sexta-feira, 16 de março de 2018

Testemunhas de Jeová

Ontem, no final da noite, dediquei-me a ler um texto num dos jornais online, texto esse muito completo, sério, bem escrito, que merece muito a pena ler com atenção e reflectir. No final do texto percebi a razão de uma pessoa que em tempos conheci, se ter afundado numa enorme depressão quando decidiu afastar-se. Uma senhora muito inteligente, culta, independente, resolveu um dia entrar para as testemunhas de jeová, a verdade é que o final de vida desta senhora não foi dos mais risonhos. As supostas amigas que estavam, praticamente, sempre caídas em casa da senhora para tomar chá e comer bolos, no dia em que esta senhora não mais quis fazer parte das testemunhas de jeová, abandonaram-na. Por respeito à senhora em questão, que, infelizmente, já partiu, partiu cedo demais, creio, partiu sem sequer lhe ser dada a possibilidade de ver crescer os netos, não vou aprofundar muito mais, no entanto diria que seria urgente que algumas pessoas pensassem bem nisto de alguém lhes dizer que não devem, nunca, questionar nada. Que devem apenas obedecer, nunca questionar. Tenho para mim que talvez seja o principio do fim.

21 comentários :

  1. Compreendo perfeitamente a sua indignação e só me apetece dizer que as Testemunhas de Jeová são uma praga que nenhum pesticida, por muito eficaz que seja, consegue eliminar.

    O que Maria escreveu sobre a tal senhora, reflecte na perfeição o que (não) vale o coração de muita gente.
    Caramba, isto hoje está bravo! Acho que nem com 5 chávenas de camomila lá vou.

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    1. Caro Observador, depois de ler o artigo, que é longo, bem sei - e também sei que não gosta do jornal Observador, mas este artigo vale a pena ler - fiquei meio abismada com determinadas situações que nem sequer sabia que existiam nisto das Testemunhas de Jeová. E veja bem a coisa, passo a expressão, que passados tantos anos da morte desta senhora de que falo no texto, é que percebi a razão de tamanha depressão em que se tinha afundado, a razão é que isolam as pessoas de tal foram que, quando alguém decide sair- foi o caso - abandonam a pessoa. Amigos, família, conhecidos, que porventura pertençam também ao grupo, deixam de lhes falar, de visitar, de telefonar, é como se a pessoa não existisse, obviamente que se instala a solidão, o desespero, o que leva por vezes pessoas ao suicídio.

      Entretanto no artigo falam de que as pessoas são aconselhadas a não estudar, licenciar-se, como o mundo vai acabar não vale a pena perder tempo - isto do mundo acabar já levou a que muita gente vendesse tudo o que tinha, se despedisse dos seus trabalhos, não quisessem receber as suas reformas e... e mais coisas que não lembra a ninguém. Aconselhadas a não questionar seja o que for. A não comemorar aniversários, Natal, e por aí fora. Nada de transfusões de sangue, o que me leva a pensar que só podem ter enlouquecido, no meu caso se não fossem as transfusões de sangue que já levei, há muitos anos que já cá não estava; entretanto as crianças, os filhos dos próprios, como é que é? deixam as crianças morrer se precisarem de uma transfusão? Já para não falar que dentro do casamento são desaconselhadas determinadas práticas entre o casal, portanto até na vida íntima das pessoas mandam. Casos de pedofilia são ignorados. Ou seja, o objectivo é manter as pessoas na ignorância o mais possível de forma a conseguir aquilo de as manipular. E vou ficar por aqui senão fico doente com isto tudo.
      ...

      Lá está, ler, estar informado, por vezes pode muito bem significar, salvar-se.

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  2. No início dos anos setenta, convivi em Nampula com uma senhora das Testemunhas de Jeová. No prédio onde morava, só moravam militares em comissão no comando naval de Nampula, e suas esposas. Era estranho haver um comando naval numa cidade sem mar, mas Nampula era o centro militar do Norte de Moçambique. Bom um dos militares era casado com uma senhora dessa religião. Todos os outros moradores do prédio tinham pena dele. A senhora em questão, não falava com nenhuma das vizinhas, que éramos todas umas pecadoras. Na altura não havia TV. Nós estávamos numa terra estranha sem família nem amigos. Convivíamos juntando-nos no terraço e jogando às cartas. O marido dela não podia ir porque o jogo era uma arma do diabo. Se nos encontrava na escada e tínhamos vestido umas calças ela benzia-se porque usar calças era pecado, enfim eram tantas as parvoíces que apesar de não falar connosco acabava por criar nos vizinhos um sentimento de pena pelo marido, e uma aversão à religião a que pertencia.
    No inicio dos anos 80, o meu filho nasceu em 80 e ele era ainda bebé de colo, encontrámos o senhor em Lisboa e ele e o meu marido estiveram um bocado à conversa. E disse que estava divorciado, não conseguira aguentar mais os disparates da mulher.
    Abraço e bom fim de semana

