quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A Catarina Furtado põe-se a jeito e, depois, olha, os comentadores não a poupam

Falo dos comentários nos jornais online, não os comentários das páginas pessoais das figuras públicas. Por vezes os comentários dos jornais online são quase como que um esgoto a céu aberto, noutros casos existe gente que comenta e as opiniões para além de desconcertantes, muitas das vezes são bastante lúcidas.

Neste caso do  texto publicado por Catarina Furtado, texto sobre a guerra na Síria, é mais do que evidente que aquilo soa um pouco a vazio. Que me perdoe a Catarina mas não entendo a razão de se publicar uma foto de uma criança a chorar, a aflição estampada no olhar, o rosto sujo de sangue (parece-me), escrever que está muito preocupada com o assunto, que o mesmo não deveria ser ignorado por ninguém - como se isso fosse possível - e entretanto ficar-se por ali à espera que caiam likes. É ou não é essa a finalidade do(s) Instagram(s) desta vida? Coleccionar likes no sentido de atirar à cara do restante mundo o quanto somos fabulosos?

Sem grande demora os likes tendem a cair em catadupa ao lado da foto da criança de olhar aflito, crianças de um mundo em guerra que não sabem o que é isso do Instagram onde consta a sua foto, onde muita gente que mora em Portugal faz questão de nos dizer que temos de nos chocar, manter informados e atentos, entretanto vão à sua vidinha e esperam que durante o dia o Instagram engorde de likes e comentários espelhando o quanto são fantásticos porque fizeram questão de se incomodar com a guerra na Síria que está lá longe - muito pertinente a foto de Catarina Furtado que acompanha esta notícia, diria que é o oposto da foto da criança, mas pronto, cada um mostra o que tem. Uns mostram felicidade e outros mostram tristeza Nada contra, apenas uma mera constatação.

Estas são as grandes aflições da actualidade, aflições diárias:
1. Se o Instagram tem sucesso.
2. Sucesso é igual a 425 comentários.
3. Sucesso é igual a 9.671 gostos.

Os gostos ou likes, é como se quiser, vêm recheados de aflições, de preocupações, acerca da guerra na Síria e essas enormes preocupações balofas de inércia traduzem-se em indignações abraçadas a coraçãozinhos e carinhas a chorar, muito. Coraçãozinhos encarnados, turquesa, verdes, amarelos... Também há bonequinhos com palminhas, deve querer dizer que aplaudem alguma coisa que agora se me escapa.

Entretanto termino este meu singelo texto em forma copy/paste de um comentário muito assertivo de alguém que reagiu ao texto de Catarina, comentário que muito gostaria que Catarina Furtado respondesse:

"A questão é se a realidade do Iémen, da Palestina, da Líbia, do Iraque, do Afeganistão também a chocam, ou é só a realidade da Síria? É que não me lembro de ter lido algo sobre estas realidades...."

E é isto. Ámen!

8 comentários :

  1. O comentário é mesmo assertivo e espelha o que eu penso.
    Sim, por onde tem andado a Catarina (e não só)?

    Estou a ficar sem pachorra para esta gente que se diz figura pública e, vai-se a ver, tresanda a parvoice.

    Instagram ... isso é alguma coisa que se coma? ;)

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    1. Lá está, nem tudo o que existe nas redes sociais é mau, por mau leia-se pessoas que comentam e pessoas que escrevem - seja o que for que escrevam -, este comentário que arrastei para o texto é prova disso. Tivesse a Catarina coragem para tal e respondia ao senhor em questão, duvido muito que tenha. Existem figuras publicas (sem generalizar), que só andam mesmo à caça de likes, que lhes digam o quanto são fabulosas, quem ousar dizer o contrário, enfrentar, são rotulados de gente invejosa. Ou seja, temos figuras públicas muito inseguras no nosso panorama televisivo, não aguentam ser contrariados, não aguentam uma critica, chego a pensar que não sabem, ou não querem, distinguir uma critica construtiva de uma destrutiva. Apenas querem e exigem ser bajulados. Com um bocadinho de sorte até são capazes de intimidar as pessoas que emitem opiniões, género: sei quem tu és, uhhhhhh... Que medo! Desde que as pessoas que se encontram atrás de um computador sejam honestas, nunca tenha matado ninguém, roubado ninguém, que tenham sempre cumprido com as suas obrigações fiscais, desde que tenham trabalho, claro; que nunca tenham perseguido ninguém com o intuito de algo pouco claro, ninguém tem de se sentir intimidado por ninguém. Vivemos num estado democrático, acho, por vezes até chego a duvidar...

