segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Confrangedor (conjugar o verbo confranger)

Por vezes dá-me para dar um salto até à pasta digital de revistas, e sempre que leio títulos em modo garrafal, encolho-me. Encolho-me principalmente se visam figuras públicas associadas a violência doméstica, tendo como principal protagonista um senhor com muitas aspas à volta que já foi Ministro da Cultura. Nesses momentos penso que pessoa tão culta será esta que consegue arrastar para a praça pública a mãe dos seus filhos, expor a mulher com quem já foi casado, ao ridículo, à humilhação, desta forma?! E, já agora, que raio de imprensa dada ao tom rosa-abutre, vende revistas em cima da infelicidade dos outros? Ah e tal eles precisam de vender. Estás a ser ingénua. Eu sei disso muito bem, sei que precisam de vender, só que existem coisas que me ultrapassam e, esta, é seguramente uma delas.

Será que ninguém consegue impedir este género de situações? É que a ser verdade a história do vídeo caseiro, de imagens com telemóvel, deveriam cair de imediato em cima de revistas que divulgam desta forma a vida íntima das pessoas. Para divulgar desta forma a intimidade das pessoas deveria ser obrigatória a assinatura das mesmas em como autorizam o conteúdo, em não existindo essa autorização por escrito, a revista deveria indemnizar a vítima, que neste caso é a apresentadora. Uma pessoa até fica à beira da náusea com estas coisas. Raios!


"Grande Investigação" dizem eles ali na capa.
Eu digo investigação a cheirar a podre.
(dar banho ao cão também daria uma excelente investigação - pensem nisso com carinho, sim?)

14 comentários :

  1. Há dias um jornalista, dizia-me que as "porcarias" eu classifico-as assim, que algumas revistas cor-de-rosa publicam o fazem porque é isso que vende as revistas. Dizia ele que atualmente o povo não se interessa se um tipo é um grande ator ou um canastrão. Interessa-se se o tipo é homossexual, ou se leva para a cama todas as colegas de cena. São essas coisas que vendem revistas e é por isso que as publicam.
    Isso a mim faz-me confusão, porque é o tipo de coisas que não me interessa nada, qualquer figura pública, antes de o ser é uma pessoa e como tal deve ter direito à privacidade na sua vida pessoal.
    (Abro uma exceção, se a figura em causa for politica e gastar na sua vida privada o dinheiro dos contribuintes.)
    Um abraço e uma boa semana

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    1. Pois, isso também é verdade, é verdade a parte em que escreveu:
      "Dizia ele que atualmente o povo não se interessa se um tipo é um grande ator ou um canastrão. Interessa-se se o tipo é homossexual, ou se leva para a cama todas as colegas de cena."

      O voyeurismo está a dar cartas de forma assustadora, bom, assustadora é capaz de ser um termo muito pesado, diria que de forma muito estranha. Tenho tendência para pensar (se calhar mal) que as pessoas que têm uma obsessão qualquer por esse lado, o lado do voyeurismo obsessivo, ou não têm vida própria, vida íntima, ou alguma coisa descarrilou lá na zona do cérebro. É doentio. Pelo menos a leitura que faço é essa.
      ...

      O problema é que este caso é sério, o caso Bárbara vs Carrilho, é sério porque envolve violência doméstica, se não fosse isso uma pessoa encolhia os ombros e ia à sua vidinha.

      Boa semana para si também, Elvira. Um abraço.

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  2. Bom dia, Maria :) ... O "eles precisam de vender" diz tudo... Acha que tinham as mesmas vendas se não publicassem essas coisas? é a mesma coisa que o CM e a CMTV, que deve ter colaboradores em todo o lado... Acontece uma coisita qualquer e eles já lá estão! Vão esperar a chuva e o frio e tudo! :D

    A mim quer me parecer, pelo pouco que tenho acompanhado do caso, muito por alto que não leio esse tipo de artigos que isto tudo começou porque a Bárbara quis tornar pública a situação no sentido de incentivar as mulheres a denunciarem, a não aguentarem, a não terem medo de procurar ajuda. As pessoas têm muito as figuras públicas como referência e ver uma figura pública denunciar uma situação de violência doméstica pode encorajar a denunciar também a sua própria situação. Quer me parecer que foi a (boa) intenção da Bárbara. tal como antes já o havia feito, há uns anos atrás, Catarina Fortunato de Almeida. A partir daí, o "senhor" Carrilho quis vingar-se e tem levado essa vingança até onde pode... Acho que só se enterra, mas isso ... Enfim...

