terça-feira, 10 de janeiro de 2017

(coisas que uma pessoa vai percebendo nesta cidade que é toda ela blogosférica)

Vamos supor que alguém escreve um texto num blog e que esse texto por variadas razões terá muitas fissuras. digamos assim, descobri, sem querer, que existe quem aproveite essas mesmas fissuras para brilhar, será um género de brilho turvo que se alimenta das fraquezas dos outros para assim sobreviver. É como se o mundo (neste caso blogosférico) estivesse partido ao meio e existisse de um lado aqueles que mal ou bem escrevem sem primeiro se deslocar ao frigorífico alheio e, aqueles, que mais para mal do que para bem, primeiro entram no frigorífico alheio, pela calada da noite, e resolvem trazer de lá a carne mais putrefacta que encontrarem, que traduzido quer apenas dizer, dá muito mais gozo a algumas pessoas rebaixar do que elevar. 

Assim vai o mundo nos dias que correm, se ainda fosse só o blogosférico não estaríamos mal, mas quer-me cá parecer que não. O Natal afinal de contas já era e isso da paz e do amor universal, mais centralizado no local, temo que já tenha perdido a validade. É Janeiro. Viva Janeiro. Uma pessoa não consegue conter a excitação de virar a página e encontrar Fevereiro.


(pertenço ao grupo dos que não gozam com ninguém disto dos blogs, lá terão as suas razões para ter um blog e escrever, sobranceria é um chá que não aprecio, de todo, faço criticas, é um facto, tento que sejam construtivas, argumento, fundamento, mas serão sempre criticas voltadas para pessoas que terão um lado público, pessoas conhecidas da maioria de todos nós, é nisso que me concentro, ou seja, critico quem acho que estará mais alto do que eu, o que quer que isso queira dizer, porque isto de criticar quem se acha que está abaixo - o que quer que isso queira dizer, também - de nós é revelador de toda uma mesquinhez que tresanda, é poucochinho, portanto, algumas pessoas disto dos blogs acham que todos os outros, exceptuando os que pertencem ao seu clube, estarão abaixo, esperemos que não sejam líderes nalgum lugar na vida dita real, estaríamos todos lixados se assim fosse)

8 comentários :

  1. "(...)existe quem aproveite essas mesmas fissuras para brilhar, será um género de brilho turvo que se alimenta das fraquezas dos outros para assim sobreviver".

    Esse tipo de gente merece da minha parte atenção zero. Mais, incluo essa malta num lamentavelmente cada vez maior número de seres abjectos.
    Já dizia o outro que agora não me lembro quem, 'só não erra quem nada faz'. Esta expressão faz algum sentido embora, convenhamos, se perceba que há gente que mesmo não fazendo nada, erram. O próprio não fazer nada é já de si um erro mas adiante.

    Pronto, já disse o que tinha para dizer, presumivelmente em formato duro. Temos pena.

    Aligeirando a coisa, quero agradecer a Maria esta brilhante passagem do seu texto: "(...)argumento, fundamento, mas serão sempre criticas voltadas para pessoas que terão um lado público (...)".

    Dito isto, cá o eu público vai andando :))
    Beijinho, excelência!

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    1. Isto da blogosfera, das redes sociais, daria pano para mangas para quem quisesse estudar o fenómeno, o comportamento humano numa onda virtual. Qual reality show, qual quê. Consegue-se perceber sem grande esforço que aqueles supostamente mais fortes, só o são porque existem os mais fracos, por assim dizer, que lhes dão força. Não fosse permitido comentar e muitos blogs morreriam de um golpe só. Já percebi, por exemplo, que textos a gozar com outros bloggers têm trezentos mil comentários, mas quando aquilo são textos normais a coisa é muito fraquinha. O alimento vem efectivamente do que outros escrevem, não fosse isso...

