terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Hoje falo de moda. De botas brancas. Das botas da polémica que muitas mulheres dizem ser ordinárias. Também divago

Antes de me afundar, voluntariamente, neste assunto da moda, devo esclarecer que o conceito de moda para mim é um pouco diferente daquele que será para muitas mulheres. Primeiro, não visto isto ou aquilo para competir com outras mulheres, diz-se por aí que as mulheres vestem-se para as outras mulheres e que isso de nos vestirmos para nós mesmas, não existe, é pura ficção, é mentira. Cambada de mentirosas, nós, aquelas que insistimos em pisar nalgumas frases feitas, clichés barbudos e pintados de branco-envelhecido, frases, que de tão feitas já perderam o prazo de validade.

Muito bem, ou, neste caso, muito mal, se existe algo que me consegue tirar do sério são ideias preconcebidas - ideias preconcebidas em relação a muitos assuntos e não só a este da moda - afirmações que vão passando de boca em boca ao longo dos tempos, que passam de geração em geração e que não correspondendo à verdade, acabam por, seja por tanto se repetir, seja porque dá muito trabalho desorganizar mentalidades e reescrever outro tipo de mentalidades, acabam, escrevia eu, por possuir o carimbo de verdade mais verdadeira do que aquela não existe. No entanto existe. E existe no sentido de que muitas mulheres, grupo onde me incluo, arranjam-se para elas mesmas, tanto assim é que mesmo estando em casa, não estando à espera de visitas, nem de um pássaro de bico amarelo que resolva espreitar pela janela da cozinha só para comparar se o sol brilha da mesma forma quer  do lado de dentro, quer do lado de fora, da janela, mesmo assim, o banho diário existe, o risco nos olhos existe, o chuvisco de perfume existe, na mesma; a roupa de casa que não é pijama nem coisa que se pareça - corrói-me a alma só de pensar que existe uma moda designada de pijama de andar na rua. Um dia destes uma mulher sentir-se-à tão tonta que não vai saber se vai de chinelos de quarto cheios de pompons para uma reunião importantíssima de trabalho ou se usa sapatos de salto alto na hora de se deitar amparada por um qualquer édredon

Eu gosto de algumas coisas que me transmitam segurança, saber que o pijama é para dormir e não para andar na rua em modo tendência tonta, saber que lingerie se usa debaixo da roupa e não à mostra para toda a gente comentar e alguns homens salivar, pronto, são coisas que me fazem sentir que ainda controlo o meu mundo privado, íntimo. Quando se faz questão de estabelecer diferenças entre o que é público e o que é privado, como eu faço e, muita gente, também faz, independentemente da idade, percebe-se a razão de estas pequenas coisas com cheiro a insignificância fazerem toda a diferença nisto do equilíbrio de cada um. 

Agora vamos a essa moda das botas brancas que é coisa para me fazer questionar o que levará uma mulher a querer calçar algo tão inestético. Ah, isso da bom gosto é discutível, é sim senhor, ou sim senhora, só que, no meu caso botas brancas, jamais. Sapatos brancos só calcei no dia do meu casamento, portanto sapatos oferecidos pelo padrinho que custaram quase o valor de um T0 numa qualquer zona de Lisboa (que desperdício! a ver se os vendo e compro as janelas de um T1). Os sapatos stilleto, brancos, para além de muito altos, logo não podem ser calçados por mulheres que sofram de vertigens, tenho de admitir, são de qualidade, estão guardados dentro de uma caixa à espera que chovam sonhos embrulhados em papel cor-de-rosa às pintinhas azuis. Bem podem esperar, entorpecidos, porque voltar a casar é coisa que não está nos meus planos e, mesmo que algum dia mude de ideias, prefiro ir descalça a calçar os mesmos sapatos indo de braço dado com um outro homem, vai que os sapatos despertam, ganham vida própria e acabam por me levar ao encontro do mesmo desfecho?! Não, sapatos brancos, também não volto a calçar. Pezinhos na areia, quem sabe, é talvez bem mais seguro.

 (botas brancas, bah!)

 E as botas da polémica, botas altas que muitas mulheres acham que roça o ordinário.
Bom, não são as botas que roçam o ordinário, é a forma como se calçam as ditas.
A atitude, todo  o conjunto de roupa que, pode atribuir, ou não, o rótulo de ordinário.
Não é o caso nestes dois exemplos aqui em baixo. Aqui impera o bom gosto e uma atitude saudável.



4 comentários :

  1. Muito interessante este 'post'.
    Está na moda falar de moda logo não é por aí. É mais pela limpeza visual que me provocou o que está por dentro dos vários tipos de botas.

    "(...) botas altas que muitas mulheres acham que roça o ordinário (...)"
    Tá tudo doido, é? Onde está a ordinarice da coisa?

    Beijinho, Maria.
    Vou ali ... ver como param as modas ;)

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    1. "Limpeza visual" é uma expressão muito... lavadinha (ahahahah).