    Não vou dizer , à boa maneira portuguesa, de derrotista "Ah e tal, é o país que temos" porque eu sei que este tipo de imprensa existe em todos os países... Revistas e jornais que vivem disto há no mundo inteiro. Não me venham dizer que é só em Portugal, porque eu sei que não é! Isso não diminui a negatividade do caso. Claro que não. O mal dos outros não justifica o nosso nem o desculpa. Mas é só no sentido de dizer que Portugal não é pior do que os outros países, pelo menos nesse sentido não é!

    Uma capa destas vende! É um facto! As pessoas gostam destas coisas! Na casa onde o meu filho está a ser criado e educado é só isto que se vê!

    Boa Terça-Feira :)

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    1. Bom dia, São,

      Sei bem que eles precisam de vender, não soubesse eu outra coisa, só que neste caso já estão a invadir a intimidade das pessoas de forma absolutamente nojenta. Não existe outro termo que possa suavizar a postura de determinados "jornalistas" da imprensa dita rosa. Escrevi propositadamente a palavra jornalistas entre aspas, porque não considero que seja jornalismo, para mim jornalismo assenta em determinadas regras éticas, coisa que parece não existir neste tipo de imprensa rosa. É um vale tudo inqualificável.

      Uma coisa são tricas, tricas essas que terão o significado de coisa sem grande importância, por vezes plantadas pelos próprios para que se fale das suas vidas muito preenchidas - activar o botão da ironia neste ponto - e, quem sabe, cair mais um ou outro trabalhinho no regaço, acreditam piamente naquela frase feita na onda do "falem bem ou falem mal, mas falem de mim"... Coisas sem importância roçam mais ou menos isto: aquele anda com aquela que por sua vez anda com o outro que por sua vez já anda com a primeira. São grandes, espero que vacinados e espero que de muitas cores para que a coisa não seja monótona, outra bem diferente e, a ser verdade, é escrever que vão revelar imagens íntimas de pessoas que estão envolvidas num processo que visa violência doméstica. Não sei se é intencional ou não, mas acaba-se por perder o foco naquilo que realmente interessa, falar de algo grave, violência, seja ela qual for.

      O "senhor" Carrilho que pelos vistos é um intelectual da alta, que tem cultura a dar com um pau, não se sabe muito bem para que serve tanta cultura, mas isso são outros quinhentos, está a ter uma atitude toda ela execrável. Envergonha toda a classe dita intelectual e acaba por envergonhar o próprio país onde se insere e onde já se inseriu como Ministro da Cultura. E é isto. No curriculum do "senhor" deveria constar a partir de agora uma coisa do género: muito mal anda a cultura em Portugal quando um ex-Ministro da mesma rebaixa as mulheres desta maneira (sim, porque isto diz efectivamente respeito a Bárbara G., mas lá no fundo diz respeito a todas as mulheres).

      (o problema é esse, uma capa destas vende talvez por causa daquele voyeurismo obsessivo, doentio, querer saber o que se passa na intimidade, na vida sexual das pessoas, que, eu, pessoalmente, não entendo)
      ...

      Tenha também um bom dia, São :)

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    2. Pois, eu acho que a realidade não é tão má assim (ou é, por outro lado), já tenho falado sobre essas coisas com jornalistas e advogados, em conversa que às vezes calha... Ao que sei, se a Bárbara, neste caso, ou qualquer pessoa em geral, quiser processar a publicação, tem esse direito e, muito provavelmente, num caso como este, ganhará a causa. Haverá, provavelmente, direito a uma indemnização... Mas as vendas compensam essa perda! Funciona um pouco como alguns impostos ilegais que se pagam (falei nisso no curso que estou a terminar). A Maria sabe que há impostos ilegais que Portugal e outros países cobram? Só que a multa que pagam à UE devido a essa ilegalidade é menor do que as receitas arrecadadas com o imposto, portanto compensa e fica tudo saldado a nível de ilegalidade e quem se lixa é sempre o mesmo... No caso destas publicações funciona mais ou menos assim também... Se tiverem que pagar uma indemnização a um ou outro que se queixa (sim, porque sabem que a maioria não está para se andar a chatear) , pagam... As vendas compensam sempre...

