sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Um post escrito para homens mas que pode ser acarinhado por mulheres - falemos de intempéries

Dei um salto rápido ao dicionário antes de começar a escrever esta meia dúzia, ou, já que é sexta-feira e a pessoa pode arriscar um trajar mais casual, uma dúzia inteira de letras. Se é para a desgraça, convém desgraçar-nos em bom. Portanto, fui ao dicionário de olhos bem abertos, olhei para a esquerda e nada de substantivos bêbedos, olhei para a direita e nada de adjectivos armados ao pingarelho, como disse um dia destes Pedro Passos Coelho. Este é um país de dicionários vertebrados, em que os adjectivos dão bicadas de amor nos substantivos e, se lhes passar um advérbio de mini-saia pela frente, também são bem capazes de dar abracinhos. Não nos abracemos por enquanto de modo a evitar bactérias verbais. 

O dicionário informa-me em modo tinóni que uma intempérie é, nada mais, nada menos, do que uma perturbação atmosférica violenta. Ora bem, homens todos, todos que ainda não sabem como se segura um guarda-chuva ou acham que os guarda-chuva são todos iguais - favor substituir mentalmente o termo guarda-chuva pelo termo mulher e a coisa é mais fácil, no entanto,  já não é fácil se se associar a parte de perturbação atmosférica violenta a uma mulher em dia não, quase que aposto que a atmosfera tira férias nesse dia de forma a que consiga ter uma qualquer hipótese de sobrevivência.

E então? Então quando é que chego lá àquilo do grupo-alvo? É agora. Olhai que até num dia de intempérie daqueles, uma mulher, se quiser, consegue enfrentar tudo com grande estilo. 




Lugar muito cinzento este da vida, não fossem as mulheres a dar um ar da sua graça. Para além de saberem conduzir muito bem um guarda-chuva - até a própria chuva nalguns casos - até sabem, imagine-se, andar de bicicleta. O mundo está perdido!

8 comentários :

  1. É, não tenhamos dúvida, mais fácil lidar com um guarda chuva (não há hífen p'ra ninguém) do que com uma mulher. Com raríssimas excepções, até são muito mais fáceis de manusear. E se não funcionarem, lixo!
    Há, é verdade, mulheres cuja forma de ser e de estar, de agir e de reagir, não vão (nem levam) a lado nenhum, a não ser ao campo da irritabilidade.
    Diga-se, no entanto e em abono da verdade, que há mulheres, admito que a maioria, com quem se lida muito bem. Porque são mulheres de corpo inteiro - whatever does this means - porque sabem estar, sabem viver e deixar viver.

    Passando vertiginosamente, antes que me caia alguma coisa em cima, para as fotos, pouco ou nada tenho para dizer a não ser um pormenorzito, daqueles que se a malta quiser até passa despercebido. É que só vejo nelas, fotos e mulheres, uma tentativa de fazer arte, algumas bem conseguidas. De resto, serenatas à chuva eram mais o estilo do Fred Astaire e da Ginger Rogers.

    Já que aqui estou ... posso escolher uma fotografia? Posso? A da quarta fila à esquerda. Adoro ver mulheres à espera que a chuva passe :)))

    Dito isto, camomila é que está a dar. Por isso e como nesta sala não se servem dessas iguarias, vou ali e já venho. Ou não.

    Beijinho, estimada Maria.

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    1. Até me assustei com aquela parte de "E se não funcionarem, lixo!". Ainda bem que o caro Observador falava de guarda-chuvas (espero que o plural do guarda se concentre só na chuva), sendo assim já posso respirar de alívio. Ufa! :))

      Este seu comentário está muito bem temperado, não tem azeite a mais, não tem flor-de-sal a menos, não tem borrifos de sol na eira e chuva no nabal. Tudo muito bem misturado mas sem confusão alguma na envolvência dos ingredientes. Podia ter uma pitada de hífenes, que podia, mas pronto, não é grave. Caramba, quase que me podia candidatar a critica gastronómica de pratos de palavras - sendo assim 20 points para o senhor desse lado que confeccionou este manjar de letras.

      (se não fosse sexta-feira podia, também eu, passar, ou mesmo cair vertiginosamente no tema das mulheres e da forma como se tratam umas às outras, uma grande maioria, infelizmente, mas se calhar é melhor desfrutar da vida que me foi oferecida e dançar à chuva qual Ginger Rogers)

      (gostei particularmente destas fotos, não tem mulheres com os pés tortos - um dia vou tentar perceber por que raio algumas tiram fotos como se tivessem um qualquer problema ortopédico, é isso e fotos sempre encostadas à parede; mistérios do mundo das fotos digitais...)

      (a quarta foto foi muito bem escolhida, tem bom gosto e olho para a chuva, só para a chuva, claro... eheheh)

      Beijinho e bom fim-de-semana, caro Observador.

