quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Maria pergunta. Eu pergunto, portanto

Isto que vou descrever aqui mais em baixo é tudo no campo do "suponhamos". Ora vamos lá supor umas coisas.

O amigo verbo supor entrou-me pela casa adentro hoje de manhã, não tive como impedir a sua entrada, sendo assim vamos supor. Suponhamos que eu era mãe de uma menina de apenas seis anos, e eu sendo mãe acharia a minha menina linda, sendo eu adepta das redes sociais o mais provável seria publicar várias fotos da menina. Uma com ela de mochila às costas na sua saída para a escola. Outra com ela naqueles momentos de birras monumentais. Outra com ela com aqueles olhinhos cheios de legendas que indicam a preparação de um qualquer esquema maquiavélico próprio da sua idade, sendo próprio da sua idade, a grande idade de seis anos, dizer esquema maquiavélico é a mesma coisa que dizer: lá pegou no pacote das gomas e deitou-as todas no prato de comida do gato provocando-lhe uma dor de barriga daquelas. Outra com ela com o vestido que mais adora, o vestido piroso rosa do mais rosa que existe enfeitado de purpurinas, brilhos, lacinhos, pintinhas e bolinhas e gatinhos aos saltos com cãezinhos. Bom, agora que acho já ter descrito o vasto e possível mundo de fotos a publicar para o caso de ter uma menina de apenas seis anos, passemos ao que realmente interessa.

Vai que ao publicar as fotos, de repente começavam a surgir comentários de tudo quanto é sitio escondido da Internet dizendo que a minha menina era feia, tinha um nariz capaz de envergonhar qualquer mãe, que o cabelo era algo de impensável em meninas que se querem lindas, que... que e mais... que. A pergunta que se impõe é:

De quem é a culpa de a minha menina estar a ser insultada nas redes sociais? Minha ou de pessoas que não conheço de lado algum?


8 comentários :

  1. Esta é fácil.
    A culpa é da mãe que publica as fotografias.
    Sem mais, que se danem as mães que procedem assim.

    Beijinho

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    1. Mães e pais, caro Observador, os pais também já alinham nestas coisas.

      Este texto que aqui deixei hoje foi no seguimento de uma coisa que li numa revista dita cor-de-rosa. Lá está, o tom rosa de algumas revistas não está em consonância com o bom senso de outras. Ou se calhar o rosa de cor é mesmo assim, impede-nos daquilo de ter capacidade de discernir. Vemos o mundo cheio de bolhinhas esvoaçantes e tudo é paz e amor. Quando a maior parte, pelo menos aquela que se dá ao trabalho de pensar um pouco, sabe que não é bem assim. Quando expomos a torto e a direito uma criança na Internet o mundo delas pode bem passar com um simples piscar de olhos, de rosa a negro.

      A notícia que li foi esta:
      http://caras.sapo.pt/famosos/2017-01-24-Gustavo-Santos-comenta-polemica-gerada-por-fotografia-do-filho-publicada-nas-redes-sociais

      Beijinho, caro Observador.

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  2. Sinceramente, Maria a culpa seria sua. Da mãe. Afinal de contas um menina de 6 anos não pode legalmente abrir uma conta nas redes socias; e geralmente uma criança de 6 anos precisa de autorização para fazer qualquer coisa! Ao que me parece as pessoas - digo mães e pais! - perderam a noção que Internet é uma selva, e expor seus pequenos a ela uma irresponsabilidade sem tamanho. Ninguém sabe quem esta a ver essas fotos. Eu sou mãe e sim eu escrevo sobre o meu filho e as peripércias da maternidade mas eu acredito firmemente que o meu filho têm direito à privacidade, acredito nisto desde do dia que ele nasceu. Certo ou errado, essa e a minha posição. Se um dia ele vir me questionar porque eu não coloquei um milhão de fotos dele nas redes sociais que utlizo, direi a ele a mesma coisa: “ não posso dividir algo que não me pertence”.

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    1. Esta é uma grande resposta, Giselle. E sendo uma grande resposta, merece ser lida atentamente.

