segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

As minhas aventuras pelo mundo do cinema (e de repente estou numa sala de cinema a assistir a um musical de... horror)

Hoje vou começar pelo principio só para não me espalhar ao comprido nalgum beco sem saída. 

Lembro-me da primeira vez que saí com um amor que naquele dado momento ainda não era amor algum, apenas uma pessoa que se tinha atravessado no meu caminho numa altura que, quer para ele, quer para mim, seria difícil. Eu tinha perdido a minha mãe há seis meses, e ele tinha acabado de perder o pai. Por vezes o universo cose bocadinhos de vida de uns e de outros como se fosse uma manta de retalhos, de forma a que aquilo tudo faça sentido, só que ler uma manta de retalhos não é fácil, portanto quer-me cá parecer que quando andamos aos trambolhões é porque não conseguimos descodificar os pontos. É exactamente nessa altura que o cinema dá muito jeito, se na nossa vida não nos é possível, pelo menos numa grande parte dela, descodificar situações, prever princípios e fins, já sentados numa sala escura algo faz sentido e saímos de lá com tudo bem resolvido. Bom...

... Tudo, tudo, por vezes não, foi o que nos aconteceu, aconteceu aos dois, numa determinada noite quando resolvemos entrar numa sala de cinema como se fosse um encontro às cegas com um filme. Ou seja, o filme é escolhido sem saber rigorosamente nada do dito, dos actores, dos protagonistas, nada de nada, só se conhece o título do filme, nada mais, é escolhido directamente no balcão, na hora, vai daí o encontro foi com um musical sem saber que era um musical, logo eu que nem sequer sou fã de musicais, tive de "engolir" um musical. O protagonista era Johnny Depp que interpretou magnificamente o papel de Sweeney Todd, resumidamente, tratava-se de um barbeiro do séc.XIX que faria desaparecer os seus clientes, tinha uma cúmplice que fazia umas empadas de carne, resta saber onde é que iriam buscar a carne para as confeccionar... O que me chateou é que numa determinada cena de grande suspense, cena essa em que ele se preparava para cortar a garganta a mais um dos seus clientes, a cena pára e ele começa a cantar. Nunca eu fiquei tão furiosa com Johnny Depp - então mas aquilo era lá altura para cantar? que sentido de oportunidade ao lado... Que raio de altura para me confidenciarem que estava a assistir a um musical?! Foi, no entanto, um musical na onda do horror muito bem conseguido. Diria que não me importava nada de ver o filme outra vez. Encontros às cegas com o cinema pode dar origem a experiências enriquecedoras, foi o caso.

Agora entra um pequeno aparte:
(sou uma pessoa que não gosta muito da vida toda ela muito arrumada, ou seja, gosto de três divisões milimetricamente bem organizadas e arrumadas, entretanto gosto que exista uma divisão em que tudo está na maior desordem sem que sinta qualquer tipo de culpa ou qualquer tipo de impulso para a arrumar. Diria que é um quarto de brinquedos para adultos. Neste quarto de brinquedos cabe uma parte dedicada toda ela ao cinema, o que quero dizer é que vou ao cinema nas horas mais impróprias, ou nas horas em que muita gente não vai. No final de um dia de trabalho sabe bem sentar-me sozinha numa sala de cinema, foi assim que me apaixonei por Jeremy Irons, o meu grande amor platónico, lembro-me que a sala teria meia dúzia de pessoas, que se levantaram duas a meio do cinema e saíram, até hoje não entendo este gesto das pessoas, isto de abandonar coisas a meio... Ir ao cinema da meia-noite, numa sexta-feira ou num sábado, também é uma das minhas preferências, sair do cinema às tantas e dar uma volta de carro por Lisboa naquela hora em que Lisboa já dorme é qualquer coisa de libertador, ouve-se melhor a grande cidade quando a grande cidade se recolhe

5 comentários :

  1. Um "musical de horror" será o mesmo que um horror de musical?

    A nossa memória guarda muita coisa. Boa e má. Saibamos escolher.

    Beijinho, boa semana.

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    1. A resposta a essa sua pergunta, caro Observador, já estará implícita no texto.

      Um musical de horror, é um musical que terá por detrás toda uma história com uma carga dramática, a tocar o terror, só que o facto de ter um lado musical, alivia, de alguma forma, essa carga.

      Um horror de musical, é um musical que não presta para nada. Pronto. Está feito! :))

      Beijinho e boa semana para si também.

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  2. Olha lá Maria fizeste-me rir à gargalhada e nem sei por onde começar:)))

    Em momentos baixos da nossa vida ver um musical de horror é tudo menos aconselhável. Mas não sabias e afinal acabaste por gostar. Eu teria saído a meio a rogar pragas ao dinheiro que gastei. Ora tens aqui uma explicação para o que não entendes quando alguém saí a meio. Raramente saía mas saí pelo menos em dois e o último foi no "A Lista de Schindler".

    Por vezes quando as filhas iam passar uma ou duas semanas com os meus irmãos eu devorava cinema:) Quando saía do trabalho era ali pertinho no S.Jorge e escolhia sempre um lugar perto do funcionário do "pica bilhetes" e porquê? Porque numa sala quase vazia muitos homens quando viam uma mulher sozinha, levantavam-se que nem gatinhos e vinham tentar sentar-se...numa de óóóó tadinha precisa de companhia!

    Outras vezes fui às secções das 22h já por aqui e como me sabia bem!

    Hoje prefiro ir até à praia a qualquer hora e ver cinema em casa, porque não aguento o som e muito menos o barulho de pipocas, telemóveis a tocar e dos atrasados. Bem tentei mas a dor de cabeça era terrível e como tal desisti. Saudades dos cinemas abertos da minha terra:)))

    Vou jantar e se puder ainda volto hoje:)

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    1. Nããã, Fatyly, isto nada teve a ver com momentos baixos, o tal musical. Embora tenha levado quase cinco anos para ultrapassar de alguma forma a morte da minha mãe, a verdade é que o facto de se ter atravessado alguém na minha vida seis meses depois, impediu-me de me afundar, Cai realmente numa depressão profunda mas ele ajudou-me a não me afogar. E eu penso que fiz a mesma coisa com ele. O cinema era uma paixão dos dois e fazê-lo em modo livre era realmente uma lufada de ar fresco :)

      A verdade é que o musical estava muito bem feito. Revelou-se uma boa escolha. Um grande filme. Eu cá nunca abandono cinema a meio, fico até ao fim mesmo que aquilo não me agrade. Aquele musical e o tema do mesmo foi magnifico, e não tivesse como protagonista o grande Johnny Depp.

      "Porque numa sala quase vazia muitos homens quando viam uma mulher sozinha, levantavam-se que nem gatinhos e vinham tentar sentar-se...numa de óóóó tadinha precisa de companhia!" Ahahahhahahaha... Nunca tive problemas desses, pelo menos no cinema, na praia já, uma pessoa vai à praia sozinha e pronto, tem de aguentar com os chatos... O facto de ser mulher e estar naquele exacto momento sozinha não me impede de almoçar, jantar, ir ao cinema, de férias e por adiante... sozinha. Era só o que faltava ficar fechada em casa só porque não apetece naquele momento ter alguém do sexo masculino ao lado. Não. Nem pensar ;)

      Pois, as pipocas no cinema, caramba, que saudades de cinema em silêncio...

      Bom jantar, Fatyly

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