domingo, 27 de novembro de 2016

(neste Natal só preciso de uns óculos que me permitam ver ao longe aquilo que me obrigam ver ao perto)

Estou mudada. É um facto. Neste momento sinto-me como se me tivessem enfiado dentro de um grande pacote de chá gelado, tivessem carregado no botão que diz centrifugar e, me tivessem obrigado a ouvir um som incomodativo em modo ladainha uma e outra vez do género: já "mudasti" ou demora muito?...  Gostaria que ainda demorasse mais um pouco, apesar de tudo sinto-me muito mais protegida dentro de um pacote de chá gelado, ali às voltas, do que neste mundo de gente que deve ter comido algo muito estragado. Passo a explicar porquê:

Há dois dias ouvi alguém que dizia ser social democrata falar lá na caixinha que dizem ser mágica e cada vez mais me parece ser mágica a fabricar estupidez que, sentia ternura por uma pessoa que tem, penso eu, um historial de ditador. Senti uma dor aguda no meu neurónio que ainda respira, quando o substantivo ternura é associado a um déspota. Dei comigo a pensar - e ó se penso mal - que se calhar era melhor rever isto das pessoas que possuem lá dentro de si bondade, se realmente aquilo é mesmo bondade caseira ou bondade feita a martelo. Ou se as pessoas que possuem lá dentro de si maldade, se aquilo é uma espécie de maldadezinha queridinha e fofinha que não faz mal a ninguém. Nunca na minha vida me senti tão confusa como nestes últimos dias. Tivesse eu filhos pequenos e não saberia o que responder se me perguntassem: mumy (mumy é um termo mais ternurento) quando eu for grande quero ser ditador, não tem mal, pois não?!... Vou ali tentar ver como é que lhe vou explicar a diferença entre um estado democrático e um estado ditatorial.


(eu avisei que raciocinava mal)

4 comentários :

  1. Não tenho simpatia por ditadores, embora por vezes pense que em determinadas situações, fazem falta. Só naquela de evitar a libertinagem e outras coisas acabadas ou não em 'agem'.

    Não me custa admitir, no entanto, que uma pessoa nutrindo simpatia pela ditadura, possa sentir ternura por alguém que a pratica.

    Não é por nada mas acho que a morte de Fidel Castro seja o fio condutor deste desencontro (de opiniões).

    Buenas tardes, Maria!

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    1. Permita-me que discorde na parte em que escreveu: "embora por vezes pense que em determinadas situações, fazem falta". Uma ditadura, um ditador, jamais fará falta num mundo que se quer justo. Digno. Sem autoritarismos. Onde existe respeito pela condição humana. Onde existe respeito pelas pessoas. Um ditador tem uma autoridade ilimitada, e isto, parecendo que não, é do mais assustador que pode existir. Portanto gente que diz sentir ternura (como aquele social democrata que falou lá na caixinha mágica) por ditadores, não me merecem o menor respeito. Ah e tal mas conheço-o pessoalmente... E? E isso quer dizer exactamente o quê? Que um ditador pode massacrar muita gente, mas se me receber lá na casinha dele com pão de Deus, chá de camomila, boa conversa, sorrisos vários, gargalhadas imensas, passa a ser uma excelente pessoa?!... C'um raio, por vezes apetece-me dar corda aos sapatos e ir viver lá para um planeta a anos luz deste que me saiu na rifa.

      Boa semana, caro Observador.

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  2. Como sempre vieste em alta e eu aqui estou atrasada como sempre:)

    Comentei noutros blogues que não consigo separar o ser humano do ditador que foi Fidel que venceu uma ditadura e implementou outra com consequências nefastas. Não conheço a realidade de Cuba, apenas através da internet e ou quem foi passar férias.

    Não suporto a hipocrisia política na corrida do correctamente a enviarem as condolências, aceito apenas a verdade e se essa verdade for diferente da minha, aceito mas não compreendo porque ainda hoje há quem venere Salazar!

    Portanto e posto isto digo o que disse e digo...menos um!

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    1. Fatyly, milhares de inocentes morrem nas mãos de ditadores, será que podemos considerá-los também seres humanos? Pois, aí é que está, eu não consigo usar floreados quando está em causa o sofrimento de pessoas que não têm - ou não tiveram - voz. Isto é tudo muito bonito porque vivemos numa democracia (quero acreditar que sim) e podemos romancear à vontade.

      (obviamente que não se comemora a morte de um ser humano, mas daí a achar um ditador um herói, aplaudir, caramba, as pessoas estão a perder a noção de tudo e mais alguma coisa)

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