quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Diz que o valor de um homem se mede pela qualidade dos seus inimigos. Debrucemo-nos nisto: "nihilismo bacoco" e "narciso solipsista" - coisas que me chamaram e eu aqui sem dicionário à mão

(activar a tecla ironia)

Pena é que a frase feita só vá ao encontro do homem, aquilo da qualidade dos seus "inimigos". Isto é o que se chama de discriminação e desumanidade para com uma mulher.

*

O autor do texto que vou arrastar até aqui, um pouco mais à frente, autor esse que não gostou mesmo nada do que escrevi e que foi publicado no blog Delito de Opinião a propósito de um convite de Pedro Correia, dedicou-me um texto longo. Muito bem, muito lhe agradeço o tempo despendido aqui com a pessoa que sou, posso não ser grande coisa nisto de fazer questão de dar a minha opinião, sei que muitos não gostam, preferem pessoas-mulheres doces e que não levantem muita poeira, mas uma pessoa caminha tanto que é inevitável isso de levantar poeira. É aborrecido, que é, poeira não combina com mulheres femininas e muito menos com bâton escrito em francês e todo ele também de tom afrancesado. É sofisticação da boa, de muita qualidade, tal como alguns inimigos que só um homem tem o privilégio de possuir. Os inimigos das mulheres são muito fraquinhos, são aqueles inimigos que ofendem em modo sexual e básico: filha da---quela, curta, que é o oposto de comprida; se te apanho... bom, não nos deixemos apanhar por criaturas básicas, se é para ter inimigos, então que sejam daqueles que obrigue uma mulher a consultar o dicionário só naquela de perceber o que é que realmente lhe estão a chamar. É um género de dois em um, ficamos muito mais cultas e capazes de enfrentar num futuro próximo inimigos de grande qualidade. Se com espada de ouro me matas, com espada de diamantes e safiras serás "matado". Passada toda esta sanguinária poesia, vamos ao que realmente  interessa.

Antes, um aparte gastronómico porque sim:
Não posso obrigar as pessoas a gostar de dourada com beringela e abacaxi - o meu almoço de anteontem - dourada polvilhada com gengibre moído e açafrão das índias, beringela polvilhada com tomilho e pedaços de abacaxi polvilhado com canela, deita-se com jeitinho numa travessa de cerâmica de ir ao forno, a 190º durante uns 60 minutos, et voilá, prato de que gosto muito e outros pouco gostarão. É a vida. No mar, para além de dourada, também existe carapau, de corrida e sem ser de corrida, é à vontade do freguês. Adiante. E vamos ao mar Tonio...
...

Não me importo rigorosamente nada que me critiquem - nem sequer sabia que gente culta, intelectual, perdesse tempo comigo -, o que acho estranho é que as pessoas nos leiam e, pela calada, escrevam textos longos com links directos para o blog e isso. Eu sou um pouco diferente, coloco links directos para blogs quando é para elogiar alguém, quando não concordo com um texto a minha postura divide-se em duas e é só uma questão de escolher para qual estou voltada nesse dia. Ou entro no texto e sem ser desagradável dou a minha opinião que é oposta à do/a autor(a), ou muito simplesmente leio, fecho a porta do blog em questão clicando na cruzinha no canto superior direito do écran e vou à minha vidinha. Sei, não podemos ser todos iguais, uns existem que são na base de 5 estrelas Michelin, enquanto outros são na base de sem estrela alguma, nem em noites estreladas a coisa se dá. 

Para além de tudo isto, o que realmente chateia a sério, é que as pessoas leiam na diagonal o que escrevemos, portanto, o autor do texto acusa-me de coisas que nem sequer fazem sentido, porque se se der o caso, e paciência, de ler com atenção o que escrevi (aqui está o texto da Super Nanny e respectivos comentários que são cerca de 21), dá para perceber que o que não gosto são de proibições e mais proibições, que percebo que o formato Reality Show existe apenas para gerar audiências, share, rating, que vivendo num estado dito democrático as pessoas são livres de escolher o que bem entendem, não se trata de um simples bom ou mau gosto na visualização de programas, é bem mais fundo, tratam-se de escolhas, existindo bom senso as escolhas são bem capazes de ser outras. E ponto.

