sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Da perfeição dos dias (vou centrar-me ali nas fotografias perfeitas das redes sociais)

Li um artigo há algum tempo que abordava um tema interessante, isto na minha opinião, era sobre esta coisa das fotografias mais do que perfeitas que figuras públicas, e não só - também há as semi-públicas, ou seja, não são carne nem peixe, são lula - publicam nas suas chamadas redes sociais, essas mesmas fotos acabavam por gerar nas pessoas ditas comuns e sem vidas perfeitas, ansiedade e depressões.

E qual a razão dessas depressões, tristezas, ou lá o que lhes queiram chamar? A coisa passava por as pessoas ditas comuns, sem acesso a determinadas objectos, como viagens a locais paradisíacos, roupas caras de marca, sapatos ao preço de um T3 na zona mais central de Lisboa, cremes, perfumes, carros topo de gama, casas luxuosas e bem mobiladas, restaurantes com comida de primeira qualidade, se sentirem de alguma maneira umas autênticas falhadas, com a sensação de que teriam feito tudo errado na vida quando se põem a ver fotos destas nas redes sociais (as pessoas gostam de se iludir e a ilusão também tem custos elevados), se os outros tinham alcançado um determinado patamar em que tudo era perfeito e essa parte até se podia comprovar (será que se pode mesmo comprovar a perfeição dos dias, da vida, através de fotos?!), inclusive, nas fotografias publicadas no Instagram desta vida, no Facebook desta vida, elas, as pessoas ditas comuns só podiam estar a ter o que alguns gostam de dizer à boca cheia - ter o que merecem. Até me custou a escrever esta última parte, a parte do 'ter o que merecem', se neste exacto momento me decidisse aprofundar esta parte, este texto tornar-se-ia com um simples estalar de dedos num texto sombrio. Afasto-me a passos largos deste caminho, portanto.

Sendo assim:
Pessoas que ficam tristes, deprimidas, à beira do suicídio (estou a exagerar obviamente na parte do suicídio) com as fotos perfeitas que mostram vidas perfeitas, acreditem que as fotos apenas captam um segundo de vida. Um segundo nada revela, um segundo apenas abafa. O que quer que abafar queira dizer neste contexto.

Penso eu, mas admito que posso pensar mal, não é a primeira vez que me acontece e não será com certeza a última, que o amor também não se pode comprovar com fotos perfeitas nas redes sociais, com frases envolvidas em corações encarnados quase a cair no verde, gritando à camada de ozono: amo-te muito - vai na volta nem sequer se consegue dizer ao tal amor, olhos nos olhos, um simples 'gosto de ti', quanto mais um 'amo-te'. Estamos todos a precisar de um balde de água fria em cima para acordar. É melhor não, ainda me acusam de estar a desperdiçar algo em vão. Água morna? Também não? Pronto.


12 comentários :

  1. :))
    As pessoas são o que são, umas sentem-se bem como ovelhas, outras não.
    Mas, afinal, há rebanho, ou não?, questiona quem se sente confortável, em plena multidão, a ver para onde os outros vão. É que, para abrir o portão, ninguém tem cabelos de Sansão.
    Mas, afinal, há liberdade, ou não?, questiona quem supostamente tem vontade de acelerar, gritar, ultrapassar e outros ar, mas sem contribuir para o verbo sacrificar: basta-lhes comprar.
    Que raios, que está a acontecer ao mundo?, questionam outros, mais humildes, à procura de entender a desenfreada corrida de que todos padecem.
    Pois é, Maria, a coisa só não está preta porque transborda de facecoiso.
    Grato pela ironia, grato pela lucidez que teima em transportar consigo.

