quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Diálogo entre um jornalista e uma pessoa de idade que se recusa acreditar no jornalista

Decorria o ano de dois mil e dezassete, muito bem sentado no dia dezoito, seriam horas daquelas muito matinais, muito matinais no sentido de que existem horas que são menos matinais do que outras. São horas com muitas manias porque têm a mania do muito e depois é o que se vê. 

Ora adiante que não tarda, com tanta letra junta, já serão horas vespertinas e o prazo de validade da conversa bem boa foi-se.

Jornalista: O que é que o senhor me diz deste dia mais frio do ano?
Senhor: (olha o jornalista, mastiga para dentro de si fazendo um barulho ensurdecedor, porém inaudível para quem se encontra do lado de fora)
Jornalista: Sabe que hoje é o dia mais frio do ano, não sabe?
Senhor: (olha circunspecto o céu azul mesmo lá em cima) ... Não acho que hoje seja o dia mais frio do ano...
Jornalista: (insiste e não desiste) ... Mas... não acha que está muito frio?
Senhor: Já tivemos dias mais frios, dias com muita geada, hoje não está frio, até está um dia de Primavera...
Jornalista:  (volta-se para a câmara e de olhos nos olhos com os que se encontram do outro lado, conclui... e daqui é tudo, neste que é considerado o dia mais frio do ano). Com ponto final e tudo.
Senhor: (vai olhando para o jornalista como quem diz - só me saem é duques!)

Tem dias em que uma pessoa pensa que pessoas iguais àquele senhor deveriam ser jornalistas por um dia. é o que é. São pessoas habituadas a tanto frio que acham que nós, os da cidade, somos umas grandessíssimas flores de estufa que não dizem coisa com coisa. Vai na volta até têm razão... 



8 comentários :

  1. Fizeste-me rir à gargalhada porque também ouvi algumas entrevistas a "gente da terra habituados ao frio" que de facto deveriam "ser jornalistas por um dia"!

    Aqui é uma zona bem fria, talvez a maior do Distrito de Lisboa pelas razões que sabemos - serra de Sintra.

    Apesar de não gostar do frio como bem sabes, aguento-o muito bem e não deixo de fazer o quer que seja. Também sabes que me deito com as galinhas e por vezes levanto-me antes delas:))) Não uso qualquer aquecimento artificial, uso camadas de roupa:)))

    Hoje mesmo: 6,30h da manhã e o termómetro que tenho fora da janela marcava 2 graus. Bebi o meu copão de leite, arranjei-me e fui dar a volta habitual. Tomei o café, comprei o pão e dei uma enorme volta e quando passo por um jardim pequenino encontro um senhor que conheço que é mais maluco do que eu sentado num banco e tivemos um diálogo fascinante, mais ou menos assim:

    - Bom dia vizinha finalmente encontro alguém que não dá ouvidos aos "locutores friorentos". Os da nossa classe está tudo enfiado em casa e não se vê viva alma.
    - Bom dia vizinho (e pensei que iria falar da vergonhosa cena ou cenas do seu sporting e assentei-me a seu lado)
    - Não é bem assim olhe que o comboio ia à cunha.
    - Pois ia, mas por estas paradas não se vê ninguém, melhor dizendo vejo-a agora e deu uma gargalhada pois não tem medo do frio.
    - Não tenho não Sr.X, tenho mais medo do que vejo por aqui quando o sol está bem quente.
    - Pois é, pois é e depois vão para o Centro de Saúde com dores nas dobradiças e a fungar do nariz.
    e pela milésima vez falou do tempo em que nevava aqui na Serra (é verdade pois há fotos que comprovam), que iam para escola a pé, etc, etc.
    - Tenho pena que nos anos que moro aqui não tenha acontecido porque nunca vi neve. Já agora o que diria aos locutores friorentos?
    - AH!AH!AH! tirava-lhe o microfone e fazia-lhes umas certas perguntas que ficariam sem resposta. Juro que fazia. Mas nos meus 84 ainda me chamariam "caquéctico" ou "xéxé"!
    - Nada disso. Gostei de falar consigo mas vou andando porque estar parada não é nem nunca foi o meu modo de ser. Fique bem vizinho e oxalá que ainda o veja na televisão:))))
    - Sim eu também vou por ali porque ainda não dei a volta que pretendo dar.

    Vim-me embora a sorrir e sorri ainda mais ao deparar-me com este teu post!

    Bom almoço e obrigado por este momento


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    1. Olhe que este seu diálogo lá com o senhor do banco de jardim também é muito bom :))))

      Hoje também comecei o dia a rir por causa deste senhor, tenho para mim que existem pessoas de idade, rijas que só elas, que nos chutam para canto com a sua sabedoria, a sua perspicácia, o seu ar de gozo, porque é mesmo de gozo que se trata, gozo daquele que provoca riso no bom sentido, quando nos dão lições de vida muito à sua maneira. Achei tudo aquilo do mais delicioso que existe. Eu cá se fosse o jornalista enfiava-me num buraquinho e só saía no Verão (ahahahah).

