segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Raquel Varela e a química das coisas

Raquel Varela, investigadora, historiadora, escritora e mais do que assumida mulher de esquerda, dizia no último programa de comentário na RTP3, "O Último Apaga a Luz",  a propósito de um tema que está na ordem do dia, que não percebe as pessoas que separam a formação de uma criança dizendo que em casa se educa e na escola se instruí - não me lembro se foram exactamente estes termos os usados mas a ideia era esta. 

Ora eu que até discordo e sempre defendi que a educação passa exactamente pela separação de poderes, não que, sem isso, não deva existir uma unificação desses mesmos poderes, fiquei ali a ouvir atentamente Raquel Varela. No final o efeito foi contrário ao que era suposto, não alterei em nada a minha forma de pensar, apenas ouvi uma pessoa que pensa de forma diferente, e ainda bem, mas esse pensar de forma diferente não me convenceu.

A educação a que me refiro, aquela que passa pelos pais - e é aqui que se centra a minha opinião, nos meus pais, mais concretamente na minha mãe - terá a ver com a formação do carácter, os valores, princípios, regras, civismo, aqui a família, aquela que se encontra em casa, é lei, dá as bases, os alicerces, e como que nos empurra com sabedoria para enfrentar o outro lado da vida que está prestes a começar - a escola. Quando uma criança chega à escola já com estas bases, os professores terão, penso eu, todo um trabalho facilitado e aí poderão concentrar-se naquilo que a escola melhor faz, ou deveria fazer, ensinar, não ensinar a dizer obrigada, se faz favor, com licença, ensinar matemática, história, português, física e química. Cá por coisas muito minhas diria que é fundamental que se perceba de química...

4 comentários :

  1. Concordo mais contigo do que com a Raquel, porque as bases de uma educação deve vir de casa e a escola ser um local de aprendizagem.

    Essa educação tive-a dos meus pais e passei às filhas em dose dupla e elas agora passam aos meus netos em dose tripla:))

    Mas infelizmente os da minha geração poucos passaram esse testemunho e tentaram dar tudo, mas tudo o que não tiveram. Esse tudo tornou-os imaturos, o NÃO foi abolido, o ESTUDAR e ou fazer os TRABALHOS DE CASA já era e crescem apenas com ferramentas nada seguras daí os que agora rondam a casa dos 30/40 para não falar menos é o que se sabe.

    Finalmente temos crianças com pais separados que sabem separar as águas mas quantos andam em guerras e nem sequer se preocupam com os filhos? Onde fica aqui a educação? Depois é a precariedade que apesar do apregoar do crescimento económico que é bom...o emprego jovem é assustador e desanimados ou sem as tais ferramentas de "faz-te à vida" que não lhes foi dada na devida altura...tolda-lhes as ideias e se eventualmente têm filhos estes é que pagam.

    Há professores e professores e com esta "bomba" a tarefa dos mesmos não deve ser nada fácil, mas muitos conseguem fazer autênticos milagres.

    Não sei se me fiz entender mas vejo comportamentos de bradar os ceús!

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    1. Gostaria de me lembrar quais foram as palavras exactas que Raquel Varela usou para argumentar, mas não me lembro de facto, de qualquer forma é sempre possível ver o programa no site da RTP ou na net.

      Na minha opinião, e já percebi que a Fatyly também vai por aí, tem que existir uma diferença na distribuição de papéis, digamos assim, os pais educam, transmitem valores (isto se os tiverem, porque não tendo também nada pode ser transmitido aos mais pequenos...), e a escola tem outro tipo de papel. Isto sem qualquer tipo de rigidez associada.

      Felizmente temos excelentes professores - também os há medíocres, é bem verdade, mas isso é como em todas as profissões, ainda que eu ache que nesta profissão a coisa teria que ser mais criteriosa.

      Tenha uma boa tarde, Fatyly.

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  2. A Raquel, que me encantava a princípio, desiludiu-me rapidamente.
    Não vi/ouvi o que está em questão, não posso por isso comentar.
    Raquel é capaz de tudo, do muito bom ao muito mau. Mas a ... m**** da política!|!!

    Saudações ribeirinhas a partir da melhor margem do Tejo ;)

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    1. Pois, caro observador, não tenho como não subscrever este seu comentário. É bem capaz de ser verdade a parte cheia de asteriscos e colada à política. É uma pena que assim seja.

      (isso é discutível, não sei se é a melhor margem, mas que tem umas partes muito boas, lá isso tem :)

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