sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Apontar dedos na direcção errada

Ontem ouvi nas notícias lá da caixinha muito mágica que aquele vídeo bastante agressivo em que um rapaz é violentamente agredido por outro da mesma idade com murros e pontapés, penso tratar-se da zona de Almada, enquanto outros incentivam e aplaudem, dizia eu que ouvi alguém especializado nisto de dizer coisas acertadas, que a culpa desta divulgação, desta exposição, é das redes sociais. No entanto o vídeo passou inúmeras vezes na televisão. Há aqui alguma coisa que me está a escapar?

(Maria também ilustra texto com um boneco só naquela de ser de fácil entendimento as letras)

Uma pessoa já não sabe se chora pela violência nua e crua.
Se chora pela falta de coerência que abunda por aí.

14 comentários :

  1. E eu não percebo por que motivo uma situação ocorrida em Novembro só agora é tratada informativamente.
    Uma vez nas mãos da comunicação social, o costume: imagens (poucas e ainda bem) repetidas à exaustão, conversas de treta e por aí adiante.
    Gostei da forma como a TVI24 complementou a notícia, com a presença de um senhor de cujo nome não me recordo, conhecedor da matéria, bom conversador, explicando o que poucas pessoas conseguem/querem explicar.

    Zona de Almada? Não, Almada mesmo. Concretamente na Escola Emídio Navarro.
    Boa tarde, Maria, com votos de muita pachorra para aturar a caixinha mágica :)

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    1. Rectificação: as agressões ocorrerm nas imediações da Escola Emídio Navarro e não dentro daquele estabelecimento de ensino como a minha afirmação dá a entender.

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    2. Pois, essa parte de só agora ser tratada informativamente, também é um grande mistério. Ou se calhar não, vai na volta não existia o vídeo para ilustrar a notícia. Tratam-nos como se fossemos burros, é como se nos dissessem que só conseguimos ler livros se aquilo tiver bonecos...

      Olhe que essa parte que sublinha como sendo positiva, merecia um nome. O nome do tal senhor. Pena que não se recorde. É que muitos dos comentadores que a tv vai buscar são pessoas na onda sensacionalista, demagoga, portanto quando se apanha alguém que tem a coragem de remar contra a maré visando esclarecer as pessoas com seriedade, ética... uma pessoa tem que os agarrar e não os deixa fugir. Valem ouro, é o que é.

      Admito que não conheço Almada, falha minha, só conheço de passagem.

      Tenha também uma boa tarde, caro Observador :)

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    3. Miguel Fernandes, é assim que se chama o tal senhor.
      Estará hoje, de novo, a acompanhar a informação da TVI24.

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    4. Obrigada, caro Observador, admito que não sei quem é. Vou espreitar depois.

      (escreveu ali mais em cima, parece-me, que as imagens foram "poucas e ainda bem"... olhe que está enganado, aquilo, pelo que sei, está a ser repetido até ao vómito, que me perdoe a expressão, já existe muita gente a revoltar-se com isto da comunicação social a repetir o vídeo como se não houvesse amanhã, é o país que temos...)

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    5. Reitero o que disse sobre as imagens: poucas e ainda bem.
      Quis com isto corroborar a ideia de que a exaustiva repetição das imagens feita pelas tv's é uma farsa jornalística.
      Imaginemos que existiam mais imagens. Ainda hoje estavamos a ser torpedeados com a novela.

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  2. Os comentadores habituais que falam, falam, mas o papagaio que o meu avô tinha falaria bem melhor. Ou seja a visualização do video nas televisões não terá impacto e cada vez que falam ou comentam mostram até à exaustão pelas malditas audiências.

    O video já era conhecido pelas autoridades logo que foi apresentada queixa por parte da mãe. A mãe não viu, mas tenho a certeza absoluta que as autoridades viram. Que fizeram aos "meninos-bestas-armados-em-cagalhões-andantes-e-armados-em fortalhaços"? Não posso dizer "NADA" porque não é bem isso...mas todos sabemos a enorme burocracia e morosidade entre os vários organismos e com festas pelo meio ainda mais.

