terça-feira, 3 de abril de 2018

Coisas que me atormentam (falemos das chamadas redes sociais)

E para quem não tem Facebook, género eu, estamos livres de perigo ou nem por isso?
(refiro-me à polémica recente) 


Apesar de não ser contra o Facebook - nem contra nem a favor, é-me indiferente a bem dizer - nunca quis fazer parte desta rede social. Tal como também não me apetece fazer parte do Instagram. Tal como também não me apeteceu, nunca, fazer parte das escandaleiras lá na zona do Twitter. Se eu disser que nunca me deu para tirar selfies, ou seja, voltar a câmara para mim mesma e tirar uma foto, alguém acreditaria?! Pois, é para acreditar que é verdade. Gosto de tirar fotos a outras pessoas, a paisagens, a tudo o que acho merecedor de tirar uma foto, no entanto isso do narcisismo em forma de clique, não, não me dá para esse lado. Não existem aqui criticas a quem o faz, lá está, no seguimento do Facebook, é-me indiferente, cada um escolherá para a sua vida aquilo que melhor achar ser benéfico para essa mesma vida. É mesmo na onda de "vive e deixa viver".

Se por um lado sou a favor das novas tecnologias, acrescento, inclusive, que tenho alguma facilidade em absorver tudo o que vai ao encontro disto das novas tecnologias, por outro só escolho aquilo que me interessa, interessa-me bastante isso de ainda conseguir manter alguma privacidade dentro de quatro paredes. Se as paredes ainda existem para alguma coisa será...

Quanto ao telemóvel propriamente dito, mantenho o smartphone desligado nalgumas partes do dia, isto se não estiver à espera de algo que me obrigue a tê-lo sempre ligado. Aborrece-me o facto de alguém ligar, alguém conhecido, família, amigos, pessoas com quem nos envolvemos, e a primeira coisa que dizem mal atendemos a chamada é: "onde é que estás?". Caramba, apetece-me estar por vezes em locais que são só meus, não tenho de fazer permanentemente relatórios informando que desci a Av.da Liberdade e estou no momento a atravessar o Terreiro do Paço. 

24 comentários :

  1. Caríssima Maria
    Não me apetece escrever muito mas, como faço questão em ajudar os mais desprotegidos que vivem sem redes sociais, com smartpgones que funcionam em part time, apesar de prestarem uma atenção quase sem limites ao esbelto jornal Observador, deixo-lhe, com todo o gosto, um link que sugiro que leia. Ora bolas, se não fosse para sugerir a sua leitura por que raio o deixaria aqui?
    Agora, respire fundo e leia. Sim que a leitura faz bem ao fígado e às paredes do estômago :)))

    https://www.publico.pt/2018/04/02/tecnologia/noticia/mark-zuckerberg-chama-criticas-da-apple-de-simplistas-1808827

    E é tudo!

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  2. Já agora e porque está quentinho:
    https://www.noticiasaominuto.com/tech/985040/facebook-vamos-sair-deste-buraco?utm_medium=email&utm_source=emv&utm_campaign=tech

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    1. Então mas o blog não é uma ferramenta que se utiliza para comunicar? Eu acho que é. Se é, logo, faz parte também das redes ditas sociais, embora com outro formato, um formato que para mim é mais interessante porque não tem aquilo de ser dado ao imediatismo. Imediatismo no sentido de que se pode gerir à nossa maneira.

      Lá está o caro Observador a tentar demover-me de ler o jornal Observador, lamento mas não consegue, ainda por cima é esbelto e tudo, jornais hoje em dia esbeltos e sem barriguinha, são raros, uma pessoa tem de aproveitar enquanto há. Seguindo caminho... Na minha base de dados existem praticamente todos os jornais nacionais e internacionais, jornais e revistas. Gosto de ler, é um facto. E digo-lhe, mais vale ler o 'Observador' do que isso das 'Notícias ao Minuto', a julgar pelo link da notícia aí de cima, é uma notícia muito, mas mesmo muito, fraquinha, o senhor Miguel Patinha Dias tem de se esforçar mais um bocadinho se quiser convencer aqui a malta de que é um jornalista capaz de escrever notícias mais completas.

