segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

(parece que vou falar de xenofobia, parece, mas não vou)

Só para começar a semana com uma notícia que muito me agradou, porque as semanas também podem começar bem, pode até não ser para o nosso lado, mas para o lado de outros. O mundo é todo ele construído com os sonhos de uns e com a queda de outros. Queda de sonhos e queda de pessoas. Construção de sonhos e construção de pessoas.

Esta notícia que me agradou e não é agradar no verdadeiro sentido da palavra, porque  melhor seria é que esta situação nem sequer existisse, falo do rapaz de treze anos a quem foi diagnosticada leucemia e a quem a boa notícia acabou de chegar, foi encontrado um dador na Polónia que pode muito bem salvar a vida de alguém que precisa de ter todo um futuro pela frente. Lá está, a vida tira e, a ironia de tudo isto é que parece brincar connosco quando logo de seguida parece que dá. O parece é que por vezes me aborrece um pouco, tem momentos que aquilo não tem de parecer, tem de efectivamente dar, e tem que voltar a repor a ordem normal das coisas, neste caso é não interromper a vida de alguém de apenas treze anos. 

Estava eu ali a ouvir a notícia atentamente, eis senão quando os meus pensamentos se desalinharam e vão parar a um outro galho de árvore por breves segundos. Falo de galho porque os galhos parecem-me sempre fracos e fáceis de partir... E não é que o raio dos meus pensamentos lhes deram para querer ter um encontro imediato com a xenofobia, que mais não é do que ódio, antipatia, por estrangeiros, ou ao que vem do estrangeiro. Sendo este rapaz de Oliveira de Azeméis, Portugal portanto, a Polónia pode ser considerada de estrangeiro, não pode? 

Portanto a todos aqueles que são xenófobos, eu, Maria, só lhes desejo que se assegurem que não têm lá na rua onde moram, pertinho de casa só pessoas da mesma nacionalidade, não vá o diabo tecê-las.

- / -

Um pequeno aparte: para além dos xenófobos, esses seres fofinhos e muito iluminados, também gosto particularmente de pessoas que gostam muito de dizer "cada um tem o que merece". Não consigo perceber, vai na volta não sou dotada de tanto neurónio que funcione por aí além, se cada um tem o que merece quando apanha com uma doença cancerígena em cima, ou se cada um tem o que merece quando apanha com algo terrível e entretanto lhe é negado aquilo de ter um dador de um país que não o seu. Fica a dúvida...

(espero também que as pessoas percebam o significado de ironia, se não perceberem é ir para dentro que o tempo está de chuva)

10 comentários :

  1. Os iluminados (?) que dizem "cada um tem o que merece" são gente diabólica, triste, pequenina.
    E é porque "cada um tem o que merece" é que essa gente tem essas características.

    O jovem precisa de ser tratado rumo à cura. Venha a solução da Polónia ou de Freixo de Espada à Cinta, é bem vinda.

    Disse tudo? Disse mas ... fui muico contido, ainda assim.

    Boa semana, Maria. Um beijinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O problema de gente que gosta de dizer determinadas frases feitas sem primeiro lhes cheirar o verdadeiro sentido, como esta do "cada um tem o que merece", que me parece ser a frase feita mais imbecil que existe ao cimo da terra, lá nas profundezas da terra é que a frase estaria bem... o problema, dizia eu, é que, se calhar, ainda vão levaram com um valente murro lá no sitio do nariz proporcionado e servido de bandeja pela própria da vida. É perguntar a estes pais do rapaz de treze anos se acham que cada um tem o que merece. Perguntar se tiverem coragem, porque eu cá tenho mas é alguma vergonha no nariz que já teve o "privilégio" de ter sido esmurrado várias vezes.

      (o que me chateou e muito é que o tema "tempo frio" esteve em destaque em tudo o que é sitio durante vários dias e esta notícia morreu na areia da praia)

      Boa semana, caro Observador. Beijinho para si também.

      Eliminar
  2. Que bom que o jovem conseguiu dador. Há anos morou no meu prédio um casal com 2 filhos. Moravam precisamente por cima de mim. A filha de 18 anos foi diagnosticada com leucemia.Além dos pais e irmão, quase todas as pessoas aqui da rua, que não tinham doenças impeditivas fizeram o teste. Ninguém era compatível. E o dador foi encontrado em França.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu cá fico muito contente com estas coisas, a ver vamos se tudo corre bem.

      Pois, aí é que está, o caso que a Elvira aqui trouxe vai ao encontro de tudo aquilo que pretendi transmitir, isto das nacionalidades, de construir muros como alguns querem construir novamente, vai em sentido contrário ao que à dignidade do ser humano diz respeito. Precisamos todos uns dos outros. Estes dois casos ilustram bem o facto.