      (eu cá acho que as pessoas em modo carneirada que vão ao Instagram de figuras públicas e, neste género de notícias, colocam muitos bonequinhos a acompanhar um comentário, conseguem engordar essa coisa da parvoíce até à quinta casa decimal; não é o Instagram que deveria ser comido, era mesma a parvoíce do ser humano mais as palminhas dos bonequinhos)

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  2. Há mais uns quantos comentários muito assertivos e achas que ela irá responder? Não acredito, porque o que mais interessa às Catarinas e Catarinos deste país é dos tais likes para justificar a sua enorme dor perante um dos muitos cenários de guerra (não fala em resoluções, como é Dª. Catarina?) e ou justificar o salário que ganha? Por lá não terão nenhum meu. Melhor dizendo ou querendo mostrar que os portugueses não se preocupam. É só blá-blá trinta e um de boca eu quero é "resoluções" e ela que venha falar comigo que lhe darei algumas. Possas...

    Como "Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA" (que nunca entendi este trabalho) e como Presidente da Associação Corações com Coroa (também não conheço)...jamais deveria mostrar o seu sorriso (não sei se consta lá no Ins-não-sei-o~quê com a foto da garota...humanos que nascem, crescem, vivem e morrem no meio da poeira bélica.
    Admiro mais todos aqueles que contam o que viveram nesses teatros em que tudo fizeram em prol de seres indefesos, como há dias ouvi uma jovem a falar e o seu olhar dizia tudo. Mas lá está não interessa passar em horário nobre!

    Enfim!

    Uma boa noite de chuva, precisamos dela como pão para a boca!

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    1. Eu sei, Fatyly, que existem mais uns tantos comentários assertivos e muito incisivos, só que, achei por bem só trazer este, este que me parece que a Dóóótora Catarina deveria responder, só naquela de percebermos se só anda à cata de likes para alimentar, alindar, o seu Instagram, ou se realmente se interessa, lhe rouba o sono, a tranquilidade, todas estas guerras que tiram a vida a milhares de pessoas.

      Esses títulos pomposos de "Embaixadora" de não sei o quê, e de "Presidente" de não sei que mais, nada me dizem, talvez façam a cabeça andar à roda de meninas de 18 anos que idolatram figuras públicas sentadas em cima de remunerações pagas por todos os portugueses, sejam ricos, remediados ou pobres. Estava na altura de isto também mudar. Tem toda a razão na parte em que diz: "justificar o salário que ganha". Se ainda a víssemos todos os dias a fazer um qualquer programa, muito bem, só que, pelos vistos, aquilo para não cansar é só de vez em quando. Bah!

      Devemos ser todos uma cambada de inbejoooosos, é o que dizem sempre que se critica algo, é inbejoooooosa. Caramba, somos mesmo muito básicos, até nos argumentos aquilo só chega para dizer que é inveja. Pobreza! :)))

      Tenha também uma boa noite, Fatyly, isto há dois dias que não pára de chover, eu cá acho que a natureza neste momento bate palminhas de contente, vê, aqui é que o bonequinho das palminhas fica bem ;)

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  3. Bom dia. Totalmente de acordo com o texto. Não havia necessidade.
    .
    * Soneto escrito no escuro ... em versos de luz sombria *
    .
    Deixo um abraço amigo

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    1. Bom dia, Gil,

      As figuras públicas têm, a meu ver, uma responsabilidade acrescida, se se debruçam em textos desta natureza, a superficialidade tem de ficar, obrigatoriamente, de parte. Esta publicação de Catarina Furtado é uma publicação, um discurso, à Miss. É uma coisa para ficar bem na fotografia, no Instagram. E é isto que se passa nos dias que correm nas páginas pessoais das 'nossas' figuras públicas. De algumas, muitas.

      Abraço para si também.

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  4. Gosto muito quando a Catarina Furtado se põe a jeito. Na verdade, aprecio muito quando toda e qualquer mulher se põe a jeito. ;)

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    1. Quer-me cá parecer que esse jeito de que gosta muito, é bem capaz de ser um jeito bem diferente daquele que alguns comentadores do dito jornal não gostaram nada :))

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