domingo, 18 de dezembro de 2016

(fui ler a crónica de Isabel Moreira e vim de lá muito confusa)

A confusão começou logo ali à entrada da porta. No inicio, portanto. Bom, partindo do principio que se acredita que se deve começar pelo inicio (que me desculpem o redundar e o tamborilar), coisa que por vezes nem sequer me apetece, por vezes é bem mais interessante começar pelo fim, eu acho que tem dias em que esse simples gesto de ler deixa-nos muito baralhados. Continuo a achar muito estranha esta coisa de se rotular as pessoas de serem de esquerda ou de direita consoante o seu discurso, quando, e falo no meu caso, nem sequer sou de esquerda e tão pouco de direita. Não estou interessada em partidos, movo-me simplesmente pelas coisas em que acredito. Sou pela igualdade e aí posso ser considerada de esquerda. Movo-me pela liberdade e aí posso ser considerada de direita.

E é preciso não esquecer esse valor absoluto que são os sapatos. Toda a gente sabe que pessoas de esquerda calçam sapatos com solas gastas e pessoas de direita só calçam sapatos de sola encarnada. Por vezes só escrevendo disparates é que se consegue exorcizar o que precisa de ser urgentemente exorcizado E é isto que me apraz dizer porque hoje é dia de missa e preciso urgentemente de falar com o Senhor que está no céu. Espero que a semana do Senhor que está no seu céu (seu... dele e, nosso às vezes) não tenha sido cansativa. Tem muito que me ouvir acerca disto da esquerda e da direita e do blablabla whiskas saquetas.

(o excerto do que me foi servido à entrada da porta)

(e um excerto do que me foi servido quando fechei a porta)

Não me tendo sido perguntado nada, eu, de qualquer forma, respondo:
Concordamos em discordar, pode ser?

Fuiiii... que já se faz tarde.

6 comentários :

  1. No meio eu introduzia algo do artigo ligando os que referencias: "Para a esquerda, não há valores absolutos e o princípio da liberdade articula-se com o princípio da igualdade." Whatiiiiiiiiii?

    Por vezes leio o Expresso mas tem artigos como este em que Isabel de tanto querer dizer se contradiz e põe rótulos. Sinceramente abri a janela para ver onde estaria a liberdade e logo hoje que acordei com um torcicolo que me impede de olhar para a direita.

    Como é que querem que o povo "nabo" como eu aprenda algo com blás-blás complicados? Tantas palavras para dizer que se deve ser educado na forma de ser e estar e sobretudo escrever? Quye a minha liberdade termina quando começa a de um outro qualquer?

    Não sou de missas mas apelo ao Senhor de lá de cima que me dê resmas de paciência para tanta coisa que oiço e leio. À e que os três Reis Magos venham arrear os presentes na cabecinha pensadora do...

    Fuiiiiiiiiii porque vou estender a roupa antes que ela fique no centro e amarrotada:)))

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    1. Para a esquerda não há valores absolutos? Pronto, se Isabel Moreira o diz é porque deve ser verdade, só que eu hoje estou um bocado surda, deve ter sido da missa, o som estava demasiado alto :))

      Fatyly, eu apenas agradeço o facto de ter crescido numa época em que dizem ser de liberdade. Em que existe liberdade de expressão, pelo menos alguma, quero crer. Não sou do tempo do Salazar, os meus pais foram e contaram-me algumas coisas, muitas até, portanto, por agora é isto.

      (ah, também não sou centro, sou pelo partido de não seguir um partido)

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  2. Eu sei que não é fácil aceitar o que Isabel Moreira diz. Porquê? Porque é Isabel Moreira, uma mulher sem papas na língua, olha de frente para as pessoas e incomoda.
    Quando Isabel diz/escreve o que quer que seja, convém conhecer minimamente o seu percurso, na vida e na política.
    Isabel Moreira não é, muitas das vezes, politicamente correcta. Só que isso é-lhe indiferente. Doa a quem doer, lá vai.
    Também sei que sou fã de Isabel e corro, por isso, o risco de me apelidarem de parcial. Mas, como dizem 'nossos irmãos', tou nem aí.
    Se concordo com tudo o que ela diz? Não, mas sei olhar para ela e perceber exactamente onde está a causa da minha não concordância.
    Isabel Moreira sabe o que diz e, quando é caso disso, quem pretende atingir. E normalmente aquilo é 'tiro e queda'.

