sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Um take que já vai no número 3 naquilo das coisas que não entendo e bem que gostaria

Pessoas que gastam dinheiro no euromilhões e então quando calha a ser jackpot aquilo, por vezes, é quase a reforma todinha, ou o ordenado mínimo todinho, entretanto são entrevistadas por algum jornalista que lhes pergunta se, na eventualidade de lhes sair o prémio o que fariam - vamos supor que seria coisa para 100 milhões de euros - respondem que:
  • Ajudariam o vizinho do último andar do prédio onde moram que, só por acaso, lhes inferniza a vida diariamente porque... coitadinho precisa. 
  • Todos os vizinhos do prédio ao lado que nem sequer se dão ao trabalho de os cumprimentar na rua porque... coitadinhos precisam. 
  • A mulher que acabaram de conhecer há cinco minutos de quem nem sequer sabem o nome porque... coitadinha precisa. 
  • O homem que passou no carro verde alface e lhes acenou com um grande sorriso, embora seja um grandessíssimo oportunista, somítico que só ele, mas, lá está, quem sabe não seja também ele um... coitadinho e precise. 
  • O filho que não lhes liga nenhuma há anos porque... não tem culpa, coitadinho, de ser assim frio e calculista. Precisa.
  • O próprio do jornalista também terá direito ao seu quinhão porque... está ali ao frio e ao vento a entrevistar pessoas, coitadinho, precisa.

De qualquer forma o jornalista volta a insistir e faz a pergunta óbvia - mas, mas, para si dona Felisberta, já que gastou parte da sua reforma a jogar no euromilhões, reforma essa que toda ela é bastante coitadinha, não quer nada?! Comprar uma casa mais confortável, talvez?! Um frigorífico novo? Uma ou duas camisolas de lã para o Inverno rigoroso que se aproxima?... Ao que a dona Felisberta responde com um encolher de ombros e um mastigar de boca - filho, já sou velha, já não preciso de nada, coitadinha de mim que nunca tive sorte na vida...

11 comentários :

  1. Sabe que também jogo no Euro-milhões? Pois. Dois Euritos todas as semanas, que também tenho direito a sonhar...
    Sorte? Penso que a gastei toda com o marido que arranjei.
    Mas ainda assim continuo a tentar...
    Um dia concorri a um concurso num jornal que era por mensagem via telemóvel. Saiu-me um automóvel que era o primeiro premio. Nem deu para festejar pois pouco depois chegou uma nova mensagem a dizer que por erro do programa, tinha saído o primeiro premio a toda a gente, que tinha concorrido, o concurso tinha sido anulado, o jornal ia pôr o caso em tribunal. Uns dois anos depois veio a carta do tribunal, o jornal tinha sido declarado inocente, o problema tinha sido da empresa contratada para as mensagens pelo que se estivesse interessada podia mover um processo contra essa empresa. Uma peripécia que nunca mais esqueci e que me levou a nunca mais entrar em quaisquer sorteios, exceto como disse o tal boletim por semana.
    Um abraço e bom fim se semana

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    1. Eu até que desconfiava que situações como esta que a Elvira aqui relatou existissem, só que não tinha bem a certeza. Só por isso é muito esclarecedor ouvir/ler situações que efectivamente se passaram, na primeira pessoa. Até passa a sensação que "erro do programa" é sempre algo que salva alguns de cumprirem com as suas obrigações. Ou seja, entregar o prémio a quem ganhou. Também me parece que isso de mover processos é uma armadilha, provavelmente estão à espera que as pessoas não o façam, seja porque aquilo tem custos envolvidos, seja porque as pessoas não estão para se aborrecer e preferem esquecer. Pois...

      Ah, mas dois euros é sensato, já vi pessoas com um aspecto muito humilde (vai na volta não quer dizer nada) gastar fortunas no euromilhões e nisto das raspadinhas, nas raspadinhas é uma coisa absurda, assusta.

      Bom fim-de-samana, Elvira. Um abraço para si também.

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    2. Voltei atrás porque me esqueci de escrever que esta parte do seu comentário está recheada de encanto: "Sorte? Penso que a gastei toda com o marido que arranjei".

