sexta-feira, 9 de março de 2018

Terminada a enxurrada que foi aquilo do dia da Mulher, sentemo-nos em frente à lei do pai-paridade

Sentemo-nos do verbo sentir e não do verbo sentar. Todo um início de texto a atirar ao ai que me sinto tão mal!

Findo o dia de ontem e ainda não sabendo como é que uma pessoa sobreviveu a tanta pomba assassinada, decido respirar fundo e caminhar. Mal me ponho a caminho começo a sentir-me esquisita na zona do córtex cerebral, que não sei onde fica mas quase de certeza que se deve situar num local muito ventoso, não convém uma pessoa colocar a sua vida em risco. Dito isto e feito isto abandono completamente a ideia e concentro-me só no sentir sem me sentar.

Estou a sentir-me muito confusa com isto da lei da paridade. É só para avisar. O meu córtex acabou de me enviar um e-mail onde denunciava que a continuar assim abandona-me de uma vez por todas, exige-me qualidade, profissionalismo,  independentemente disso do género e eu aqui sem saber como fazer. Será que é melhor mudar de género de forma a que na linha de partida não me digam - vá, a malta é boazinha, é homem e tudo e tudo, vamos dar-te um avanço de 10 minutos só porque tu és mulher e muito mais fraquinha. Depois apanhamos-te, fica descansada. E eu não fiquei. Ou não fico.

By TSF:

Agora eu a tamborilar os dedos na mesa enquanto leio e releio: "se sai um homem entra um homem, se sai uma mulher entra uma mulher"... "se sai um homem entra um homem, se sai uma mulher entra uma mulher"...

10 comentários :

  1. Para que Maria fique sem dúvida do que penso sobre o assunto, pergunto-lhe se agora lhe deu para contar anedotas à sexta feira.
    Ai se hoje fosse 2ª feira ... o tal dia em que o meu mau feitio se faz sentir!

    Vou dar uma volta. Prometo entrar em todas as pastelarias e beber chá de camomila.
    Manias minhas!
    :)

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    1. Caro Observador, quando escrevo que não entendi as alterações à lei da paridade, não estou de forma alguma a ser irónica. Ou seja, o que eu entendi, mal, provavelmente, é que sendo necessários ajustes tendo em conta desequilíbrios, digamos assim, entre homens e mulheres, o que esta alteração à lei sugere é que me vão dar benefícios pelo facto de ser mulher e assim colmatar os tais desequilíbrios, desajustes. Portanto, sugere-se é que, mesmo não sendo qualificada, profissional, para o cargo em questão, um género de 'rebuçado' será oferecido às mulheres. É que se for por aqui é pior a emenda do que o soneto. O que se exige num Estado dito justo, numa sociedade dita justa, é que determinados cargos sejam desempenhados não por uma questão de género, mas por uma questão de qualidade da pessoa que o vai desempenhar. Se uma mulher é melhor qualificada, que o cargo lhe seja entregue com o respectivo salário previsto na lei para aquela função. Se for um homem o melhor qualificado, idem aspas. Salários iguais para funções iguais. Funções, não como prémio mas como prova de que realmente se supera o outro em termos de profissionalismo.

      Mas, lá está, acho que não percebi nada...

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    2. O fundamental está aqui: «O que se exige num Estado dito justo, numa sociedade dita justa, é que determinados cargos sejam desempenhados não por uma questão de género, mas por uma questão de qualidade da pessoa que o vai desempenhar. Se uma mulher é melhor qualificada, que o cargo lhe seja entregue com o respectivo salário previsto na lei para aquela função. Se for um homem o melhor qualificado, idem aspas. Salários iguais para funções iguais. Funções, não como prémio mas como prova de que realmente se supera o outro em termos de profissionalismo».

      É também assim que penso e custa-me entender que seja de outra forma.

      Caramba, para quem não queria falar sobre isto, já falei demais. Ou talvez não.

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    3. Ainda bem que 'falou', é que é também para isto que servem os blogs, para que pessoas que percebem mais de política, da vida, do que nós (acho que é o caso do caro Observador), nos digam: isso não é bem assim... ou, é capaz de ser por aí...

