segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Coisas que me apraz perguntar neste ano que já vai no segundo dia

Eu sei que deveria estar a escrever sobre coisas mais elevadas, de tons azul turquesa, cor essa que me agrada sobremaneira, só que uma pessoa levanta-se, está ali a beber o café acabadinho de tirar da máquina que papai ofereceu, e ó o fumegar do café, e ó o cheiro do café e ó... e ó... nisto é literalmente (bom, é um bocadinho menos de literalmente) atropelada por uma notícia que lhe entra pelo nariz adentro. O café lá de dentro da chávena encolhe-se, arrefece de repente. O fumego já era. E o aroma? Viste-o? Ou será, viste-lo?

O que eu sei é que vi escarrapachado nas notícias que Portugal tem de importar esperma. Tem? Mas porquê? Isso quer dizer que os homens portugueses resolveram emigrar todos como alguém lá mais para trás sugeriu e vai daí temos que lá ir pedir se fazem o favor de contribuir para o desenvolvimento do pais? É isso? Uma pessoa já não percebe nada. Vai na volta ainda me dizem que os cinquenta euros (dizem) pagos por cada doação de esperma não compensa. Ou vai que são bem capazes de me dizer, não dizendo, que querem fazer as coisas tão rapidamente sem primeiro assegurarem que sim senhores, aquilo tem pernas para andar?

(bolas, agora já não posso beber outro café, lá terei de esperar pela hora do almoço)

10 comentários :

  1. Vim aqui por sugestão de outrém!
    Fico por cá!
    Bom 2017
    https://osmeusidealismos.wordpress.com/

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    1. Olá Utena, esteja à vontade, quando assim achar por bem diga sempre o que lhe vai na alma, ainda que seja contrário ao que por aqui escrevo. A conversar é que as pessoas se entendem :)

      Tenha também um bom ano de 2017.

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  2. Em Maio de 2010, para conseguir responder à procura dos casais inférteis, Portugal teve de importar esperma, uma carência que deverá ser suprimida com o banco público de células sexuais.
    Seis anos depois … pronto, é a crise é a crise.
    E depois ainda me perguntam por que motivo cheiro tantos limões e bebo chá de camomila.

    Beijinho, Maria. E viv'ó bom café! :)

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    1. Se o caro Observador foi buscar uma notícia que reporta a Maio de 2010, e se eu ouvi a notícia hoje de manhã, dia 02.Janeiro.2017 (embora aqui o caso seja outro) isso quer dizer que passados mais ou menos seis/sete anos o problema ainda não está resolvido? É isso? É que se for isso nem sei o que que diga. Muito bem que o parlamento tenha dito ok à procriação medicamente assistida no caso de mulheres solteiras/casais de lésbicas... só que, pergunto eu, os centros públicos estavam preparados para funcionar a 100% como se quer? Se têm que importar esperma tudo indica que não. Então qual foi a pressa daquele ok e siga? Bom, eu estava aqui quase a dar a resposta, mas acho melhor não, eles são grandes, amarelos... que se entendam.
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      (sem café não sei viver, só o consigo beber sem açúcar, sabe-me melhor em casa logo de manhã cedo, o aroma do bom café é qualquer coisa digna de registo, existe uma loja ali perto da Av.da República que é digna de se visitar só pelo aroma que se sente logo na entrada)

      Beijinho, caro Observador :)

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  3. Importação de esperma? Caramba, não me tinha apercebido que os portugueses andassem assim tão mal.
    Pena o café ter esfriado . Um bom café sem açúcar é das melhores coisas da vida.
    Um abraço e Bom Ano.

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    1. Pois... é a única coisa que consigo escrever. Passam-se coisas neste cantinho à beira-mar esparramado que uma pessoa até se lhe arrefece o café :))
      ...

      (aprendi a beber café sem açúcar, no inicio bebia com açúcar e, realmente, não me sabia bem, só sabia a doce, um dia um amigo convidou-me para almoçar, ali num restaurante em que se vê Lisboa toda lá do alto, ao ver-me pôr café no açúcar fez uma cara esquisita, disse-me que para desfrutar o verdadeiro sabor do café temos que o tomar sem açúcar, tentei e no inicio foi estranho, hoje e passados alguns anos não me vejo a pôr açúcar, não conseguiria bebê-lo, bendito almoço)

      Abraço, Elvira. Bom ano.

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  4. Quando li a notícia dei uma sonora gargalhada e como dizes e bem os cinquenta euros já é um valor de pouca monta. Ri porquê? Porque passou-me pela cabeça um cenário...a criancinha pode vir com os olhos em bico, escurinha, etc, etc, e depois? Pois o café esfria, vira-se a chávena e borda fora e lá surgirá mais um processo judicial. Enfim!

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    1. Li artigos que dizem que que existe um valor monetário, os tais €50, e outros artigos dizem que não, portanto uma pessoa fica meio confusa. Já não se sabe quem é que fala verdade. É o país que a malta vai tendo mas que não quer ter. Eu pelo menos não quero.

      Existe um rigor nessa parte, na parte da procriação medicamente assistida. Tem que existir. É necessário separar águas.

      No entanto se estivermos a falar de adopção aí o caso é diferente, na minha opinião. Para mim se se adopta uma criança é indiferente a raça, a nacionalidade... Não é importante se a criança é branca, negra, verde às pintinhas encarnadas, porque o acto de adoptar deve passar longe de qualquer tipo de discriminação. São crianças, ponto.

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  5. Claro que deve e há rigor...mas nada é infalível. Já li um caso de um erro e há dias foi notícia, acho que na Holanda um erro tremendo na fecundação de óvulos com esperma do homem errado. Julgo que não sonhei:)

    Nada do que disse tem a ver com a adopção, onde penso o mesmo que tu, embora eu sempre tenha dito toda a minha vida que não tinha capacidades para adoptar uma criança e admiro profundamente quem o faça.

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    1. Fatyly, tenho um caso de adopção na família - não vou aprofundar muito porque não gosto de aprofundar demasiado a minha vida privada, só lhe dou uns toques ao de leve de quando em vez, discretamente - e digo-lhe que se não existissem pessoas capazes de segurar crianças que não lhes são nada, dar-lhes casa, comida, educação, aquilo do afecto, se calhar muitos não teriam qualquer hipótese de ter sobrevivido. Adoptar sempre foi o meu projecto de vida, já falei desse assunto várias vezes por aqui, espero que um dia o possa concretizar. Morreria com a sensação de dever cumprido.

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