quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Escrevo sobre o caso 'Raríssimas' muito à minha maneira

Também eu tenho acompanhado este caso 'Raríssimas' e, confesso, que me assustei um pouco quando fui dar a um jornal online e sua respectiva caixa de comentários. Dos inúmeros comentários, um deles chamou-me a atenção pela razão de ser um comentário na onda da barbárie, dizia o dito da pessoa em questão - a Presidente, Paula Brito e Costa - o seguinte: "Violar essa rameira e enforca-la no Terreiro do paço, juntamente com todos os maçons!". No mínimo assustador, isto. Embora se saiba que é fruto da diarreia verbal que muitas pessoas têm nas redes sociais, mais concretamente nas caixas de comentários de jornais online, não deixa de ser por isso, bárbaro.

Não retirando a enorme gravidade de toda esta situação e do desempenho nada ético, desonesto, desumano, corrupto, da sua Presidente, ou ex-Presidente, neste momento, pergunto à laia de quem não quer a coisa mas já querendo muito se alguém que apela à violência extrema, ao retrocesso, não se iguala de alguma forma àquilo que pretende condenar? A intenção aqui é apurar factos, investigar até à exaustão e aí, sim, ser o Tribunal a proferir a sentença. Fazer justiça pelas próprias mãos, ou mesmo que seja algo apenas dito da boca para fora, grita-nos que não estamos no caminho certo, tal como determinadas pessoas escolhidas para estar à frente de algumas instituições também não estão. 

Mais.

Não é entrar pelo lado da conta das gambas, do vestido de marca, do spa, ainda que seja muito fácil fazer piadas fáceis com essa parte, e escrevo isto porque se a malta for por aí, se as piadas se sobrepuserem ao lado sério da situação perde, ou vai perdendo, aos poucos e poucos a força. Essa é a parte que não se quer.

Ontem ouvi e vi atentamente a reportagem de Ana Leal ao secretário de Estado da Saúde, a parte em que entra na vida privada, em que pergunta se o secretário de Estado tinha algum tipo de relação pessoal com a Presidente da Raríssimas foi, no meu entender, uma parte irrelevante para todo este caso. Lá está, se se entrar por aqui as atenções também podem ser desviadas para um lado que não se quer, o que se quer é o essencial e não o acessório. Isto na minha opinião, obviamente.

De resto, acho muito bem que este tipo de jornalismo exista, só assim se vai destapando, ventilando, situações que exalam um cheiro nauseabundo.

16 comentários :

  1. Revejo-me totalmente na apreciação feita neste texto. A violência não leva a lado nenhum a não ser mais e mais violência. O caso da Rarissimas é nojento mas para fazer a devida justiça existem os Tribunais.
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    Poema livre (conheça o meu blogue)
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    O GRITO DO SILÊNCIO DOS AFLITOS.
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    Que a luz do amor ilumine o seu coração
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    1. É mesmo por aí, Ricardo, violência só gera violência, não me parece que a evolução que se quer, se precisa, seja feita nesse sentido.

      Tenha uma óptima tarde.

      ps: irei, com certeza, conhecer o seu blog um dia destes.

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  2. Eu quero, melhor exijo que se apure a verdade e se for culpada/culpados que paguem/devolvam o que usurparam.

    Também li comentários violentos num jornal que li e pensei o mesmo que tu porque violência gera violência mas há limites para tudo e sobretudo quando os tribunais não funcionam como devem e cujas sentenças é o que se sabe. Enfim!

    Voltando à Raríssimas o que mais me preocupa são os doentes, familiares e trabalhadores e se tudo for verdade nem quero pensar na tremenda pressão por que passaram.

    Mas digo-te Maria que há mais casos e não são tão raríssimos como isso e muitos já têm barbas, porque embora existam muitas instituições credíveis há outras tantas nada abonatórias. Tudo que meta dinheiro do Estado deveria haver uma fiscalização séria e ou a sério porque esta "madame" e segundo li, já tinha saído de uma outra pelos mesmos motivos! Pelos relatos já não seria muito normal (ou melhor já é uma normalidade neste país) o marido e filho trabalharem lá e que eram os olhos e ouvidos dela! Sempre que entrava e fosse onde fosse os empregados tinham de se levantar...tal "rainha da penúria ética e moral". O que temia? O que escondia?...Não sei e uma vez - a ser verdade - que já roubou e usou do que lhe não pertencia, para mim, quem rouba deficientes, quem trata mal os familiares dos mesmos, quem pede a um ou um funcionária para provocar mal ambiente a colegas para serem despedidos, quem trata mal os velhos "não deve regular bem da bola". Será mais um processo que irá parar a "nenhures" a ser junto a centenas que se arrastam pelos tribunais.