      (o link da notícia do meu texto, aquele a azul, não é do jor. Observador, é do jornal Sol, caso não se tenha apercebido - ai a minha vida, tudo eu tudo eu :)))

      A notícia do link do jornal Público que deixou, já tinha lido, é um jornal que também leio praticamente todos os dias.

      Resumindo: o que é que o caro Observador tem a dizer acerca da polémica do Facebook, é ou não verdade que estão para aí a invadir a privacidade dos seus utilizadores? - embora eu ache piada que muita gente esteja escandalizada quando são os próprios a expor até mais não a sua própria privacidade. Se as pessoas são as próprias a tirar fotos às suas partes mais intimas e publicar nas redes sociais. Se as pessoa são as próprias a filmar cenas lá de sexo das suas vidas e publicar nas redes sociais. Se as pessoas vão de férias, e apesar dos alertas da polícia para não o divulgarem, as pessoas até publicam fotos lá do sitio bem longe onde estão informando os ladrões que podem visitar a sua casinha à vontade porque não está ninguém em casa. Eu cá acho que em vez de estarmos a evoluir, estamos a regredir em termos de inteligência. Temos as novas tecnologias aí à mão, o que é uma mais-valia, sem dúvida alguma, mas deslumbrados como somos, talvez estejamos a utilizá-las da pior forma.
      ...

      Já fui. Já fui. E levo o meu fígado na mala só naquela :)))

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    2. A notícia não é do 'Observador' mas sim do 'Sol'.
      Meu Deus, isto vai de mal a pior! Antes um mau 'Observador' que um péssimo 'Sol'.

      As pessoas sabem perfeitamente o que as espera quando abrem conta numa rede social, sendo que o Facebook nem é a pior. Convém reter que se podem encontrar 'bons sentimentos' nas ditas redes sociais. No entanto, a malta é assim. Preferem estragar que melhorar ou, na pior das hipóteses, manter.
      Já percebemos (ou ainda não?) o que levou Mark Zuckerberg a criar o aborto que criou. Olhos postos nos ganhos financeiros e fuga legal aos impostos.

      Caramba, já escrevi mais do que queria sobre este tema!

      Não perca o fígado que lhe faz muita falta :)

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    3. Agora ataca o Sol. Eu cá acho que o caro Observador não deveria atacar uma estrela, as estrelas que são o centro do sistema solar, sentindo-se atacadas, tungas, fritam-nos em meio segundo. Só estou a avisar :))))))

      Diga à malta, então, o que é que se deve ler? Ou seja, quais são os jornais assim, muito, mas mesmo muito, bons, que não nos manchem a reputação?

      A rede social Facebook não é a pior? Eu acho que é, posso não ter conta no Facebook mas dá-me de quando em vez para me pôr a ler alguns que são públicos e venho de lá meio abananada. Lembro-me de um onde fui parar porque na altura se falava de crianças com Facebook - coisa para mim muito difícil de perceber, isto de crianças com Facebook - e então pus-me a ler aquilo, descobri que era o Facebook de uma criança de 10 anos, se eu conseguisse reproduzir aqui os diálogos, muita gente diria que era impossível ser uma criança de 10 anos, vai na volta não era mesmo... O palavreado era ao nível de alhos para cima, as conversas eram sobre mulheres adultas na onda hardcore. Eu cá estando ainda muito longe de ter 70 anos, admito que não consigo entender estas coisas, se calhar ainda bem.

      Acredito que exista gente boa no Facebook, mas acho que uma grande maioria não estava, ou não está, preparada para isto das redes sociais. Expõem tudo e mais alguma coisa. Atiraram-se de cabeça para um mar onde não sabem lá muito bem nadar, mar esse que não é só frequentado por peixinhos cintilantes de cor-de-rosa suave.

