sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Um balde cheio de pipocas que são doces e de dissertações cozinhadas à minha maneira - a vapor, portanto

Ontem deu-me para dar um salto ao blog da Pipoca Mais Doce, Ana Garcia Martins, de seu nome verdadeiro - ter em conta que este post não visa criticar a autora do blog - e deu-me para ler um texto onde lá pelo meio foi usado um palavrão daqueles bem cabeludos, palavrão esse que nos permite rasurar, que foi o caso, mas nesse rasurado a intenção é deixar a palavra meio escondida com o rabo de fora. Rabos de fora geram sempre polémica, isso já se sabe. A maior parte dos elogios que se fazem neste momento via Internet não são a rostos bonitos, são a rabos, portanto é toda uma descida vertiginosa a caminho de um nível muito perto do chão. Já não se elogiam olhos amendoados, ou azuis da cor do céu, ou verdes semelhantes a uma esmeralda, ou negros cor da noite, elogiam-se nádegas milimetricamente esculpidas a bisturi. A poesia mudou de poiso.

No texto com o palavrão rasurado e respectivos comentários, às tantas alguém diz que não há necessidade de a autora escrever textos com palavrões porque tem um filho pequeno que um dia destes vai começar a ler o que a mãe escreve, e isso não é bonito, pronto, a bomba estava prestes a explodir, logo se seguiram os ataques a alguém - pena foi esse alguém ser em formato anónimo, mas naquele blog quase todos os comentários são anónimos, coisa estranha, adiante - que tem apenas uma opinião diferente da maioria que se move em modo carneirada. Nos dias que correm ter uma opinião diferente, não dizer palavrões, não dizer que sexo é o melhor que existe neste mundo e no outro também e que, desde manhã cedo até à noite é sexo e sexo e mais sexo, não incluir o termo "mamas" a torto e a direito só para se ser aquilo de muito moderna e muita p'ra frente e tal, ter uma paranóia qualquer pela palavra "cuecas", caramba, existem adultos que dizem tantas vezes a palavra que parecem aqueles putos a roubar uma goma às escondidas numa loja de doces, ridículo, no mínimo, deve ser o ponto alto do dia: ó p'ra mim aqui a dizer mamas e cuecas, bué moderno(a), eu. Isto do mundo está de uma infantilidade de todo o tamanho e eu, tendo a não gostar de pessoas que gostam de chocar só por chocar, fora de qualquer contexto, tendo a não gostar de pessoas que embarcam de olhos fechados naquilo que outras embarcam de olhos bem abertos, tendo a não gostar de pessoas que não sabem construir a sua própria personalidade, ainda que essa personalidade possa não render frutos imediatos, grandes no tamanho à força de tantas substâncias químicas. Eu tendo a gostar de frutos mais pequenos mas de qualidade superior. Sim, isso do tamanho não interessa rigorosamente para nada. Leia-se a parte final polvilhada de brejeirice ou, se calhar não, se calhar isso da qualidade quando é realmente qualidade superior é, discreta.

*

Num qualquer derradeiro suspiro blogueiro:

Apetece-me dizer e neste dizer por escrito pretendo que a mensagem se cole às criaturas que lêem tudo o que outras pessoas escrevem na diagonal, tal é a pressa para passar ao espaço seguinte, que não me escandalizam pessoas que dizem palavrões ou escrevem textos com palavrões, apenas não é a minha praia, não simpatizo com palavrões, não vejo necessidade de os usar, e não vendo necessidade, achando que a coisa é muito mais interessante quando se quer "insultar" algo ou alguém, fazê-lo de uma maneira que o próprio nem sequer percebe se o estamos a elogiar ou insultar, ainda que no meu caso não me dê para insultar pessoas, faço criticas directas, é bem verdade, mas nunca ninguém me ouviu chamar nomes a quem quer que seja; não sou santa, esta é apenas a minha forma de estar na vida, não acho que o caminho se faça com uma agressividade tal que a única coisa capaz de nos sair pela boca fora sejam vocábulos grosseiros que têm como finalidade uma qualquer catarse escatológica.