      Obviamente que a temperatura no final da tarde/inicio de noite começa a cair abruptamente, é preciso ter cuidado, mas daí a espalhar o pânico é um bocadinho demasiado. Afinal estamos no Inverno, em Janeiro, é suposto existir frio. Desde que as pessoas de mais idade (não esquecer as crianças) saibam proteger-se, o frio é normal.

      Tenha, então, um bom almoço, Fatyly.

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  2. Só tenho coisas que me ralem.
    Como por exemplo falar-se do dia mais frio do ano quando, do ano, ainda apenas se passaram 18 dias.
    Mais coisas que me ralam: o tipo de jornalismo que se faz na Tugalândia, esse sim (o jornalismo) frio com valores negativos e de arrepiar aquilo que se costuma chamar de espinha mas que de espinha nada tem.
    Ainda outra coisa que me rala: o facto de os jornalistas recusarem que há senhores que sabem mais a dormir que eles (jornalistas) acordados.

    E pronto, chega de ralações.
    Está frio? Agasalhemo-nos o quanto baste.

    Boa quarta feira, Maria.
    Um beijinho

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    1. E pronto, lá está o caro Observador a observar (passo o que tiver de ser passado) pormenores sem a mínima importância, isso de "quando, do ano, ainda apenas se passaram 18 dias". Isso por acaso é importante? É?! Não é, pois não? Ora sigamos que ainda a missa vai no adro. Ou a procissão. Penso que a procissão é que vai no adro. Ou o adro é que vai na procissão. "Uótéver", que é como quem diz... whatever. Vê, pormenores sem a mínima importância :))))

      O engraçado nisto tudo é que alguns jornalistas querem à força toda impingir que está um frio de rachar, insuportável, capaz de uma pessoa ficar com os dedos congelados e aquilo até se partir e tudo e tudo, e as pessoas de idade munidas de uma paciência de jó, lá vão dizendo que não, não está assim tanto frio. Ó pá (desculpe esta parte) ainda dizem que não se passa nada neste país capaz de nos fazer rir.

      Tenha um óptimo dia, caro Observador. Beijinho.

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  3. Saí logo de manhã. Talvez porque ia agasalhada, não senti frio. Mas cheguei a casa com as mãos roxas e geladas e os pés idem, idem, aspas, aspas.
    Mas eu sou de extremos. Vem um pouco de frio e eu fico gelada, a temperatura sobe aos 25º e eu quase derreto.
    Um abraço

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    1. Elvira, vou responder a este seu comentário num registo um pouquinho mais sério. Apercebi-me hoje ao falar com pessoas com um pouco mais de idade que muitas não percebem a diferença entre temperatura máxima e temperatura mínima (não é o seu caso, evidentemente). Vai na volta até quando se fala do tempo, assunto que muitos dizem ser irrelevante, deveria existir por parte de alguma (refiro-me a alguma somente) comunicação social essa coisa do rigor, se calhar informar que a temperatura mínima se refere ao período da noite, é aí que a coisa se torna agreste, ou ao cair da noite, para sermos mais rigorosos. Durante o dia se calha a estar sol, como é o caso, o nosso amigo sol ameniza bastante o tempo. E é isto. Parece-me. Se calhar evitaria que muita gente para cima dos setenta anos tivesse entrado em pânico.

      Um abraço para si também.

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    2. Sempre soube que a temperatura mínima era no período noturno, embora às vezes ela baixe ainda mais perto das nove da manhã, mas isso é raro. Meu filho anda esta semana a sair à meia noite e diz que está um frio de rachar. A minha casa está todo o dia exposta ao sol, é quente. Não tenho lareira, tenho um aquecedor há dez anos e ainda não foi estriado. Em compensação de Verão estão as ventoinhas ligadas as 24 horas.
      Um abraço

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    3. E tem razão, esqueci de referir essa parte, a temperatura mínima também se estende ao período da manhã. Não faço a menor ideia de que a horas a que horas.

      Lá está, Elvira, eu acho que este assunto do frio rigoroso, o colocar em risco a vida de pessoas com idades mais avançadas deveria ser atacado pela raiz, não com um género de maquilhagem que não soluciona coisa alguma, ou a solucionar alguma coisa é momentâneo. Ou seja, ver as condições em que muitas pessoas de idade têm as suas casas, casas essas muito antigas. Perceber se não seria boa ideia reduzir ao mínimo dos mínimos, a essas pessoas de mais idade e com fracos recursos económicos, a factura da electricidade, estudando caso a caso, obviamente. Isto tudo para que as pessoas pudessem usar caloríficos e assim manter as suas casas quentes. Estou convencida que muita gente passa mal porque não pode usar fontes de calor, e isso é triste, não deveria acontecer num país que se diz de primeiro mundo.

      Um abraço, Elvira.

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