      Mas qual é a dúvida dos "olhos postos nos ganhos financeiros...", aquilo não é propriamente a 'Sopa dos Pobres'. Aqui entra e muito bem o: there is no such thing as a free lunch.

      (escrever e ler exercita e bem aquilo dos neurónios,é um género de ginásio neuronal :))

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    4. Vamos lá a coisas fáceis de dizer e de compreender. Aceitar ... é que são elas!

      Jornais de qualidade? Zero!
      Jornalistas com qualidade? Alguns.

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    5. Jornais de qualidade, zero?! Ó caro Observador, isso hoje foi muita noz-moscada no vinho tinto, mas é :)))))))

      (não sei se sabe mas a noz-moscada melhora a saúde do fígado... eheheheh)

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    6. E quem lhe disse que tenho problemas de fígado? :))))))

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    7. Não sei se sabe mas os fígados também já estão autorizados a abrir conta no Facebook, portanto foi através do Facebook do seu fígado que eu soube de tudinho :)))))))

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  3. Toda esta polémica leva-me aos tempos em que acabaram com o MSN e que os blogues eram um céu aberto. Há quem diga que não anda no Facebook apenas está no Instagram e eu que só percebo como deixar uma casa a cheirar a limpo disse que pertenciam ao grupo do Fuçasbook. Ainda sorrio com a cara de espanto de tal criatura sabedora de tudo:)))

    Maria se formos a pensar bem no assunto, melhor dizendo dos "nossos dados" eu questiono mas isto é alguma novidade? Com a corrupção e criminalidade que existe basta haver um ou mais loucos por exemplo nas Finanças, na EDP, nas telecomunicações etc, etc., já para não falar do Google etc e tal, para fazerem das suas porque têm todos os nossos dados. Mas nas ditas redes sociais (um entendido da matéria com quem falei diz que os blogues não o são) há quem utilize com bom senso e tal como na vida fora daqui, há quem faça tudo com bom senso e outros não.

    Tenho pena de Mark Zuckerberg e por vezes pergunto a mim mesma se tudo não passará por guerras e inveja de outras empresas do género. Jovem como é irá resolver em breve essa polémica porque infelizmente a porcaria da política e dos politiqueiros quando se metem onde não deviam...dá nisto"!

    Um resto de boa tarde!

    Beijos








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    1. O Facebook comprou o Instagram, portanto, eu que não entendo muito destas fusões, tenho para mim, de qualquer forma, que é como viver dentro da mesma casa só que em quartos diferentes. Não sei se vou escrever um grande disparate mas, estar no Facebook ou no Instagram, sendo assim, acaba por ser a mesma coisa, ou não?

      Ah, mas isso é diferente, Fatyly, entidades públicas, operadoras... possuem os nossos dados para que assim possam prestar um serviço que é pago. A serem divulgados esses mesmos dados, se forem tornados públicos, as penalizações terão de ser pesadas, penso eu. Provavelmente, não sei, os clientes terão direito a ser indemnizados, se não têm, deveriam de ter.

      No Facebook as pessoas registam-se, abrem conta, entram e pensam que aquilo é tudo grátis, entretanto publicam dezenas de fotos, vídeos, de tudo e mais alguma coisa das suas vidas, isto de alguma forma é tudo armazenado, digamos assim, agora, qual a razão de o ser é coisa que não se sabe, ou se calhar agora já se sabe. Sei lá eu bem...

      (num blog também acontece isso de ficar 'armazenado', só que num blog imperam mais as palavras e, "palavras, leva-as o vento")

      Não tenha pena de Mark Zuckerberg, cá coisas minhas...

      Tenha uma boa noite, Fatyly :)

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  4. Houve uma altura da minha vida em que, também eu, aderi à moda das redes sociais sobretudo para procurar noticias da família que vivia no estrangeiro, mas depois, quando me dei conta de que as pessoas que eu via no Facebook não eram de todo as mesmas pessoas que eu conhecia da vida real...desisti dessa porcaria...

    Se quiser conhecer actores ou ver filmes, prefiro escolher aqueles que revelam melhor qualidade...