*

(a incapacidade que muita gente tem para aceitar opiniões diferentes, posturas diferentes, formas de viver a vida diferentes, formas de falar, formas de tratamento, sempre diferentes da maioria, é de tal ordem por estes dias que, não tarda, voltamos ao tempo dos meus avós onde um falava e todos os outros acenavam que sim, que aquilo é que era, mesmo não sendo)


(existiu um dia uma pessoa que me enviou um email a perguntar se nos podíamos tratar por tu, e eu, li o mail e não entendi à primeira, era como se alguém me quisesse impor a sua forma de estar na vida, eu, que não o faço com ninguém, acho que somos livres de tratar as pessoas como bem entendemos desde que não existam faltas de respeito e abusos, senti-me meio baralhada com aquilo, não fazia ideia que o facto de não tratar as pessoas por tu fosse motivo de análise - é claro que respondi ao email escrevendo que a pessoa podia tratar-me por tu sem qualquer problema, desde que eu a não tratasse por tu e também não existisse qualquer problema; não me imponham coisas, não me queiram moldar a um mundo que não é o meu, se alguém acha que um simples modo de  tratamento causa comichão, coce, não queira é que os outros cocem locais que não lhes provocam qualquer incómodo)

12 comentários :

  1. Também leio esse blogue embora não comente e leio sempre a enxurrada de comentários. Anónimos indignam-se? Ó Minha Nossa Senhora da Couve (uma santa da neta:)) e a resposta que a dona daquele espaço foi bem dado. Mais, dei uma sonoras gargalhadas.

    Também não gosto de palavrões mas até no trânsito cara-a-cara se ouve o que não será atrás de um ecrã e sobretudo sobre o "anonimato"? Se não ligo aos do "cara-a-cara" iria ligar a anónimos?

    Como tal tens toda a razão no que dizes e eu digo apenas: É Carnaval e ninguém leva a mal:))) mas devem estar na primeira fila para ver a banda, desculpa...a bunda a passar. Gente complicada como se não tivessem mais em que pensar...e sim...a maioria li tudo na diagonal!!!!

    Quanto à parte final do post...respeitando tudo e todos eu trato por tu, mas não imponho isso a quem comenta e quem quiser tratar-me por "tu" esteja à vontade.

    Beijocas e saio daqui a pensar na descrição das vestes carnavalescas da canalha miúda que com este frio é mesmo um quebra cabeças para muitos pais. As minhas levaram sempre feitas por mim ou pela minha mãe e ainda hoje os netos as usam, embora duas já não estejam para aí viradas:))

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    1. Há quem não goste de ler esta blogger, a PMD, eu admito que gosto sem qualquer problema, quando está para ali voltada, ali para a escrita, é das que melhor escreve determinado tipo de textos, aquilo flui muito bem, mas... existe um grande mas, só gosto de ler textos daqueles que não incluem publicidade a produtos, portanto raramente lá vou. Caí naquele texto do palavrão rasurado por acaso, deu-me para ler a caixa de comentários e deparo-me com a "censura" - pus este censura entre aspas porque é uma censura meio enviesada - mal aparece uma opinião diferente, tungas, é ver gente a cair em cima... por vezes dá-me para pensar que a coisa é feita para ser assim mesmo, para gerar polémica, um comentário daqueles vai dar azo a muitos outros, ali todos de seguidinha, logo, a quantidade de comentários aumenta.