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    2. Só para a chuva? Olhe que não! eheheh

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    3. Bem sei, daí o título e aquilo do público-alvo :))

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  2. Pedalar com uns saltos daqueles é só por si um tratado de arte.
    É precisao ter imaginação, para fazer este divertido post apenas para mostrar uma cessão fotográfica de chapéus de chuva.
    Abraço

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    1. Achei a foto da bicicleta muito engraçada. A pose. A pose é qualquer coisa. É o que ensinam, pelo menos ensinaram-me quando tive que fazer ginástica para a coluna, tinha eu 14/15 anos - penso, não me lembro bem - que se anda de cabeça levantada, queixo levantado e costas direitas. Ainda hoje ao sentar-me em qualquer lado, na secretária, por exemplo, com o computador, as costas estão (quase) sempre direitas. Não uso computador no sofá em cima das pernas, jamais, em tempo algum. É um péssimo hábito.

      (por vezes o bom humor salva-nos, estou em crer que deveriam existir uns comprimidos à venda na farmácia que se pudessem consumir e afastar, de quando em vez, o lado mais pesado da vida, não é fazer de conta que não existe, que isso é pior, é apenas fazer uma pausa para respirar)

      Abraço para si também, Elvira.

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  3. Eis que me deparo com mais um post teu recheado de humor e de tanto rir nem sei bem o que dizer.

    As fotos são uma delícia e olha que me revejo em algumas.

    Ainda há dias num dos dilúvios, qual intempéries qual carapuça, chuva, muita chuva e sem chapéu que raramente uso de tal forma que os mesmos duram anos e anos, antes que fizesse "sku" tiro os sapatos e vim com eles na mão até casa. De tal forma chamei a atenção que houve um homem que só me disse: valente e...e... cautelosa:)))

    Mas a minha preferida e que faço muitas vezes sobretudo junto ao mar, rio ou ribeira é a quarta foto da esquerda e para mim não há melhor coisa na vida (haver há mas esta é uma das minhas eleições) apanhar chuva nas "bentas", beber água da chuva que até lava as entranhas mentais e não só:)))

    A da bicicleta está gira mas é só mesmo para a foto e postura...coluna direita em qualquer situação, mas pedalar de saltos altos só mesmo para equilibristas.

    Ando bem de bicicleta mas faço-te uma pergunta: já experimentaste pedalar descalça? Á pois é...uma gaspia genial.


    Saio daqui bem disposta e a sorrir e agora vou ler os comentários!

    Beijos e bom fim de semana porque hoje é o lanche ajantarado na minha filha onde nos iremos juntar (incluindo a minha mãe) e segundo a minha neta mais nova há algo super importante com três elementos - o tio, tu avó e a prima têm de apagar as velas porque já fizeram anos, mas ainda não fizeram:)))) por este andar e na conciliação de horários de Janeiro passarei a fazer anos no Natal:)))

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    1. Fatyly, eu acho sempre os seus comentários deliciosos e, não, não estou a ser irónica. Uma pessoa lê o que escreve e fica com um sorriso de orelha a orelha, pelo menos os comentários deste género, os mais leves. Não deixe de ser assim, espontânea, com genica, independentemente do que os outros possam pensar ou mesmo dizer.

      Eu admito que gosto de todas elas, elas as fotos, porque todas reflectem não só um determinado tipo de mulher, como têm aqui e acolá uma qualquer carga simbólica.

      A primeira foto representa: tranquilidade - a mulher tranquila; segura.
      A segunda foto representa: provocação; sedução - a mulher corajosa; livre.
      A terceira foto representa: raiva; sensualidade - a mulher que tendo um aspecto frágil, contudo não o será.
      A quarta foto (do lado esq.) representa: inocência; transparência - a mulher que ainda acredita em tudo o que a vida tem de melhor, não imaginando, sequer, o que a vida esconde em cada esquina, de pior.
      A quarta foto (do lado drt.) representa: o controle; a tristeza - a mulher que vive com vontade de ser livre mas que vive enclausurada dentro de regras impostas pelo mundo que a rodeia. Talvez a mais "perigosa" de todas.
      A quinta foto (e última) representa: poder - a mulher poderosa, só uma mulher poderosa consegue andar de bicicleta de saltos altos, de costas direitas e com o cabelo impecável mesmo que chova a potes.

      (o meu pai é que adora andar de bicicleta - eu nem por isso - andar de bicicleta mas não na estrada, é dentro de uma localidade tranquila, perto do mar, onde toda a gente basicamente se conhece, a maior parte das pessoas que o vê passar, tranquilamente, nem imagina que é uma pessoa que sempre teve uma vida muito agitada, desgastante, activa, dentro da cidade de Lisboa, aliás sempre viveu em Lisboa; todos o acham tranquilo quando se há coisa que não é, essa coisa é ser tranquilo; lá está, as pessoas acham que conhecem os outros, que sabem ler os outros só de olhar, quando isso está bem longe de ser verdade, isso de ser "idoso" não é grave, não é aquilo que a maioria pinta; muita gente de mais idade continua a ser muito activa, gosta de estar na sua casa, que não os aborreçam, não gosta que os outros tomem conta deles como se fossem criancinhas, como se ser "idoso" fosse motivo de pena, não é, estava na altura de tratar as pessoas de mais idade com dignidade, isso sim, e deixarem-se de paternalismos parvos, coisa que muita gente dita "idosa" não suporta; conheço muita gente de idade assim)
      ...

      Tenha um óptimo dia, Fatyly, junto da sua família :)

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