    Tenha um boa noite, Maria. :)

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    1. Sim, já ouvi muitas pessoas argumentar nesse sentido, que o Facebook é bom no sentido de que podem saber da família lá longe, encontrar amigos que não viam há muito tempo. Compreendo, não tenho como não compreender.

      (no entanto eu tenha uma postura um pouco diferente e válida como outra qualquer, penso eu, as pessoas do meu passado, gosto de as manter exactamente aí, no passado, não me apetece reencontrá-las, ou a reencontrar que seja de forma natural, numa esquina de uma rua qualquer e não porque fui pesquisar para as encontrar; crescemos, a vida muda, os amigos acabam por ser outros, temos outra forma de pensar, de estar na vida, o confronto com o passado pode não ser lá muito agradável, existem rostos que me apetece lembrar exactamente como eram lá atrás, apenas isso; a família lá longe, quanto a isso gosto muito mais de ouvir a voz pelo telemóvel/telefone, é mais intimista, não sei; entretanto pelo que oiço, algumas pessoas passam apenas por querer controlar a vida dos amigos, dos familiares, via Facebook, não me agrada, confesso)

      Boa noite, Francisco :)

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  5. Partilho, por inteiro, a sua visão acerca das novas tecnologias e das redes sociais. Em suma, ainda conservo alguma presunção em manter a minha privacidade, apesar de "eles" nos escrutinarem de todas as formas e feitios. ;)

    Um beijinho, Maria :)

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    1. Grande verdade essa quando escreve: "nos escrutinarem de todas as formas e feitios". Esse escrutínio existe, óbvio que existe, estou em crer que existirá até de uma forma que mal imaginamos.

      Portanto se a este ninguém consegue escapar, pelo menos naquela outra parte, a parte das redes sociais, que uma pessoa não exponha de livre e espontânea vontade tudo e mais alguma coisa da sua vida. É que somos nós (nós, salvo seja!) que estamos a fornecer gratuitamente, a entregar de bandeja, todo o material disponível para que eles façam com ele o que bem querem e entendem. Eles 'oferecem' a cana, ensinam, inclusive, a pescar, mas no final o peixe maior, mais gordo, fica lá no frigorífico deles. O nosso frigorífico parece estar cheio, mas de vazio, existem prateleiras cheias de embalagens de amigos pré-cozinhados.

      Beijinho para si também, AC :)

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  6. Citando Jack, o célebre estripador: “Vamos por partes…”
    Numa primeira queria (e vou) tecer algumas considerações pessoais sobre as suas – da Maria (não do Jack) – palavras. E mais à frente, numa segunda parte, desviar-me-ei um pouco mais do que a Maria escreveu para glosar o título do post debruçando-me sobre as coisas que, nisto das redes (ditas sociais), me atormentam a mim em particular.

    Respondendo à questão que coloca inicialmente, a mim parece-me que não. Que não estamos a salvo. Porque os Gúgles (Gúgals? Gúguels?), os Gêmeiles, os Iutubes, os Bráuseres, os S'caipes e mesmo os Uíndous, se arrogam, nas letrinhas piquininas dos seus nunca lidos (e “sempre” aceites) Termos de Utilização (vulgo, Contratos de Prestação de Serviço), idênticas prerrogativas de captação e armazenamento dos dados do utilizador. Dados estes que não se limitam ao que o utilizador coloca na respectiva plataforma, incluídos que estão muitos dados de utilização, como, por exemplos, as pesquisas que se fazem (e os resultados delas que se consultam e, desses, quais os que, em função do tempo que ficaram abertos, se pode estimar que foram considerados úteis ou relevantes), os cliques que se dão aonde e a que velocidades, se um vídeo ou um texto (olá botãozinho “Ler Mais…”!) é seguido até ao fim ou fechado prematuramente (e em quanto tempo), que mensagens e conteúdos se trocam com (que) contactos e com que frequência, que comentários se deixam em que sítios das internetes, e muitas outras coisas de fazer munta munta invejazinha aos CapaGêBês e às S'tasis e às PidesDêGêÉsses e a outros que tais desta vida – ainda que aparentem não ter sido “desta” vida, uma vez que, grosso modo, parece que já ninguém se lembra de onde vieram as leis de salvaguarda das privacidades individuais. Como ouvi recentemente dizer a alguém, há não muito tempo atrás (no tempo do “Está lá?”) as pessoas aprenderam, por, digamos, “razões…”, a ter muito cuidadinho com o que diziam ao telefone (e mesmo fora dele, que as paredes ao que consta também precisam, volta-não-volta, de consulta no otorrino!) e hoje (o tempo do “Onde estás?”), muitas delas as mesmas, parece que acham que, como não falam, ninguém as escuta! Aproveito a boleia deste último ponto, para apontar um pormenor que, a quem assim o queira, poderá dar que pensar – o historicamente comprovável engano inerente ao chavão de que “quem não deve, não teme”…

