quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Porque é que o caso da IURD não teve o mesmo impacto que o caso Raríssimas nas chamadas redes sociais?

A polémica em torno do caso Raríssimas acendeu até as mais altas esferas, já o caso IURD não causou sequer nas chamadas redes sociais que, ao que parece, tudo incendeiam por vezes, um terremoto de fraca magnitude. 

Isto, para quem diz que as redes sociais só gostam de polémicas, alimentam-se de polémicas é, no mínimo, estranho. Ou então tem uma qualquer explicação que me ultrapassa.

Não faço a menor ideia se se incendiou lá para os lados do Facebook - não tenho Facebook, gosto de me manter o mais possível longe de queimadas descontroladas - ou se muita gente, tal como eu, não entende uma suposta igreja que pede um tal de dízimo (portanto um décimo do ordenado, pensão, penso eu) às pessoas. Pessoas essas que serão pessoas, muito provavelmente, já com fracos recursos financeiros. Pessoas muito debilitadas a todos os níveis. A debilidade de alguns é a fonte de rendimento de muitos. Não sei, digo eu que por vezes me dá para dizer coisas sem ter a rigorosa certeza de coisa alguma. Apenas certezas de realidades que me entram pelos olhos adentro sem pedir licença nem nada.

15 comentários :

  1. Vossa Excelência refere, apenas, as redes ditas sociais. 'Atão' e a comunicação dita social?
    Ora, atentos que estamos (quase) sempre, percebemos que nem nela, comunicação tal e coisa, o assunto IURD teve o mesmo impacto.

    Pois ... não pense muito por causa dos neurónios :)))

    Beijinho, sim?

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    1. Os meus neurónios só se recusam a funcionar em anos bissextos, e mesmo assim é só e exclusivamente no dia 29 de Fevereiro, portanto, caro Observador e também excelência, eu tenho uma muito má notícia para lhe dar, cingi-me apenas e só às redes sociais porque, dizem as más línguas, que todo o mal que cai sobre o mundo neste dado momento é culpa das redes sociais, vai daí, voltei-me para o meu neurónio-mor, o pensador one e questionei em alto e bom som: ó ó neurónio-mor, como é que é... como é que não é, achas que a comunicação social esteve atenta ou não a este caso da IURD? Fez-se um silêncio assustador nos aposentos do neurónio-mor, seguido de um dedo apontado em direcção à porta, na porta estava uma tabuleta com uma inscrição que dizia: não incomodar, ponha-se a milhas - e eu pus-me.

      Não sei se o esclareci :)))

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    2. Perfeitemente esclarecido.
      A sua sorte foi haver uma porta. Imagine que se tratava de um sem abrigo, como iria o pobre coitado resolver a coisa, sem porta nem nada.

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    3. Entrelaçando palavras... E o que é que o caro Observador me diz sobre o dízimo?

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    4. Dízimo? Algo parecido com o que alguns políticos dão para o partido ir sobrevivendo, coitado.
      Ooppss, isto não era para dizer.

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    5. Xiiii, onde isto já vai, já está à porta dos políticos de seu apelido coitados :)))

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  2. Pois é.
    Eu tenho FB, mas como passo muito tempo sem lá ir, e quando vou é mais numa de dar notícias à família e amigos, e voltar, não sei se provocou ou não, alguma reação, mas não vi nada nas vezes que lá fui.
    Abraço

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    1. Parece que o Facebook funciona como um género de barómetro nos dias que são presentes. Se não está a arder no Facebook é porque não aconteceu nada digno de apontamento. Ora, isto é muito oco, mas pelos vistos o mundo pula, avança, e até gosta.

      (Facebook pessoal e privado parece-me bem para quem tem família e amigos longe...)

      Abraço, Elvira.

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  3. Que o caso Raríssimas tenha suscitado uma onda gigante de indignação, é super, mas super justificado. O que se passou foi, simplesmente, obsceno, tendo em vista os verdadeiros prejudicados naquela "paródia".
    Nem encontro palavras que digam da minha revolta perante a falta de tudo, desde dignidade, honestidade, respeito - ainda haverá por aí reste-a destes valores?! - pelos Outros, muito particularmente quando esses Outros são pessoas que já tiveram/têm, da vida, um "bónus", mas ó que "bónus"!...

    A IURD? Ouvi há dias um debate, na RTP, no programa 21ª Hora, intitulado o "Segredo dos Deuses" moderado por José Alberto Carvalho que vale a pena ouvir. Não sei se ainda estará acessível, mas se estiver, Maria, não perca. As "pedradas no charco" foram muitas, qual delas a mais inquietante.
    Há ali muito "paninho para mangas", a começar pela acção/responsabilidade da Segurança Social. Então as crianças estavam-lhes entregues e não souberam o que lhes sucedeu, para onde foram, nada? É como se tivessem desaparecido no nada? E os Tribunais? Se puder veja o programa, garanto-lhe que vai ficar muito, mas muito surpreendida. :(
    Na Raríssimas a responsabilidade maior é de uma pessoa, ou melhor de um grupo relativamente restrito, na IURD o caso "fia mais fino". Porquê o quase silêncio? Só isso já não dá que pensar?!
    Pobres crianças que caiem nas "mãozinhas" amorosas de gente daquela. Tirar uma criança à mãe porque as senhoras Assistentes Sociais acham que é melhor para ela, criança? E falam no superior interesse das crianças? Mas qual "interesse superior"? Uma coisa é a criança ser maltratada, seja qual for o mau trato, outra é retirar a criança, quantas vezes separar irmãos, levando uns e deixando outros, vá lá saber-se qual o critério, alegando falta de recursos económicos daquele agregado familiar, ou mesmo da mãe quando o marido, companheiro, seja o que for a deixou.
    Ui, Maria, só de falar nisto fico numa agonia sem nome!