    Um excelente final de sábado :)

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    1. AC, aqui que ninguém nos ouve, admito que tenho muita dificuldade com isso dos mamíferos ruminantes de duas patas, perdão, de duas pernas com extremidades em forma de pés dentro de uns objectos chamados de sapatos. As ovelhas de quatro patas até são fofinhas e tal, andam lá aos saltos nas montanhas e não aborrecem ninguém, mas as ovelhas que se deslocam apoiadas sobre os dois pés, muitas delas sem qualquer tipo de verticalidade, vontade própria, opinião própria, irritam-me um bocadinho - acho que amanhã tenho de ir à missa pedir perdão ao Senhor por alguma franqueza que por vezes transborda sem que eu a consiga apanhar... a tempo :))

      (obrigada pelo seu comentário, quando lhe dá para comentar desta forma, não tenho como não gostar, muito)
      (o facecoiso - sem ser profissional, obviamente - é uma praga, caramba)

      Tenha um óptimo fim-de-semana :)

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  2. Ena pá Maria que bela bofetada de luva branca, desculpa, de pelica:))

    Sinceramente também tenho imensa dificuldade em entender esse pessoal de entrarem por caminhos obscuros só porque não têm acesso ao mundo de muitos, o tal patamar não acessível a todos. Gosto imenso de ver casas e já disse em tempos por este teu espaço que era impensável viver em casas XPTO, com não sei quantas suites, cheias de cacareús, quadros etc, etc., assim como comprar roupa/calçado e carteiras ao preço muito acima do que ganho. Quem padece desse mal e ou fica de rastos é porque realmente não parou na estrada da vida, bebeu um golo de água da chuva ou comeu o pão que o diabo amassou e desse modo não conseguem valorizar a melhor riqueza que todos temos: A VIDA! Já nem digam que pensem que há milhares de pessoas em situações bem piores...mas aqui entra o que sempre disse desde que me conheço: "pimenta no cu dos outros é refresco na minha boca" (desculpa)ou então a velha máxima de "dor de cotovelo". Já me custa ver casas e riquezas "salgadas e afins" que continuam a usufruir "sem vergonha" quando deixarem centenas e centenas de pessoas que trabalharam uma vida e ficaram sem nada. Adiante...

    Já me conheces um pouco ou muito (porque o que escrevo aqui é verdade, tal como a vida fora daqui). Portanto há tanta coisa bem melhor que nos faz esquecer as agruras da vida e ferramentas por todo o lado a custo zero...apanhar ar nas trombas, dedicarem-se a algo que lhes ocupe os neurónios, saber filtrar o que os outros dizem e fazem e rapinar uns figos numa figueira abandona que apesar de tudo teima em dar os seus figos.

    Já basta as "quedas da vida" e arranjarem problemas só porque sim...é o que mais temo e tudo faço para que não caia nessa esparrela. Já enfrentei grandes tsunamis e fui à luta...agora pensar num corpo maravilhoso, nuns dentes maravilhosos, nas casas maravilhosas etc, etc, de muitos outros é pura perca de tempo.

    Para poder enfrentar o quer que seja na minha vida antes "tenho de cair em mim" e agarrar no meu arpão, zagaia ou cacetete e ver até onde consigo ir:))) à e ver se os pneus do meu TIR estão com ar:))) fujam...

    Para terminar digo que esta é a minha filosofia de vida, 66 anos a subir alguns patamares da vida e a descer de "sku" outros tantos e começar tudo do zero:)

    Quanto ao amor e a forma de mostrar o amor etc e tal...que tal não cairem no ridiculo de quem os ler ou ver pensarem..."isto cheira a falso".

    Vi o amor que ligou os meus pais, vejo amor entre filhas e genros, vejo o amor e aqui paro para respirar abrindo a janela do TIR...porque sem encenações de ursinhos pirosos e corações cheio de luzinhas...grito ao mundo:

    AMO A VIDA QUE SEMPRE TIVE E TENHO E SOBRETUDO TODOS OS MEUS e em letra muito pequenina que ninguém consiga ler, apenas tu...que dava-me muito jeito ter alguém ao meu lado nem que fosse para aliviar a tensão de tudo gerir sozinha:)))) Mas...ai Maria e se fosse pior? Ui...fecho a janela do TIR e vou arrancar antes que um político, jogador de futebol, árbitro,entendidos em seca severa ou raio como dizem e sobretudo espanhol (que não abrem as comportas para regar Portugal...) entre e queira ser mais um...pendura! Só eu...Né?

