domingo, 8 de janeiro de 2017

Ti sem ó gostava de namorar quedas (ó p'ra mim outra vez a contar uma história)

Ti Belarmino era aquele género de Ti sem ó no fim que, normalmente, elevava a voz de modo superlativamente acima daquilo que era recomendado a um Ti sem ó no fim, elevar. Vivia nas nuvens. E as nuvens de Ti sem ó no fim eram macias quanto bastasse para sentar as suas certezas mais do que absolutas. Ti sem ó no fim tinha Himalaias de certezas. Himalaias era coisa alta, e Ti sem ó nutria uma grande queda por alturas. No entanto, Ti sem ó não percebia que alturas e quedas andam de mãos dadas só em dias de muito sol, em dias cinzentos esborratados de roxo moribundo mesmo à beirinha de morrer, não dos dias moribundos que não morrem nem que a vaca tussa, nesses dias a queda namora a altura e a altura rebenta na areia da praia derrubando a espuma dos dias de Ti que, já sem ó, fica de repente sem i também. Sobra um t muito sozinho, a saber a coisa nenhuma. Ó.

12 comentários :

  1. Tiste sina a de um tê!
    Beijinho e boa semana.

    «Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar,
    Parece que o mundo inteiro se uniu pr'a me tramar!»

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    1. A sina dos tis, ou dos tês, sem ós, são compradas pelos próprios, portanto, é aguentar e cara alegre. Gabo-lhe a coragem de comentar um texto a transpirar a absurdo por tudo quanto é poro :)))

      Beijinho para si também, caro Observador. Boa semana.

      PS: O mundo não se une para nos tramar, isso é pura ficção. Sendo assim a letra da canção está muito certa na parte do... parece.

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    2. Se não comentássemos os textos "a transpirar a absurdo por tudo quanto é poro", o que seria de nós?
      Nã nã nã, a malta comenta tudo. Depois logo se vê :)))

      Maria insurge-se contra Rui Veloso? Imagine que ele lê este blogue? Pois ... ;)

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    3. Mas... mas.... mas... eu não me insurgi contra Rui Veloso... já agora, se o Rui Veloso por acaso estiver a ler o blog cá de Maria que calha ser eu, pode por favor vir em meu auxílio e explicar coisas ao caro Observador? (eheheh)

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  2. Pois é, pois é...uma história real de muitas, diria resmas, com tantos "ti sem ó ou a no fim" que se julgam o super-sumo-da-batata sem pensarem que não passam de simples "tês" e que afinal as suas vidinhas pautadas com "sabores a coisa nenhuma"! Já vi quedas bem grandes ó...ó...ó!

    Gostei!

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    1. Fatyly, esta minha história não lhe lembrou alguém? Por exemplo Ricardo Salgado do BES? Ah pois! É que foi mesmo por aí ;)

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    2. Claro que fui direitinha ao Salgado e as centenas de salgados que enchem os tribunais com resmas e resmas de processos que...deixa andar. Também lembrei-me de figuras femininas ilustres ou será lustres?:) que metem medo ao susto e que se julgam o que descreves!!!

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  3. E pronto, aqui estou deliciada a ler a estória do Ti, o tal que gostava das alturas.
    Como este há muitos, ó se há, só que se pegarmos no Salgado, o tal que "mora" aqui no andar de cima esse, Maria, esse andava - julgava ele, coitado! - por estradas de betão suportadas por rios frágeis, rios que secaram à força de tal peso.
    Ele continua em nuvens macias, estes Ti não têm capacidade de descer das ditas, enquanto que os tais, os do rio, vão mirrando, cada vez mais secos, mais sem chão.

    Ora faça o favor de continuar a escrever, sim?! Gosto, e muito de a ler, ó se gosto.

    Já não se lembrava deste texto? Que prazer me dá revisitá-la, ler textos antigos mas nunca bafientos.

    Um óptimo Domingo.
    Faça o favor de ser feliz.


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    1. GL, não escrevo mais histórias deste género porque acho que as pessoas são bem capazes de achar que enlouqueci, que isto não faz sentido algum, só que este género de histórias faz-me sentir muito bem. É ar puro.

      Obrigada por ter gostado. Essa parte também é muito boa. Bom domingo, GL :)

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  4. Desde quando é que o que essas pessoas pensam - se é que há algumas-, têm algum interesse? Pobres delas, se não percebem é porque perderam a capacidade de voar mais alto, que é como quem diz, de sonhar, de ver mais além.
    Nunca deixe de ser igual a si própria, é isso que faz de si, a tal, a tal que é diferente, sim, mas pela positiva.

    Esse ar puro? Ó, ó, nem imagina a importância que tem, a falta que faz.:)

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