      Quando digo que a criticar, critico figuras públicas, é mais do que óbvio porque o faço. Só com criticas construtivas a pessoas que desempenham determinadas funções se consegue limar arestas. Ou pelo menos uma pessoa tenta. É dever das pessoas (dever de todos nós) dar uma opinião. Sejam políticos, sejam jornalistas, sejam apresentadores de tv, sejam comentadores, sejam actores, cantores... Se a malta não disser nada, também nada muda. E quando digo criticar não me refiro ao vestido ou à gravata da figura pública, a coisa é um pouco mais acima.

      Podem alguns argumentar que um blog é público, logo sujeito a criticas, é bem verdade, mas que a coisa não seja ao nível de mulher de pátio. Elevar é preciso, penso eu que...

      Beijinho, caro Observador, fosse eu excelência e estaria a apanhar banhos de sol numa qualquer praia do Brasil. Isso é que era :))

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  2. Bom parece que a blogosfera, é mais ou menos a mesma coisa do que a vida real. Há sempre alguém que quer aparecer, ser melhor que os outros, como há sempre alguém capaz de se aproveitar do trabalho dos outros para fazer figura. A diferença, é que na vida real, conhecemos quem é quem, olhamos o outro no olho e só nos deixamos enganar se formos muito distraídos.Olhar o nosso interlocutor, olho no olho, ainda é a nossa melhor defesa.
    Aqui a coisa é diferente. Não sabemos quem é quem, não sabemos quem usa máscara, quem é sincero ou um fingidor, e claro que não me refiro aos poetas. Posto isto estamos conversados não é mesmo?
    Um abraço

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    1. Ser melhor não é mau, antes pelo contrário, só que nesse ser melhor terá que existir aquilo da competitividade saudável. Eu já passei por duas situações não muito agradáveis aqui na blogosfera, uma logo no inicio, teria este blog meses de vida, basicamente escrevia e não tinha comentários, não era coisa que me tirasse o sono, gosto de escrever. O meu blog não era conhecido, um dia resolvo comentar num blog que me apareceu nas pesquisas de blogs conhecidos, andei por lá a ler uns textos, achei que quem escrevia o blog era uma pessoa simples, provavelmente boa gente, deixei um comentário num texto e a partir daí a pessoa todos os dias me visitava, era a única, eis senão quando começa o pesadelo, todos os dias ao ligar o blog tinha um comentário da pessoa e outro anónimo com insultos que não passa pela cabeça de ninguém, aquilo era de p#t@ para cima, uma linguagem do mais baixo nível que se possa imaginar, começou a ficar assustador, era de alguém que revelava um desequilíbrio que não é brincadeira nenhuma. Pedi a um amigo para me ajudar, é engenheiro informático, ele disse-me que aquilo vinha da zona do Norte, identificou e deu-se a bronca. Foi feio. E triste também. O outro caso muitos o conhecem, teve a ver com um desafio, nunca vou perceber o que se passou, penso que o problema todo teve a ver com o facto de ter convidado alguém para responder a perguntas e ter feito perguntas que não era suposto fazer, fui acusada de não receber bem a blogger em questão, enfim... algo que podia ter sido interessante, tivesse a pessoa dado a volta à questão munida de fair-play, de sentido de humor, de poder de encaixe, e aquilo teria acabado como acabam os melhores jogos de xadrez. Eu gosto de jogar xadrez, muito até.

      Estou consigo, Elvira, nada melhor do que olhar olhos nos olhos, embora exista gente que também é perita nisso de enganar mesmo quando nos olha de frente.

      Abraço para si também.