*

Este é o texto do tal autor que - e escrevo isto sem problema algum - tem um blog com uma qualidade acima da média. Pena é que não tivesse coragem de entrar no Delito, tivesse feito aquilo de interagir e tivesse dado a sua opinião. Duvido muito que alguém lhe mordesse. Eu não mordo, rosno por vezes, mas morder o meu dentista não me aconselha.




Maria Madeira, no Delito . As reticências deixam sempre muito por dizer. Suponho que, no caso, se refiram à dúvida de Madeira acerca das escolhas dos outros, essas tais escolhas individuais "porque cabe a cada um reflectir e fazer as suas próprias escolhas" longe do omnisciente "pai-Estado que me proibe fazer o que quero". E tudo estaria muito bem não fosse o caso de este ser um assunto que não se limita à escolha do visionamento de programas de melhor ou pior gosto, de reality shows ou de debates de futebol, de missas dominicais ou de jovens que se enfiam na cama uns dos outros e acabam ou à pancada, ou em actividades lúdico-sexuais. Na verdade, as reticências de Madeira nada mais não são do que um levantar de sobrolho de Narciso solipsista, confiando no seu julgamento enquanto desdenha da possibilidade de outros não se reverem na sua forma de pensar e, assim, serem apanhados na malha do "mau gosto". Sem essa intenção, é precisamente com reticências que a autora do texto justifica a existência – e a exigência – de um "pai-Estado". Esse "pai-Estado" é a entidade que, em vez de proibir Madeira de fazer o que quer – no caso, de assistir aos programas certamente de bom gosto a que assiste -, pode e deve proibir a emissão de programas que divulgam imagens de menores a serem "encantados" por uma espécie de Cesar Milan que, sendo psicóloga, afinal não exerce essa condição no programa, restando saber porque foi então escolhida para o programa televisivo, ficando esses menores sujeitos a uma escolha feita pelos seus progenitores ou tutores legais que, no exercício do que por ora parece ser o seu direito legal, revelam um mau gosto decerto não comparável ao de Madeira. Esse "pai-estado", na figura da Ordem, da ERC, e dos restantes aparelhos reguladores e legisladores, é a entidade que protege essas crianças da circunstancialidade moral que o "bom gosto" e o "mau gosto", que a "escolha individual" não protege. Este post não seria necessário se não houvesse por aí uma resma de Madeiras, dotados de bom gosto e clarividência, para os quais tudo se resume à escolha. Mas estão errados. A teoria do "Não gostas? Muda de canal." é apenas válida se nesses programas a escolha é tida como segura por todos os intervenientes, incluindo as crianças que, sabemos, não possuem nem idade nem estatuto para semelhante escolha e devem ser protegidas do mau gosto e imbecilidade dos adultos. Este post não seria necessário se o "pai-Estado" regulasse ainda mais a saúde da criança e o auxílio aos pais, e se estivesse de tal forma junto das populações que, em vez de ser necessário pagar à família os mil euros para aparecerem no programa, tivessem consultas e acompanhamento gratuitos nas escolas e nos postos de saúde, a tempo e horas. Por fim, este post não seria necessário se o púlpito efémero que é a Internet não oferecesse a oportunidade de narcisismo vazio que podemos ler no infeliz artigo de Maria Madeira. »

8 comentários :

  1. Imagine a estimada Maria que eu tinha lido o que foi escrito lá no Delito!
    Lá se ia uma tarde dernorteada sem saber o que fazer da vida.

    Ó Maria, mas 'atão' V.Exa. ainda liga a esses pormenores que, por serem menores, não chegam a merecer a nossa tão estimada atenção?!?!?!?!

    Pronto, acho que foi um desabafo. Digo eu que tenho a mania dos achismos e de dizer coisas.

    Não, não me peça para ler porque farto de coisas mal paridas estou eu.

    Vou deixar, aqui, um beijinho para si. Só para si. Pode ser? Seja!

