sábado, 14 de janeiro de 2017

Poesia à chuva (iniciativas que emprestam alguma leveza a isto de viver)

Nos artigos que li informam-me que Boston é uma cidade com muitos habitantes, tantos que se uma pessoa fosse fazer conta aos milhões de pessoas que por lá habita, era bem capaz de arranjar uma enorme dor de cabeça. Só por isso é que decidi concentrar-me numa outra forma de ver Boston, soube que existe em Boston uma organização que decidiu divulgar, apoiar, os poetas e a sua poesia pintando-a no chão da cidade, achei tudo aquilo magnífico e pensei cá para os meus botões como seria muito bom ver uma iniciativa parecida nas ruas de Lisboa, entretanto, aos poucos e poucos, estender a todas as cidades deste país. Bom, sonhar não custa, portanto sonhemos enquanto algum partido não se lembra de taxar os sonhos com a  mais alta taxa de que porventura se lembrem. Eu é que com esta última parte deveria ser taxada, onde é que já se viu misturar poesia, chuva e política numa só gaveta?!

São boas, as notícias:

8 comentários :

  1. Muito interessante. No Barreiro existe um jardim, que tem os bancos de madeira pintados de vermelho em cada banco excertos de poemas grande parte portugueses, mas também Vinicius e Brecht.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Não sabia, Elvira. Refiro-me aos bancos que diz existirem no Barreiro. Aguçou-me a curiosidade, um dia destes dou um salto ao Barreiro que, admito, também só conheço de passagem.

      Uma das coisas que mais me faz confusão, para além da irritação que me provoca, é o facto de ver jardins por vezes tão mal cuidados, ao abandono, lixo no chão, relva mal cuidada, flores secas... Não entendo para onde é que vão os impostos das pessoas (?)

      Esta iniciativa em Boston é qualquer coisa de muito bom.

      Abraço e tenha também um bom fim-de-semana.

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  2. Acho uma iniciativa cheia de tudo e fiquei curiosa de ir a Boston:)) Aliás gostaria de conhecer os States porque é de lá que surgem iniciativas tão gratificantes e outras nem tanto, mas pena é que muitos outros não aprendam e sigam essa onda.

    Aqui onde moro o único jardim que existe é uma autêntica porcaria e embelezada pela porcaria deixada pelos donos dos cães. Um nojo. Basta ir um pouco mais além e sobretudo na zona de muito turismo, pois...graça a limpeza, a bela dos jardins sobretudo das cameleiras que nesta altura florescem. Lamento as estátuas que ficamos a olhar para algumas e a pensar que raio de significado terá.

    Se pudesse eleger um espaço, escolheria Gouveia em que a placa do nome das ruas é toda em verso. A capelinha é de encher a alma e tudo limpérrimo:)

    Também já aproveitaram os grafiteiros para embelezarem muros e paredes, o que já é uma obra de arte em vez de "macacadas feitas pela calada da noite onde até os visores dos multibancos não escapam"!

    Também já existe paredes pintadas com um tipo de tinta que quem urinar a mesma faz ricochete e molha os atrevidos:)))

    Porque há muito que não vou a Lisboa dizem-me que parece um estaleiro de obras e realmente por fotos que me mostraram é uma realidade. Podiam usar a ideia do post em tantos locais mas o alto interesse por rotundas e mais rotundas é o que está a dar.

    Um bom domingo

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    1. Como em todos os países, não é um exclusivo dos "states", o facto de existir o lado bom e aquele menos bom. Esta iniciativa de Boston dança no lado bom.

      Agora é que a Fatyly falou muito bem, nas zonas onde existe muito turismo, turistas a dar com um pau (passo a expressão) os jardins, os espaços, estão ali que até se pode lamber o chão e saltitar qual Cinderela em dia de encontro com Príncipe, a Cinderela nem sequer precisa de se preocupar em sujar os sapatinhos de cristal com caca de cão. Tenho para mim que nesses sítios todos voltados para o turismo até os pássaros usam fraldas para evitar que caca de pássaro caia vertiginosamente em cima da cabeça de algum turista :)))

      E olhe que sou a favor, o mais possível, de turistas, que fique bem sublinhada esta parte, penso é que é dever de um país primeiro cuidar dos seus. E é isto.

      Obrigada, Fatyly, pela sua espontaneidade. Um bom domingo para si também :)

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  3. Que ideia interessante, essa! Interessante pela originalidade do processo. Então nós, Maria, também não temos poesia espalhada um pouco por aí? Dois exemplos: bancos do jardim de Belém, junto à Torre têm, muitos deles, um verso.
    Parque dos Poetas, Oeiras. Há partes do percurso, em laje, nas quais estão, igualmente, gravadas memórias dos nossos poetas.

    Como vê...
    Pois! Não ficamos atrás de Boston, com a vantagem de não necessitarmos de chuva.:):)

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    1. GL, o Parque dos Poetas é como se fosse um museu ao ar livre, portanto, quando uma pessoa vai passear naquele local, sabe ao que vai. É suposto estar bem cuidado. Como o próprio nome indica, se é "dos poetas" é suposto transpirar poesia. A malta aplaude mas não chega. Bancos do jardim de Belém junto à Torre de Belém, ora, convém, e ainda bem. Se rimou é porque é verdade :))

      No entanto esta iniciativa prima por estar na calçada, nos passeios, por onde toda a gente dita comum circula. Promove os seus poetas, a sua poesia. É original. O povo (povo, sem qualquer sentido pejorativo) anda à chuva, de transportes públicos, essa é que essa.

      E por falar em povo que também é muito bom... É mais ou menos como certas pessoas que tocam instrumentos musicais, que não são conhecidas, algumas saem à rua, vão para uma esquina qualquer e tocam para as pessoas que por ali passam, seja violino, seja piano... (penso que existe um vídeo extraordinário a circular por aí onde se vê meia dúzia de pessoas que resolveram dar um concerto na rua, é magnífico, não é em Portugal)... Muito gostaria eu de ver os portugueses a fazer mais destas coisas. Claro que não deve ser fácil, saber que se toca bem um instrumento e estar ali na rua a tocar de graça, só que por vezes a graça vira coisa séria. Ah pois é!

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  4. Os poemas aparecem em toda a cidade, em bairros de Hyde Park para Roslindale. Enquanto todos os poemas actualmente instalados são escritos em inglês, Siegel espera adicionar novos em muitas línguas que são faladas em Boston, como português, crioulo haitiano e espanhol, relatórios Guerra.

    Quando chove em Boston, os passeios revelam poesia.
    Que pena não haver poesia no Verão!





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    1. Essa parte do Verão... diz a notícia que, se o caro Observador levar um balde, ou mesmo um bidão, cheio de água, aquilo solta-se a poesia que é uma maravilha. Ou seja, se se atirar água para o chão ainda que seja Verão a poesia dá um ar da sua graça. Não nos preocupemos com pormenores sem a mínima importância :))))

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