segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ti Etelvina das Couves deseja cheirar a Chanel Nº 5 (e sai outra história de Tis)

Ti Etelvina das Couves cheirava a couves conforme o seu apelido, só que Ti Etelvina das Couves sonhava cheirar a Chanel nº5 tal como achava que cheiravam as meninas lá da televisão que eram todas, todas muito lindas e anunciavam aquele perfume que tinha um nome muito difícil de dizer e de escrever muito mais ainda.

Aos olhos de Ti Etelvina das Couves, herdeira apenas de um apelido em modo planta comestível porque a sua mãe não tinha dinheiro para mais, cheirar àquilo de nome difícil de dizer e de escrever muito mais ainda, o tal do Chanel nº5, era bem capaz de fazer com que o seu homem elevado a marido, o Ti Manel dos Nabos, a olhasse fundo nos olhos como há muito tempo a não olhava e a procurasse como há muito tempo a não procurava. Ti Etelvina das Couves estava sempre ali, todos os dias, a fazer a sopa igual ao seu apelido, sopa de couves, portanto não entendia como é que Ti Manel dos Nabos não a via.

(entra em cena a mãe de Ti Etelvina das Couves, sogra de Ti Manel dos Nabos)

Ti Eufrázia dos Porcos que comiam Couves, tinha dito à filha Etelvininha, na altura pequena demais para ser das Couves que, apanhar couves e fazer sopas bem apuradas, eram a armadilha ideal para apanhar homens distraídos que de tão distraídos quando davam por eles estavam na frente do padre Rosefino da Cruz Martirizada, vestidos com um fato domingueiro comprado na loja do alfaiate da vila, o Ti Albertino Coze-Cose, prontos para casar, tal e qual frangos dispostos em fila à espera da sua vez  para serem assados, enfiados num espeto capaz de espetar o olho da noite mais escura de um Inverno também ele todo escuro e choroso.

(sai de cena a mãe de Ti Etelvina das Couves e entra em cena Ti Manel dos Nabos)

Só que, Ti Manel dos Nabos andava meio triste, meio, porque sempre é melhor do que andar triste por inteiro, e andava meio triste por não suportar ver a tristeza nos olhos aconchegados por uma espuma de rugas da sua Etelvina, por isso, um dia resolveu levantar-se por volta das cinco da madrugada e rumou à cidade com a intenção de comprar aquela coisa que diziam fazer as pessoas cheirar bem, coisa essa capaz de devolver o sorriso à sua Etelvina que apanhava couves como ninguém.

Parece que tinha um nome muito esquisito, era um chánel não sabia das quantas. Ti Manel dos Nabos achava, lá para os lados do seu entendimento, que só vendiam aquilo no dia 5 de cada mês, daí chánel cinco. Perspicaz o Ti Manel dos Nabos, perspicaz embrulhado em esperto como só ele, só por causa das tosses tinha marcado no calendário o dia 5 para comprar o tal chánel que não sabia quem era mas estava disposto a encontrar só para ver feliz a sua Etelvina das Couves. Depois de muito calcorrear a cidade à procura do senhor chánel lá o encontrou todo esticado a apanhar sol numa montra pintada de doirado, enfiado dentro de um frasquinho pequenino mas caro como o raio. Bom, pensou o Ti Manel do Nabos, lá vai o dinheiro de um ano de poupanças, mas para ganhar o melhor sorriso da Ti Etelvina das Couves e, quem sabe, mais qualquer coisita, valia bem a pena. Resolveu cheirar o senhor chánel comprado nesse exacto dia, o dia cinco, bem de perto, fez uma careta enquanto pensava: vou comprar mais um frasquinho disto.

(fiquei para aqui a pensar em qual a razão de Ti Manel dos Nabos desembolsar mais um dinheiro para comprar mais um frasco de perfume que, segundo ele, era caro como o raio... só espero que não seja para deitar na sopa das couves de Ti Etelvina quase de apelido renovado - Ti Etelvina Cheira Bem Que Se Farta)

10 comentários :

  1. Querem ver que o Ti Manel dos Nabos andava a pular a cerca? Vai ver enjoado das sopas, da Ti Etelvina das Couves, vai ali de fugida à casa da Ti Jaquina das Nabiças, que até é assim uma coisa bem apropriada aos nabos.
    Um abraço e boa semana

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    1. Ahahahahah, boa, Elvira, essa do será que "Ti Manel dos Nabos andava a pular a cerca?". Vai na volta existia mesmo uma "Ti Jaquina das Nabiças" :))))))

      Boa semana. Um abraço para si também, Elvira.