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    1. Eu cá acho que tenho de começar a ser uma pessoa normal e deixar-me disto de letras escritas e de opiniões também elas escritas, uma mulher nasceu para cozinhar, coser meias, escrever poesia, falar de amor, de vernizes e de sapatos. No máximo é permitido tirar fotos de rosto, de corpo, a mostrar o quanto sou gira (cof cof cof e ainda mais um cof, tanta tosse neste ponto sei lá eu bem porquê). Tirar fotos a pratos de comida, ou melhor, a restos de comida que ficou no prato, são sempre fotos com uma qualidade superior. Fotos de viagens com o último namorado, antes do próximo que é bem capaz de ser mais fotogénico e, é sempre bom esfregar na cara das 'migas' o homem giro e musculado que tenho dentro da mala com janela voltada para o mar. E... e... fotos, só podem ser fotos com o botão respectivo onde se carrega para a sobrevivência do like. Likar é que está a dar, bom slogan este. Pronto, nada de palavras escritas, opiniões escritas que podem incomodar os senhores homens "bué" de intelectuais - não sei se se vão ofender por ter escrito "bué" como os adolescentes, se vão, que se lixe, a ver se não me esqueço de tirar uma foto também ao... lixe. Ai a minha vida! :)))))
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      Beijinho par si também, caro Observador, cá vou eu a caminho de um almoço-ajantarado :)

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    2. Caramba, Maria, deu-lhe forte! :)))))))))

      Em frente que atrás vem gente.

      PS em formato curiosidade: de que constou o almoço ajantarado?
      (recuso-me a usar hifens, 'prontes'!)

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    3. Dá forte e passa depressa :)))

      (foi peixe, a minha vida diária é pautada por peixe, devo ter sido animal que respirava por guelras na vida anterior e, vai daí, o destino que é isso de perverso, nesta outra vida, a presente, obriga-me a trincar a família anterior - isto não fez sentido, deve ter sido do vinho tinto... ahahahah)

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  2. Cá está uma das coisas que eu não sei comentar, e devia meter a viola no saco e ir cantar para outra freguesia, porque esse comentário é demasiado erudito para a minha ignorância, e como eu não quero ficar engasgada com ele, comentário, como o comentador ficou com as suas reticências, vou só dizer que gostei deste comentário aqui em cima e que gostei dessa de tirar uma foto ao lixe.
    Abraço

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    1. Cá nada de meter a viola no saco, Elvira, isso é um desperdício, a música faz bem à alma - pois, também não me parece que seja dada a isso da ignorância, algo me diz que a pessoa que está desse lado tem muito para ensinar às pessoas todas que estão deste lado. Feelings...

      Isto da critica não foi um comentário, foi (ou é) um texto escrito no próprio blog do autor (o texto é um link). Não me aborrece que me critiquem, acho, inclusive, que as criticas, criticas daquelas que são construtivas, ajudam-nos a crescer, a limar arestas. O que me aborreceu, muito francamente, foi o facto de as pessoas não terem a coragem de escrever o que pensam nos sítios certos dando possibilidade de resposta por parte de quem escreveu o texto, neste caso, eu.

      "como o comentador ficou (engasgado) com as suas reticências"... é muito bom :))))
      (o autor da critica só foi buscar ao meu texto a parte que lhe interessou, ou seja, a parte final, por isso é bom que o texto seja lido na íntegra)

      Abraço, Elvira.

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  3. Sim Maria muita gente lê tudo na diagonal deixando por vezes frases bastante assertivas.

    Uma opinião sobre o quer que seja não é uma imposição mas um mote para trocarmos ideias e na base que me rege: é tentar conciliar a minha forma de pensar com a forma dos outros, ou seja, uma opinião não é uma imposição.

    Gostei do teu texto no Delito e deixa-me que te diga que li e reli o comentário do senhor ou senhora não sei nem quero saber no "Inferno das boas intenções" e respeitando a opinião desse texto realço um parágrafo que arrasa com programas da treta que nada ensinam mas que mostram que ter um filho "complicado" tem muito que se lhe diga nomeadamente no universo dos "adultos" que a rodeiam:

    O que diz o tal senhor ou senhora:

    "Este post não seria necessário se o "pai-Estado" regulasse ainda mais a saúde da criança e o auxílio aos pais, e se estivesse de tal forma junto das populações que, em vez de ser necessário pagar à família os mil euros para aparecerem no programa, tivessem consultas e acompanhamento gratuitos nas escolas e nos postos de saúde, a tempo e horas"

    quanto ao resto é, e volto a repetir que respeito apesar de discordar, que o teu texto não me faz olhar para ele pensar que és tudo o que ele e ela verbaliza...porque uma opinião é tudo menos uma imposição.

