quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

E valerá tudo para angariar dinheiro? Voltemo-nos para o mundo todo ele forrado a caridade

Antes de cair vertiginosamente neste assunto da caridade de braço dado com o vale tudo, assunto esse que não me parece nada do outro mundo, não fossem pequenos grandes pormenores, talvez ali a parte do braço dado seja o pequeno grande pormenor.

(vamos ao antes de: existem calendários em que muitos se despem, sejam bombeiros independentemente do género, sejam homens dados à agricultura, e até aqui nada de mais também, a questão que se coloca é que para se vender algo neste momento - ou não, se calhar o momento sempre existiu lado a lado com a passagem dos dias, dos anos - o apelo a toda uma libido está sempre em primeira linha; como se, vender e vender e tornar a vender, o que quer que queiramos vender, fosse o primeiro principio que se tem de ter em conta; não sabes vender? não te sabes vender? pois então o mundo tem uma má notícia para te oferecer: estás, ou ficarás, numa situação bem difícil, que é como quem diz... estás bem lixado!)

Passada esta parte, vamos à outra parte.

Rebentou um escândalo lá para os lados do Reino Unido, coisa que até agora parecia fechada a sete chaves, fechada a sete chaves porque os escândalos só se dão quando a luz do dia não pede licença e entra por ali adentro. Faz-se luz, portanto. E a luz tem esta coisa incómoda de colocar a nu tudo o que é para colocar a nu, o que, neste caso, até tem o seu quê de ironia em camadas letais.

Passemos ao cenário:
Imagine-se um jantar, jantar com o carimbo de caridade - caridade que significará esta coisa de sentir pena pelo sofrimento alheio e nesse sentir pena alguém quer, porque quer, ajudar. O altruísmo sempre foi uma coisa muito linda, gente que se dedica ao seu semelhante é coisa de valor. 

Passemos agora ao semelhante e ao valor das coisas:
O semelhante, neste caso do jantar com a finalidade de angariar dinheiro para um Hospital de crianças, era um semelhante com determinadas características, de entre elas teriam que ser mulheres "altas, magras e bonitas", e, já agora, que a um semelhante convém estar bem vestido - ou mesmo despido - segundo os códigos de bom gosto de homens poderosos que se enfiam em clubes privados, discretos, com a intenção mais linda de angariar dinheiro para os sofredores que habitam neste mundo, dizia eu que as semelhantes em modo hospedeira para ajudar no jantar, as altas, magras e bonitas, também teriam de usar "vestidos curtos e pretos, com roupa interior a condizer, e saltos altos". 

Ora bem. Ora bem. Ora bem. Ora bem outra vez. Ora... eu não vejo mal algum neste jantar, se as pessoas são adultas, se as mulheres contratadas leram os contratos, contratos esses ali tudo preto no branco, e assinaram. Se assinaram já sabiam que tipo de caridade era aquela. Se assinaram e no contrato não especificava que tipo de caridade era aquela, a coisa é pior, grave, arriscaria escrever - já escrevi - e sendo assim é aqui que entra o braço da justiça que convém ser aquilo de abrangente. 

Eu cá acho, e sendo o meu Carnaval outro, aliás, eu nem sequer sou pessoa de gostar de Carnaval nem de matrafonas, tão pouco de  "fona-mantras", que o submundo é também ele muito mais abrangente nos dias que correm.

By Jonal I:

(sempre que oiço falar em clubes discretos e homens influentes que fazem parte desses chamados clubes discretos, todo o meu interior, fígado e afins, se me agita, vá lá saber-se a razão)

16 comentários :

  1. Ao que parece, o jornalista do 'Financial Times' também é uma pessoa influente. Ou não e deram-lhe, tão só, a função agora muito na moda de infiltrado?

    O assunto não merece, da minha parte, nem um niquinho de esforço mental.
    Lá diz o outro, 'cada um come do que gosta'.

    PS - imagino que não era esta a intervenção que Maria esperava da minha parte mas os limões começam a escassear e a camomila já não é o que era :))

    Beijinho, excelência.

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    1. Não faço a mínima ideia de como funciona o jornalismo na parte do "infiltrado". Não sou jornalista nem nada, o que sei é que, se é para descobrir podres nisto da sociedade, pois que sejam influentes em trazer para a luz do dia coisas que só funcionam com toda a discrição pela calada da noite. Tenho para mim que, se se entrasse por aí não existiriam jornalistas que chegassem...

