segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O filme, talvez, mais triste, perturbador, angustiante, que me foi dado a ver até agora - "Never Let Me Go"

Em Português o título será um aparentemente simples: Nunca Me Deixes.

O filme tem de tudo menos o facto de ser simples, foi, provavelmente, o filme mais complexo a que assisti nos últimos tempos. Não é um filme fácil. Não é um filme aconselhável a pessoas que se encontrem no dado momento a passar por situações mais frágeis, e não é pela razão de que nos puxa para dentro de uma realidade dura, cruel, realidade essa que pode muito bem já estar aí a caminho. Realidade que pode muito bem ser a única forma de sobrevivência da espécie humana.

Por vezes ver determinado tipo de filmes coloca-nos no nosso devido lugar. O murro no estômago é de tal ordem que não deixa espaço para arrogâncias, petulâncias, superioridades superlativamente superiores, resume-nos a uma insignificância em modo dó maior.


(aqui, uma crítica em relação a este filme que me parece muito bem construída)

6 comentários :

  1. De uma forma geral, todo o filme que é construído a partir de uma obra escrita, é bom.
    Kazuo Ishiguro romanceou e Mark Romanek realizou, com mestria.
    Sobre o filme, apenas dizer que o terreno pantanoso da solidão e da desilusão é tramado.
    Uma pergunta muito minha: por que motivo este filme quase passou ao lado do chamado circuito comercial?

    Grato pela partilha, Maria. Assim, sabe bem começar a semana que lhe desejo boa.
    Beijinho para si que às vezes merece ;)

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    1. Eu vi num dos canais cabo, não me recordo exactamente qual foi. O que sei é que vi todo o filme num silêncio total, como se estivesse mesmo dentro do écran, lado a lado com os actores a vivenciar tudo aquilo na primeira pessoa. Quando um filme, os actores, têm esta capacidade de nos fazer desligar da nossa realidade, e desligar no sentido de não se achar que é ficção, então, penso eu, temos ali uma obra-prima.

      Tendo a discordar um pouco da sua primeira afirmação, caro Observador, por vezes lemos um livro, de seguida vemos o filme, e o filme deixa uma pessoa desiludida. Nem sempre, mas acontece. Neste caso não li o livro mas que o filme é muito bom, lá isso é. Muito bom para pessoas desinquietas lá na zona das interrogações.

      Essa sua pergunta, quase que já vem com a resposta implícita. Digo eu.

      Beijinho para si também, caro Observador, tenha também uma boa semana :)

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  2. Vi o filme, depois li o livro. Imensamente triste.

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    1. É realmente triste. Triste, perturbador e angustiante, sem dúvida, no entanto uma enorme lição de vida.

      (já agora e se for possível, Gábi, por curiosidade, o livro e o filme complementam-se, ou nem por isso?)

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  3. Já o tinha vista no canal por cabo - FOX há já algum tempo e sim é perturbador e digo-te que me comoveu muito por tudo que os três personagens passam. Acho que não o voltaria a ver.

    Deram-me o livro de Kazuo Ishiguro mas como já tinha visto o filme não o li e dei-o:)

    Um bom dia

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    1. Eu vi há uma semana (+-).

      A partir de uma determinada altura do filme a confusão instalou-se na minha cabeça, admito, não percebia a razão de, numa situação daquelas, a doação de órgãos que seria o destino de cada um, e nessa situação tendo a possibilidade de fugir, desaparecer, mudar o "destino", qual a razão de não o fazerem?! Aí é que entrou a parte de ver o filme em silêncio e de deixar a interpretação, a nossa, a que se quer, à solta. Quando acontece percebe-se essa razão. É a tal reflexão que é sempre necessária nisto de viver, mesmo e quando esse viver passa por um filme. Neste caso, dos bons.

      (entendo a parte do "acho que não o voltaria ver"... não é, tal como escrevi no texto, um filme fácil, tem de existir alguma, ou mesmo muita, disponibilidade mental para o fazer)

      Tenha também um bom dia, Fatyly.

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