    Não consigo culpar os pais e familiares destes "cagalhões-fortalhaços" que, e disto não tenho certezas, ficaram deveras surpreendidos por os ver em tal cena horrível.

    A sociedade também é culpada porque ao verem tal disputa não intervêm porquê? Por medo? Então que telefonem para as autoridades porque o que se passou é "crime público".

    Te garanto Maria que se fosse mãe de quem bateu e sobretudo de quem assistiu, levava um enxerto de porrada e iria à escola mostrar a todos os alunos o raio do video e menor ou sem ser menor - 15 anos já sabem o que fazem - de seguia diria que iria assumir tudo o que fez.

    Ainda ontem à noite ouvi uma tremenda confusão na rua. Fui à janela e deparo-me com uma cena surreal: dois vizinhos à pancada e qual deles o melhor da zona, pois... Um já no chão e o outro a dar pontapés Ia ligar para a PSP mas já esta chegou de imediato (ou estaria no giro, não sei) que pôr termo e levou-os para a esquadra. Isto perante filhos e filhas adolescentes que só gritavam pára pai pára por favor.

    A comunidade deve ser mais interventiva e as televisões mais educativas...mas procedendo desta forma, não se chega a lado nenhum, porque violência gera violência!!

    Um bom dia

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    1. O que me impressionou nisto tudo, para além da violência e do oportunismo habitual das audiências a todo o custo, foi o facto de, no tal local onde se deu tudo isto se saber que é um local onde gente mais nova se junta para se drogar, pelo menos foi o que nos foi dado a ouvir nas notícias. Sendo assim porque é que nada é feito? Pergunto eu que acho não conseguiria viver num sitio onde sempre que abrisse uma janela me fosse dado ver determinadas coisas...

      Eu cá acho que a visualização deste tipo de vídeos na tv incentiva ainda mais ao uso da violência por parte de gente mais nova. E porque é que penso assim? Porque nos dias que correm as pessoas querem ter os tais minutos de fama, não importa a que preço, sendo gente mais nova, logo muito mais influenciável, obviamente que ver violência na tv só lhes aguça o "apetite". Faz-me lembrar um caso de um rapaz que viu na tv, num filme, um actor matar outro e resolveu experimentar, pegou na arma do pai e matou efectivamente uma pessoa. Ou seja, o mundo hoje em dia não se preocupa com as pessoas, manipula é de tal forma o pensamento das pessoas que lhes faz crer que ver vídeos violentos é muito positivo. Informa. Alerta, Caramba, isto é muito assustador. Manipular desta forma ainda nos vai sair muito caro.

      Tenha um bom dia. Fatyly.

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    2. Olá, Fatyly :)
      Eu peço desculpa por me intrometer na conversa , mas... Não há uma certa incongruência entre estas duas passagens do seu comentário?

      "Te garanto Maria que se fosse mãe de quem bateu e sobretudo de quem assistiu, levava um enxerto de porrada e iria à escola mostrar a todos os alunos o raio do video e menor ou sem ser menor[...]"

      "A comunidade deve ser mais interventiva e as televisões mais educativas...mas procedendo desta forma, não se chega a lado nenhum, porque violência gera violência!!"

      Ou quer dizer que a televisão deve preocupar-se com o facto da violência gerar violência, mas por sua vez os pais devem combatê-la à pancada?

      Pois eu, quanto a mim, quando apanhava (e fui uma das que apanhou bastante) e sabia que alguém ia contar aos pais dos agressores, receava que eles lhes batessem, porque sabia que quem iria sofrer as represálias era eu...

      Bom fim de semana :)

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    3. (não vou intervir neste seu comentário, São, li apenas porque é minha obrigação como dona do blog perceber se a coisa pode resultar numa interacção saudável, que é o que se quer, parece-me que sim, a Fatyly se achar por bem responderá)

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  3. Olá, Maria :)
    Eu costumo ser a voz da discórdia... Nem sempre, mas às vezes sou. Paciência. A natureza fez-me assim... A natureza e a sociedade. Não será aos 48 anos que vou mudar, muito menos para agradar à maioria, por causa do politicamente correto.