      Em relação a este tipo de jornalismo, é como eu disse, existe em todo o mundo... É condenável, mas sempre existirá... Não censuro muito quem o faz, censuro mais quem o paga... E com isto tinha pano para mangas...

      :)

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    3. Só que, lá está, se calhar compensa mais a estas publicações pagar uma indemnização porque ainda são poucas as pessoas que se queixam judicialmente, se existisse cada vez mais gente a fazê-lo, aposto como teriam muito mais cuidado ao invadir a intimidade das pessoas, cuidado naquilo de não enganar as pessoas. Este tipo de gente, gente que só pensa no seu bolso (seu, deles) sabe que vivemos no país do "vai-se andando" e, sabendo isso, sentem-se muito confortáveis. Abusam e abusam e vão abusando cada vez mais da ingenuidade das pessoas, daquilo de as pessoas se conformarem porque não estão para se chatear. A verdade é que quando alguém começa a abrir a pestana, é vê-los espernear e espumar. Ah, pois é!

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  3. Ui, Maria, que inquietações tamanhas!
    Diga-me só uma coisinha, um niquinho sem importância: quem foi o "realizador" do tal filme, esse o caseiro? Filmado com telemóvel, em casa... Hum, isso "cheira" a esturro que tresanda!
    Mais do que as revistas, essas em tons se rosa rançoso, "intriga-me" que tipo de pessoa/as vivem/convivem com os visados.
    Quer que lhe diga? O que me inquieta mesmo, mas mesmo muito sériamente, são os filhos dos ditos, crianças a entrar na adolescência e a viver uma situação dessas? Olhe que isso vai deixar marcas para a vida, olá se vai!
    Eles? Maria, são adultos e com idade para ter juízo. Sabem a "imprensa" que temos, sabem da "bondade" e "profissionalismo" da mesma, logo...
    Logo vou-me embora. É que se esgotaram as aspas.:(

    Tenha uma boa tarde.
    Beijinho.

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    1. GL, aí é que está a razão de ter escrito o nome deste senhor Carrilho entre aspas, é que a cultura aos molhos do "senhor" Carrilho dá-lhe para ser vingativo, coisa que fica sempre bem em qualquer ser humano, vai daí não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de quem foi o tal realizador do filme caseiro e como é que o dito foi parar à imprensa rosa-abutre. Não tenho nada a ver com o facto de alguns casais gostarem de ter os seus filmes caseiros, a vida íntima das pessoas só a elas pertence e só a elas deveria dizer respeito, o problema aqui é a divulgação dos mesmos, torná-los públicos e existir gente ávida para assistir na primeira fila. Esse é que é o grande problema.

      Os filhos, lá está, se me quiserem convencer que este é um bom pai, o tal "senhor" Carrilho, eu diria que, sem hesitar, um bom pai evita que os filhos tenham que passar por situações destas. Um bom pai protege, não expõe. Um bom pai não humilha a mãe dos seus filhos publicamente por muitos defeitos que esta tenha. Um bom pai não lava roupa suja em público. Se calhar era melhor ter menos cultura e ser um melhor pai. Melhor homem. Melhor ser humano.
      ...

      Boa tarde, GL. Beijinho para si.

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  4. Não consigo imaginar-me a comentar este seu 'post' sem ter que ser bruto.
    Se tenho algo contra a imprensa cor de rosa? Tenho! Se não quero saber da vida de Bárbara e Manuel? Não!
    Tudo isto, o que é trazido a público apenas com a intenção de vender, merece-me um curto comentário: o nojo (de escrita) saíu à rua.
    Critiquei severamente José António Saraiva por ter escrito "Eu e os Políticos", critico severamente Aníbal Cavaco Silva por ter escrito (foi mesmo ele?) o "Quinta-feira e outros dias". Serei severo para com a revista Nova Gente por ser o nojo que é.

