveito.

      Não sendo eu rancoroso ou vingativo, mas talvez mais fatalista que a Maria, resta-me no entanto a esperança de que, sendo esse o caso, um qualquer Karma - ou outro sistema retributivo da justiça do Universo - exista mesmo e que, a ser para esses, antes não sobre para ninguém. Não por sede de vingança, mas por imerecimento moral.

      E não obstante ser isso/isto deveras triste, lembrar que "everything will be ok in the end. If it's not ok, it's not the end". ;o)

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    3. Justiça humana versus Justiça cósmica, a ver quem ganha no final.

      Obrigada, novamente, André, aprende-se bastante com os seus comentários :)

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    4. Eu aposto os "meus dois cêntimos" na segunda. Não só porque o Cosmos já cá estaria antes de "nós", mas também porque me parece que Ele passaria melhor sem "nós" do que o inverso. ;o)

      E obrigado, novamente, eu! =o)

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  3. A Páscoa nunca me disse rigorosamente nada em "encenações religiosas". Tenho a minha fé, acredito no que acredito mas não entro na onda do "certinho se não vais parar ao inferno" da qual já saí há muitos anos". Sou honesta em tudo, embora bem criticada por muitos católicos e quando me apetece vou até a uma igreja vazia onde me sabe bem aquela paz. A minha mãe ainda hoje é praticante, inclusive há quem vá dar a comunhão à sua nova casa, segue tudo via tv e isso não me incomoda desde que ela não me critica por a não seguir:) O meu pai também o era e resolveu partir num sábado de aleluia e foi cremado num domingo de Páscoa.

    Respeito quem pratique e pelo menos que as famílias se juntem e se revejam. O almoço foi igual aos restantes do ano. Felizmente podemos ter comida à mesa o que já não acontece com muita gente, gente esquecida pela falta de honestidade de muitos praticantes de várias religiões já para não falar dos reinantes.

    Por vezes penso que de facto sou honesta e simples, claro que sim...com defeitos à mistura, mas este domingo teve mais significado porque a minha filha mais nova fez anos e não foi nenhuma mentira:)))

    Termino dizendo: sou como sou e não sei deixar de ser como sou!!!:)

    Agora vou passar o dia com as netas que já reclamaram a minha presença e fuiiiiiiiiiii

    Beijocas



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    1. Como em tudo na vida, se um dos ingredientes utilizados possuir um sabor mais marcante, é esse sabor que sobressai, penso eu, logo, se a honestidade for esse ingrediente, acaba por não existir o que a Fatyly refere, as tais "encenações religiosas". Falo assim porque os meus avós eram pessoas honestas, gente muito trabalhadora, a minha avó ia à missa todos os dias, no entanto não era aquilo de beata, beata com toda a carga pejorativa que o termo carrega, nunca a vi na esquina de uma rua a falar da vida das vizinhas, aliás, odiava esse género de situações, para além disso não tinha um marido ao lado que também permitisse tal coisa, o meu avô não era pêra doce com algumas coisas. Para o meu avô a família estava sempre em primeiro lugar, sempre desconfiei que não era homem de ir à missa, embora todos os domingos fosse, e acho que ia só para não ver a minha avó zangada. As zangas da minha avó com o meu avô eram simplesmente a coisa mais engraçada de se ver, a minha avó não era mulher de gritos e confusões, apenas deixava de lhe falar, e era bem capaz de o fazer dias seguidos, no entanto tudo o resto continuava normal lá em casa, o meu avô lá tentava, todos os dias, conquistá-la novamente como podia, parecia um eterno namoro entre os dois. Saudades destas coisas...

      Fatyly, eu acho que para quem tem fé, seja fé aquilo que melhor conforte cada um, essa mesma fé pode ser 'praticada' em qualquer lugar. Mas isto sou eu que até encontro a minha fé num domingo de manhã quando a casa está tão tranquila que quase é impossível imaginar que tanta gente se ande a matar por aí por dá cá aquela palha.

      O problema não é ter comida na mesa, aliás, ter comida na mesa é um privilégio, uma pessoa só tem de agradecer, muito, o problema é viver determinadas alturas do ano só na base de comer até cair para o lado retirando todo e qualquer significado à época que se atravessa. Esse é que é o problema. A ganância, seja ela qual for, é um grandessíssimo problema. Isto na minha opinião.

      Sendo assim parabéns (atrasados) para a sua filha e tenha um excelente dia junto das suas netas :)

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  4. Somos um colectivo, cada vez maior, a balir dentro da cerca. Ainda haverá aleluias?

    Tenha um excelente dia, Maria :)

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    1. Eu cá recuso-me a isso de balir e esforço-me o mais possível por fugir a tosquias sem aviso prévio. Mal por mal e assim manda a boa-educação, se nos vão cortar rente a lã, pelo menos enviem uma cartinha por correio para a malta se preparar para temperaturas abaixo de zero.

      Para si também, AC, um excelente dia, ou o que resta dele :)

      PS: Claro que sim, aleluias para quem ainda faz questão de acreditar na vida.

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