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  3. Gente que gosta de pisar gente é o que mais há. Só têm uma grande "qualidade": esborracham sempre aqueles que, do alto da sua sapiência, consideram mais fracos.
    Por esses não sinto nada, rigorosamente nada, nem sequer desprezo. É que isso dar-me-ia algum trabalho, e o meu esforço é sempre direccionado para aquilo que vale a pena.
    Mas Maria, pensemos.
    Não acha que esse modo pequenininho, muito pequenininho de estar na vida não é exclusivo da blogosfera? Os blogues são meros retratos do que é a vida real, diria mais, do que é uma sociedade.
    Faz parte de todas as espécies animais atacar, derrotar, engolir as espécies mais fracas. Ah, mas isso são os animais irracionais, dirá a Maria. Pois é aí que se engana!
    Esses não são maus, nem estúpidos, lutam pela sobrevivência.
    Essa dita gente que gosta de esborrachar gente é, além de mal formada, estúpida e mesquinha.
    Quer maior prova do que afirmo do que o prazer que têm em magoar o outro, ofender, amesquinhar?
    Este mundo é perverso, muito mesmo.
    Jogar à defesa poderá ser uma hipótese, mas para quê? Porquê?
    Não, nunca entenderei esse tipo de comportamento, isto graças a todos os deuses. Estou a anos luz dessas almas, muitos mesmo.
    Uma confidência. Também já fui bafejada com uma experiência super, super gratificante, não pense ter a exclusividade, Maria.
    Não me preocupam os pobres de espírito, mas os outros. Os que não têm direito a um teto, nem ao pão nosso de cada dia, nem à instrução, nem sequer o direito a sonhar. Esses sim, tiram-me o sono, os outros?!...

    Tenha uma boa noite, Maria.

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    1. GL, estou em crer que isso dos mais fortes e dos mais fracos não existe, existe é gente que tem uma propensão para seguir e outros para serem seguidos, existindo uma queda natural para a desonestidade, para a crueldade, para a esperteza em servir os seus interesses, aqueles que são seguidos aproveitar-se-ão sempre dos que os seguem tornando-os cada vez mais fracos. Talvez o verdadeiro problema se encontre realmente nisto a que vulgarmente se chama de "carneirada". É o tal servilismo que deveria ser arrancado pela raiz, de vez.

      A vida virtual tem esta coisa rastejante de esconder seres por detrás de um monitor que ganha força quanto mais é a força das palmas de outros. Convém não generalizar, obviamente, mas que a cobardia não tem rosto, lá isso não tem e, ainda por cima, é viscosa.

      Nós somos animais racionas, GL, é isso que nos difere dos outros, a diferença é que uns têm em vista olhar em frente, com os olhos sempre postos na evolução, no saber, e outros terão em vista o olhar para trás. Olhar para trás atrasa todo o processo de evolução da espécie humana. Uns irão sempre atacar com vista na destruição do outro, são os pobres de espírito e sem se aperceberem, mais fracos. Os outros irão sempre arranjar forma de progredir sem ser necessário recorrer à destruição, logo, sem se aperceberem, mais fortes. A existir futuro está, seguramente, nas mãos dos segundos.

      Isso de jogar à defesa, aquilo de a defesa ser o melhor ataque, não é bem assim... Um assunto que daria pano para mangas.

      (não tenho a exclusividade, GL, eu apenas falo dos assuntos, essa é a única diferença, penso que falar até ajuda outros a perceber determinadas coisas, nós não falamos de alguns assuntos que nos incomodam, preferimos ignorá-los, isso é do mais errado que existe, não é falar a toda a hora, é falar para que algo mude)

      Tenha um bom dia, GL.

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  4. O que sou na vida real, sou tal e qual nesta cidade como apelidas. Já fui insultada, sem nunca ter insultado e muito menos plagiar. Digo sempre a minha verdade mesmo que essa verdade seja a única em contra corrente das muitas.

    Também acho que muita gente visita os blogues e lê tudo na diagonal ou então nem sequer se dão ao trabalho de nem isso fazer.

    Identifiquei-me com a parte final do teu texto e também faço parte do teu grupo.

    O resto? é andar...senhores, é andar porque só vence quem anda aqui por bem e com a educação que deveria fazer parte de todos. Mas se no real não fazem aqui muito menos!

    Parabéns pelo texto!

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    1. Eu acho que a vida virtual deveria ser objecto de estudo. Aprofundado. E existem realmente seres capazes de ludibriar os outros de forma exemplar, exemplar no mau sentido. Existe também uma parte patológica. Ó se existe.

      Obrigada, Fatyly, tenha um bom dia.

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