    Sobre o memorando do tal BâzeFide, apenas uma pequena nota, muito minha pois intimamente ligada à minha experiência pessoal com o Feicebuque e que foi (apenas) um dos motivos que me levaram “acabar” com isso: Soa-me muito falacioso afirmar “Ligamos pessoas. Ponto final.”, mais ainda para daí se derivarem considerandos. Talvez mais correcto fosse “Ligamos pessoas. Ponto e vírgula.”, ou ainda mais correctamente “Ligamos perfis contruídos por alegadas pessoas. Reticências.”.

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    1. Vou ter de responder a cada comentário separadamente porque, me parece, neste caso se justifica.

      1. Desconhecia a citação, só por isso já valeu a pena o inicio do seu comentário.

      2. Finalmente alguém conseguiu responder àquela minha pergunta inicial, aquela que a bem dizer me atormenta, sendo que o verbo atormentar foi escolhido num contexto meio irónico.

      3. Os nunca lidos mas sempre aceites Termos de utilização, aqui é que o André acertou no alvo. As pessoas chocam-se, escandalizam-se, com as muitas e variadas injustiças que tendem a cair-lhes no prato, mas se formos a ver bem, somos nós que damos inicio a todo um processo que, se por vezes termina menos bem a nós o devemos. Essa coisa de não ler os termos de utilização de, basicamente nada, porque dá muito trabalho, chegar ali e clicar é muito mais rápido, uma pessoa quer é desfrutar das coisas rapidamente, não há tempo a perder, a vida corre à velocidade da luz, uma pessoa faz-se velha de uma semana para a outra, há que aproveitar tudo sem pensar em nada... vai daí, contratos, termos de utilização, manuais de instrução, etiquetas, rótulos, tudo aquilo que existe para informar, informar no sentido de não se concordando não se clica, não se assina, não se compra o produto - embora com as tais letras pequeninas, letras essas em formato realmente pequinininho para ajudar ainda mais na já previsível falta de paciência para ler, somos realmente seres muito previsíveis e é com essa parte que os mais espertos desta vida contam, contam com a nossa previsibilidade e quase sempre acertam. O Facebook não é excepção.

      3. Tudo no seu comentário é a mais pura realidade, somos escutados mesmo quando não falamos - parece coisa estranha mas se calhar não é - somos escrutinados, se pensamos que estamos a salvo dentro de casa com a nossa tv ligada, portas fechadas e persianas corridas, desengane-se quem assim pensa; as câmaras dos computadores podem estar ligadas, alguém do outro lado a ver-nos mesmo quando pensamos que não, que aquilo está tudo desligado; as próprias tv's também o podem fazer; os computadores no trabalho, pelo menos nalgumas empresas, estão a ser supervisionados ao minuto e muitas pessoas nem sequer imaginam que se pode fazer, que tudo o que estão a fazer está a ser visto no momento por alguém dentro da empresa; e muitos mais casos que se sabem; portanto sim, apesar de ser confortável pensar que conseguimos manter ainda alguma privacidade, se estivermos bem informados percebemos que é pura utopia, só que acreditar que sim salva-nos disso de não enlouquecer.

