segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Coisas que me aborrecem e que, imagino, não terão o carimbo de somenos importância. Falo da seca, à minha maneira.

A seca. Neste momento os jornais bombardeiam-nos até à exaustão tentando consciencializar a população portuguesa de que é necessário poupar água. Até aqui tudo bem, ou não. Vou colar-me ali à parte do 'ou não', sem que antes escreva que me faz alguma confusão que se tenha de ensinar gente adulta a fazer coisas que, supostamente, gente adulta deveria fazer desde sempre sem precisar do Governo em modo pai para o repreender e dizer: filhinhos, a partir de agora toca de fechar a torneira quando se lava os dentes, toca de não deixar água a correr enquanto se lava a louça, toca de não deixar a água do duche a correr até se entrar propriamente lá para dentro... toca...

(lembro-me daquela campanha para ensinar, incentivar, as pessoas a lavar as mãos, campanha essa que me deixou envergonhada até à quinta casa decimal. Raios, um país que tem de ensinar estas coisas à sua população, ou é um país que está a falhar em algo, na escola, talvez; ou são os pais que estão a falhar em algo, em casa, talvez. Só espero que tudo isto que estamos a atravessar neste momento em Portugal não sirva de pretexto para que as pessoas ainda tenham piores hábitos de higiene, é que, se for por aí, teremos outro tipo de problemas)

Vamos à parte do 'ou não' lá de cima:
1. Durante anos vi com os dois olhinhos que o Senhor que está no céu fez o favor de me emprestar à nascença, roturas na rua, roturas essas que ficavam ali durante dias, por vezes semanas, a deitar água sem que existisse uma alminha que as arranjasse. As pessoas passavam ao lado tentando evitar que a água as molhasse, essa era a maior preocupação (telefonar para informar da rotura era mais bolos) e, nada era feito por instituições que têm a função de verificar, supervisionar, passar a pente fino diariamente, ruas, avenidas, becos, ou o raio, para que se resolva o problema de imediato. Ou seja, acabava por ser arranjado mas, imagino, a quantidade de água desperdiçada até aí. Mas, lá está, na altura, a seca era coisa que só acontecia noutros países. O ser humano e a sua arrogância de achar que só acontece aos outros.

2. Durante anos também vi regas em jardins públicos, espaços públicos, que regavam o passeio em vez de regar a relva propriamente dita. Portanto as pedrinhas da calçada precisavam de se refrescar, enquanto alguém menos atento, ou se calhar atento a outras situações com mais importância, não se dava ao trabalho de verificar se a história da rega automática estava a funcionar nos conformes.

3. Durante anos também vi e continuo a ver, espaços públicos a serem regados na hora de maior calor - falo do Verão, obviamente - quando se sabe, ou pelo menos se deveria saber que, regar na hora de maior calor é um total e completo desperdício de água. Metade da água evapora-se e a área a ser regada acaba por não o ser de forma satisfatória. 

E mais exemplos existem por aí, pena é que os nossos jornalistas não aprofundem um pouco mais esta situação grave da seca. Isto, por exemplo, de se escrever que o rio Tejo pode secar, é aprofundar mais um pouco e informar com mais rigor. Penso que não basta dizer que não chove e tal. E, já agora, se não for pedir muito, poupem-nos a entrevistas a pessoas que não saem da igreja porque se encontram a rezar para que chova. Isto não vai lá com rezas. Se fosse por aí não teríamos que nos preocupar.

7 comentários :

  1. Não tenho como discordar deste texto tão bem elaborado.
    É uma tremenda chatice, eu sei, não ter uma coisinha para apontar. Só que não sou pessoa de criar fantasmas onde eles não existem.

    Não, não gosto que me chamem inconsciente ou arrasado mental. Que é o que toda essa gente, 'rezadores' incluídos, faz.
    E gosto, muito, de textos como o que acabo de ler.

    Ora faça o favor de poupar água ... ooopppsss ... de ter uma boa 2ª feira, o dia em que dizem que começa a semana.
    Um beijinho para V. Exa.

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    1. É o que nos estão a chamar, caro Observador, inconscientes e atrasados mentais, acredito que exista gente inconsciente, existe com toda a certeza, mas não me obriguem a acreditar que será a grande maioria. Ou seja, existe sempre um sacudir a água do capote, quando as responsabilidades deveriam ser distribuídas por quem, efectivamente, mais culpas tem no cartório. Essa parte está a ser abafada. Como sempre, aliás.

      Entretanto este lançar o pânico por parte da comunicação social não me parece coisa de valor. Informar sem lançar o pânico, sim., isso é que é de valor. Já agora, não é com esta coisa de querer enfiar em dois dias dentro da cabeça das pessoas que a água é um bem precioso, deve ser tratada como se de ouro fosse, porque realmente é, que se consegue grandes resultados. Esta coisa do imediatismo é, na minha opinião, tolo. Seja em períodos de seca, seja em períodos em que felizmente a natureza segue o seu curso dito normal, campanhas de poupança de água deveriam existir sempre.