    Sei do que fala,sei qual é a notícia, mas não cheguei a ver as imagens. E olhe que eu até ando bastante pelas redes sociais e vejo televisão em quantidades consideráveis. Coisas de quem vive sozinha numa terra ainda meio desconhecida (nem tanto a terra, mas as pessoas). Por acaso ainda vi uns microsegundos, quando ouvi a notícia, mas não me pus a prestar grande atenção. As notícias, regra geral, são para ouvir, nem tanto para ver... Normalmente, quando estou a ouvir notícias até estou a fazer alguma outra coisa que requer os olhos e nem tanto os ouvidos ou a atenção em geral (limpar pó, arrumar papéis, descascar batatas, arrumar revistas, essas coisas...)... Sempre fui assim, não sei porquê. Não me parece que seja só por ser fã do pivô mais feio da televisão portuguesa. Nas redes sociais, então, só vê o video quem quer. Não preciso de ver. Vi centenas de cenas iguais na minha infância e adolescência, portanto, não deve ser muito diferente. Uma pessoa a apanhar pancada é uma pessoa a apanhar pancada. Não tem nada que ver. De modo, só vê quem quer. Mas desengane-se quem pensa (tapando o sol com a peneira ou enterrando a cabeça na areia) que é por não ver as imagens que o caso não aconteceu, ou que como não se fala do caso o passado muda e ele nunca chegou a acontecer. É uma característica do ser humano, efetivamente. A meu ver, negativa essa característica.

    Levei muita pancada na adolescência e ainda na infância. Nas duas escolas que frequentei era uma selvajaria sem tamanho. Eu e outros. Era horrível. No meu caso, o ponto era ter medo de trovoadas. Se se bate numa pessoa por ter medo de trovoadas. Óbvio que primeiro começam a gozar com o facto... A zombar, a fazer chacota, a humilhar... Quando a pessoa "se passa" e se revolta chamando um nome ou dando mesmo uma bofetada, leva. Pela medida grossa. Como é que eu provo isto? Não provo. Não tenho como. Nem sequer se filmava nada na altura. Não havia como. É pena. Porque assim uns acreditarão em mim e outros não. E como eu tantos que apanhavam, que eram humilhados, hostilizados, enfim... Mas hoje parece que é tudo muito pior! Porquê? Precisamente por isso: porque as pessoas já fizeram por esquecer. Como não está registado é como se não tivesse acontecido. Naquele tempo é que era bom! Hoje em dia o mundo está perdido!

    Estive a ler os comentários por alto, até me chamou algo a atenção no da Fatyly (vou ter que lhe dizer).... A Maria acredita mesmo que é por divulgarem muito estes vídeos que a violência aumenta?? Oh, credo! Eu não acredito , sinceramente. Eu até acho que podem servir um pouco como prevenção. O meu próprio filho já me tem dito que é usual ouvir "Não lhe batas senão ainda vai parar ao Youtube" , ou "Se bates no meu irmão mais novo eu filmo e ponho no youtube" .... O que acontece é precisamente o mesmo: a pessoa pensa que como não vê, não acontece. E que como não há registos do que acontecia antigamente, não existiu também.

    Abraço. Bom fim de semana :)

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    1. Olá São,

      Peço desculpa mas está a confundir tudo, se a São já me lê há muito tempo, como diz, saberá que não sou pessoa de enterrar a cabeça a areia, tenho muitos defeitos mas esse não é certamente um deles. O que sempre defendi e defendo, é que não é necessário ver imagens de violência, de crueldade, para sabermos que a violência e a crueldade existem. Isso é o vale tudo do voyeurismo dos dias que correm. São as audiências que ditam, não tem nada a ver com sensibilidade, com informar, com alertar, no entanto se as pessoas se querem iludir nesse aspecto, estão à vontade. É muito cómodo estarmos sentados no sofá lá de casa, chocados, a ver rapazes e raparigas aos murros e pontapés uns aos outros, se calhar até se pode acompanhar com um saquinho de pipocas para melhor assistir a toda aquela excitação (perdoe-me escrever isto, mas existem coisas que não entendo, e uma delas é a violência gratuita e gente que quer simplesmente manipular os outros).