    Já disse aqui que tenho uma sobrinha com paralisia cerebral e sei bem o "calvário" que os pais passaram perante "tantas portas que se fecharam" e sobretudo com a falta de tudo por parte de directores e afins. Uma delas é bem conhecida na praça e termino dizendo:

    - Fundações e associações não levam um tostão meu, prefiro ajudar até onde os meus braços chegam.

    Um resto de boa tarde e obrigado por este momento que me causa tanta angústia.

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    1. Fatyly, é preciso não esquecer que existem muitas destas instituições (IPSS) que são credíveis, que têm à frente gente também ela muito credível, não se pode, aliás, não se deve, cair no erro, na tentação, de deixar de apoiar - quem pode, obviamente -, os donativos são necessários para que muitas consigam sobreviver, este é o lado mau deste tipo de situações, por causa de uma instituição, melhor, por causa de uma presidente com uma enorme falta de ética, não se pode colocar todas as outras no mesmo barco, quem acaba por ser penalizado são todos aqueles que precisam deste tipo de ajuda, sejam crianças, sejam pessoas de idade, sejam animais... o que quer que seja, temos que saber separar águas. Com certeza que aqui existe uma falha absurda por parte do Estado, é realmente necessário existir uma fiscalização muito rígida, apertada. Só que dizem que os políticos estão quase sempre 'metidos' neste tipo de instituições, vá-se lá saber a razão...

      A parte dos empregados, funcionários, nessa parte ainda muito há a descobrir, infelizmente o que mais existe neste país são chefias apoiadas na política do quero, posso e mando, chefias que tratam abaixo de cão os seus funcionários. Essa parte não é um exclusivo dessa muito pouco senhora presidente. O que dá para perceber é que tudo isto é muito triste. Quer-me cá parecer que nos próximos tempos e se der aos senhores jornalistas para entrar por alguns lados, ficaríamos todos de queixo caído com o que se esconde por aí.

      Tenha também uma boa tarde, Fatyly.

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    2. Claro que sim Maria há quem mereça toda a minha colaboração e ou credibilidade, o que faço quando há peditórios, rifas, etc e ou vou levar bens alimentares se for preciso.

      É tão fácil usurpar dinheiros públicos e a meu ver a fiscalização deveria ser feita sem aviso prévio, e já muitas vezes escrevi a governantes e até deputados para fazerem umas visitas surpresa a vários locais embora saiba que preferem ir com as caixinhas mágicas (tv). Resultou? Não!

      A sociedade deve denunciar mas sei bem que é difícil p'ra caramba porque temem que com isso façam das suas a quem não se pode defender.

      Bota tristeza neste caso e noutros que muitos já se esqueceram pelo tempo que rolam nos tribunais.

      A corrupção está por todo o lado e na maioria com políticos à mistura.

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    3. Completamente de acordo, Fatyly, a existir fiscalização tem de ser sem qualquer aviso prévio e sem deixar que passe demasiado tempo não vão alguns 'objectos' desaparecer em combate.

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  3. Há pessoas que fazem cada comentário mais estúpido...
    Só demonstra a qualidade dos seres humanos de hoje em dia.

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    1. Diana, li o tal comentário que referi no texto do Jornal Sol. Tenho este hábito de cruzar a mesma notícia em variados jornais, entretanto dou uma vista de olhos pelos comentários para perceber como é que cada pessoa analisa esse mesmo assunto, por vezes aquilo assusta.

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  4. E por que motivo se assiste a tantos e tão estúpidos comentários? Porque os órgãos de comunicação dita social abrem espaço para que os energúmenos cuspam o seu veneno.

