segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Encanitar rima com sensibilizar

Não era minha intenção voltar já a isto de escrever, embora sinta uma falta danada das letras, de escrever. Não está em questão se se tem queda para a escrita, se a queda pressupõe que uma pessoa antecipe, conscientemente, um suicídio intelectual. Só que uma pessoa não é intelectual nem nada, é tão somente alguém comum, com direito a opiniões que podem ir ao, ou de, encontro a outras. Não valem empurrões, valem opiniões, eu gosto e muito, de ouvir, ler, os outros. Aprende-se muito com o outro, embora por vezes se pense que mais valia ao outro estar calado. Mais me valia estar calada. Ou não. Adiante.

Isto tudo para escrever que, ontem, resolvi andar pelos caminhos de terra batida da blogosfera e debrucei-me na janela deste blog a propósito do tal jantar no Panteão Nacional.

Ponto 1. A minha opinião nada tem a ver com disputas políticas. 
Ponto 2. A minha opinião nada tem a ver com ataques disfarçados ao evento - Web Summit - a existirem ataques seriam contra mim por não ter conseguido ir, sou o mais possível a favor das novas tecnologias, ainda que ache que devem ser consumidas de forma moderada. Facebook será provavelmente o último canto onde alguém me verá a tomar um café, não gosto do provincianismo de alguns cafés onde o tema do dia é quase sempre a tal que se meteu com o marido da outra tal, que, tadinho, não tem culpa alguma, é homem e, já se sabe, um homem não é de ferro, e a uma mulher convém não ser de pau (pronto, foi um exemplo fraquito). Sim, Facebook nada mais é do que um café de província com a sofisticação, carimbo, do digital.
Ponto 3. Não consigo "celebrar" a morte, não saberia como fazê-lo, não sou isso de mente aberta para achar natural como a água fazer uma rave em cima da campa de alguém (sim, foi propositadamente exagerado). Gosto do silêncio que existe numa igreja, capela, vazia. É especial. Com isto não quero dizer que monumentos como o Panteão devam estar vazios, seria tolo dizer tal coisa, apenas digo que o mundo é muito grande e, existem, com toda a certeza, espaços do tamanho do céu capazes de se conseguir realizar jantares com tudo o que um jantar tem direito: conversa, barulho de fundo de talheres e copos, risos, gargalhadas, fotos e selfies. É uma questão de sensibilidade, de dignidade. Talvez sim. Talvez não. Deixem-me lá não ser moderna, nem mente aberta, nisto de gostar de separar situações.

4 comentários :

  1. Antes de dar a minha opinião digo-te que vim aqui para descansar um bocadinho porque estou esfarrapada:)) Estive a tarde toda a fazer 4 gatos com resto de tecidos para prenda de Natal dos netos. Estão ali perfilados para os pequenos retoques e acabamento.

    Como tal fiquei muito feliz por teres voltado...ó se fiquei (isto é de coração)!

    Vamos lá falar dessa confusão do panteão:

    1- Alguém perguntou em vida se quando morressem quereriam ir para o Panteão? Ou será mais para ego dos familiares? Poupem-me.
    2- Depois sendo eu oriunda de um país em que o culto aos mortos é feito com cantares, danças onde alinhamos com as "carpideiras, porque não rentabilizar um espaço para futuras manutenções? Todos os túmulos foram vedados e porque ninguém se manifestou aquando do lançamento do livro do tal Harry Potter em que a canalha miúda até brincaram às escondidas entre os ditos? Mudem a lei se assim o entenderem mas para mim tudo passa pela vergonhosa guerra política que se instalou no nosso país. No entanto respeito todas as opiniões mas não me demovem de pensar pela minha cabeça!

    Estou mais preocupada, para não dizer fula, porque por duas vezes fui com a minha mãe ao Serviço de Urgências do Hospital Amadora-Sintra para ver o seu pacemaker, com gasto de dinheiro acrescido...e GREVE! Já para não falar da sua imensa falta de mobilidade e desnorteada. Coitada dela e de quem é velho neste país!