      Dou-lhe como exemplo um programa de qualidade superior que passou na RTP2 não há muito tempo (não me lembro do nome) em que nos relatam a forma bárbara como muitos judeus foram enforcados, inocentemente. O autor do programa estava ali, no local onde muita gente morreu em grande agonia. Se seria necessário ver vídeos de pessoas enforcadas para nos apercebermos de todo aquele terror? Não. Só as palavras, o relato, tudo aquilo que se ouve é tão arrepiante que, eu, na altura estava a ver o programa e como que senti um gelo estranho. É a isto que me refiro, as imagens não são necessárias, basta saber ouvir atentamente. Nada mais. Quem não for insensível conseguirá até ouvir os gritos de sofrimento de muitos seres humanos. Se é estranho isto que acabei de escrever? É. Mas também muito verdadeiro.
      ...

      Acredito sim, acredito que quando somos pré-adolescente, adolescentes somos muito mais influenciáveis, estamos numa fase de crescimento, portanto é muito mais fácil cair em armadilhas, deixar-nos levar por outros... Um dia destes estava eu parada no trânsito, num semáforo, e ali ao lado umas cinco ou seis adolescentes falavam umas com as outras, basicamente aos gritos, com aquele tipo de linguagem que muitos dizem não ter mal algum, os alhos e os bugalhos, todas fumavam menos uma, deu-me para olhar com atenção enquanto os carros não andavam e, foi digno de ver a forma como pressionavam a que não fumava a experimentar um cigarro. Tive pena de não ficar mais um pouco, admito, ver se a rapariga se deixou levar ou recusou.

      Tivesse eu filhos e garanto-lhe que não os deixava ver este tipo de vídeos. Podiam até conseguir vê-los na Internet com os amigos, mas na minha presença, em casa, não, de todo. Conversar com os mais novos sobre estes assuntos é uma coisa, obrigatória até, ter que ilustrar com vídeos violentos, é outra. Por isso é que quando a pequenina de seis anos me visita, está proibida de ver tv, só canais para a idade, não a largo nem um segundo, estou sempre ali a espreitar para que não mude de canal. Pois, sou assim, nada a fazer.

      Frequentei quer o ensino privado, quer o público, nunca fui vitima de qualquer tipo de violência nem perseguições, nunca ninguém me bateu e nunca bati em ninguém, é a mais pura das verdades, fui, como qualquer adolescente, "vítima" de idiotices, lá isso fui)

      Bom fim-de-semana, São.

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  4. Maria, com sua licença retiro-me como entrei, em bicos de pés. Isto para não fazer um estardalhaço, enfim, que... Que não me apetece.
    Deixo apenas um comentáriozito pequenito, que o estômago, ele também pequenito, não dá para mais.
    Subscrevo, na integra, o seu post. Para ser simpática? Ó, ó, nem queira saber!
    Redes sociais não frequento. Ponto.
    Televisão vejo q.b. Ora bem, esse q.b. permitiu-me ver, ad nauseam, as referidas imagens. O que penso das mesmas? Acha necessário que lho diga? Não, já imaginava!
    Tenha uma boa semana, Maria.

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    1. Gl, as redes sociais se bem geridas podem ser uma mais-valia, o problema nisto tudo é que existe o reverso da medalha, existem os que a usam dando-lhe muito mau nome. É o caso de vídeos destes, basta dizer que a informação que nos chegou foi que, antes de começar a violência propriamente dita, os tais murros e pontapés ao rapaz de 15 anos, alguém do grupo diz que vai começar a filmar. Passa a sensação que aquilo para eles é um filme e, sendo um filme, convém que seja visto pelo maior número possível de pessoas, aí entra o Youtube, do Youtube até à tv, comunicação social, é aquilo que se chama, um saltinho. Portanto o verdadeiro objectivo foi atingido. Visualizações. Muitas. Quanto mais melhor. É a minha visão do assunto, aquela que vale o que vale, por isso é que digo que uma das formas de travar isto (ou pelo menos menorizar) é não alimentar. Cortar as luzes da ribalta. Quando algo não é alimentado, morre. Penso eu de que...

      Tenha também uma boa semana, GL.

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