      Fatyly, a resposta que a dona daquele espaço deu, é uma resposta que nada tem de inocente, são muitos anos a virar frangos ;)

      Olhe que eu já namorei com homens bem diferentes uns dos outros e, homens mais vividos do que outros, uns licenciados, outros nem por isso (não, não tive 300 namorados, tive alguns... e espero vir a ter mais... ahahahah), mas, não me lembro de algum ser daquele tipo de homem de, no trânsito, dizer palavrões, nem no trânsito nem no dia-a-dia, vai na volta quando nos envolvemos com alguém, à partida, e de forma inconsciente, já escolhemos um determinado tipo de pessoa que tem ali qualquer coisa que vai ao nosso encontro. Digo-lhe que não conseguiria estar ao lado de um homem que, de cinco em cinco minutos, fosse do género de alhos e bugalhos, era despachado na hora sem dó nem piedade, que eu cá não sou nada doce nestas coisas, quer ser assim é procurar outra mulher com quem se identifique e desamparar-me a loja:))

      (não gosto de Carnaval, Fatyly, não acho a menor piada, e está cá um tempo para desfilar em bikini que nem lhe digo... talvez isto seja um divertimento só para as crianças, se as crianças gostam, então que viva o Carnaval... longe)

      O tratamento por tu ou sem ser por tu, nem sequer deveria ser tema de discussão, só que existe gente que se acha acima da coisa e quer impor a sua forma de estar na vida aos outros, no entanto acham que os outros que não tratam toda a gente por tu é que são pedantes, sim, sim, contem-me histórias. No dia em que as pessoas deixarem de discutir insignificâncias, deixarem cada qual viver à sua maneira, nesse dia o sol é bem capaz de começar a brilhar para quase todos, ficará a faltar apenas o.. quase.

      Bom fim-de-semana, Fatyly :)

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  2. Há um fruto que se insinua, colorido, prometendo quimeras de incontáveis usufrutos.
    Aroma? Não sei.
    Sabor? Mas isso conta?
    Há um fruto que se insinua, colorido, prometendo quimeras de incontáveis usufrutos. O rebanho, ordeiro, faz o desejado mééé de concordância. O futuro está cada vez mais perto.

    Um beijinho, Maria :)

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    1. AC, gosto muito dos seus comentários, são cá coisas minhas e como são coisas minhas vou guardar muito bem guardado. Só para mim.

      Essa parte do "futuro está cada vez mais perto", é que me deixou meio: ai meu Deus, mas o que será que o AC quer dizer com isto?...

      Beijinho e tenha um excelente fim-de-semana :)

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    2. É ironia da mais negra, Maria, sobre um desígnio pré-anunciado, rezando a todos os santinhos (onde é que andam eles?) para que não se concretize.

      Um beijinho :)

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    3. Vou limitar-me a fazer eco do final: "para que não se concretize". Quanto aos santinhos, bom, eu cá acho que eles já não "andem" por aqui. Cansaram-se. Como os compreendo :))

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  3. Olhe, ó faxavor, arranja-se por aí o link de acesso à pipoca mais doce?
    Só por curiosidade, para perceber do que se trata.
    Na expectativa de que valha a pena comentar, despeço-me com consideração e frio.
    Eu, o que observa ;)
    Agradecido, está bem?

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    1. Depende. Quanto é que me paga pelo link? É que a vida está difícil e uma pessoa tem que fazer por ela, pela vida, digamos assim :)))

      (ah, devo esclarecer que todo e qualquer valor apresentado pelo interessado - caro Observador, portanto... aquele "caro" fica aqui "mêmo" bem - será sempre sujeito a negociação) eheheheh

      (quer-me cá parecer que o senhor que muito observa também é licenciado em muitos anos a virar frangos, tal como a pipoca mais doce... fui, antes que me chova em cima e isso)

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    2. Não gosto de negociar. Cheira-me a consertação social e logo a política me vem à cabeça.
      ;)

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    3. O caro Observador não quer, então, concertar o governo? ou alinhavar consertos? ou... não negociemos e está o negócio feito :)

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    4. Não à maioria dos consertos, sim a uma grande parte dos concertos.
      E daqui não saio :)

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    5. Pronto, pronto, não se zangue com Maria - que sou eu - chá de camomila para si, esqueça o gengibre :)))))

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