segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Hoje vou voltar-me para o lado das pessoas que são contra os turistas e o turismo e não sei o quê

Existem muitas coisas que me fazem confusão, e esta de existirem pessoas neste país que dizem sentir-se muito incomodadas com os turistas que, parvos eles, decidem escolher Portugal como destino turístico e assim, parvos outra vez, eles, apenas eles e somente eles, ajudar a nossa Economia a crescer, é coisinha para me deixar cá com os nervos todinhos esfrangalhados.

Continuamos numa de ser pobres e continuamos a fazer questão de ser uns eternos mal agradecidos. O peso que o turismo tem na economia portuguesa, o facto de ajudar sobremaneira determinadas actividades ligadas a este sector, o facto de criar inúmeros postos de trabalho entre a malta mais nova, embora muitos desses postos de trabalho sejam sazonais, no entanto sempre ajuda e faz com que - olhai senhores os lírios do campo tão lindos e floridos - as capas de determinados jornais possam exibir em letras garrafais mais garrafais não há que, o desemprego continua a descer, sim, é verdade que desce, convém é riscar dali o continua, e prosseguir com a verdade mais verdadeira que se conseguir. A verdade que as pessoas que moram neste país conseguirem aguentar. Eu acho que aguentamos a verdade, acho, inclusive, que agradecemos essa verdade. Aliás, algo me diz que muitos de nós já descobriram essa verdade. É só um palpite.

Ah e tal - dizem muitas pessoas - não se aguenta ir ali para o Rossio, Restauradores, Av. da Liberdade, bairros típicos de Lisboa, bairros históricos e outros pontos turísticos onde se concentram resmas de turistas por metro quadrado, não se aguenta, dizem as pessoas extremamente incomodadas, a arfar, ouvir falar todas as línguas menos o português. Pois, até compreendo porque já constatei esse facto só que, pasme-se, não me incomodou rigorosamente nada. Os turistas não me atropelaram ao contrário de muitos portugueses que só não nos passam por cima porque lá nos conseguimos desviar a tempo; não me faltaram ao respeito em nenhuma ocasião, ao contrário de muitos portugueses que andam cada vez mais agressivos, com vontade de pegar em armas à menor contrariedade e enviar-nos com selo colado na testa desta para melhor, ou pior, depende do ponto de vista de cada um. 

Qualquer coisa me diz, mas essa qualquer coisa pode estar em dia pouco iluminado que, se as pessoas não estivessem sempre enfiadas em centros comerciais e se voltassem mais para frequentar as ruas da cidade, museus da cidade, esplanadas, restaurantes, teatro, concertos e coisas semelhantes, talvez, talvez e talvez, se começasse a ouvir falar numa quantidade mais equilibrada tanto o português de Portugal como outras línguas. Talvez.

(e não me venham falar dos ordenados que são baixos e não dá para ir ao teatro, museus e não sei mais o quê, porque as lojas dos centros comerciais continuam a facturar e bem)

E outra vez o chato do talvez. Talvez o problema não seja da quantidade de turistas, talvez o problema seja mesmo nosso e deste espírito pequenino, mesquinho, que continua a habitar em cada um de nós. Não me apetece sequer imaginar o dia em que as ruas, esplanadas... estarão vazias, ao abandono, por falta de turistas, imagino a quantidade de pessoas sentadinhas em casa com a sua manta nos joelhos, a ver novelas, a maldizer esta coisa dos parvos (no entanto menos parvos)  turistas a quem só lhes apetece visitar outros países que não Portugal.

(Portugal no seu melhor)

2 comentários :

  1. Eu gosto e sempre aceitei os turistas que por aqui são às resmas. A maioria do povo português continua a girar apenas em torno do seu umbigo e quantos dizem mal de tudo e de todos...uma tristeza que me tira do sério. As suas "vacances" são sempre lá fora e aos dois "pares-de-jarra-que-conheço-e-que-são-uns-...não-digo" se vão chatear os moradores de lá. Gentinha que em vez de neurónios têm tiquinha de galinha!APRE!

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    1. Fatyly, claro que em determinadas zonas da cidade de Lisboa os turistas são mais do que muitos, só que, daí a querer escorraçá-los, vai uma grande distância. Lá está, continuo a achar que somos pobres e tremendamente mal agradecidos. Se temos é porque temos, se não temos, é porque não temos. Raios!

      O que eu gostava que acontecesse é que existisse um trabalho jornalístico, sério, profissional, sublinhando pontos como o peso que o turismo tem na Economia portuguesa, os postos de trabalho que daí advém, as faixas etárias, se mais mulheres ou homens, remunerações, quais os pontos do país que mais são beneficiados e se existem mais num determinado local do que noutro, o que haveria a fazer para que existisse um maior equilíbrio, já agora, o que aconteceria se o nosso país assim de repente passasse a ter só meia dúzia de turistas por ano. Isso é que era! Ah, já agora passar em horário nobre.

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