    Tenha uma boa noite, Maria.
    Beijinho.

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    1. No caso Raríssimas, como bem escreveu, é 'super justificado'. Penso que o país e as pessoas que cá moram, desta vez colocaram a sua indignação no sitio certo. Ponto.

      O caso IURD - Segredo dos Deuses - foi, ou é, uma investigação da TVI e não da RTP, peço desculpa, GL, achei que deveria corrigir esta parte. Quem esteve à frente da investigação, as suas autoras, foram as jornalistas Alexandra Borges e Judite França, quase sempre, ou mesmo sempre, penso eu, moderado por José Alberto Carvalho, como escreveu. Eu vi algumas, vi até onde consegui, admito que não gosto muito daquela parte onde estão pessoas escondidas, sob anonimato, sei que estão no seu direito, mas, não sei... Também sei que é necessário dar voz a pessoas que passam por situações extremamente difíceis, mas existiu algo naquelas entrevistas às pessoas que me afligiu, afligiu porque passou a sensação de ser muito forçado. Talvez tenha sido impressão minha e só minha, admito. Já fui fã de José Alberto Carvalho, já não sou tanto, acho que mudou bastante. A sua forma de moderar é um pouco cansativa no que a este tipo de entrevistas diz respeito.

      A Segurança Social anda a falhar em várias frentes há já algum tempo. Isso qualquer pessoa mais atenta vê. Ao longe. Ao perto então é melhor nem falar.

      Essa frase do 'superior interesse da criança' tem a capacidade de me tirar do sério. Não se vê nada de superior em muitos casos, antes pelo contrário. Tenho para mim que ser criança nestes dias e tendo nascido em meios muito desfavorecidos é capaz de ser do mais assustador possível. Até para nascer uma criança tem que ter um pouquinho de sorte...
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      Para si também, GL, tenha uma boa noite.
      Beijinho.

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    2. Tem razão, Maria, a investigação foi da TVI e não da RTP como, por lapso, referi.
      Agradeço muito a rectificação.
      É caso para dizer: "o seu a seu dono".:)
      Quando o alvo do assunto a debater são crianças...?! :(

      Bom Domingo, Maria.
      Beijinho.

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  4. Ambos os casos são muito diferentes pelo que sei, ouvi e li.

    Quanto à IURD é algo muito sensível, o tal extremismo que me tira do sério em alto grau sobretudo e ou no que toca a adopção de crianças. Foi falado na tv, nos jornais e por aqui muitos artigos de opinião em blogues.

    A Segurança Social há muitos e muitos anos tem sido o patinho feio da função pública e associações, igrejas, e sei lá mais o quê...fazem coisas com procedimentos inconcebíveis sobre quem tem menos e ou por outro motivo que a meu ver...tem água no bico! Para casos iguais atitudes diferentes e depois as mães ou os pais querem os filhos de volta porque fizeram tudo que lhes ordenaram, como as famosas condições de habitabilidade etc, etc e os filhos já eram!

    Incomoda-me imenso todo este novelo inconcebível e jamais entrar por meandros obscuros que todas as religiões as têm e pobre crianças que depois de serem adoptadas são devolvidas ao remetente como mera "mercadoria".

    Agora estão a investigar e deveriam eram investigar todos os cantos/cantinhos/túneis que envolve a retirada dos filhos ao pai ou mãe e muitas vezes à família como tios, avós etc, etc. A troco de quê? Quem ganhou com este processo?...

    Maria fico por aqui porque é um assunto que me incomoda muito pela inércia de quem manda, porque quem não trata bem o futuro que são as crianças...está tudo dito. Não me venham com cantigas!

    Um resto de bom dia

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    1. A Fatyly escreve 'muitos artigos de opinião em blogs' no caso IURD, eu admito que não li rigorosamente nada, talvez um ou dois blogs tenham tocado no assunto, só que isso comparativamente ao caso Raríssimas é praticamente zero. Ou mesmo zero. Enquanto o caso Raríssimas se tornou viral, digamos assim, o caso IURD pouco ou nada foi falado, debatido.

      (vou pedir um favor à Fatyly, se entretanto conseguir pode deixar aqui os nomes dos blogs que falaram da polémica em torno da IURD, se se lembrar ?)

      Ainda não percebi quais são os critérios para se ser isso de Assistente Social. Aliás, existe muita gente a trabalhar em Instituições ditas Sociais que transpiram intolerância, autoritarismo, frieza, calculismo... quando eu pensava que neste tipo de funções as pessoas antes de tudo o resto deveriam ter uma queda natural por pessoas, a tal humanidade muitas vezes inexistente. Existe muito caminho por fazer nestes caminhos de Portugal. Muito trabalho, muita mudança que se quer urgente.

      Tenha um bom dia, Fatyly.

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    2. (como pedido, Fatyly, não publicarei o seu último comentário)

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