    Estou mais preocupada com a falta de manutenção, limpeza, higiene dos hospitais e sobretudo com a comida das escolas (os netos já levam comida de casa)

    Estou mais preocupada com a tolerância da justiça perante casos gritantes A,B,C,D,E...que que saem em liberdade.

    Estou mais preocupada com a corrupção e falta de educação de muita gente!

    Estou mais preocupada com os vivos do que com os mortos e digo isto com todo o devido respeito e faz hoje 18 anos que o pai das minhas filhas partiu e sobretudo por ter ouvido palavras angustiantes de saudade da filha mais velha, já que que a mais nova não teve qualquer apego.

    Engraçado depois de ter escrito o que escrevi...fiquei mais leve e volto ao princípio mas em voz alta:

    Como tal fiquei muito feliz por teres voltado...ó se fiquei (isto é de coração)!

    Beijos deste camião TIR e desejo que não te tenha melindrado em nada!

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    1. Olá Fatyly,
      Vou começar pelo final do seu comentário porque é uma forma perfeitamente legitima para começar. Não se preocupe com isso de melindrar, a malta é crescida e ser crescido pressupõe ouvir opiniões diferentes das nossas e, argumentar, defendendo aquilo em que se acredita. Isto de acreditar não significa que as opiniões andem sempre de braço dado, por vezes andam mesmo de costas voltadas. O que gosto realmente é que não se baixe o nível quando se discorda de alguém, desagrada-me essa parte, disso não tenho qualquer razão de queixa da sua parte. Gosto bastante dessa sua espontaneidade, diga sempre o que lhe vai na alma, de gente hipócrita está o mundo cheio.

      Quanto ao assunto em questão, tenho para mim que esta minha opinião terá muito a ver com a situação que passei com a minha mãe, no seu funeral, lembro-me de ver gente que eu não conhecia de lado algum a destapar o rosto que estava coberto por um véu, aguentei-me durante um tempo, entretanto começou a crescer um grande desconforto, seguido de uma irritação que não é normal em mim, de uma tristeza descontrolada, de um género de dor que cega, leva tudo à frente, tiveram que me segurar para não pôr aquela gente toda dali para fora, só queria que deixassem a minha mãe em paz, só queria silêncio. Lembro-me de me ter sentado no banco corrido mesmo ao lado do caixão e não deixar mais ninguém levantar o véu. Isto pode não fazer sentido algum para muitos, mas é assim que vejo a situação, a vulnerabilidade da situação.

      (daí não entender jantares em locais destes, existem tantos espaços por aí)
      (e não, não sabia que era possível jantar no Panteão, não sabia que o Panteão também era um restaurante... ignorância da minha parte, admito)

      ...

      Aceite um beijinho e as melhoras da sua mãe :)

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  2. Gostava de comemorar o regresso da senhora que 'Amanhece Tardiamente' com um comentário contundente.
    Só que o tema não vale um caracol.
    Onde é que já se viu aqui o senhor que observa perder (mais) tempo a falar de uma situação que não tem ponta por onde se lhe pegue?
    Poderia sempre dizer umas coisas, atirar para aqui com uns achismos e tal mas não, é muita areia para a minha camioneta e para esse peditório já dei.

    Dito isto, saúdo o regresso de Vossa Excelência que já estava a fazer falta.

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    1. Seja muito bem-vindo caríssimo senhor Observador. Posto isto quero apenas dizer que tem permissão, toda, aliás, para "contundentar" o que bem lhe apetecer, aliás, eu sei que também não concorda lá muito com isto de jantares em locais denominados Panteão. Eu cá acho que o tema vale muitos caracóis, mas, lá está, a coisa descambou e acabou por ser desvalorizada. Vai na volta essa era a intenção de muitos que, sentindo-se desconfortáveis com a assunto, tungas, toca de desvalorizar. Cheira-me.
      ...

      Obrigada :)

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