      Quando li a notícia vieram-me logo à ideia dois assuntos distintos. O primeiro é isto dos clubes discretos só reservados a homens, vi um dia um filme sobre o assunto, e espero que aquilo seja só ficção mesmo; o filme retratava um mundo de homens bastante poderosos e influentes, onde a temática recaía sobre conspirações, sem faltar esse, hoje em dia, tão banalizado tema do sexo. O segundo assunto é esse do assédio sexual, abriu-se um género de caixa de pandora onde cabe tudo, até situações que nada têm a ver com assédio sexual. Isto está um caos absurdo, talvez fosse boa ideia alguém muito influente tomar a iniciativa de explicar às pessoas o que é que é assédio sexual e o que é que não se encaixa no dito assédio sexual. O oportunismo também deu à costa por parte de algumas mulheres, o que pode colocar todas aquelas que sofrem ou sofreram de assédio sexual no verdadeiro sentido da palavra, numa situação meio descredibilizada.
      ...

      Vê, caro Observador, quando trago algum assunto à baila é porque realmente pensei bastante nele, o tal "esforço mental" :)))

      Beijinho para si também.

      PS: Eu cá não imagino nada, não me pagam para isso (eheheheh)
      (se quiser limões, avise, o limoeiro lá de casa está numa de quase desfalecer com o peso de tanto limão. E ó se gasto mais ou menos de dois em dois dias, com isto da água morna em jejum com meio limão espremido, limões que nunca mais acabam)

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    2. O jantar tem, por norma, um objetivo solidário. Sendo um evento muito discreto, o jantar nem costuma ser divulgado na imprensa, mas tinha como objetivo angariar dinheiro que revertia a favor do hospital de crianças Great Ormond Street, em Londres.

      Cada um procura a forma mais 'sui generis' de ajudar quem precisa. É que as crianças internadas no referido hospital precisam mesmo.
      E já agora, o infiltrado não era um mas sim uma.

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    3. Caro Observador, a minha questão não era essa, a minha questão era, ou é, como o próprio título indica, se valerá tudo para angariar dinheiro ainda que por ali se diga que tem uma vertente solidária. Essa é que é a questão...

      (dinheiro é dinheiro, bem sei, só que há dinheiro mais limpo do que outro... bem, esta agora saiu-me um pouco ao lado, vou sair de fininho, já fui, já cá não estou)

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  2. Nada disto me choca porque há "canos e canos" que existem eventos deste género...homens "sebosos com...enfim". Pela notícia há muito tempo que existe esta forma de "financiamento" e que a agência das meninas não teve qualquer queixa de "abusos". MORAL? ZERO!

    Palavras tuas:"não sabes vender? não te sabes vender? pois então o mundo tem uma má notícia para te oferecer: estás, ou ficarás, numa situação bem difícil, que é como quem diz... estás bem lixado!)" felizmente e digo isto com firmeza que há muitos e muitas que sabem vender mas que jamais se vendem, certo?:)

    Como ZERO será todo o desvio de dinheiro angariado ao e ou pelo povo para um fim e em Portugal há uma mestria nesta arte que é dose!

    Termino apenas dizendo: "lixados" estão todos os que mais precisam e sei bem a dor e força que se deve ter para estender a mão e ou pedir ajuda!

    É a minha modesta opinião sobre o assunto!





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    1. Olhe que não, Fatyly, parece que as jornalistas "infiltradas" presenciaram outro género de situação.

      Ora leia isto:
      "Segundo o “Financial Times”, na festa que se seguiu ao jantar, muitas destas acompanhantes foram assediadas sexualmente. No entanto, duas delas eram jornalistas do jornal e contaram depois na reportagem como vários homens puseram as mãos por baixo das suas saias e como viram mulheres a serem apalpadas, sujeitas a comentários lascivos e convidadas para irem para quartos."

      Ah, essas minhas palavras escritas são na base daquele ingrediente que muito gosto de usar quando escrevo, a ironia, nada mais.
      (eu não me sei vender, nunca soube, diz o meu pai que se eu me soubesse "vender", vender não no sentido pejorativo da palavra mas no outro sentido, estaria milionária, coisas de pai... sendo assim acho que estou bem lixada... :)))))))

      (resta saber se aquele dinheiro angariado para o Hospital das crianças - bolas, misturar este assunto e crianças é qualquer coisa de muito mau - vai ser entregue efectivamente a quem de direito)

      Modesta ou não é a sua opinião e isso é que interessa. Isto é interacção e é coisa saudável :)

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  3. Sim Maria como leio tudo também li isto na tal notícia, os infiltrados contarem na reportagem sem primeiro terem feito à Agência? Acho errado, mas o que li foi isto:

    "Da agência de onde vieram todas as hospedeiras também já foi feito um comunicado. “Isto é uma angariação de fundos importante, que já acontece há vários anos e envolve muito dinheiro. Há um código de conduta que seguimos e eu não fui informada de quaisquer comportamentos inapropriados, se assim fosse ficaria em choque”, referiu Dandridge, fundadora da agência."