      O seu último parágrafo é a cereja no topo do bolo, não tenho, mesmo, como não concordar. É muito esclarecedor.

      Uma vez mais, e está a tornar-se repetitivo da minha parte, muito obrigada, André, pelo seu acrescentar em modo muito bom.

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  7. Pulando agora por cima das sélfis para, qual jogo da macaca, a elas voltar de seguida, pode a Maria adivinhar, pela atenção dada ao meu primeiro comentário neste seu (re)canto, que não tenho ainda (e porquanto tiver forças para lhes resistir) um tele-fone esperto. Tenho um daqueles que já são “móveis” mas semelhantes por fora às antigas máquinas de calcular e que sendo mais burrinho que os de agora, não deixa de ser esperto demais para o meu sensível palato. E mesmo esse, só o tenho por tremenda pressão social (sobretudo familiar). Ora, macaca vai, macaca vem, tornar-se-á evidente para bom entendedor das minhas meias palavras que tampouco sou dado à tal da sélfi. Razão pela qual não me custa acreditar que a Maria (e outros poucos) também o não seja(m). E ainda que também eu seja apologista desse espírito de “vive e deixa viver”, não deixa de me fazer muita comichão (a mim que nunca fui de espirros ou urticárias primaveris), em termos de dinâmica social, a profusão do narcisismo associado a toda a sélficultura, que é algo bem mais abrangente que a mera auto-fotografia!... – A tal coisa do umbiguismo.

    É esta, precisamente, a coisa que em grande parte me atormenta nisto das redes, o contributo (que eu não acho involuntário) delas para o exacerbar (exponencial) desse umbiguismo

    Puf, puf! e, estamos, final e evidentemente, a entrar na segunda parte do meu comentário. Momento que aproveitarei para fazer um intervalo, já que o conteúdo pesa e o que está por vir, também. E já que o tempo escasseia perante o tanto a dizer. Reservo então a segunda parte (coberta por pano húmido, não vá ela querer ressequir) para outra caixa de texto, dando assim, ao mesmo tempo, a oportunidade de me mandar calar!... =o)

    Até lá, cara Maria, e para desanuviar, deixo-lhe a sugestão do que eu faço (com quem saiba que o posso fazer) quando atendo e me perguntam onde estou: e eu que na casa-de-banho e se querem saber também o que lá estou a fazer… =oD

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    1. Eu lá tive de comprar um 'telefone esperto, vulgo smartphone, porque o acesso à Internet em determinadas situações, profissionais e não só, assim me obrigou. Ainda que tente não entrar, e acho que consigo, num género de obsessão em ter sempre os olhos colados ao visor. Gosto muito de ver a vida através dos meus olhos, em modo natural, ao invés de o fazer através de um qualquer aparelho, dizem, inteligente. No entanto, e faço questão de sublinhar, gosto bastante disto das novas tecnologias, é uma grande mais-valia, o que acho é que temos de ser nós a dominá-las e não as ditas a nos dominar, o que parece estar a acontecer.

      Quando digo a alguém que nunca me deu para tirar uma selfie - embora tenha o tal do 'telefone esperto' ali à mão capaz de o fazer a uma ordem minha - sinto, ou vejo mesmo, que as pessoas me olham como se eu não fosse normal e isso de muito moderna. O problema grave, que parece ser meu e digno de estudos aprofundados, reside no facto de gostar de não ser normal mas, no entanto, até ter a mente aberta q.b. Mente aberta em modo q.b. não vá aquilo do cérebro cair e partir-se em mil bocadinhos :)

      (mandá-lo calar? nunca. é favor de falar, escrevendo, sempre que assim lhe apetecer, esta porta está aberta para quem gosta disso de dizer o que lhe vai na alma sem qualquer tipo de constrangimento, aqui não há limite de velocidade imposto, é pôr o pé no acelerador, volte sempre, André, é muito bem-vindo)

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  8. Após interregno para compromissos não comerciais, vamos lá, então, à tal da segunda parte.