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    1. Ora aí está um testemunho bem real de que as pessoas podem realmente alucinar, ou ficar num tal estado de anestesia, que, provavelmente, nem sequer percebem o que estão a fazer - deve ser um género de lavagem cerebral que fazem a quem entra neste género de 'armadilha', armadilha essa que pode destruir por completo, segundo o relato de alguns. Este artigo conta histórias reais de pessoas que só caíram nelas, por assim dizer, quando resolveram sair, voltar costas a esta religião, embora exista quem lhe chame seita.

      (existe uma senhora mesmo ao lado de casa de uns meus familiares, testemunha de jeová, que um dia conheceu um senhor numa viagem de comboio, o senhor interessou-se por ela, mais tarde pediu-a em casamento, estaria a senhora na casa dos cinquenta - penso -, a verdade é que enquanto não conseguiu convencer o tal senhor a entrar para a religião dela, não descansou, aquilo pelo que a minha mãe me contou na altura, passou por chantagem, inclusive; eu não digo que gente sonsa é do piorio, esta senhora é do mais sonso que se pode encontrar, parece que não parte um prato, faço sempre um enorme esforço para ser simpática e cumprimentá-la, as coisas que uma pessoa é obrigada a fazer em nome da educação...)

      Tenha também um bom fim-de-semana, Elvira. Abraço.

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  3. Li o artigo de fio a pavio e para mim não é nada de novo, porque tudo o que é dito é mesmo verdade.

    Aqui e arredores há imensas testemunhas de Jeová. Conheci uma senhora que ao sair, todo o mundo da comunidade a abandonou e até a difamou porque ela decidiu em apoiar os filhos (que ainda hoje lhe dão água pela barba). O filho ficou por aqui e as filhas pela grande Lisboa. Continua como casal mas há anos que foram para o norte e ele voltou a ser "ancião" e fanático como sempre. Fomos vizinhas e sei como eram, mas ela quando aqui vem ver os filhos bate sempre à minha porta e é com agrado que a vejo.

    Não podem usar calças, não podem seguir certos cursos superiores ligados à moda e televisão, não podem fumar, nem jogar onde se envolve dinheiro como o euro-milhões, não festejam a data do aniversário, apenas a do casamento, a mulher deve obediência total ao marido, nada de transfusões de sangue e muito mais coisas neste campo e NÃO PODEM VOTAR...e expulsos o desprezo da comunidade tem ser total. No entanto bem vejo o que fazem à revelia ...pois, pois! Quando me falam de política que isto e mais aquilo e nem sequer os deixo acabar e arremato: Votou? Jeová não deixa não é? Portanto aceite e não se queixe!!!!

    Nunca tive problemas com as testemunhas de Jeová e quando me querem dar o papelote, aceito, se me batem à porta digo que estou a dar banho ao neto e que não posso (ontem dei quatro banhos):))) e Maria, acredita que em todas as religiões há bom e mau e como tal, para mim é um não assunto.

    Tal como nenhum dos meus netos é baptizado e os católicos-aqueles-tipo-papa-hóstias bem que criticam (como se fosse culpa minha) mas é para o lado que durmo melhor!

    Beijocas

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    1. Fatyly, eu admito que desconhecia algumas, muitas, coisas. Como nunca foi assunto que me interessasse, sempre me limitei a dizer: não, não estou interessada... quando me batiam à porta ou me apanhavam na rua, portanto o artigo foi realmente revelador para mim. Algumas passagens do artigo deixaram-me boquiaberta, não fazia a mínima ideia de que as pessoas entrassem para 'buracos' destes. Sabia do caso da tal senhora de que falo no texto, sabia que de repente de uma casa sempre cheia de amigas ficou completamente sozinha, entrou numa depressão profunda que a levou a um desfecho terrível, mas como a senhora em questão não era de se queixar, nunca contou nada, pensei que a depressão se devesse a problemas familiares, pois... São capazes de abandonar as pessoas, intimidar, chantagear, e ainda proclamam que são gente boa, sim, sim, contem-me histórias.