    Eu percebi a ironia e olha que os quase 8 anos que trabalhei na loja dos 300 (nas minhas férias e depois de já estar reformada) vendia que me fartava porque pediam-me conselhos/opinião e eu sempre prontinha e até dizia o que era de facto uma "porcaria":)))) Não ganhei mais por isso mas ainda hoje há quem pare e me diga que sentem tanto a minha falta quando passam pela loja (hoje de chineses).

    Não tivesse eu a "carga que tenho" que há muito estaria a trabalhar, sim...trabalhar e não num emprego:))) tudo porque a vida por vezes troca-nos as voltas:)))

    Beijos

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    1. Assim falou a "fundadora da agência". Ora, Fatyly, outros interesses se levantam e há que protegê-los. Sei, fundadoras de agências deste tipo existem muitas, são como os chapéus e as pombas em cima da cabeça do Marquês de Pombal :)))

      Mas esse vender é directo, vender em lojas... este "vender" de que falo é outro. Por exemplo: vamos supor que eu era cantora, actriz, modelo... se eu não souber "vender" o meu trabalho, se não o souber promover, muito rapidamente fico para trás, ainda que o meu trabalho tenha qualidade. Penso que foi a Dulce Pontes, peço desde já desculpa se não foi, mas quase que tenho a certeza que sim, que um dia respondeu a um/a jornalista acerca da razão do seu quase desaparecimento da cena pública, qualquer coisa como: sabem onde estou, ou sabem o meu número de telefone, se quiserem... Pois, mas isto não é nada bom sinal, tem até uma pontinha de arrogância, e logo a Dulce Pontes que é dona de uma excelente voz, por vezes uma pessoa tem de fazer aquilo que uma pessoa tem de fazer embora não goste de o fazer porque senão... já era. Não sei se é o caso, mas a verdade e´que mal se ouve falar nela. O que é uma pena, a meu ver.

      Isso de trabalhar e emprego é a mesma coisa, é uma questão de semântica. Desde que seja remunerado e as pessoas executem a função para a qual foram destacadas, na boa. Entendi o que quis dizer, note-se ;)

      Tenha uma boa noite, Fatyly.
      (eu estou de "molho" em casa, caramba, há muito que não adoecia, já nem sei estar doente...)

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  4. Ao fim de dois anos, estou de volta :) Diga-se de passagem que é estranho e ao mesmo tempo engraçado. Espero que se encontre bem ;)

    Beijinho

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    1. A Alexandra??? Há tanto tempo que não a via por aqui. Dois anos é bastante tempo, seja então muito bem-vinda e espero que também se encontre bem.

      Beijinho para si também :)

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    2. Olá Maria,

      sim, foram precisamente dois anos ou perto disso desde a última que publiquei algo. Fiz um re-style no blogue e apaguei coisas que não interessavam ;) New year, new breath :)

      Beijinho

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    3. Ah, mas isso é coisa para se ver, amanhã dou lá um salto...

      Beijinho, Alexandra :)

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  5. Bom dia. Compadrios e cunhas, será que algum dia acabarão?
    .
    * Adejam pétalas ... como lábios se beijando *
    .
    Deixando votos de um dia feliz

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    1. Bom dia, Gil,

      A história do factor C, ou a história da cunha, sempre foi e sempre será um assunto que me tira do sério. Compadrios, idem idem aspas aspas. Acabar? Num filme de ficção talvez, na vida dita real, não me parece.

      Tenha um bom dia.

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  6. Há já alguns anos, numa altura em que a comunicação parecia uma menina de coro comparada à actual, houve uma criancinha portuguesa, salvo erro de nome Maria Armanda, que foi sucesso em cantorias europeias infantis com uma canção que começava assim: eu vi um sapo...
    De concreto não se sabe que sapos se engolem, desculpe, vêem, hoje em dia, mas parece que, encarnando a filosofia do "carpe diem" duma forma muito literal, muita gente não hesita em exibir sapos, elefantes, amêijoas, tigres..., desde que isso lhe afague qualquer coisa que, por pudor, se designa por indefinida.
    É o mundo que permitimos, é o mundo em que estamos. Oxalá, em nome da sobrevivência da espécie, seja breve.

    Um beijinho, Maria :)

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    1. Li este seu comentário três vezes, não pela razão de o não ter compreendido à primeira, mas porque transpira assertividade por tudo quanto é poro. Muito obrigada, está muito bem escrito, obriga-nos a pensar e é isso que mais faz falta nos dias que correm, numa era dada ao imediatismo, quem o contraria é rei. Vale ouro, portanto.

      Beijinho para si também, AC :)

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