    Entretanto, já a Maria aflorou algumas coisas, por entre as respostas que deu à primeira parte do meu comentário. E eu próprio o tinha já feito no parágrafo em que respondi à sua questão titular, quando referi a miríade de dados colectáveis, nomeadamente os que não são óbvios. E tendo tudo isto em mente, penso que é hora de nos pormos ao caminho…

    Sendo eu, ao que parece, mais fatalista que a Maria, a meia ironia do contexto em que escolheu o verbo “atormentar” acaba por se me diluir no fatalismo sem sequer precisar de uma colher para o mexer. Porque, a mim, comicha-me verdadeiramente todo o potencial de controlo totalitário e de manipulação de massas que está contido nos vários sistemas e tecnologias que hoje utilizamos (mais e mais e mais a cada dia que passa) como sendo, aparentemente, coisas “inofensivas” e “libertadoras”. Por aquilo que julgo conhecer sobre o Bicho Homem não concebo que, perante a oportunidade, este potencial esteja a ser desperdiçado por quem o pode aproveitar. Sendo que quem esteja em posição de o fazer, seguramente lá chegou por ser exímio na arte do oportunismo.

    As redes ditas sociais serão, disto, apenas uma “pequena” parte – como que uma ferramenta das várias que estão na caixa. Os harduéres serão, por analogia, a caixa. E diria que a Internete será, então, o “ateliê”.

    Se para algumas (ainda que poucas) pessoas é evidente que caminhamos para um “Admirável Mundo Novo”, o que eu observo a diversos níveis é que já lá estamos mas ainda não nos foi comunicado – possivelmente por ainda não estarmos “no ponto” para (uma maioria pseudo-democrática de nós) o aceitar. Mas aparenta-se-me que para lá c̶a̶m̶i̶n̶h̶a̶m̶o̶s̶ corremos a passo largo. A propósito e de passagem, apetece-me referir que penderemos mais para a coisa Orwelliana e não tanto para a de Huxley.

    Há (e não é de hoje!) muito conhecimento científico sobre perfilagem psico(-ideo)lógica de indivíduos e de grupos, sobre padrões e mecânicas comportamentais de indivíduos e de grupos, bem como muitas e variadas técnicas cientificamente aprimoradas para contornar os mecanismos racionais das pessoas e de como subliminarmente lhes (leia-se, nos) apelar aos instintos mais inconscientemente primários. Não por acaso, a minha “bulha” com tudo isto começou, vai para lá de uns vinte anos, com a chamada “publicidade”… Pois parecendo-me tudo menos inócua, vamo-nos deixando ser bombardeados por todas estas técnicas, experimentalmente comprovadas e assentes neste tipo de conhecimento, repito, científico. E quer queiramos, quer não (só nas antigas caixas de “correio analógico” temos um simulacro de direito de recusa), estamos todos expostos, num regime de quase-permanência (obviamente que uns mais, outros menos).

    Pergunto, para queijinho: quando foi o último dia em que alguém não levou com (pelo menos) um “Consome Agora!”, “O Futuro é Teu!”, “Sente Mais!”, “Tu és [inserir marca ou produto ou serviço]!”?... E todos os santos dias, somos (re)lembrados (note-se que por debaixo do radar do pensamento crítico e racional) de que «auto-imagem positiva, só quem participa da “festa”!!!». Há já muito tempo que sinto, portanto, que a “publicidade” se extravasa bem para lá do simples apelo ao consumo do produto X ou Y. Todo o comportamento das massas lhes/nos é incutido desta(s) forma(s) e via tantas mais plataformas de media (umas mais eficazes que outras, é certo) quantas as que cada indivíduo se disponha a deixar-se expor…

    (…)

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  9. (…)