      Não são certos cursos, Fatyly, pelo que o artigo diz, são desaconselhados a estudar, licenciar-se. Deve ser por isso, não sei, que se vê tanta malta nova, durante o dia, a bater às portas das pessoas acompanhados por outros mais velhos...

      Mas olhe que os que conheço, nunca os ouvi falar de política. Esta senhora que mora perto dos meus familiares, quando se tenta conversar de algo mais sério diz sempre que lhe dói a cabeça, recusa-se a falar, chega a ser estranho.

      "ontem dei quatro banhos" (ahahahahahahah)
      ...

      Nesse ponto do não assunto, Fatyly, tendo a discordar, se existe muita gente que cai em depressões muito profundas, que é abandonada pela família, que, inclusive, se suicida pelas pressões a que é submetida depois de ter resolvido sair, é um assunto muito importante, assunto que deveria ser abordado de forma mais séria para que as pessoas percebam no que se estão a meter. Aquilo parece inocente, só que os relatos de quem já viveu e, sobreviveu, ao pesadelo, dizem-nos que as pessoas precisam de abrir bem os olhos e estar devidamente informadas. Ah, pois!

      Tenha um bom sábado, Fatyly :)

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    2. Digo que é um não assunto, porque Maria ninguém os consegue demover e claro quando caem em depressões, já para não falar no mundo das drogas claro que devem ser ajudados daí eu dizer que muitas mães e até pais abandonam a religião em prol dos filhos.

      Vou contar um episódio que aconteceu com as minhas filhas:

      A família de cima tinha 3 filhos; a debaixo tinha 2 e a do frente 2 e todos Testemunhas de Jeová.
      Mais a canalha dos prédios circundantes eram num total de 50 ao que eu chamava o grupo dos meus/teus e nossos, de todas as raças e com pais de outras religiões:))) A rua e um campo (hoje jardim) é o local da tanta brincadeira.
      Falei com os meus vizinhos que respeitaria sempre as suas convicções desde que respeitassem as minhas.
      Todos os pais trabalhavam e as férias que ninguém combinava batia sempre de forma a uns ficarem de prevenção em prol da canalha dos outros. Hoje os putos de então estão todos na casa dos 30/40/48 onde insiro as minhas filhas e uns 10 é se fixaram por aqui.
      A uma dada altura e sempre à hora do jantar em que conversava muito com elas, disseram-me que andavam com muito medo. De quê? Ó mãe o X,Y,Z etc, disseram que muito breve vai haver um terramoto e que quem não for do Jeová morrerá, só eles é ficam vivos nas suas casas. Isso não é verdade, ninguém sabe quando iremos morrer. Mas depois de uns dias a repetirem a dose do medo eu disse: calma filhas pensem nisto e fui fazendo um desenho e com elas debruçadas sobre mim: temos por cima, de lado e por baixo quem seja do Jeová. Ora se o prédio cair como é que só ficará a casa deles? Ou vamos todos ou estamos safas, certo? Ainda recordo a cara delas. Nunca mais tiveram medo e não foram para a minha cama por causa dum tormento. Dormiam comigo apenas quando estavam doentes:)))

      Em qualquer criança em pleno crescimento o que por vezes é dito num "fanatismo" sem adjectivo pode causar traumas...mas quando falam disso e de outras cenas como não festejam o Natal mas gostarem de receber prendas...está tudo dito:))

      Todos os filhos destes meus vizinhos sairam da religião e vêm ver os pais, almoçam ou jantam, deixam os netos quando é preciso, excepto os de baixo que os pais já faleceram e os de cima que foram para a aldeia e só ficou cá um filho. Volta e meia lá vêm até cá. Ele continua e ela há anos que saiu e coitada já teve uns quantos piripaques bem feios.

      Desculpa mais este comentário mas conheço "fanáticos em tantas religiões" (nunca gostei de chamar seitas) porque cada um professa o que entender.

      Vou dormir. Está muito frio e chove a potes!





