sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Nós, as mulheres, somos umas chatas - chatas quando tratamos os homens como filhos e não como homens

Umas das coisas - talvez das poucas, não sei bem - que posso dizer que me orgulho de ter mudado foi ter dado um passo atrás a tempo, a tempo de conseguir sair do patamar de chata em relação aos homens. Sim, também eu já fui uma tremenda chata, era de uma forma inconsciente, essa parte também é verdade, mas isso não me retirava o rótulo de chata. Passo a explicar a razão.

Não tenho filhos, nunca irei ter, não porque não queira mas porque a vida assim o ditou, e se existe algo que não pretendo contrariar é a lei natural da vida, das coisas. Não dramatizo, não faz parte de mim como mulher dramatizar. Se algo ou alguém me diz: lamento, Maria, mas ser mãe de forma biológica é algo que terás de colocar de lado, terás de arranjar uma alternativa... Eu sento-me tranquilamente, penso em tudo e, neste caso específico, adoptar pareceu-me uma excelente alternativa. Não pertenço ao grupo de pessoas, mulheres, que se diz incapaz de adoptar uma criança de outro alguém porque não é a mesma coisa do que ter um filho verdadeiro, um filho que cresce dentro do próprio corpo. Esta parte não entendo. Por um lado muitas mulheres dizem que os filhos não são delas, são do mundo, e por outro dizem que não conseguiriam criar como seus filhos de outras mães, de outros pais, existe aqui uma tremenda contradição. Por vezes dou comigo a imaginar que se tivesse uma criança e se a vida me levasse cedo demais, lá do sitio onde estivesse iria proteger a mulher, homem, que decidisse adoptar a criança que era minha, dar-lhe casa, comida, educação, formação, medicação, afinal de contas estaria a dar uma hipótese de sobrevivência a um ser que precisava de ser protegido enquanto não crescesse. Se eu já lá não estava, era muito bom saber que alguém iria estar lá na minha vez. 

(e não, não sou mulher para recorrer a barrigas de aluguer - não me passaria pela cabeça tendo uma irmã, ou mãe, que fosse a minha irmã ou mãe a gerar um filho meu, acho anti-natura, no entanto não me passaria pela cabeça condenar quem assim opta, ou optou; não sou mulher para me submeter a trezentos mil tratamentos que desgastariam a relação, antes de um grande amor por um filho tem de existir um grande amor pelo homem, o desgaste mata aquilo que não pode de forma alguma morrer)

Passada esta parte apenas importante para mim, mas que não tenho qualquer problema em partilhar com o mundo, diria que tendo uma mulher filhos ou não, existe algo que vem incluído no pacote de ser mulher, um lado todo ele maternal, que nos atira para o lado chato e tornamo-nos realmente chatas quando namoramos ou casamos. Passamos a tratar o homem por quem nos apaixonámos não como homem, mas como se fosse um filho. Não admira que os homens precisem de estar com os amigos só naquela de conseguirem respirar e sentirem-se novamente homens e não uns eternos "filhos" de alguém. 

  1. Os homens não precisam que lhes digam para vestir um casaco porque está frio, isso diz-se a um filho.
  2. Os homens não precisam que lhes digam para não apanhar sol porque faz mal, isso diz-se a um filho.
  3. Os homens não precisam que se leve um copinho de leite quente ao dormir, isso faz-se a um filho.
  4. Os homens não precisam que se lembre que precisa de tomar o comprimido para a constipação, isso faz-se a um filho.
  5. Os homens não precisam que se telefone a meio da manhã a perguntar se tomaram o pequeno-almoço, isso faz-se a um filho, aliás, um filho sai de casa já de pequeno-almoço tomado.
  6. Os homens não precisam que se diga: come mais um bocadinho, isso diz-se a um filho.
... e muitos mais exemplos existem... 


Tenho para mim que muitos namoros, casamentos, acabam por perder a piada, a paixão que deve existir entre um homem e uma mulher, porque as mulheres, sendo aquilo de chatas, matam aquele tipo de intimidade que fica diluída algures quando se passa a tratar um homem como um filho e  não como... como... de repente varreu-se-me a palavra.