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  2. Ena pá o que p'ráqui vai!!!
    Não se faz, Maria! Como é que uma pessoa cuja idade ronda os 95 consegue dar-se bem com esta encrenca? :)))

    O que diria Gabrielle Bonheur Chanel se visse isto?

    Boa terça, beijinho.

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    1. Caro Observador, este seu comentário é muito intelectualizado, portanto não se enquadra numa panela de couves, nabos e costeletas de porco, vai daí vou resumir-me à minha insignificância :))))))

      Beijinho para si também e tenha um óptimo dia.

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    2. Intelectualizado? Até me sinto (ainda mais) figura pública ;)

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    3. Sim, sim, um nome como Gabrielle Bonheur perto de um simples Ti Etelvina das Couves, é bem capaz de destruir a auto-estima da pobre senhora das Couves :)))

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  3. Se gargalhada pagasse imposto...acabei de dar entrada na falência:)))))

    Que maravilha e só tu escreverias o que acabei de ler sobre as "couves, nabos, porcos e religião e o tal chanel cinco:)))) e hummmmmmm eu só espero que o outro frasco não seja para a sogra porque o cheiro não deve ser muito bom ou então para o pecado de ter andado em buracos que não devia e pagar o peciao ao "padre Rosefino da Cruz Martirizada":))))

    Que pitéu:)))

    Já agora Maria explica-me uma coisa com a qual não atino: como sabes gosto imenso de publicidade boa e porque raio quando fazem um a um perfume a mulher bombásticas dizem o nome numa forma sensual que até enjoa? Mais parecem que estão ...não digo, para mim...mete-me nojo a forma como falam, chiça!!! SE aquilo seduz...balha-me Deus:)))

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    1. Fatyly, já aqui admiti que me dá muito prazer - porque é efectivamente de prazer que se trata, prazer no sentido de algo agradável, algo que nos faz sentir muito bem - escrever este tipo de textos. Sei que são textos meio destrambelhados (gosto especialmente do termo destrambelhados) só que fazem um bem danado à alma. É como se se entrasse num carro num dia de muita neura e nos deixássemos ir por aí, sem rumo certo :)))

      Penso que devo ser das poucas mulheres que não gosta nadica de nada do perfume Chanel Nº 5, demasiado quente, demasiado forte, na minha opinião. Tenho para ali um frasco que me ofereceram há já algum tempo. Só usei uma única vez. O meu perfume preferido, o insubstituível, aquele que já faz parte de mim, é o meu 212 de Carolina Herrera (existem mais dois de que também gosto e uso, depende dos dias...)

      Essa da possibilidade de o segundo frasco ser para oferecer ao padre Rosefino da Cruz Martirizada, é capaz de ser pecado (ahahahahahah).

      Essa sua pergunta do "dizem o nome numa forma sensual que até enjoa", talvez porque o perfume remete para o lado sensual da vida, para o lado dos sentidos. Eu gosto daquela coisa de passar um homem interessante por mim e cheirar a perfume, não em excesso, obviamente. Perfume depois do banho matinal, evidentemente, não é usar perfume para disfarçar a falta de higiene :))

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  4. Quando o calor aperta e a sede desperta...
    Não sei porquê, lembrei-me desta publicidade. :)
    A Maria transmite muito por entre estas aparentes inofensivas linhas, ó se transmite...! :)

    Um beijinho :)

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    1. Saiba o AC que sempre que escrevo este género de textos existe sempre um tipo de critica que não será muito favorável. E sempre que isso acontece a vontade de voltar a escrever outro texto de Tis é ainda maior. Não tarda sai outro só por causa das tosses.

      Beijinho, AC, e obrigada pela sua simpatia :)

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