    Estive bem não estive, caríssima Maria?
    Ó p'ra mim convencido :)))

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    1. Caro Observador, há quem defenda que não deve existir sequer moderação de comentários - portanto defendem a mui digníssima Republica das Bananas -, ou seja, é o mesmo que deixar a porta da nossa casa aberta para que tudo o que é psicopata, desequilibrado e outras coisas na onda de fofinhas, nos entre pela casa adentro. Seja a casa dita real, seja a casa dita virtual. Eu cá acho que nem sequer anónimos deveriam ser permitidos em plataformas digitais... Quer-me cá parecer que um dia destes vou dedicar-me a este assunto do quanto é conveniente para muitos, sejam eles blogs, jornais online e por aí fora, a existência de comentários anónimos, é capaz de ser engraçado colocar a nu algumas coisas. O mundo continua a abarrotar de chicos-espertos, a malta tem de ajudar o mundo a livrar-se deles, a deixá-los ir pelo cano abaixo :))))

      (se esteve bem? lá terei de pensar no seu caso... eheheh)

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  5. Ó Maria, valha-a Deus! Então chega aqui uma alminha, cheia de alegria por revesitá-la, à espera de uma recepção de bolinhos de amêndoa e um cálice de Porto, e o que lhe cai em cima é uma catrefa de "raríssimos" que de raros nada têm? Por favor, Maria, esperava muito mais de si!:)

    Sabe? Isto aqui para nós: raríssimos desses é o que há mais, quer por parte das ilustres que assim procedem, roubando como se não houvesse amanhã, dos jornalistas que colocam questões, ó, ó, super pertinentes vs inteligentes, como dos que comentam o sucedido
    com uma "dignidade" que comove, que me faz sentir ufana por pertencer à mesma sociedade dos ditos.

    E por aqui me vou, Maria.
    Tenha uma continuação de boa tarde!
    Os bolinhos e o Porto? Esqueça!:)
    Beijinho.

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    1. (a GL não avisou que ia aparecer e eu não tenho nada na despensa para oferecer, de qualquer forma passo o cálice de Porto porque não querendo de forma alguma retirar o mérito, não é bebida que aprecie :)
      ...

      Este caso da 'Raríssimas' é grave porque envolve pessoas com patologias raras, pessoas que dependem de outros para sobreviver, o problema é que neste momento também está a ser transformado numa guerra política, quando o que deveria ser a preocupação maior é, ou são, as pessoas, não as cores políticas. Ó raio de país!

      Beijinho para si também, GL :)

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  6. Concordo contigo e não o diria de forma tão correcta, mas a mim deixa-me cada vez mais sem vontade de dar seja o que fôr. Hoje fui a um café e um miúdo veio pedir para eu comprar um calendário ou pensos, eu disse-lhe que não, então compre-me um compal, e eu disse um compal não mas se quiseres um pão com manteiga compro, virou costas e foi embora...

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    1. Compreende-se, Marina, que neste exacto momento, com um assunto polémico, ainda muito quente (passo a expressão) em cima da mesa, muitas pessoas sintam esse desânimo, só que o foco tem de ser nas pessoas que precisam de ajuda de outros para conseguir sobreviver, neste caso pessoas com doenças raras.

      (essa parte do miúdo e do facto de ter virado as costas... também já me aconteceu algo nesse sentido ali na zona das Amoreiras, tinha acabado de fazer compras no Pão de Açúcar das Amoreiras, entre outras coisas tinha comprado pão, vinha eu a atravessar a rua para ir para casa quando um homem com um ar de quem vivia na rua me pediu dinheiro, eu disse-lhe que dinheiro não tinha mas se ele tivesse fome tinha pão ali no saco, tirei o pequeno saco de papel com o pão e entreguei-lhe, ele aceitou, fui embora, só que ia a meio da rua e resolvi olhar para trás, qual não é o meu espanto quando o vejo deitar o saco com o pão no lixo, naqueles caixotes de lixo que estão presos aos pilares junto às paragens de autocarro, fiquei para morrer, a partir daí passei a desviar-me sempre que alguém me pedia algo naquele sitio, é que me custou ver pão acabado de comprar ir parar ao lixo, eu fiquei sem o pão, sem o dinheiro e com ar de estúpida, senti-me realmente estúpida).

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  7. Raríssimas, as doenças,
    vulgaríssimos, os esquemas.
    Para uns (poucos), as avenças,
    para outros (muitos) os problemas.

    Que mais dizer?

    Um beijinho, Maria :)

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    1. 'Vulgaríssimos, os esquemas', nem mais.

      A última da senhora Paula Brito e Costa é qualquer coisa capaz de deixar uma pessoa boquiaberta, isto: 'sinto-me muito magoada com o meu país'. Mesmo quando derrotada, não temos como não achar que a senhora é boa, muito boa, pena que tenha enveredado por conduzir em contra-mão.

      Beijinho, AC :)

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