    Há já umas valentes décadas (e só por exemplo), que um Sr. Cientista e seus amigos estudaram, entre outras coisas, como ensinar e treinar ̶p̶e̶s̶s̶o̶a̶s̶ pombos a executarem tarefas complexas e a aprenderem comportamentos específicos, utilizando ̶l̶á̶i̶q̶u̶e̶s̶ grãos de milho como recompensa pela correcta execução, reforçando o estímulo (e aproveito para mandar um olá ao conceito de “câmaras de eco virtuais”) até à aquisição do comportamento desejado… E daquilo que me vai sendo dado ver serem os estímulos ̶u̶t̶i̶l̶i̶z̶a̶d̶o̶s̶ bombardeados sobre os utilizadores das tais redes, e à semelhança do que acontece com os bombardeamentos que se eufemizaram como sendo marquetingue, é tudo na base da estimulação do umbEgo, no sentido da satisfação imediata deste sem olhar a nada mais. Ora, já o sabiam os antigos que, “grão de milho a grão de milho, enchem as redes o papo”…

    Se por “pudor internético” costumo abster-me de usar linques em páginas que não são “minhas” (nenhuma o é, de facto, são todas pertença da Dona Internete) – sobretudo quando o que pretenda lincar não seja agulha no palheiro d’A Rede – não deixo, no entanto, de sugerir que, queira mais “substrato” sobre o acima inominado Sr. Cientista, procure sobre as teorias e experiências de BF Skinner (e não acredito que hoje, como em tudo o resto, não se saiba exponencialmente mais), nomeadamente as aplicações “comerciais” que estas têm.

    E em jeito de uma espécie de conclusão disto tudo, três pontinhos, assim como que umas reticências verticais:
    1. Eu, sabendo só que nada sei, apenas acho…
    2. Mais que o escrutínio massivo, preocupa-me o “hipnotizar” as massas
    3. Ri-me sozinho quando, enquanto escrevia, o “meu” S’caipe tomou a iniciativa de me fazer um logáute e me informar que, segundo as leis em vigor no meu país, eu, para voltar a abrir sessão n’ele, tenho que lhe dar informação da minha idade, via data de nascimento... Eu cá, que não sou mecânico, só posso concluir que sem isso era tecnicamente impossível fazer o softuére funcionar! =o)


    PS – Não sendo este – nitidamente – um texto de fique-são, qualquer semelhança com a realidade não deixa de ser, todavia, mera coincidência!

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    1. Esta foi uma segunda parte que me chutou p'ra canto. A bem dizer a primeira parte também. Leio os seus comentários como se estivesse a ler as páginas de um livro, escreve primorosamente, sem dúvida alguma. Não é só escrever bem, tudo faz sentido.

      (espero que as pessoas estejam a gostar tanto de o ler, como eu própria - nada a acrescentar, acrescentar neste caso só iria estragar :)

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    2. Mau, Maria! Então é assim, é? Bem sei que, primeiro eu, acabei por escrever em dose dupla, mas escusava de me desconsertar em duplicado!

      Preâmbulo brincalhinho à parte mas não deixando de brincar, espero não a ter aleijado e que essa minha esperança lhe possa ser reveladora de que nunca tencionei, de todo, chutá-la para onde quer que fosse!

      Reitero - (e passe a redundância, mas para não destoar) repetitivamente - os meus obrigados anteriores, aos que junto mais dois - um pelo elogio, que, tendo-me chutado para canto a mim, nos deixa, assim sendo, quites; e o outro por isso mesmo!

      =o)

      Já agora (que também é redundância expressiva), e à conta do seu parêntesis, aproveito para convidá-la a dar um salto à "minha" Loja. Há tempo que não "tenho tempo" e que por isso é mais Museu que outra coisa, mas sendo que nenhum dos artigos em exposição tem preço, pode ver tudo à vontade! Quem sabe gosta de alguma "peça"...? [Não deixo o linque directo pelo pudor de que já lhe falei, mas se for o caso (com os GêPêÉsses de hoje em dia, não acredito) e tiver dificuldade em dar com o caminho, é só dizer!]

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    3. Ah, mas eu já dei um salto à sua 'Loja' e andei por lá a ler, gostei, só que a sua última publicação tem a data de 2012, parece-me... Se voltar a escrever um dia destes, avise :)

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