quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

(pormenores sem a mínima importância)

Tenho sempre junto a mim lá no sitio da memória um amigo que, estando longe está sempre perto sem sequer ser necessário recorrer a fotografias só para me lembrar que ele existe. Todos os dias. Lembro-me que ele existe todos os dias. Confundem-me um pouco as pessoas que têm muitas fotos da família, dos amigos, da mulher, do marido, dos filhos, em cima da secretária no trabalho como se tivessem receio de não se lembrarem deles. Ou de os esquecer. Não sei se não se lembrar é sinónimo de esquecer, tenho que ver isso um dia destes, a ver se tiro uma foto à falta de memória e pespego na mesinha de cabeceira numa moldura linda. Onde é que eu ia? Já sei, estava colada à secretária de trabalho de muita gente, secretárias atafulhadas de fotos de gente muito viva.

(isto agora do estendal é capaz de não fazer sentido, mas cá vai)

Por isso é que estão ali todos expostos como se de um estendal se tratasse. Num estendal vemos a roupa estendida, as pessoas olham para o estendal e confirmam que ali mora gente. E nós até nos lembramos que precisamos de a apanhar. A roupa. Claro. 


«não vale a pena falar só por falar
usar de estratagemas só para enganar
as coisas sérias têm ar de manigância
são pormenores sem a mínima importância»

4 comentários :

  1. Nunca usei esse método de "lembradura", mas sim, tinha colegas que tinham um autêntico estendal. Tal como nos carros recheados de acessórios etc e tal. Não é de todo a minha praia.

    Esta música é linda e a letra é simplesmente genial...diz-me muito.

    Um bom dia

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    1. Fatyly, para além de não ser lá muito profissional, isso de ter dez mil fotos da família em cima da secretária no trabalho, revela, na minha mais modesta opinião, aquela que vale o que vale, que a pessoa em questão não sabe separar águas. O costume. Já entrei num gabinete de contabilidade e mal entrei tive que dar um passo atrás para ler o letreiro da porta, as paredes de vidro do gabinete estavam basicamente forradas com fotos do bebé da funcionária. Se isto é fofinho? É sim senhora. Se revela profissionalismo? Não revela não senhora.

      Tenha um bom fim-de-semana, Fatyly.

      PS: Este tipo de textos que por vezes não fazem sentido algum para a maioria, são para mim muito especiais. Sou uma pessoa estranha, bem sei :)

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  2. Não simpatizo com o "estendal". Fico com a impressão de que quem o faz quer mostrar que há por ali muita coisa quando, em muitos casos, o que há é a vontade de dar nas vistas, embora não perceba o gesto.
    Será que para se mostrar o amor, a amizade, a solidariedade, é necessária uma exposição fotográfica? Não será preferível organizar um outro tipo de exposição dentro dos nossos corações?
    Pronto, lá estou eu a divagar!

    Lidar com pessoas estranhas é interessante. Falo por experiência própria pois já convivi com pessoas para lá de estranhas e sobrevivi.

    Rita Guerra com Cifrão? Não deveria ser com euro? :)))
    Vê como também sou uma pessoa estranha?
    Beijinho

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    1. Caro Observador, as palavras escritas que por aqui estendeu não têm a menor mancha. Gostei. Bastante, até. Este seu comentário chegou em modo tranquilo. Ora ainda bem :)

      Beijinho para si também.

      PS: "Rita Guerra com Cifrão? Não deveria ser com euro?"... ahahahahah
      (sentido de humor também faz muito bem à alma e a outras coisas que circundam a dita)

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