quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Que maçada, pá...

Ricardo Araújo Pereira disse um dia destes, penso que no Alta Definição, que dizer palavrões não é má-educação, má-educação é outra coisa. E eu, que gosto de ficar atenta a pessoas que não só sabem dizer coisas, como também as dizem com a graça natural de quem sabe e percebe de muitas coisas, esperei pela continuação da... outra coisa que é má-educação e sobre a qual o humorista iria divagar. Realmente divagou no sentido em que se afastou rapidamente do assunto em questão e a malta ficou a ver navios.

Sendo assim esta Maria pede encarecidamente às pessoas públicas que, quando resolverem caminhar no sentido da luz propondo levar-nos a reboque, na tentativa de nos esclarecer, de nos inundar de sabedoria, que não nos deixem ali, repentinamente, no meio do escuro, a tremer de frio, à espera da colher de chá que não vem. O que eu gostava era mesmo que existisse alguma coerência com aquilo do "eles falam, falam, falam, e não os vejo a fazer nada". Neste caso não o (ou)vi a dizer nada.

(bom, já que aqui estou nesta minha hora de almoço, aproveito para perguntar o seguinte: se alguém estiver num restaurante e ouvir uma adolescente com cerca de quinze anos, num almoço que é notoriamente de família, com pais e avós, e  essa adolescente resolver dizer em alto e bom som: não me chateies, vai para o c@r@... e ai que se me varreu o resto... se isso entra na categoria da má-educação ou nem por isso? se for na categoria do nem por isso agradeço resposta em carta devidamente registada)

8 comentários :

  1. As teorias de Ricardo Araújo Pereira já são 'chão que deu uvas'. As teorias e a graça, já agora.
    Num espaço rádio televisivo (Governo Sombra) de que RAP faz parte, é patente que o rapaz é especialista em falar sem dizer nada.

    É evidente que os palavrões constituem uma das partes da má educação.
    A imagem que Maria criou com a adolescente é um gesto de muito má educação. Talvez fosse interessante pedir a RAP que desse a sua opinião.

    PS em modo curiosidade: o título do meu post de hoje também termina com um 'pá' e um ponto de espantação, mais conhecido por pondo de exclamação :)

    Um beijinho com sol. Brilhante, portanto ;)

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    1. Admito que tenho em relação ao RAP um género de "mixed feelings", que é como quem diz, sentimentos contraditórios. Tem dias em que acho que é um dos nossos melhores humoristas (o Herman José temo que tenha desaparecido em combate) inteligente, perspicaz, noutros acho que, como bem escreveu no seu comentário é "chão que deu uvas".

      Não sei se é impressão minha mas parece que com o passar do tempo os melhores, e sendo melhores começam a ganhar muito dinheiro, acabam por se perder algures. Não sei se o factor dinheiro não condiciona de certa forma a criatividade. Não sei se a partir de certa altura não se começa a vender a alma lá àquele anjo que dizem ser dos maus. Isto sou eu a divagar...

      Quanto aos palavrões entrámos na época em que só existe preto e branco, não existe cinzento. Existe não e sim, não existe talvez. Portanto as pessoas que dizem palavrões são muitA fixes, p'rá frentex e tal, as que não os dizem são consideradas pudicas, chatas, betas e por aí fora.

      Fiquei para ali a pensar no que será má-educação para o RAP, visto que aquela imagem da adolescente não deverá entrar nessa categoria. Suponho eu...

      ("ponto de espantação" é muito bom... :))))

      Beijinho para si também, caro Observador.

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  2. Eu fui criada num ambiente em que se diziam os palavrões mais cabeludos. Na Seca do Bacalhau com o pessoal do norte.
    Meus pais também os diriam no trabalho com os/as camaradas. No entanto em casa nunca os ouvimos e minha irmã levou uma bela duma tareia, numa altura em que repetiu uns palavrões que tinha ouvido e de que coitada nem sabia o sentido. Mas ficou de emenda para ela e para nós. Penso que há uma parte de juventude, (digo uma parte, que nunca foi meu lema, julgar todos por alguns) que são extremamente mal educados, não só com palavrões, mas com outras atitudes, especialmente em relação aos mais velhos.
    Há tempos um grupo de 5 jovens entrou num autocarro e dirigiu-se para o banco de trás que é de 5 pessoas, mas onde já estava sentado o meu marido, pelo que um dos moços ficou de pé. Bom eles fizeram tudo e mais alguma coisa para ver se meu marido se levantava. Chegaram ao ponto de dizer que "andam estes gajos que já devem una quantos anos à cova aqui a ocupar o nosso espaço" palavras de puto que meu marido diz não teria mais de 15 anos. Meu marido tem 73. Por aqui se vê como anda a educação de alguns.
    Um abraço

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    1. Bem, a última parte do seu comentário, o episódio que refere do autocarro e do seu marido, deixa uma pessoa meio atordoada... Nesses casos provavelmente é melhor não dizer nada, infelizmente é capaz de ser o melhor procedimento, lembrei-me daquele senhor de um comboio que chamou à atenção uns miúdos e acabou por ser esfaqueado.