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    3. Entendo, Fatyly. Gostaria de lhe contar o que aconteceu à tal senhora do texto, mas não o posso fazer, seria entrar em terreno demasiado privado. Digamos que para uma pessoa fazer aquilo, é porque estava numa depressão muito profunda. O filho desta senhora nem consegue ouvir o nome da religião, fica fora dele. Eu consigo compreender a razão. Triste.
      ...

      Existe uma parte do artigo do jornal Observador em que fala de algumas pessoas que, quando resolveram sair foram abandonadas até pela família, família essa que também fazia parte da religião, ora, só tinham duas escolhas, ou continuavam a sua vida e esqueciam a família, amigos - o que não deve ser fácil -, ou voltavam. Muitas voltaram para aquilo que só as fazia infelizes.

      A parte da seita é o artigo que refere, não sou eu, não me lembro em que contexto porque já o li há dois dias. Mas pelo que é contado tem mesmo contornos de seita.

      E já para não falar na parte em que referem que todos os casos de pedofilia são abafados. Caramba, é muito grave.
      ...

      (a minha avó ia à igreja todos os dias, era católica, o meu avô só ao domingo, no entanto era apenas isso, a minha avó rezava em casa sempre que se levantava e se deitava, na hora das refeições, tive de aprender a parte da benção, saber rezar, não fiquei traumatizada - aos seis anos e o facto de sair de casa dos meus avós e viver em Lisboa em casa dos meus pais, afastou-me completamente de todo aquele ritual, hoje em dia só vou a uma igreja de quando em vez e quando está vazia, o silêncio naquele momento é o meu melhor conselheiro)

      :)

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  4. Muitas pessoas, por mais lúcidas que pareçam, carecem de um fio condutor para as suas vidas, carência essa que, normalmente, tem a ver com afectos. E, entrados nesse campo, todas as possibilidades são possíveis, por mais lúcida que, aparentemente, a pessoa pareça. Em suma: o filho da pessoa em questão avaliou bem a situação da mãe? Será que, ao considerar a mãe à imagem que dela criou, não a considerou imune a toda e qualquer carência, porque ERA A SUA MÃE?
    As coisas não acontecem por acaso, Maria, na maior parte das vezes somos nós que preparamos a sementeira para que as coisas aconteçam. E, depois... ó da guarda!
    À laia de resumo: vivemos numa sociedade em que se privilegia, acima de tudo, a produtividade, a questão humana há muito ficou para segundo plano. Precisamos, nesta forma apressada de vida, de encontrar culpados para tudo e para nada, quando, se pensarmos bem, as origens estão, normalmente, a montante.
    Espero não ter sido muito confuso.

    Um beijinho, Maria :)

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    1. Não tenho como não concordar quando o AC se refere aos afectos, o grande problema nesta sociedade cada vez mais construída à pressa e para pessoas que têm de se mostrar sempre, ou quase sempre, apressadas em viver sem respirar porque respirar significa perder o tempo que não se tem, e é de bom tom estar, ou mostrar-se, sempre ocupado - correr para todo o lado é sinal que somos todos pessoas com vidas muito preenchidas, vidas muito preenchidas são vidas com contas bancárias enormes (bom, nem sempre, então algo está a falhar, e o que será?), e todos sabemos que qualquer falta de afecto pode sempre ser colmatado com compras, sejam elas quais forem, compram-se sapatos para as mãos, como também se pode comprar um filho a quem não se dá atenção, afecto, com a última novidade de uma PS4. O filho agradece agora, é criança, mas duvido muito que agradeça no futuro, quando adulto. Nenhum filho perdoa um pai, mãe, a quem em criança deram tudo menos afecto, atenção. São os primeiros a abandonar os pais lá mais para a frente, o que não deixa de ser interessante, interessante entre aspas, interessante no sentido de que se acha que se os pais deram tudo do melhor aos filhos, tudo aquilo que se compra com dinheiro, qual a razão de na altura de serem adultos se dar o reverso de mal ligarem aos pais? Algo me diz que o dinheiro, os objectos, não compram rigorosamente nada, muito menos isso de amor do verdadeiro, já aquilo de um pai, mãe, que sempre estão lá, ao lado, mesmo que o dinheiro escasseie, serão provavelmente lembrados para sempre, nunca abandonados. Continuo a achar que a vida não é mesmo uma linha recta. E começo a achar que nos formataram para acreditar em determinadas 'verdades', verdades instituídas por alguns para que uma pessoa não pense muito, apenas as siga e as reproduzo o mais possível. Alguém quer mudar isto? Duvido muito. Dá muito trabalho.
      ...