    Essa coisa das direitas e das esquerdas, da democracia, das liberdades e tal, tem que se lhe diga.

    E assim, quase cantando e rindo, saio com uma chávema de chá de camomila na mão.
    Deixo-lhe um beijinho com votos de uma boa semana.

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    1. O caro Observador leu o artigo completo? É que tudo indica que não.... peço desculpa se estou errada, mas pelo que me foi dado a ler no seu comentário centrou-se apenas na autora do artigo e não no artigo que escreveu, e isso é de evitar a todo o custo porque, lá está, corremos o risco de não ser aquilo de imparciais que tanto é necessário para o bom uso da igualdade e da tal liberdade. No artigo às tantas IM escreve isto: "Estou a ser, na linguagem de agora, politicamente correta, diz-se. Seja, mas antes de mais estou a ser de esquerda."

      Os discursos mais inflamados que me foram dados ouvir até hoje, alguns deles muito assustadores, que incitavam por vezes à violência, de uma agressividade absurda, foram de pessoas de esquerda. Essa parte eu sei porque assisti ao vivo e a cores.

      Os discursos mais manipuladores que me foram dados ouvir até hoje foram de pessoas de direita. Também sei porque também já os ouvi ao vivo e a cores.

      Portanto, está tudo dito. Não gosto nem de manipulações nem de inflamações vindas de gente do poder. Nem sequer vindas de gente que, pronto, lá exercem outro tipo de poder. E é isto.

      Talvez seja por estas e por outras que muita gente não se interessa por política e isso acaba por se reflectir na hora de votar. Não votam. Muita gente não se revê em discursos que apenas rotulam as pessoas. Discursos que apenas pressionam as pessoas como se lhes dissessem: és uma grandessíssima porcaria porque és de direita, do centro, ou de Olivais de Baixo... ou seja, qualquer coisa na onda do: ou estás comigo ou estás contra mim. Bah!

      (eu cá acho que existem tiros que por vezes damos e atingem os nossos próprios pés, não sei se foi o caso de Isabel Moreira e deste artigo, espero que tenha mais pezinhos em stock... ahahahah)

      Mas isso do "tea time" não é lá das pessoas da aristocracia e não sei quê? :)))

      Boa semana, caro Observador. Beijinho par si também.

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    2. "Estou a ser, na linguagem de agora, politicamente correta, diz-se. Seja, mas antes de mais estou a ser de esquerda."
      O primeiro período da frase deve ler-se ser interpretado com uma considerável dose de ironia. Digo eu que sou mestrado na coisa (ironia) :)

      Isabel Moreira a dar tiros nos pés? Nem pensar!!!

      O "tea time" é como o Natal: sempre que um homem quiser.

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    3. Caro Observador, neste caso e reportando-me a este artigo, deu, deu mesmo um grande tiro nos pés. Nos dois. É só ler aquele artigo com atenção.

      A igualdade deve existir se estivermos a falar de direitos e deveres. Ponto. Noutros campos a desigualdade existe, obviamente que tem que existir, vamos supor que o caro Observador todos os dias trabalha, é empenhado, profissional, competente e, com isso, acaba por ir subindo a pulso na sua carreira, acaba assim por ser aumentado, ganha bónus e por aí fora, consegue ter uma casa melhor, um carro melhor, pode dar aos seus filhos outro tipo de vida, viaja e por aí fora, tudo isto fruto do seu trabalho.

      No entanto um seu colega não está para aí virado, chega ao trabalho todos os dias às 11h quando a entrada é às 9h, perde meia hora de trabalho na conversa sempre que vai beber um café, é desorganizado, nada profissional, portanto o ordenado continua anos a fim na mesma. Não consegue desta forma singrar para lado algum.

      Acha justo que a existir um bónus no final do ano o seu seja exactamente igual ao do seu colega? Ou que como o seu colega não merece bónus e tendo o mesmo tipo de função, o caro Observador também não o terá? É aqui e noutros pontos semelhantes que digo que a partir do momento em que somos seres diferentes, com posturas diferentes, as desigualdades terão sempre que existir.

      Quanto à liberdade, caramba, usufruir de liberdade é um privilégio. Liberdade não é dizer e fazer tudo o que nos passa pela real gana, liberdade é saber que posso escolher, é um direito que me assiste e, no entanto, escolho isto e não aquilo. Por exemplo, posso dizer os palavrões que bem entender, ninguém tem nada a ver com isso, mas escolho não o fazer. Simples assim.

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