      Abraço, Elvira.

      Eliminar
  3. Os que referes o tal de xenófobos e outros como dizia o meu irmão..."armados em cagalhão" (desculpa a expressão) quando se sentem apertados pelas partidas da vida, queria vê-los era a dizerem "receber o quer que seja e de quem quer que seja de estrangeiros, jamais e prefiro morrer."

    Fico muito feliz quando sei destes casos e oxalá que o jovem tenha sucesso.

    Lembras-te do desastre na escola do Cartaxo em que vários alunos e professores ficaram queimados e alguns completamente desfigurados? Fiquei tão feliz quando o ano passado soube que dois dos casos mais graves foram convidados por uma clínica bem credenciado num país estrangeiro (não me recorda qual) lhes ofereceu a reconstituição facial, com tudo pago e incluindo a estadia para um ou dois acompanhantes. Ver o antes e o depois...encheu-me a alma.

    Não gosto de muros, não gosto de extremismos porque afinal de contas somos todos humanos e precisamos de todos unidos respeitando o espaço que cada um ocupa na terra. Solidariedade é um bem do qual não se deve abrir mão, mas que muitos não sabem o significado dessa prática.

    Quanto à frase "cada um tem aquilo que merece" que algumas pessoas bem mereciam uma boa dose de "aquilo" para saberem a ser gente e não gentinha.

    Resumindo e concluindo...é Maria é tão fácil criticar os outros, dar soluções aos problemas dos outros e nunca paramos para pensar...que hoje são eles e amanhã podemos ser nós a estar a braços com algo grave.

    Há quem utilize e muito essa expressão após um acto eleitoral cujo eleito não é do seu agrado...mas dirigido ao povo em geral. Fico fula, mas fula mesmo porque a coisa não é bem assim!

    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O xenófobo-mor neste momento é o Trump. Se existe quem o defenda, eu cá não digo nada, porque as pessoas que o defendem já estão a dizer tudo de si. Vivemos em democracia, logo temos que respeitar as escolhas dos outros, contudo, espero eu, que os outros também não se esqueçam de respeitar as nossas. Democracia também é estar no direito de dizer não concordo com aqueles que elegem gente que é xenófoba. E é isto.

      Eu espero e espero mesmo muito que este caso do rapaz de treze anos acabe por correr bem. Faz-em alguma confusão que a vida ceife a vida de gente tão nova, gente que ainda não teve oportunidade de viver rigorosamente nada.

      (admito que não me lembro desse caso do Cartaxo...)

      Um abraço, Fatyly.

      Eliminar
  4. Olá, Maria :)
    Eu sempre que se fala em xenofobia, racismo e qualquer tipo de preconceito lembro-me sempre de um filme de há uns 10... 12 anos... Tem o título "Colisão" e trata várias colisões de valores que no final colidem todos uns com os outros... É com a Sandra Bullock... A Halle Berry... Agora não me recordo de quem são os outros, mas acho que há mais actores assim conhecidos... Gostei muito desse filme...

    E já vi outro, não me lembro qual foi... Sei que foi há imensos anos, nem me lembro que filme era em que duas meninas , de 7, 8 anos, as melhores amigas, uma filha da patroa (branca) e a outra filha da empregada (negra) fazem um corte na pele a ver se o sangue é da mesma cor e há ali um misto de emoções quando percebem que sim....

    As pessoas normalmente dão logo a desculpa de "Ah e tal, são outras culturas, outros modos de vida, não se adaptam..." Tretas.... É preconceito puro... Mas a xenofobia e o racismo não são os únicos... Há imensos preconceitos... Muitas vezes, as pessoas criticam muito uns, mas eles têm outros.... Ainda há dias um grande amigo meu desde os tempos da rádio , escrevia no seu mural do Facebook que as mesmas pessoas que o ano passado tanto falaram contra os refugiados e se fartaram de praguejar contra eles (e que ainda continuam a fazer o mesmo)são as mesmas que criticam o Trump por querer construir o muro! (ou continuar a sua construção)...

    Eu não tenho aparecido precisamente porque ando em baixo... Aconteceu-me uma coisa que me deitou abaixo, estou a passar por um mau momento.... Se é grave? Eu acho que sim.... Posso dizer que não é questão de saúde, nem de ordem familiar... Tem a ver com trabalho... E é capaz de ir dar a preconceito também... Não... É uma coisa que não dá para explicar em poucas palavras... Só posso dizer que Às vezes temos preconceitos com pessoas de condição socio-cultural mais baixa... E depois vemos pessoas com cursos superiores terem atitudes completamente... Baixas... Mesquinhas e, ainda por cima, pouco inteligentes.... Terei o que mereço... Não sei, mas não me parece... Ainda por cima, se era o que merecia não deviam ter tido receio de me o comunicar MUITO mais cedo... Enfim... Tudo se resolve...

