sábado, 10 de fevereiro de 2018

Ralações que são públicas

Praticava eu no dia antes do dia de hoje, aquele exercício de escutar atentamente alguém, neste caso o alguém era uma mulher muito nova em idade, e provavelmente em experiência também, que exercia o cargo de Relações Públicas de um hotel. Muito bem, pensei. Pensei e rapidamente dispensei. Por vezes o verbo pensar gosta de ir às compras com o verbo dispensar na eventualidade de um ser atropelado, o outro vem de imediato em seu socorro. Socorro!

Socorro! (outra vez)

A tal mulher nova em experiência e com idade nova em cabeça e corpo também, de repente apresenta quartos num hotel com um grande potencial de aconchegar namorados no dia em que o filho de Deus, ele próprio sendo filho, muito provavelmente também seria inexperiente - designou para ser o dia próprio para namorar. Dia catorze de Fevereiro de todos os anos, até que o mundo já não conte mais anos de tão cansado e velho que estará. Não te queixes, ó mundo, calha a todos.

Calha! (uma única vez)

Nunca mais lá chego! (nunca mais, tanta vez)

A apresentação do quarto do hotel para namorados à jornalista que a entrevistava, foi: ..."um quarto lindo de morrer"...

Alto lá! (quantas as vezes necessárias)

Alto! A Relações Públicas do hotel quer que os namorados lá vão e, não paguem a conta na saída? É que, "um quarto lindo de morrer", é só para gente que não tem medo de morrer de amor lá dentro do quarto, de amor ou de outra coisa qualquer, sendo que na parte do qualquer eu não meto o  nariz, tão pouco o meu verbo em formato pensar de pensativo. Acho que vou procurar outro quarto. Ou outro hotel. Ou outras relações menos públicas.

Pssssssssst
(senhor motorista do eléctrico 28, é, se faz favor, um bilhete para ficar em casa...)


6 comentários :

  1. As relações que são públicas tornam-se rAlações num ápice.
    Há que evitá-las.

    O pica do 28 terá encontrado muitos amigos do alheio? Não é esta uma das carreiras preferidas dos ditos cujos do alheio?

    Se ficar em casa, agasalhe-se. E vá bebendo chá de gengibre. É bom cumó milho!
    Kisses 4U

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    1. A senhora relações públicas lá do ontem, estava tão entusiasmada a apresentar o hotel e os respectivos quartos que nem sequer se apercebeu daquele "quarto lindo de... morrer", foi muito bom :)))))

      Conheço o percurso do eléctrico 28 desde sempre, e conheço em onda de cor e salteado, aliás, Campo de Ourique é o sitio onde um dia estive para morar lá com um amor que não teve que ser e o que não tem de ser, terá a sua força. No Verão, naqueles finais de tarde quentes, de quando em vez vou a uma esplanada que é já muito "minha" e, de seguida, quando apetece, costumo entrar no 28 pela enésima vez. Gosto sempre muito como se fosse a primeira vez. Não me lembro de alguma vez ter sentido algum tipo de insegurança no trajecto, mas pronto, se dizem que muita gente é assaltada no 28, lá terei de acreditar...

      (ponho gengibre em quase tudo, caro Observador, já o escrevi por aqui muitas vezes, gosto bastante do sabor do gengibre :)))

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  2. Não vi a "peça" mas ri com esta tua descrição e realmente apresentar algo como "lindo de morrer" eu fugia na hora:)) oxalá que a "Relações Públicas" não fique com várias contas por pagar:))))

    fixei-me no Zambujo que é bom como o milho:))))) O dia dos namorados (embora respeite todos os que alinham nisso) a piroseira que o envolve é de me fazer ficar agoniada, como agoniada fico com tanta coisa que me entra em casa via tv e vai daí...apago!

    No dia 14 faz dois anos que a minha mãe saiu da sua casa e não voltou mais. Não faço ondas negativas e cada dia que passa...olho sempre para o lado positivo das coisas mas que foi uma tremenda mudança lá isso foi!

    Andei muito no "28" e noutros mas hoje já não sei os seus percursos porque Lisboa...enfim Maria sabes já o que penso.

    Saio daqui bem disposta:)

    Beijocas e um bom domingo

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    1. Fatyly, não é coisa grave, claro que não, mas teve a sua graça uma pessoa que é a Relações Públicas de um hotel, ao sugerir/apresentar, quartos desse mesmo hotel descrever aquilo como "lindo de morrer". Para muitos, tenho a certeza, passaria despercebido, para mim que gosto muito de observar (sempre discretamente), absorver e analisar o que as pessoas falam, e ó se se consegue deslindar muita coisa assim, achei delicioso. É como se nos fosse sugerido, e não de forma literal, claro, que pernoitar naquele quarto será um vislumbre de uma"morte" anunciada. Talvez a tal morte no "quarto lindo de morrer", nada mais seja do que a morte de uma romantismo instantâneo, um romantismo que só dura um dia/uma noite, por ano - o dia 14 de Fevereiro, onde nos são sugeridos pacotes a baixo custo ou a alto, que isto nunca se sabe o custo do amor feito à pressa, só naquela de ajudar a Economia a trepar mais um bocadinho. Que trepe, não tem problema algum, mas tenha cuidado para não esfolar o coração de muita gente por aí :)

      O António Zambujo é "bom como o milho"??? Ó meu Deus que me vai dar uma coisinha má :)))))))))))
      (acho piada a esta canção . a do Pica do 7, ou lá o que é, é alegre, anima, e o vídeo também está engraçado)

      (a sua mãe saiu de casa mas, felizmente, está viva, essa é a parte que mais importa, embora não sendo a situação ideal, não sei... de qualquer forma continua por cá perto dos filhos, netos e bisnetos, a vida continua a acontecer de outra forma, digamos assim)

      Eu continuo a gostar muito de Lisboa, nada a fazer, e gosto de gostar de Lisboa (passo as redundâncias que forem necessárias passar) a pé, de eléctrico... ou seja, é estacionar o carro e sentir o pulsar da cidade debaixo dos pés e não debaixo de uns pneus que nos isolam da realidade que habita na calçada. Faz falta conhecer os sítios à chuva, no calor, com vento, sentir mesmo, levar com as intempéries na cara. Não se conhecem os locais apenas passando por eles de vidros do carro fechado e com ar-condicionado ligado. Talvez seja por isso, por este modo de vida que muitos adoptam, que cada vez se vêm mais sítios ao abandono, e não falo só de esquinas de grandes cidades...

      Tenha também um bom domingo, Fatyly :)

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  3. "O António Zambujo é "bom como o milho"??? Ó meu Deus que me vai dar uma coisinha má :)))))))))))" já recuperaste da coisinha má?

    Para mim é e felizmente que nem todos gostam do mesmo :)))))) toma e embrulha chapéu de côco como dizia o meu irmão:)))

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    1. Ahahahahah, a Fatyly é cá um prato :))))

      (pois fiquei para aqui caladita com a ventania que veio desse lado, que nem sei se lhe digo, se lhe conto.... eheheheh)

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