      Obrigada :)

      (acho que todas - espero eu bem que sejam todas - as mulheres querem serem tratadas com respeito, e que isso da igualdade de direitos e deveres deixe de ser uma luta e passe a ser uma realidade, só que nessa luta as armas usadas têm de estar limpas, sempre; não se querem privilégios, quer-se apenas justiça, nada mais )

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  2. Não atino com esta lei da paridade quando sabemos que 90% dos cargos públicos entram pela cunha ou pelas juventudes partidárias e não pelo profissionalismo ou qualidade.

    Há concursos? Há sim senhora!
    As avaliações são justas? muito poucas!

    e poderia continuar mas é algo que me irrita onde impera a hipocrisia e a estupidez de alguns.

    Depois no artigo diz: "se sai um homem entra um homem, se sai uma mulher entra uma mulher"... "se sai um homem entra um homem, se sai uma mulher entra uma mulher"...e eu fico parada e estupefacta e se na saída de um homem existirem duas mulheres com avaliação superior? E se for o contrário?

    Já agora e acho que não fujo muito ao tema, todos sabemos o percurso académico de Pedro Passos Coelho. Agora parece (segundo a noticia lida já nem me lembro onde e qual) que vai ser professor e algures acrescentam "catedrático". Como????? Ora repitam lá por devo ser burra demais!

    Não dou dez anos para que todo este folclore vire um vira...porque hoje as universidades estão cheias de jovens e a grande maioria são mulheres.

    Há coisas que me tiram do sério e este assunto é só areia que nos querem atirar como palha para burros.

    Um abraço

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    1. Eu admito que o que ainda não entendi bem, portanto era muito bom que alguém fizesse um croqui, é a história das quotas. As coisas que uma pessoa desconhece!...

      Nessa parte do 'sai' em que resolvi tamborilar, a Fatyly percebeu bem o que pretendi transmiti. Se por acaso e aquando da saída de um homem, a pessoa melhor qualificada for uma mulher, isso quer dizer que a mulher fica de lado para entrar um homem? A mesma situação e interrogação se coloca em relação a uma mulher. Se sai uma mulher e para aquela função é um homem que é melhor qualificado, tem de entrar obrigatoriamente uma mulher? Eu cá não entendo nada disto...

      (em relação ao tema Pedro Passo Coelho, na minha opinião é um não assunto, temos por cá muitos homens de sucesso, grandes empresários e, não tendo 30 mil licenciaturas, bacharelatos - o que não é o caso de PPC - quase que poderiam ser professores em Universidades passando grandes ensinamentos a malta nova que se prepara para o futuro, não vamos mais longe, Rui Nabeiro é um desses grandes exemplos, criou um império e nesse seguimento acabou também por criar inúmeros postos de trabalho, por vezes a vida não é toda ela uma linha recta)

      Tenha um óptimo sábado, Fatyly :)

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  3. Havia um homem, havia uma mulher.
    Descobriram paisagens, descobriram ambições, descobriram que, por vezes, nem sempre o sentido de humor era o mesmo. Mas, para lá da questão física, descobriram-se, ainda que intuitivamente.
    Nestas coisas há sempre quem tente tirar partido da situação, há sempre quem tente tirar partido da lei do aparentemente mais forte. A burrice humana não tem limites, diga-se. E, em vez de andarmos a discutir novas formas de entender tudo aquilo que nos rodeia, teimamos em valorizar conceitos, muito caducos, adornados com a questão física. Em suma: para lá de toda e qualquer valorização ao nível da harmonia, importante é seguir as normas, importante é estar de acordo com o que nos rodeia. É assim que a consciência se apazigua, doutra forma nada faria sentido. Pagamos para não termos problemas de consciência, pagamos para adormecermos tranquilamente. Que fazer, então, com os pesadelos?
    Dê as voltas que o mundo der, há sempre um longo percurso pela frente, Maria.

    Um beijinho :)

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    1. Dê as voltas que o mundo der, existem coisas que por muito que quiséssemos que no mundo mudasse, tenho para mim que a lei do aparentemente mais forte, irá continuar. Resta saber quem será, no futuro, o aparentemente mais forte.

      (fosse eu desenvolver este assunto à minha maneira, à séria, e acho que muitos pingos de chuva grossa iriam acontecer, só que, lá está, não estou para isso)

      Beijinho, AC :)

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  4. Fico-me a ler nas entrelinhas, em particular no que se refere às palavras entre parênteses...

    Um beijinho, Maria :)

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    1. Uma pessoa lá vai aprendendo umas coisas, AC, aprende, por exemplo, a fazer marcha-atrás :)

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