      :)

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  2. Que cenário tão cinzento, Maria!
    O take 3, este, deve ter sido elaborado assim a modos que a pensar em pessoas estranhas.

    O que é que a dona Felisberta tem de diferente de outro(as) milionários(as) ou candidatos a?

    Se me calhasse o jackpot, talvez comprasse doses de bom senso e as oferecesse a muita gente que anda por aí a dizer coisas.

    Agora ... tcharan ... vou ser intrometido. O que faria Maria se lhe calhasse o tal de jackpot?
    Agora é que são elas!!! ;)

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    1. Cinzento? Ora essa! Não existe por aqui cinzento algum. Tem de trocar de óculos :)))

      Não se esqueça que Portugal e as pessoas que por cá moram são, na sua maioria, dadas ao cinzento em postura (o cultivo da "coitadice" dá frutos que nunca mais acaba), o que nos salva é sabermos usar o photoshop, sabermos vender o país aos turistas como sendo um país cheio de sol (amarelo, portanto, cor da alegria) e com muita luz. Somos prós em publicidade enganosa, é o que é...

      (eu cá acho que o caro Observador tem que mudar de supermercado, esse sumo que anda a beber não lhe permite perceber as donas Felisbertas e os senhores Leopoldinos desta vida... ahahahah)

      (se me saísse o jackpot saberia muito bem perceber que é preciso ter muito cuidado com o tadinhos desta vida)

      Fuiiiiiiiii.

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    2. Em que ficamos? Tenho que mudar de óculos ou ter em atenção os sumos que bebo?

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    3. Bom, tendo em conta o facto de os homens possuírem aquela capacidade de não conseguir fazer coisas em simultâneo, eu aconselharia o caro Observador a mudar de óculos amanhã e ter em atenção os sumos que bebe depois de amanhã :))

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    4. E tendo em conta que as mulheres são provocadoras ... :)))

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    5. Xiiii, e eu sem um dicionário à mão para saber o que é que isso quer dizer. Que maçada! :))

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  3. Fui vitima de um homem "viciado no jogo" que foi obra. A última que fez foi dez mil contos num Bingo qualquer e ou casino qualquer. Juntava os totolotos etc e tal e pus fim a esse martírio de anos. Tive uma rifa que não esperava, morreu no meio do pagamento do empréstimo pedido ao Banco. Pois e paguei cinco mil contos, não euros certo? porque assinei os papéis para que ele não perdesse o emprego e logo de seguida o divórcio de comum acordo. Águas passadas não movem moinhos e se já não jogava em nada, nestes 25 anos após...não jogo em nada.

    Mas aflige-me ver o gasto que muitos fazem e não venham depois armados em "coitadinhos".

    Mas levando este post para os sonhos e na eventualidade de cair do ceú 100 milhões de euros (nem consigo imaginar a quantidade e muito menos converter em escudos) uma coisa eu faria: comprava uma viagem só de ida para o meu país Natal :)))))

    Sabes Maria de algo que sei, porque sei...há muita gente com uma reforma mínima sem nunca dizerem o que na realidade ganham e ou se vivem com alguém com uma reforma choruda. Aqui há duas personagens que se lamentam até roçar o "nojo" a tal lamentação de "barriga cheia".

    Por fim digo-te que não acredito no euromilhões e afins onde quem patrocina tais jogos é e será sempre o maior vencedor. O que não faltaram foi "burlas" em jogos e também em "ajudas solidárias" e de repente lembrei-me de uma nacional ocorrida há uns bons anos: "Pirâmide" cujo dinheiro nunca chegou ao destino para o qual foi apelado.

    Nem nas chamadas dos 760...

    É o que me ocorre dizer:)

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    1. E ocorreu muito bem...

      Sabe que neste parágrafo tendo a concordar consigo:
      "há muita gente com uma reforma mínima sem nunca dizerem o que na realidade ganham e ou se vivem com alguém com uma reforma choruda". É bem capaz de ter razão.

      Tenha uma boa semana, Fatyly e espero que um dia consiga realizar esse seu sonho de voltar ao seu país Natal :)

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