    Abraço. Bom resto de fim de semana :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá São,

      Tenho uma vaga ideia desse filme, pelo menos o título diz-me qualquer coisa, não me consigo recordar se o vi ou não, de qualquer forma vou tentar pesquisar para ver se consigo assistir. Obrigada pela sugestão, os blogs também servem para isto, não fazer publicidade só porque convém, mas para explicar a razão porque gostámos de algo. Seja um livro, seja um filme... o que quer que seja, quando revelamos às pessoas as nossa preferências, argumentando, aquilo torna-se apetecível.

      Claro que é preconceito puro, nisso concordo consigo, quaisquer que sejam as desculpas floreadas, ainda se consegue perceber mais que a tentativa é disfarçar o cheiro a preconceito que dali exala.

      Ah, mas isso de as pessoas mudarem de opinião conforme a direcção do vento, é coisa habitual, daí o termo "carneirada", que não sendo um termo bonito, é muito verdadeiro.

      Na minha opinião a gravidade da construção de um muro não é menor só porque já existe alguma parte do muro construída. Dar continuação a algo que existe pelas piores razões ainda consegue ser mais grave. O caminho é o da evolução, não o do retrocesso.

      (este caso que trouxe aqui neste meu texto foi só para exemplificar que as pessoas precisam umas das outras para sobreviver, tenham elas a nacionalidade que tiverem, o sangue é, todo ele, da mesma cor)
      ...

      (quanto ao seu caso, só a São saberá as verdadeiras razões, é tentar analisar de forma racional, limar arestas... não sei, colocar tudo na balança e tentar perceber para que lado pende mais, quando se passa connosco sabemos sempre as verdadeiras razões de algo nos estar a acontecer mesmo que não queiramos admitir, sabemos sempre se alguém nos quer tramar, ou se fomos nós que, de alguma forma, consciente ou inconscientemente, fizemos com algo acabasse por descambar, daí eu ter dito que convém ser racional, só espero que tudo corra pelo melhor, se não correr, a São está viva e se está viva outra oportunidade surgirá, é erguer a cabeça e olhar em frente)

      Abraço para si também e um bom domingo :)

      Eliminar
    2. Pois, eu percebi , Maria, e foi por isso que me recordei desse filme.... No final eles todos acabam por precisar uns dos outros ou beneficiar com a existência dos outros. Há várias colisões de valores ,o racismo e a xenofobia estão no topo , e no final colidem todos. Eu adorei o filme.

      Não, não faço ideia das verdadeiras razões. Presumo que a pessoa que me disse o contrário da realidade também estivesse mal informada e não tenha mentido com intenção, mas a questão é que sempre aprendi que quando não sabemos a verdade sobre seja o que for, não devemos afirmar. No máximo, podemos dizer "Olhe, eu tenho ideia que é assim, mas certeza não tenho.." Isso é uma coisa... Agora, afirmar que é de determinada maneira quando não pode ter certeza... E tanto não pode que se vem a verificar que assim não é.... É algo totalmente diferente.... E ser uma pessoa com um cago de responsabilidade , no exercício da sua função ainda é mais estranho...

      Sabe, tenho pena que não estivessem câmaras a filmar, ou uma escuta, bastava! Porque assim não tenho provas de que a pessoa me disse tal coisa! Nada me garante que quem desmentiu não pensa que fui eu que inventei tudo. A pessoa disse, com todas as letras que tinha sido enviado, pela instituição que representa um email a dar determinada resposta. Garantiu isso. A outra instituição mostrou-me todos os emails trocados (tenho as impressões comigo, que é diferente) e a resposta final diz precisamente o contrário. Ora, eu tenho a prova de que quem falou a verdade foi a outra instituição.... Mas a esta nada garante que eu não inventei a história, ainda que não tivesse motivos para o fazer... Há por aí tanto mentiroso compulsivo, sabe-se lá!? Disseram que acreditaram em mim, mas eu não tenho provas de que é verdade...

      Isto tolda-me um bocado os miolos.... Nunca tive paciência para enredos destes... Por isso é que detestava quando a minha mãe me mandava à mercearia (muito falo eu dessa mercearia! Tal foi o trauma! :D ) .... Ver pessoas com cargos de responsabilidade metidos neles é ainda mais chocante do que ver as vizinhas do bairro... Isso acontecer no exercício do cargo é ainda mais chocante...

      Boa semana. Abraço :)

      Eliminar
    3. De qualquer forma espero que esse seu problema se resolva pelo melhor.

      Tenha também uma boa semana. Um abraço, São :)

      Eliminar