    Pronto, já passou, ufa!
    Beijinho, caríssima Maria.

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    1. Pois que tem toda a razão em ser bruto se assim lhe apetecer, é que existem assuntos que parecendo ser na onda cor-de-rosa, se olharmos bem de perto não têm nada de rosa, antes pelo contrário. Mal vai este país quando não se consegue separar águas, isto é um caso grave de violência doméstica, desviar a atenção das pessoas para vídeos íntimos é só imbecil, para não dizer outra coisa.
      .
      .
      .

      (o senhor Cavaco escreveu ""Quinta-feira e outros dias" em que diz exactamente? deixe para lá, não quero saber)

      Beijinho para si também, caro Observador.

      PS: Eu aqui a tentar de alguma forma não escrever o nome da revista, embora se perceba mais ou menos qual é, recortei, recortei a capa, mas mesmo assim percebe-se e, vem o caro Observado, tungas, escarrapacha o nome da dita. Ó meu Deus :))

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    2. Aqueles três pontinhos ali colocados na vertical serão reticências que acharam deverem-se pôr em pé? :)))

      O "senhor Cavaco" ... bem, não se fala mais nisso.

      Escarrapachei o nome da dita por causa da comissão de publicidade :)))

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    3. A verticalidade também se quer nas reticências :))
      (já que para os lados do "senhor" Carrilho a coisa não abunda)

      No entanto passo a explicar a razão de dar um espaço, espaço esse onde normalmente coloco um género de separador com pontos, é que quando estou a escrever sobre algo sério, tento não misturar com algo menos sério que vou escrever logo de seguida. Daí a tal coisa que parecem reticências em pé. Apenas isso :)

      Errata:
      Onde se lê: "Quinta-feira e outros dias" em que diz exactamente?
      Deve ler-se: "em que dia exactamente?"

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  5. Esta dupla tem dado o pior exemplo em termos de "ataques e denúncias" vergonhosas, não a cidadãos anónimos que compram a revista, mas sim aos FILHOS. Para mim ambos andam numa luta nojenta e darem créditos a uma revista a troco de quê? Dinheiro + dinheiro. Pior... em casos semelhantes os filhos são retirados e entregues a familiares ou instituições (nestes ões teria muito a dizer) e não defendo nem um, nem outro porque sendo um caso de violência doméstica há muito, mas muito que os protagonistas ultrapassaram todas as barreiras da decência sem precaverem um bem comum - os filhos!

    Um bom dia

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    1. Fatyly, eu acho que Bárbara G. tem demonstrado até agora, neste caso, uma postura muito correcta, quando digo correcta é que me parece que, inicialmente, quis tornar o seu caso de violência doméstica público naquela de incentivar outras mulheres que sofrem com o mesmo tipo de violência a denunciar os agressores, penso ser por aí (como também escreveu a São ali em cima), só que, tendo pela frente um tipo de homem, homem esse com quem se casou, com algum poder, muita arrogância, muita sede de vingança, isto acabou por ser apenas um grande circo, uma grande lavagem de roupa suja com todo o Portugal a assistir. A pessoa que demonstra uma grande falta de carácter é o "senhor" Carrilho que quando é apanhado à porta do Tribunal não se coíbe de exibir um sorriso trocista que causa náuseas das grandes.

      Obviamente que este tipo de imprensa-rosa acaba por fazer um papel terrível nisto tudo quando publica situações que referem a intimidade das pessoas. Não saberá esta imprensa rosa-caca que também está a exercer um certo tipo de violência psicológica quando expõe pessoas que não pediram para serem expostas?! Se só o ex-marido quer esta exposição para humilhar a apresentadora, pois que deveria existir uma mão dura em forma de lei para punir quer o dito ex-marido, quer a imprensa que lhe dá voz. E é isto.

      Tenha também um bom dia, Fatyly.

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