      Eu acho, porque gosto efectivamente do seu blog, pena que seja tão pouco divulgado, que a Giselle sendo mãe e escrevendo sobre o seu bebé também, o faz com muito equilíbrio. Revela aquilo de ser uma mãe bem consciente, agrada-me muito.

      Eu acho que os bebés pertencem às mães/pais, as mães/pais têm é a enorme responsabilidade de os educar de tal forma que um dia possam pertencer ao mundo em modo muito bom :)

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  3. Não serve uma resposta dupla, pois não? Pois já calculava que a menina não ia por aí.
    Assim sendo, a culpa é sua. Percebo que ame muito a sua filha, que tenha orgulho nela, que goste de gritar ao mundo que a sua menina é a mais bonita do mundo inteiro e arredores. Todas as mães são assim e muitos pais também. Mas eles são adultos. Conhecem ou devem conhecer a vida e sabem ou deviam saber que as redes sociais estão cheias de gente mal formada cujas vidas infelizes parece que só atingem algum brilho quando destilam veneno em cima de outras pessoas. (Acrescente-se que eu não tenho qualquer razão de queixa, e que tenho grandes amigos hoje que começaram nas redes sociais, e que me deram muitas provas de amizade, quer quando estive hospitalizada, quer quando os meus pais morreram) Convém frisar isto porque por lá não anda só gente que não presta, anda muita gente boa. Mas esses não procedem como os da sua suposição.
    Adiante. Dizia eu que era obrigação da menina saber ao que se expunha e pior ainda ao que expunha a sua filhota. Como diria a minha avó. "Se não podes mudar o rumo do comboio não te metas debaixo dele."
    Abraço

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    1. Mais uma resposta que revela aquilo do bom senso. É mesmo por aí, Elvira. Também eu concordo que a culpa seria minha e só minha. Cá de choradinhos de gente crescida, adultos portanto, pais e mães portanto, que se sentem muito indignados, chocados, por os filhos pequenos serem alvo da má formação de estranhos que circulam na Internet (sem entrar em generalizações, obviamente). Não tenho lá muita pachorra para pessoas assim. E eu lá era capaz de expor um filho meu na Internet, só morta, ou seja, se já cá não estivesse e não o conseguisse proteger, aí não teria outro remédio. Sim, sou muito dura com isto de fotos de crianças na Internet. Não gosto.

      Se se publica fotos dos filhos na Internet, até aí a pessoa tem que ser adulta, assumir as consequências - se existirem - aguentar com as críticas de cabeça erguida e não fazer papel de tola queixando-se, dizendo que as outros é que são gente má e muito má e tal. É como escreveu "Se não podes mudar o rumo do comboio não te metas debaixo dele." Muita gente existe que gosta de se meter debaixo do comboio e depois diz que o comboio é que teve o grande descaramento de lhes passar por cima...

      Abraço, Elvira.

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  4. A irresponsabilidade é da mãe e do pai, da avó, do avô e do cão e gato! Ou seja A ou o filho é nosso e com seis anos, continua a ser nosso mas há que respeitar o seu espaço como "individuo" e pensar em protege-lo é obrigação de todos incluindo a sociedade. Deve haver forma de limitar esses insultos, não faço a mínima ideia como e se é possível. Talvez a mãe não veja mal algum - problema dela - mas nunca saberá se um dia será a própria filha a cobrar-lhe com juros.

    Tempos modernos e muito tecnológicos mas tudo na vida deverá ter regras com contrapeso e medida, julgo eu de que...

    Um bom dia

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    1. As crianças têm que ser protegidas pelos adultos enquanto não crescem e não conseguem proteger-se sozinhas. Portanto é da responsabilidade dos pais não as expor num mundo virtual todo ele cheio de gente que se esconde num canto escuro de um monitor. Se existe gente boa no mundo virtual, também existe gente que não presta, que não tem boas intenções. Faz-me tanta aflição ver fotos de bebés, publicadas pelos pais, na Internet. Fico sempre a imaginar que aquilo pode estar a ser visto por um pedófilo qualquer que vai arquivar a foto e fazer sabe-se lá o quê com ela. Muitos dirão: ah, mas é só uma foto... Não, não é SÓ uma foto...
      ...

      Tenha também um bom dia, Fatyly.

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