      Lá está, eu continuo a achar que a educação passa por casa e pelos pais, não tendo pais que ensinem a perceber certas diferenças a malta chega a adulto e acha tudo isso normal. Com certeza que entrar em generalizações em relação aos mais novos é de evitar, não gosto, confesso, existe gente muito nova que nos deixa boquiabertos no bom sentido.

      A nossa tv também não ajuda nada nesse sentido, existem apresentadores que, inclusive, promovem o uso dos palavrões. Pelas audiências e pelo pilim a cair no bolso faz-se tudo.

      Ao contrário do que se possa pensar os palavrões não me escandalizam, apenas não foi assim que me educaram, o meu pai também os diz, só que em criança existia lá por casa a minha mãe em modo sentinela que não o deixava dizê-los à minha frente, abria tanto os olhos que o mundo e arredores encolhiam-se na hora... quando isto acontece crescemos e não sentimos qualquer necessidade de aliviar tensões com palavrões. Lembro-me de quando existiam jantares de amigos lá em casa, era eu criança, não tinha acesso à sala, aquilo era fechado e só entravam adultos, por causa do tabaco e para que pudessem falar à vontade. Eu lá tentava à socapa, pé ante pé, encostar o ouvido à porta para ouvir as conversas dos adultos mas era apanhada na hora. Sim, tive uma mãe que não era brincadeira nenhuma.

      Um abraço para si também, Elvira.

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  3. Para mim e vale o que vale, a onda humorística do Ricardo A.Pereira já passou. Também no Alta Definição (um dos meus programas favoritos) achei-o um pãozinho sem sal e fiquei tal como tu à espera de algo mais e em muita coisa não disse nada.

    É triste mas a maioria das "pessoas públicas, falam, falam e não dizem nada". Mais, o que dizer dos intelectuoides:) quando aplicam termos tão pomposos que eu, que tento aprender todos os dias porque nada sei, fico à rasca e de cabelos em pé? :))))

    Passando à sua fase a aplicação de palavrões. Conforme já disse por aqui -espaço-com-muita-categoria-e-no-qual-aprendo-muito-e-fico-rendida-tipo-prisioneira-sem-conseguir-deixar-de-ler-e dando-bastantes-erros-ortográficos:)- não me incomoda ouvir palavrões. O que me incomoda sim é a forma-dia-hora-momento como os mesmos são ditos e nisso os adultos vão muito à frente dos adolescentes/jovens.

    Quanto à menina do post, se eu tivesse presente na mesa familiar como estive num dia em que a minha filha fez o mesmo, eu que fui pai e mãe, levantei-me e zás uma lambada valente sem proferir qualquer palavra. Sem contestação e que viesse alguém dizer que era violência sobretudo os tais pedagógicos para os lados do apoio às famílias etc, etc, sobre e ou das crianças que levariam também. Nenhum dos meus diz asneiras, até porque não ouvem nenhuma em casa, mas há dias a neta ao acender o fogão queimou-se e largou uma "m****a" audível e logo a seguir...desculpa avó. Fui ao quintal para conter o riso, porque foi tão natural que não consegui dizer nada.

    Claro que existe grupelhos sem qualquer tipo de educação, mas tudo vai do berço, mas deixa-me aplicar uma frase de um psiquiatra meu amigo que sempre me disse: o meu filho é super educado, bom aluno etc e tal...mas todos juntos são uma cambada de macacos e guincham por todo o lado".

    Também e em termos de futebois e outros ois, ouvir o antes e o depois do jogo é de perguntar: tanta fúria e falta de respeito é o maior exemplo que dão aos mais novos? Pois...

    Agora lembrei-me de uma das muitas situações de quando eu era criança 6/7 anitos. Peço desculpa por aplicar o "insulto". Zangada com o meu irmão (cúmplice) chamei-lhe por diversas vezes "paneleiro e ainda por cima parvalhão". Uma discussão que terminou com o chamado do meu pai que não sabia que estava a ouvir. É hábito ouvires asneiras em casa? Ao que eu respondi que não. Sabes o que chamaste ao teu irmão? Sei pai, o senhor X faz panelas e todos dizem que ele é paneleiro, é isso pai? Parvalhão o mano por vezes é mesmo tótó. Não e depois de explicar levei três palmadas da grossa:))))

    Um bom dia





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    1. Fatyly, este seu comentário é do mais delicioso possível. Acho que um dia ainda a vou querer conhecer pessoalmente. Não vou acrescentar mais nada para não estragar. O momento é todo seu.

      Tenha um óptimo dia :)

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    2. Como alguns já o fizeram estarei disposta, basta apenas "ajustar" as coordenadas do GPS deste TIR:))) que agora vai almoçar e de seguida ir para o lanche de Natal no lar da minha mãe que já telefonou, tal como as netas o faziam para saber se estava bem e a que horas ia. Ou seja e mais sucinta (o que não sou de todo) : Não faltes pf:)))) e

      agora fuiiiiiiiiiiiii:)

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    3. Sendo assim bom lanche de Natal, para si e para a sua mãe :)

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