      Nem calcula a quantidade de mulheres que acham que são um par de botas de cano muito alto que lhes confere aquilo de serem apelidadas de ordinárias, quando a coisa é exactamente ao contrário, não é a roupa que nos pinta, somos nós que pintamos a roupa, ou, neste caso, calçamos. Complicado? Não. É quase sempre uma questão de atitude, quando mais uma pessoa se esforça por parecer bem, mais esse esforço transparece e aí é que a coisa não resulta. Por isso é que existem muitas mulheres que vestindo uma simples t-shirt, básica, branca, umas calças de ganga e uns ténis coloridos, parecem que acabaram de sair de uma loja de alta costura, enquanto outras vestindo o vestido mais caro, de um estilista famoso, calçando sapatos de 2.000 euros ao litro, parece que acabaram de tosquiar o cão com a roupa de trazer por casa. Lá está, muito dinheiro compra roupa, calçado, malas, carteiras, do mais caro que existe, sem dúvida alguma, mas sem aquilo da atitude, nada brilha. Atitude e zero de ostentação, mistura explosiva para tudo dar certo.

      Beijinho para si também, caro Observador :)

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  2. Fartei-me de rir com este post e acredita que há resmas de mulheres que se vestem para outras mulheres...ó...ó...ó:))

    Eu desde que soltei as amarras dos meus pais e já trabalhava sempre vesti o que me apetecia e sobretudo o que me fazia sentir bem comigo e marimbando para olhares e pssuuiuu das outras. Sempre me pintei, um risco preto e uma sombra bem leve a condizer com a roupa onde primava a simplicidade e nada de árvores de Natal:) Como o meu pai não permitiu que furassem as orelhas, fiz aos 40 anos e uso argolas de prata(sempre detestei ouro) e os tais pechisbeques não posso que fico com feridas. Ainda hoje uso anéis igualmente de prata e faço tudo com eles e todos eles foram-me oferecidos por gente muito especial. Á as alianças de ouro que no meu tempo pareciam mais rodas de tractor. Ele nunca usou mas ai de mim se me visse sem ela...ai é? Perdia e agora? Pois Maria vendias à revelia de S.Exª. e comprei rupa para as filhas. Acho que nunca soube hehehehe

    Reformada e com mais idade continuo o que sempre fui, excepto no que toca às pinturas. Tudo tem uma explicação e a minha não é por desleixo mas porque se tiro os óculos vejo tudo desfocado e pintar com eles é um malabarismo abismal por serem progressivos. Desisti e não sinto falta.

    Vamos aos sapatos...brancos? um horror e os do casamento foram beges...ai que guerra mas mantive a minha vontade. Nunca usei saltos altos nem saltinhos na vida, nem nos tais brancos e o vestido tapava:) e no fim da boda dei-os à minha saudosa Luzia que morreu cedo. Mais...no meu funeral quem me calçar sapatos...ai vai levar na tromba com toda a certeza:)))

    Falando das botas: pessoalmente não gosto, mas goto muito de ver em quem sabe andar bem com elas e sobretudo trajar a condizer. As da foto são lindíssimas e que belas que ficam. As mulheres que dizem que "roçam o ordinário" eu diria antes que essas das duas uma: ou não se equilibram ou sofrem dos joanetes:)))) Dor de cotovelo.

    Há apenas um senão na primeira foto porque não acho nada prático, gosto da carteira mas a tira a levantar o casaco comigo era queda na certa:)))

    Saio bem disposta e obrigado por isso!

    Um bom serão

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    1. Fatyly, não resisto a isto que escreveu algures "Mais...no meu funeral quem me calçar sapatos...ai vai levar na tromba com toda a certeza"...ahahahahahahah, isto é maravilhoso, um grande bem-haja por essa boa disposição :)))

      Mas vestir-se para outras mulheres faz algum sentido? Não sei, digo eu. Ainda se fosse vestir-se para agradar a homens, homens daqueles que se atravessam no caminho num momento qualquer e convém uma mulher estar sempre pronta para isso de lhe cair um homem muito brasa dentro do coração. Xiiii, que piroseira :)))

      Comprei as minhas primeiras botas de cano alto, com pêlo muito quente lá dentro, ainda não se ouvia falar de botas de cano alto em Portugal. Botas e chapéus daqueles que se usam na cabeça, uns para o frio e outros para a chuva, portanto imagine este país, país de pessoas que se vêem alguém de chapéu na cabeça acham que precisa de um colete de forças e ser internada no Júlio de Matos, ainda que os chapéus até sejam discretos, escrevia eu, imagine o que sempre foi andar por Lisboa de botas destas, chapéu na cabeça e lenço enrolado em modo colar à volta do pescoço? Pois... De há uns anos para cá é mais normal ver mulheres de chapéu na cabeça no Inverno, mesmo assim ainda somos poucas. Botas altas, vou continuar a usar até que a alma me doa, compro-as é em saldos, são muito mais baratas, é um bom investimento.

      Tenha uma boa noite, Fatyly :)

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