sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um balanço à minha maneira

Esta é a minha música, aquela que por vezes me segurou quando uma pessoa está ali mesmo prestes a cair, aquela que me fará sempre lembrar que este ano que agora finda foi um ano particularmente difícil. O ano em que aprendi a calar tudo aquilo que as pessoas não deveriam ser obrigadas a calar. O ano em que a vida me ensinou que por muito que se lute, existirão sempre lutas que mesmo valendo muito a pena, se calhar não as venceremos nunca. Apesar de tudo este não foi ainda o ano que me fará baixar os braços, existiram momentos em que os tive em modo pausa, admito, por achar que já não valia a pena nada disto. Parece ter sido um ano com odor a derrota, mas algo me diz que está prestes a começar alguma coisa. Sempre que o silêncio é muito, eu também fico muito atenta. É tudo muito. Se a porta teima em se fechar e a janela ao lado também, uma pessoa lá terá de partir alguns vidros para deixar entrar ar. Nem é preciso muito ar. Apenas o suficiente. 


Diz a letra da música a uma determinada altura isto: "vou querer sobreviver ao dia de amanhã". Apesar de algumas pessoas acharem muito mal isto de querer viver o presente, como se viver o presente fosse sinónimo de que nos estamos nas tintas para o futuro, eu diria que conseguir viver o presente, o dia de hoje, de amanhã, já é uma grande vitória para muitos. Um dia de cada vez pode ser a soma de muitos passos em direcção ao futuro. Estar apenas concentrado no futuro e esquecer-se de viver o dia de hoje parece-me muito triste. É a tal história do muito... É que a malta tende a envelhecer e sem querer até morre, vá-se lá saber porquê.