      (o filho desta senhora do texto foi obrigado a escolher entre a mãe e a mulher com quem era casado - escolheu a mulher e mãe dos seus dois filhos - muito mau isto quando se obriga alguém a escolher o que não deveria ser suposto escolher, antes aumentar; quando a mãe entrou para esta religião, contou o filho, que se tornou numa pessoa muito intransigente, ele afastou-se, mal se falavam)

      Eu até acho que preparamos a sementeira, concordo AC, no entanto penso que por vezes não sabemos que tipo de semente estamos a lançar à terra. Somos obrigados a colher o que semeámos, é bem verdade, só que não são raras as vezes que o que estava escrito no rótulo da embalagem das sementes estava escrito com letra muito miudinha e provavelmente em japonês enviesado. A bem dizer a vida também gosta muito de se sentar na plateia, com um saco de pipocas amargas ao lado, a assistir ao nosso espalhanço total.

      Não foi nada confuso, o AC obriga-me a raciocinar, e isso é muito bom. Obrigada e aceite um beijinho :)

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    2. Lamento, Maria, mas as coisas da vida não são assim tão lineares. É sempre um erro, em qualquer história, procurar um único culpado. Podemos não querer admitir, mas há culpa que chegue para todos.

      Tenha uma boa semana :)

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    3. E tem razão, AC, toda.

      No final do meu primeiro parágrafo em resposta ao seu, escrevi isto: "Continuo a achar que a vida não é mesmo uma linha recta". Nesta história, provavelmente, a 'culpa' é dividida por muitos. Uma religião que se aproveita da fragilidade das pessoas e lhes faz verdadeiras lavagens ao cérebro; uma mãe que fica viúva muito cedo, dedica-se totalmente ao filho, vive apenas para o filho, e acha que ele lhe pertence para sempre; um filho que por ser ainda novo à época não conseguiu compreender a mãe ou talvez não aguentou ser tão sufocado pela mãe; amigas que são postiças; uma sociedade que não quer saber verdadeiramente das pessoas mas finge que sim; e por aí fora... se formos a ver bem se calhar cada um de nós, consciente ou inconscientemente, acaba por ter nem que seja um pingo de culpa nos 'destinos' uns dos outros.

      Obrigada, AC, uma boa semana também para si :)

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  5. Ah! Estava a escrever o comentário, a Maria publicou o seu, e o meu? Fugiu, escapuliu-se.:(

    Não vou escrever tudo de novo, o dito já tinha uma dimensão razoável, mas em síntese era isto: tente ouvir um/uma desses/as "profetas". Mostre que está muito interessada, e no fim, tente desmontar o discurso. Não é fácil, é preciso MUITA paciência e disponibilidade, mas garanto-lhe que resulta, a criatura percebe que perdeu o tempo dela, coitada.
    O perigo é quando o alvo é uma pessoa que já está fragilizada, que é pouco esclarecida, que tem necessidade de se agarrar seja ao que for, e aí? Bem, aí as coisas complicam-se! É que uma vez "agarrada" sair acredito que seja complicado.

    A senhora que refere já devia ter um fundo depressivo, e grave, daí não ter aguentado a pressão.
    Mas, Maria, não acha estranho, que uma pessoa "normal" se deixe influenciar dessa forma? Sei que tudo o que descreve é uma realidade, mas caramba!...

    Na resposta ao AC, diz que: "... o filho desta senhora do texto foi obrigado a escolher entre a mãe e a mulher com quem era casado - escolheu a mulher e mãe dos seus dois filhos." Que raio de poder é este? Que coisa é esta? Que obrigatoriedade é esta?

    Recordo que aqui há uns anitos, uma criança hospitalizada com uma doença grave, não podia levar uma transfusão - lá está a dita! - porque os pais não permitiam, ou melhor, segundo eles, a religião não permitia.
    Ainda continuamos neste registo? Nada evoluiu?! HOJE, AGORA, NESTE INSTANTE, as coisas continuam iguais?
    Pobre mundo este, tão alienado é!

    Boa semana, Maria.