    Não sei se me fiz entender e resumo que é para isso que existe os prós e contras em tudo na vida e o meu respeito para quem opina o que pensa sobre o quer que seja sem beliscar e chamar nomes um pouco impróprios que só fariam sentido se conhecêssemos olhos-nos-olhos, ou seja, na vida real e mesmo aí quantas vezes falhamos na análise sobre o outro.

    Beijocas e logo mais tarde venho ler o resto

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    1. Fatyly, ler na diagonal nada mais é do que ler à pressa e com essa pressa acabar por não interpretar o que realmente está escrito. Não interpretando, não lendo com atenção, sem saltar linhas, parágrafos, leva a que muitas vezes as pessoas comentem em modo "tiro ao lado". Ou seja, ou se lê com atenção, se sabe interpretar, ou mais vale não levar determinados textos para um contexto completamente diferente daquele que o texto possui. É por aí...

      É um homem o autor do texto, pelo menos é o que o perfil informa.

      Respeitando a sua opinião em relação ao que o autor do texto escreveu, eu tenho uma opinião diferente, acho que mesmo que o Estado se chegue à frente, existirão sempre pessoas, neste caso pais, prontos para entrar neste tipo de programa, formato, independentemente do facto de lhes pagarem alguma coisa ou não. Fosse a vida tão simples assim... As pessoas esquecem-se que o ser humano, estou em crer que muitos, mais do que o desejável, para além de dinheiro, gostam muito de exposição. Gostam de mostrar aos vizinhos, à família, que estão na televisão, sim, ainda somos assim tão pequeninos e sendo assim tão pequeninos, de nada vale um pai-Estado neste tipo de situações que esteja ali para proibir, se fosse por aí seria bem mais fácil acabar com a televisão de vez. Eu, que só sei que nada sei, mas nada me impede de dar a minha opinião, apostaria e, quem sabe, até ganharia, que mesmo existindo isso que o autor escreveu: "consultas e acompanhamentos gratuitos nas escolas e nos postos de saúde", aposto, escrevia eu, que seriam muito poucos os pais que iriam ter essa disciplina, no inicio, quando aquilo é novo, até que era capaz de funcionar, com o tempo, acabaria por ser esquecido. Caramba, se informam os pais para não levar os filhos pequenos a toda a hora para a urgência dos hospitais, a não ser em determinadas situações graves, porque pode ser mais perigoso para uma criança estar exposta a bactérias, vírus, nesses locais, do que noutro tipo de espaço com menos afluência de público, mesmos assim a grande maioria não quer saber e continua a fazer o que bem entende, só com isto dá para perceber que o que precisamos não é que digam a torto e a direito: tenham filhos muitos filhos, o pai-Estado cá estará para vos proteger... talvez se se mudasse esta postura e se passasse a educar os casais antes de terem filhos - educar, formar, talvez, e outra vez talvez, a mentalidade neste país mudasse e em mudando formatos de programas iguais a estes não seriam necessários. Eu acho que quando se tem filhos as pessoas são responsáveis pelos seus próprios filhos, não é o pai-Estado que o deve ser, o que deve existir é apoios a famílias com menores recursos financeiros no sentido de as apoiar naquilo em que precisam de ser apoiadas. E deixarmos de ser hipócritas, alguns pais nem sequer serão assim grandes pais, não querem saber dos seus filhos, tiveram-nos. Ponto.

      Fatyly, a critica é sempre positiva, não me chateia de todo, positiva desde que seja construtiva e não recheada de insultos, os portugueses, sem generalizar, são muito dados a isto do insulto, de chamar nomes às pessoas, somos muito básicos nesse sentido. Fui educada a ser contrariada, a não ter tudo o que queria mesmo podendo ter, a criticas bastante severas ainda naquela idade dos 7 anos, frequentei o ensino privado e o público. Ensino privado em modo externato, mais tarde colégio interno, ambos de uniforme e com regras rígidas, pago mensalmente na íntegra pelos meus pais. Mais tarde no ensino público, portanto aprendi a ver a vida através de duas lentes. Talvez seja por isso que sei perfeitamente distinguir gente que pretende apenas derrubar e gente que não se importa de nos estender a mão e dizer, olhando-nos nos olhos, se calhar o caminho não é por aí. Posso fingir que não vejo, não percebo, mas vejo e percebo muito bem, olho é para o lado como se um passarinho roxo me cegasse por instantes.

      Tenha um óptimo sábado :)

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