quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

knock knock. Maria quer enviar um postalinho ao professor João César das Neves

Senhor professor João César das Neves,

Espero que este postalinho pintado de tons invernosos quanto baste, o vá encontrar bem junto dos seus, porque dos meus eu cá me vou arranjando. Finda a lengalenga, senhor professor, vamos lá tratar do que realmente interessa. Visionar Maria esfregando as mãos, não porque está frio mas porque existem conversas que só é pena que não aconteçam olhos nos olhos.

Ora pegando nos olhos, salvo seja para os olhos, diga-me cá senhor professor o que quis dizer com aquilo de que as pessoas devem ter filhos, muitos até, olhar mais para o futuro em vez de só se centrarem no presente, porque num tempo lá mais para trás existiu gente que até tinha dez filhos e tudo se criava? 

Bem sei que o jornalista Pedro Pinto da TVI24 fez o seu papel (poucochinho naquele ponto essencial de fazer uma pergunta a doer, mas pronto, suficiente mais a descer para o menos, vá)... E o que é que Pedro Pinto perguntou ao senhor professor em modo de... desculpe, eu não queria incomodar nem nada mas, não acha que nos dias que correm as pessoas têm mais diffff... difff... (bolas para as dificuldades)... Ter em conta que não estou a citar o jornalista, estou apenas a usar as palavras que reflectem o sentido dado à pergunta.

Dito isto, senhor professor João César das Neves, o que eu gostaria de lhe perguntar é se não acha que nos dias que correm ter dez filhos assim à maluca (desculpe que eu de quando em vez dá-me  para amalucar coisas) sem que as pessoas tenham trabalho e mesmo tendo trabalho ganhem o ordenado mínimo, vivam num apartamento ali num bairro sem quaisquer condições, a pagar uma renda de casa superior ao ordenado que ganham é assim, como é que hei-de dizer isto, meio de gente que bebeu três litros de vinho de pacote e de seguida vai de procriar como se não houvesse amanhã e, tungas, dez filhos para criar? mas tudo se cria não é verdade senhor professor? é só enfiá-los dentro da banheira, ali em cima uns dos outros, muito bem arrumadinhos, faz de conta que aquilo é um beliche muito moderno e já com chuveiro incluído, só para desenrascar plantam-se batatas no lavatório da cozinha, couves no bidé, e uma laranjeira na chávena de chá, visto que a malta não é British e não precisa de chá para nada. e o fruto da laranjeira sempre fornece vitamina C aos filhotes todos. Resta saber onde é que vão pôr a pocilga dos porcos? se calhar ali na sala de estar e onde se vai deixar de estar só para que os porcos crescem à vontade lá deles. E as galinhas? bem, as galinhas penduram-se pelo pescoço no estendal da roupa que ao ar livre é que estão bem. Os ovos são capazes de se esborrachar na calçada menos portuguesa, mas isso não interessa nada, tudo se cria, até galinhas com dentes.

Caramba, tem dias em que uma pessoa só lá vai amalucando só para não se desorientar de vez...

9 comentários :

  1. O das Neves - não confundir com o abominável homem das - é um tolo. Conversa, a dele, para 'encher chouriços' e mostrar o seu lado lunático.
    Ele sabe lá do que fala.
    O das Neves, este, tem quatro filhos. Por que carga de água não teve/tem mais?

    Aquelas conversetas com o Pedro Pinto são, na sua maioria, um atentado televisivo à inteligência humana.
    Pedro Pinto é aquilo e não dá mais.

    Temos que nos ir amalucando, Maria. Única forma de percebermos certa gente que anda por aí.

    Beijinho, ilustre Maria ;)

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    1. Desconhecia este espaço de comentário (penso eu que é um espaço de comentário, não sei, os "Olhos nos Olhos" da TVI24) só lá fui parar por causa disto da box, e vai que me deu para ver aquilo do principio ao fim, atentamente. Só sei que dei comigo a ficar com um nervoso miudinho na parte dos filhos, a querer sentar-me ao lado do prof. só naquela de lhe fazer perguntas. Que coisa! Esta espécie de discurso populista, não sei se lhe posso chamar assim, é um bocado ao lado, se no tempo dos meus avós realmente se tinha 10/12/16 filhos e tudo se criava, as mulheres não tinham um papel muito relevante na sociedade, relevante no sentido de que a sua principal preocupação não seria licenciar-se, ser financeiramente independente... E tudo se criava porque existiam casas, que sendo pobres, tinham um quadrado de terra que permitia mal ou bem subsistir, nos dias que correm tudo mudou, e muito.