    Vou dar a minha segunda volta a pé e oxalá não tropece num calhau mas que refresque as "bistas".

    Fica bem e um bom domingo e já agora extensível ao Senhor teu Pai.

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    1. Fatyly, li este seu comentário de um só trago e, digo-lhe, este é um comentário a abarrotar de vida, de experiência de vida, que deveria ser emoldurado para toda uma posteridade, quem sabe oferecer de presente a gente mais nova neste Natal.
      ...

      (digo-lhe, assim de fugida só para não estragar as suas palavras escritas, que não sou contra esta coisa de se comprar aquilo que bem se entende, não sou contra desde que se tenha meios para o fazer, obviamente, e desde que para a pessoa faça sentido, não gosto lá muito de ostentações, sou é contra esta coisa de não nos largarem todos os segundos do dia, da vida, com a história do compre e compre e compre e por que razão ainda não comprou e vá comprar agora - se a malta não funcionar em modo carneirada, ou ovelhada, sabe muito ser selectiva, 'fazer ouvidos moucos', caso contrário a vida centra-se apenas em bens materiais e avaliações das pessoas consoante os bens materiais que possuem, esta parte pode ser muito perigosa, para além de nos distrair do que realmente interessa, quem for um pouco mais fraco das ideias acaba, com toda a certeza, por viver constantemente num mundo todo ele de tristeza, de constantes 'depressões' (estas depressões estão entre aspas não por acaso), acho que o mundo actual está a entrar por uma via de um só sentido, o problema é que aqueles que se recusam a ir naquele sentido estão literalmente lixados (passo a expressão).

      Tenha um óptimo domingo, Fatyly :)

      ps: refrescar as 'bistas' é muito saudável para os olhinhos e não só :))))

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  3. Desculpará a caríssima Maria mas não me sinto com capacidade para comentar este texto.
    Tenha um bom domingo.
    Beijinho

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    1. Caro Observador, não tem que pedir desculpa e, muito menos, justificar o que quer que seja. Sabe que também já faz parte desta minha casa virtual, portanto, está à sua vontade.

      Tenha também um bom domingo. Beijinho para si também :)

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  4. Caríssima Maria, o que foi feito disto que encontrei na barra lateral lá do meu sítio?

    "Amanhecer Tardiamente!
    (coisas que eu digo e que, se calhar, mais valia ter-me dedicado à plantação da pevide)"

    Surge como uma actualização mas ... nicles, não mora cá.

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    1. Caro Observador, peço desculpa de só agora publicar o seu comentário, tenho andado 'por terras de sua majestade' :))

      Quanto à sua pergunta, tem toda a razão, percebi agora que não fui a tempo quando reverti o post para rascunho, acabou por aparecer nas actualizações.... Escrevi um texto com esse título, é bem verdade, entretanto apercebi-me que conteúdo era bem capaz de gerar polémica e resolvi deixá-lo em banho Maria (salvo seja). Tenho de pensar melhor se o publico ou não.

      (volto na próxima semana, até lá, tenha um óptimo fim-de-semana prolongado)

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    2. Em banho Maria? Isso é bom ou mau? :)))

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    3. B-a-n-h-o, caro Observador. Já se esqueceu que o senhor secretário de estado do ambiente nos pediu para tomar banhos mais espaçados, logo, penso eu, em banho Maria só pode ser considerado algo terrível :))

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    4. Não era esse secretário de (mau) estado que fumava umas coisas estranhas? :)

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    5. (se calhar existe fumo fora do prazo de validade, como os iogurtes, está a ver, caro Observador, aquilo depois sobe ao cérebro e resulta em coisas mesmo muito estranhas, mas eu não sou de estado algum, gostava de ser do estado sólido, a ver se consigo :))

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