      Tenha também uma boa semana e ,obrigada, caro Observador, por ter gostado do texto. É que eu neste meu voltar ao mundo dos blogs estou a tentar ter mais cuidado e não escrever tudo o que me esmaga. Não sei se consigo, vou tentar. Beijinho para si também.

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  2. Concordo contigo e mais um texto recheado de verdade e bom senso. Falando deste Conselho vejo regas públicas de bradar aos céus e agora bem "modernooooooo" a rega é automática. Pois é e um "pipo não sei o raio do nome" estava doido e não é que regou o banco onde eu estava sentada? Como parar aquilo? Telefonar? Não vale a pena e resolvi eu a questão e o desgraçado lá ficou todo tordo mas cumpriu a sua função: regar a relva.

    Outro caso: Havia àgua na escada do meu prédio vindo do segundo andar. Telefonei para a senhoria que de imediato chamou o piquete do SMAS. Entretanto lembrei-me de telefonar ao meu vizinho pois na noite anterior esteve a tirar umas coisas com um irmão e entre elas a máquina de lavar. Respondeu-me que tinha ficado tudo fechado. Telefona-me a senhoria com a resposta do SMAS: enviar e-mail, marcar o fecho porque nunca é na hora. Como??? estava a falar com ela batem-me à porta e era o meu vizinho que veio a correr do trabalho e bingooooooooo tinha a cozinha alagada porque o irmão fechou mal a torneira onde estava a máquina. Pego na vassoura e ambos empurramos a água para a varanda e consequente saída pelo buraco. Avisada a senhoria que avisou o SMAS e o assunto ficou arrumado. Mas comigo não ficou arrumado e fui esclarecer porque poderia ser da coluna do prédio...há denuncia de uma fuga de àgua e não ligam nenhuma? Boca no trombone até à exaustão.

    Sempre poupei água e ensinei os meus a pouparem...e quando vi o Sr.Ministro numa escola a "distribuir atestados incompetência só para mostrar serviço" dá-me vontade de entrar adentro da tv e pegar na figurinha e mostrar-lhe como o SMAS não faz essa poupança. Quando ouvi e julgo ter percebido bem disse: que no fabrico de uma calça de ganga se gasta sete mil litros de água. Fiquei presa no olhar dos pequenotes que ficaram espantados.

    Quanto à falta de água porque Espanha não está a cumprir com as cotas internacionais, fiquei pasma com a denúncia de um sujeito (hei-de pesquisar melhor) que Espanha está a desviar água para uma futura praia fluvial que será XPTO.

    Sintra é o que é mas ainda há freguesias sem água canalizada e saneamento básico...e esta hem? Á pois é.

    Ontem comecei a ouvir os Prós e Contra e desliguei de imediato...gentinha sentada em poltronas (excepto um jovem que falou da assistência e que arrasou com os "sábios")

    Poderia dizer muito mais coisas que vejo e oiço mas já basta ver o pânico sobretudo dos velhos porque quem fala do ou sobre o assunto julga-se o maior e sabedor de tudo. Que nervos Maria!!!

    Um bom dia



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  3. Ontem Ouvi este senhor no jornal da noite (21h) na SIC-Noticias que disse muito:

    http://sicnoticias.sapo.pt/opiniao/2017-11-20-Seca-severa-situacao-nao-e-nova

    e foi logo a seguir que via skipe houve a denuncia do desvio da água para Guada...qualquer coisa!

    Desculpa ter voltado:)

    e ness

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    1. Obrigada pelo seu comentário, Fatyly, e sim, é mesmo por aí, quando se vê roturas na via pública, regas que não estão a cumprir o seu propósito, ou seja, regar relva, plantas, flores, é reportar a quem de direito. Seja no prédio onde se vive, seja na via pública. Onde quer que se passe, se se tiver um telefone à mão é telefonar, mas telefonar e apontar o nome da pessoa com quem se falou, o dia, a hora, para que assim mais tarde e não existindo qualquer resposta por parte da instituição se possa ter algo de concreto na mão. Muita gente poderá argumentar que esse não é o seu trabalho, que paga impostos para alguma coisa é, pois, mas quando as coisas não estão a funcionar, a malta tem de se chegar à frente e exigir. Se se tem deveres, também se tem direitos e, vice-versa. Eu, nestas coisas, desde muito nova que funciono desta maneira, comecei a descontar tinha 18/19 anos, trabalhos que conciliava com os estudos, verdade que só entrei no mercado de trabalho a sério, mais tarde, com descontos mais pesados, mas de qualquer forma se comecei a descontar ainda miúda, sempre achei que teria também que ser exigente. Isto não tem a ver com idade, tem a ver com a nossa forma de estar na vida. Esta é a minha, goste-se ou não, é a minha. E, pelos vistos, pelo que me é dado a ler, a Fatyly também é de falar, de barafustar, muito bem, exista mais gente assim.

      (obrigada pelo link, logo mais à noite vou espreitar)

      Tenha um bom dia, Fatyly :)

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