quarta-feira, 21 de março de 2018

E pronto, por vezes dá-me para fazer perguntas - separar águas é preciso ou nem por isso?

Vamos supor que um escritor é um dos melhores escritores de que há conhecimento, todos os livros vendidos são de uma qualidade mais do que comprovada, quase toda a gente em todo o mundo possui livros deste escritor, no entanto, após muitos anos, vem-se a descobrir que o escritor possui um lado tenebroso. É um homicida. Excelente escritor por um lado, uma grande referência em termos de escrita, capaz de inspirar outros, mas mata pessoas por prazer.

A pergunta que eu gostaria de fazer é a seguinte:
Devem as pessoas preservar os seus livros, mesmo sabendo que têm em casa livros escritos pela mão de alguém cruel, capaz de matar seres humanos a sangue frio?

(no fundo o que pergunto é se é possível separar o homem da sua obra?)


6 comentários :

  1. Quem gosta de ler, quem aprecia a boa literatura, deve separar as águas.
    No limite, conhecendo o autor e o que é, compreendo que não se leia o que escreve.
    Uma vez lida a obra que é boa e da qual se gosta e só depois saber o tipo de pessoa que lhe deu vida, então não se justifica fazê-la desaparecer.
    Se é possível separar o homem da sua obra? Não só é possível como deve ser feito.

    Tenha um muito bom dia, com boas leituras.
    Beijinho

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    1. Pessoalmente, e cingindo-me apenas ao exemplo do texto, não conseguiria separar o homem da sua obra, por muito que quisesse, o mais provável seria desfazer-me da obra. Sendo a obra, neste caso, livros.
      ...

      Lembrei-me da polémica em torno de Kevin Spacey, protagonista da série House of Cards, e do facto de ter sido afastado da série quando foi acusado de assédio sexual e de tornar o ambiente de trabalho tóxico, existiu quem defendesse que se deveria separar águas, uma coisa seria o actor, excelente por sinal. e outra seria o homem acusado de assediar sexualmente várias pessoas. Lá está, embora exista todo um passado de excelência no que a representar diz respeito, acaba por ser bastante complicado voltar a olhar para o actor com os meus olhos. Seria necessária uma grande capacidade de frieza que, me parece, uma grande percentagem das pessoas não terá.

      Tenha uma boa noite (por aqui já é noite), caro Observador, beijinho para si também.

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  2. Acho que se deve separar as águas porque lidos qual a razão de me desfazer deles quando já faz parte do nosso passado e não nos farão mal algum? Após a descoberta do seu "lado tenebroso" nunca mais compraria nenhum.

    Nos meus 15/17 anos li quase tudo que havia sobre a segunda guerra mundial. Havia um autor que agora não me recordo o nome que descrevia ao pormenor e nada romanceado o que se passava nos campos de concentração. 40 anos depois foi apanhado, julgado e condenado e quem era? Um dos do Hitler que trabalhou/matou num campo de concentração. Nunca se soube se o mataram ou morreu na cadeia...mas também nunca mais apareceu um livro dele e os "não vendidos" foram todos retirados da livraria onde eu comprava o que lia.

    Não trouxe nenhum livro de Angola porque a guerra resolveu pulverizar tudo!

    Beijocas e um bom dia


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    1. Compreendo a sua posição, acho inclusive que a maioria das pessoas pensará como a Fatyly, que os livros não farão mal algum embora se venha a descobrir que o escritor possui um lado muito negro, que esses mesmos livros foram escritos pela mesma mão que matou muita gente inocente, só que eu sou um ET (como costumo escrever muitas vezes em jeito de brincadeira), e sendo um ET tenha uma forma de estar na vida muito própria, acho que as pessoas são um todo, e se as pessoas são um todo nesse todo tem de existir um qualquer equilíbrio, pessoas que matam gente, maltratam gente, são pessoas bastante desequilibradas, carregam consigo toda uma carga negativa, carga essa que também existe nos livros que escrevem, portanto toca de me desfazer de livros de gente que se veio a descobrir ser homicida, não quereria dentro da minha casa mais demónios em pó ;)

      (os meus pais têm uma belíssima colecção de livros da segunda guerra mundial, ainda não me deu para ler, mas um dia vai ser dia, admito que não é leitura que me seduza, mas não me fará mal algum ler)
      (no entanto acho que já li tudo o que existe para ler sobre Auschwitz, li, vi reportagens, vi filmes, e sempre que volto a ver algo ou ler, aquilo impressiona-me de forma muito estranha, não seria capaz de visitar Auschwitz, não me pergunte a razão, mas não seria)

      Fatyly, quando me perguntam o que faria perante a possibilidade de um prémio chorudo, por exemplo de um euromilhões - jogo tão pouco que duvido muito que ganhe algum dia qualquer coisa, ou vai-se a ver e é ao contrário -, ao que eu respondo que só gostava de ganhar milhões porque compraria uma casa onde pudesse ter uma biblioteca minha, com livros daqueles mais antigos, são a minha paixão, até livros de tudo quanto é escritor, tudo por ordem alfabética. E quadros, não para mostrar que possuía quadros de excelentes pintores, mas para meu prazer, gosto muito de pintura. Queria lá saber de sapatos de 3.000 euros o par e de automóveis de 100.000 euros, não, essa não é, decididamente, a minha praia :)))

      Um bom dia, Fatyly.

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    2. Sim e compreendo bem o que dizes porque hoje e longe da terrível guerra civil que vivi não consigo ler nenhum livro sobre a matéria e visitar Auschwitz? Fora de questão.

      Há pessoas que se desfazem dos livros da pior forma e já não é a primeira nem a segunda vez que me deparo com tal cenário: em pilha junto a um contentor que até dói. O que faço? Como ando sempre com sacos ponho-os nos mesmos e da última vez fui levar a um senhor que tem o teu gosto e nem imaginas o seu agradecimentos com os olhos marejados de lágrimas. Queria pagar-me...eu hem? Qué lá isso é com imenso gosto que lhos trago. Fiquei apenas com quatro que já tinha lido e já os enviei a um amigo meu.

      Como não jogo mas sonhando que jogo se me saísse algo compraria um T0 bem longe daqui e numa aldeia qualquer:))) é tão bom sonhar acordada e por vezes faço esse exercício:)))

      Um abraço

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    3. Vi um dia, na RTP2, uma reportagem sobre Auschwitz que me marcou. Vi outra também da autoria de Henrique Cymerman, uma filmada mesmo no campo de concentração de Auschwitz, que, diga-se de passagem, não é fácil de ver. Convém ver, mas que não é fácil, não é.

      Eu cá acho que muita gente quer visitar Auschwitz em modo turista, com um bocadinho de sorte até levam um saco de pipocas, Existem locais que têm de ser visitados munidos de um profundo respeito pelas pessoas que por ali morreram vitimas de uma crueldade extrema, não sendo assim é bem melhor que vão lá para um resort na República Dominicana e não sei quê. Admito que não tenho grande paciência por determinadas pessoas, mesmo nenhuma, e pessoas que não se sabem adaptar ao local onde estão, muito menos.
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      (eu estou em falta com a Fatyly, os livros prometidos ainda não foram enviados, a ver se é este ano, peço desculpa :)

      Sonhar acordado é que nos mantém vivos e com energia para voltar a enfrentar o dia seguinte. Sem isso é tudo demasiado cinzento e demolidor.

      Abraço para si também, Fatyly.

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