      Só gostava de saber, embora não seja pessoa de me meter na vida privada dos outros, quanto é que o senhor prof.ganha para sustentar os seus quatro filhos? Será que ganha o ordenado mínimo nacional? Será que ganha uma fortuna (estou a ironizar) género 1.000 euros sem os devidos descontos em cima? É que hoje em dia sustentar quatro filhos não se faz estando desempregado ou com os grandes ordenados que se praticam neste país. Existem pessoas que têm um filho e ficaram ambos sem emprego, imagine se tivessem dez...

      (o Pedro Pinto, bem, o Pedro Pinto é um jornalista giro e charmoso, neste momento não consigo ver mais nada, está muito nublado por estes lados, mas que gostava de ver para além do giro e charmoso, lá isso gostava, peço desculpa por dizer o que penso...)
      ...

      Beijinho para si também, caro Observador.

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    2. João César das Neves é professor catedrático e presidente do Conselho Científico da Católica Lisbon School of Business & Economics, autor de mais de trinta livros e de múltiplos artigos científicos e ainda colaborador na imprensa, assinando a coluna ‘Não há almoços grátis’, no Diário de Notícias.
      Coisa pouca, de onde o senhor não deve ganhar para a sopa.

      Obrigado, senhora. Vou ali, ver como estamos de chás :)

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    3. Eu sei, caro Observador, fui ler umas coisas quando acabei de ver o tal programa.

      Pois, realmente não há almoços grátis. Está tudo dito.

      (eu cá acho que alguns jornalistas também começaram a ter "medo" de fazer perguntas, não sei, digo eu, diz que Margarida Marante foi uma das maiores nisto do jornalismo, se calhar precisamos de qualquer coisa naquela onda nalguns espaços... ainda que não deixe de sublinhar que temos muito bons jornalistas neste nosso Portugal, e quando digo bons refiro-me a qualquer canal, seja SIC, seja TVI, seja RTP)

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    4. Margarida Marante foi uma das melhores.

      Muito bons jornalistas?
      Vou procurar no Google só para ter uma pista onde procurar.

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    5. (não seja assim, existem sim senhores bons jornalistas, não se pode deitar abaixo o todo só por culpa de alguns)

      Aliás, o caro Observador, já deixou por aqui pelo menos um nome de uma jornalista, penso que é da RTP, que disse ser uma óptima profissional. Não me recordo do nome...

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    6. É verdade sim senhora. Eu, me my self, I, já aqui deixei a indicação de mais que um bom jornalista.

      Generalizei, no meu comentário acima. Talvez porque a quantidade/qualidade da maioria me toldou o raciocínio.

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  2. Não gosto de o ouvir e muito menos dos seus artigos de opinião aos quais há imensas respostas a esse sujeito que não deve saber nada da vida real.

    Se tem quatro filhos ainda está na idade de fazer mais e subscrevo esta tua carta.

    Estas coisas tiram-me do sério!

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    1. Eu não o conhecia, admito, não digo que não seja inteligente, porque acho que até é, o que não entendo é esta coisa de se falar da vida das pessoas como se toda a gente neste exacto momento, neste país, tivesse condições para ter muitos filhos. Era bom que assim fosse porque realmente precisamos que nasçam crianças, mas a realidade grita-nos que não. Ah e tal mas as pessoas compram carros e vão de férias e compram iphones e não sei quê, pois, mas isso são meros objectos de que se podem livrar se assim entenderem. Crianças são seres humanos, não podem ser "coisas" descartáveis, não podem ser deixadas por aí ao Deus dará, têm que ser protegidas e essa protecção passa por lhes ser dado um tecto, comida, educação/formação académica, acesso a tudo aquilo que vão precisar para se poderem desenrolar num futuro que, me diz, não vai ser pêra doce.

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