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    1. Já fiz isso que a GL sugere, só que a reacção não foi das melhores, a pessoa em questão de repente transfigurou-se, de pessoa aparentemente dócil, calma, apareceu o rosto de uma pessoa dura, eu fingi que não percebi e, a partir daí, nunca mais toquei no assunto. Engraçado, sem ter graça alguma, é que o texto do jornal ali do link, a uma determinada altura refere algo do género, quando estava a ler fez-se luz, percebi de imediato que afinal aquilo é quase que 'normal' nas pessoas, ficam cegas com a religião.

      Tocou no ponto mais importante, GL, as pessoas estão muito fragilizadas, por vezes muito pouco esclarecidas e, caem em situações que, em vez de as ajudar acabam por as afundar. O cruel nisto tudo é que quando tentam sair estão completamente sozinhas. Muitas não conseguem dar a volta por cima. Afundam-se completamente.

      Esta senhora enviuvou muito nova, criou o filho sozinha, dedicou-se completamente ao filho e, nestes casos, penso eu, é capaz de ser difícil perceber que o filho encontrou um mulher, vai casar e abandonar a casa da mãe. É só a casa, só que muitas mães pensam que são elas que vão ser abandonadas, aí entram por um caminho que não é dos melhores. Foi o caso.

      E o que será isso de ser uma pessoa 'normal', GL? Difícil de responder, penso. Podemos achar que somos fortes, que aguentamos muita pancada e, vai daí, um acontecimento qualquer fragiliza-nos a tal ponto que só com um simples sopro caímos e partimos até a alma.

      Foi a própria mãe que o obrigou a escolher, sendo uma senhora inteligente, culta, fez algo muito pouco inteligente, estava demasiado segura de que o filho abandonaria a mulher. Não aconteceu.

      (espero que a criança tenha sobrevivido, faz-me muita confusão esse tipo de situações)
      ...

      Tenha também uma boa semana, GL.

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    2. É verdade, por vezes acontece, mas vou ensinar-lhe um truque para não perder nunca um comentário e ter de o voltar a escrever. Sempre que estiver a escrever um comentário que tenha mais de duas palavras, faça (de cinco em cinco segundos, bem, depende da rapidez da escrita), estando o cursor dentro da caixa de comentário isto:
      crtl + a (para seleccionar tudo o que já foi escrito, normalmente fica o texto a azul)
      logo de seguida e com o texto ainda a azul, faça:
      ctrl + c (para copiar o texto)
      vá repetindo até terminar o comentário
      se por acaso desaparecer o comentário só tem de voltar à caixa de comentário e fazer
      ctrl + v (et voilá, tem todo o seu comentário de volta sem ser necessário repetir)

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  6. Caminhando por aqui nesta semi-arrecua de um ̶p̶a̶s̶s̶o̶ post à frente e dois atrás, porque (e tomando por emprestadada a expressão) tardiamente amanheci para este blogue, faço um compasso de espera entre este passo e o seguinte para alvitrar duas notinhas de cêntimo, numa espécie de "a propósito":

    - Que isto de seitas (mais ou menos religiosas não nos faz grande diferença ao caso) terem comportamentos ostracizantes para com quem lhes não pertence (tenham os não-pertencentes saído ou nunca entrado, fará apenas diferença de estilo no tratamento que lhes é dado), não acontece apenas com a dita Jeová das Testemunhas; é regra, e geral...

    - E que disfarçada de não-seita (por ser vasta maioria de gentes), esta muito vocal seita do Consumo sem Sumo dos Últimos Dias a que vamos grande parte de nós (uns mais de-votos, outros menos) pertencendo, à semelhança das suas semelhantes, tal qual se comporta para com os não-seus...

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    1. Os comentários do André deixam-me o cérebro ao contrário, o que, neste caso, é muito positivo porque os cérebros não devem ficar ali quietinhos, sem se mexerem muito, a apanhar pó. Isto - por isto, leia-se as suas palavras escritas - é muito bom :)

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    2. Cedo me ensinou, Aquela que por vezes é madrasta de todos nós, que virar, aos pregos, os bicos, era óptima maneira de espanadorar as ideias. Sendo de senso comum que para boa arrumação de seja lá o que for, é conveniente a priori limpar-se-lhe o pó (e que para manter a mesma - até os Serviços Tributários o dizem! - convém não ser acto único), pode ser que esteja aí a causa desse tal "isto"...

      Serve-me isto (que não o "tal") para lembrar, porém, haver muito quem não aprecie que se-lhe mexa no cabelo, por então se ficar a sentir despenteado e tal (que não o "isto")!

      =o)

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